BANCADA DIRECTA: Maio 2016

terça-feira, 31 de maio de 2016

O blogue "Policiario de Bolso" torna-se cumplice das aventuras do alferes Sesinando navegando no lago do Jardim do Campo Grande e ia havendo um naufrágio 3º episodio da autoria de Antonio Raposo com o titulo "Fado do Zé Cacilheiro". Mas que grande paciencia a da proprietaria do blogue revelando a veia literaria do Raposinho.



3º EPISÓDIO
O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO
Fado do Cacilheiro

 Um banco de jardim pode ser o começo de uma bela relação. O Alferes Sesinando esparramado no banco de tiras de madeira olhava embevecido Milú e seu canito Lanudo. Pelo canto do olho fazia-lhes o retrato. Media a cena e com voz melosa para boi dormir tentou uma aproximação já mais que vista, mas de resultados certos e garantidos.

Lago do Campo Grande. Anos 30. foto "postais de Portugal"

− Desculpe o meu atrevimento mas a menina Milú por acaso não mora no Bairro de Alvalade? É que a sua cara não me é estranha… − Não, enganou-se. Moro na Avenida de Roma, ali ao pé do Hospital dos Malucos, o Júlio de Matos. Conhece? − Mesmo agora passei por lá, vim a pé desde o Martim Moniz, para ver como Lisboa já mudou neste 3 anos que estive fora na guerra em Angola.

É uma zona muito chique! − Lá isso é verdade! Só mora ali gente boa e simpática. Eu vivo com um construtor civil, um homem já de uma certa idade e que anda sempre por fora. Agora está em Cabo Verde a construir um “resort” de luxo. Só cá vem de dois em dois meses. Eu tenho a companhia do Lanudo. Vivo muito só! − Está como eu. Não se queixe. A vida é assim. Mas agora me lembrei…eu ainda não me apresentei. Sou o Alferes Sesinando. Cheguei ontem no navio Niassa. Ando a ver se localizo o Retiro do Quebra Bilhas. Disseram-me que fazem lá umas iscas como não há outro restaurante em Lisboa. A menina conhece?
Retiro do Quebra Bilhas. Estado actual das instalações. foto de Onaírda

− Se conheço o Quebra Bilhas? Conheço lá eu outra coisa! Até já lá cantei!... − Não me diga. Então está já convidada para lá irmos almoçar. Mas ainda é tão cedo, a menina já andou aqui no lago nos barquinhos? É aqui tão perto. Mesmo ao lado. Podíamos dar ali um passeio. Eu remava e a menina pegava no Lanudo − Nem pensar. Tenho um medo do mar e depois nem sei nadar… − Lá por isso não seja obstáculo.

Acontece que o lago tem água mas dá-lhe pelos joelhos, ninguém lá morreu afogada. −Ah. Julgava que fosse mais fundo. Nunca lá fui. Barco para mim só o cacilheiro. Lisboa – Cova do Vapor. Praia. Sol. Calor. Verão. − Bem então vamos dar uma voltinha e eu canto-lhe o Fado do Cacilheiro enquanto remo. Era romântico não acha? Milú pensou um pouco e depois cedeu. Estava danadinha para dar uma voltinha acompanhada do simpático Alferes.

Depois, ele cheirava tão bem. Ou seriam as flores do jardim? Ali ao lado havia um roseiral. O encarregado dos botes indicou um azul celeste e lá entrou o alferes que deu a mão à Milú que apertava assustada o Lanzudo contra o peito. Com duas remadas fortes do alferes o bote seguiu o seu caminho e Milú sorriu encantada. Nunca fora no bote. Era a primeira vez!
Hospital Julio de Matos. Avenida do Brasil, paredes meias com o Campo Grande

E estava a gostar. Sesinando começou a trautear o velho fado do Cacilheiro. Um êxito revisteiro. O céu estava azul e fazia calor. A primavera já ia longe e o mês de Junho começava a aquecer o ambiente. Milú encantada deu folga à trela e o Lanzudo vendo o espelho de água enervou-se. Começou a rabiar e saltou para a água. Milú tentou apanhá-lo e desequilibrou o barco que perigosamente balançou.

O Alferes Sesinando tentou agarrar a Milú e o barco balançou ainda mais bruscamente. Em dois segundos todos estavam a boiar no lago. Era o fim da picada! (fim do 3º episódio)

Detective Jeremias
Proprietaria do blogue Policiario de Bolso
Estofo de campeã
Até na paciencia.
Santarém é o seu burgo

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A manifestação dos colegios privados de ontem mais parecia uma peregrinação para angariar esmolas


Ungidos pelos bispos, os apóstolos das escolas privadas pagas com dinheiros públicos, organizaram uma cruzada para conquistar Lisboa aos mouros.

Nos púlpitos, pregadores incitaram os fiéis. Agitaram-se as mitras, ergueram-se anelões, brandiram-se os báculos, foram concedidas indulgências plenas aos peregrinos e lançada uma fatwa ao Governo. Sem novenas, missas ou orações pias, mal confessados e pior comungados, fizeram-se à estrada os peregrinos, a exigir o dízimo aos excomungados.

No bornal ia a rasteira que pregaram ao PR e a mentira engendrada do Tribunal de Contas. Como ensina a sharia romana, é lícito mentir em benefício de Deus; o ensino privado não é sacramento, por lapso, e os contratos de associação não são o 11.º mandamento, por não caberem no decálogo.

 Os colégios, para cujo funcionamento os senhores bispos reclamam o dízimo, situam-se em zonas pobres, para filhos de operários e trabalhadores rurais. São colégios de Viana do Castelo (2) [Caminha-1 e Cerveira-1]; Braga (8) [Braga-3, Barcelos-2, Famalicão-2 e Vizela-1]; Porto (4) [Amarante-1, Gondomar-1, Santo Tirso-1 e Trofa-1]; Vila Real (1); Aveiro (4) [Aveiro-2, Feira-1 e Mogofores-1]; Viseu (1) [Lamego]; Guarda (2) [Seia-1 e Arrifana-1], Castelo Branco (3) [Covilhã-1, Sertã-1 e Proença a Nova-1], Coimbra (8) [Coimbra-7 e Figueira da Foz-1]; Leiria (3) [Leiria-1, Ansião-1 e Caldas da Rainha-1]; Lisboa (1).

 Nestas localidades, onde não chegou o ensino oficial, o direito de escolha é a exigência que o episcopado reclama e a caridade exige.

 Nota: A lista que publico, de boa fé, dos colégios que perderam contratos de associação, é a que me chegou. Agradeço a vigilância dos leitores. O parasitismo não se combate com mentiras. Não podemos usar os mesmos métodos.

sábado, 28 de maio de 2016

E quando o Verão chegar as piscinas ficarão a abarrotar. Pelo menos esta é espectacular

Impressionante
Decerto que é na China

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 2 continua a ter o alferes Sezinando e o Retiro do Quebra Bilhas como figuras centrais e intitula-se " Do Martim Moniz ao Campo Grande"

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. 
O episodio nº 2 continua a ter o alferes Sezinando e o Retiro do Quebra Bilhas como figuras centrais e intitula-se " Do Martim Moniz ao Campo Grande"


Do Martim Moniz ao Campo Grande 2º episodio


Edificio da Avenida Almirante Reis nº 74. Fonte = Urban Sketchers

Sesinando acordou com a boca a saber a papéis de música. Dormiu mal até às 3 da manhã. Os quartos da pensão “Bons Sonhos” eram baratos – 15 escudos uma dormida, mas o quarto era minúsculo onde mal cabia o divã de molas e as paredes eram de tabique de madeira o que dava para se ouvir tudo o que se passava aos lados.

Estava convencido que a pensão mal dava tempo para sonhar pois as cabo-verdianas que faziam o Largo Martim Moniz entravam e saiam várias vezes e cabo-verdiano é assim, é expansivo na cama… Sesinando não exigia mais pelos 15 paus. Lá pela madrugada adormeceu profundamente e agora já estava pronto para sair. Banho nem vê-lo. A pensão não tinha! Nem tampouco águas correntes − nem quentes nem frias. Era pegar ou largar. Pelo preço não se podia pedir mais.

 Divertiu-se fumar e a beber Sagres até às duas da manhã e a ouvir mornas e boleros tocados pelo ceguinhos-músicos do Bar “Bolero”. Não foi em engates. Ainda era cedo. Havia muito tempo para a esbórnia. Vestiu-se e petiscou um copinho de leite na leitaria da esquina e seguiu o seu objetivo ir ver o lago dos barcos do Campo Grande e espreitar − e eventualmente almoçar no retiro do “Quebra Bilhas”.

Alguém lhe falara da casa. Com mesas de correr e um caramanchão a sombrear e refrescar o ambiente. Comida caseira e bom vinho da pipa. Estava danadinho para comer umas iscas com elas, um prato do seu agrado e que não o via há mais de dois anos! E lá foi o nosso alferes Sesinando a pé − agora já à civil, pela Almirante Reis acima até ao Areeiro e depois Avenida de Roma até ao Campo Grande.
Campo Grande. Lago

A cidade mudara muito e a parte nova era de arquitetura moderna. O arranha-céus do Areeiro, com a sua dúzia de andares era o edifício mais alto da cidade. Matarruano que visitasse Lisboa tinha que ir espreitar o edifício e também ao Jardim Zoológico ver os animais exóticos. Chegou ao Jardim do Campo Grande e foi ver o lago onde os pequenos botes a remos eram o prazer máximo dos namorados. Ali ficou sentado num banco de jardim a fumar e a gozar da boa vida quando de repente e sem dar por isso um cãozinho veio ladrar às suas botas.

Era uma amostra de cão. Mal se via o focinho cheio de pelos bem como o corpo. Parecia um novelo de lá a ladra-lhe aos pés. Afogueada atrás do canito vinha a dona. Chamando-o pelo nome e ele sem obedecer, pois embirrara com as botas do nosso alferes. Sesinando, num golpe de rins, agarrou na trela solta e puxou-o. De seguida a dona a deitar os bofes fora chegou ao alferes e agradeceu. − Ai, muito obrigado.

Este malandro de repente foge-me e atravessa a rua. É um perigo. Não sei como lhe hei de lhe agradecer. − Ora − disse Sesinando − não me custou nada apanhar o bichinho. Pode-me agradecer dizendo-me o seu nome? − Milú. E o cãozinho chama-se Lanudo. Sesinando pediu-lhe para ela descansar um bocadinho, ali no banco do jardim havia lugar para todos e sobrava espaço. Estava-se a preparar um começo de uma bela amizade.

Quase ia apostar. (fim do 2º episódio)
Antonio Raposo

O autor

terça-feira, 24 de maio de 2016

Espionagem à portuguesa. O espião descuidado. É dos livros que são sempre as namoradas que estragam a vida aos espiões.

Carvalhão Gil, o espião descuidado

É preciso ser um espião muito descuidado para arranjar uma namorada russa e levá-la ao estrangeiro em iniciativas profissionais. Estamos muito bem entregues em matéria de segurança, depois do espião da Ongoing temos agora um espião que gosta de namoradas russas.

 «Um dos membros mais antigos do Serviço de Informações de Segurança (SIS), a secreta portuguesa que atua no campo interno, tendo entrado nos quadros logo nos primeiros cursos, a partir do final dos anos oitenta. Nos últimos anos teria porém caído em descrédito por ter levantado suspeitas. Frederico Carvalhão Gil chegou mesmo a ocupar um cargo dirigente na organização, ou seja, chefe de divisão, que na casa se designa por "diretor de área".

 Mas durante um curso frequentado no estrangeiro terá levado com ele a namorada - uma cidadã do Leste - que com ele se encontrava hospedada num hotel.

A entidade estrangeira que patrocinou esse curso alertou então a congénere portuguesa por considerar que ele "não estaria a ter um comportamento adequado", segundo uma fonte contactada pelo Expresso.» [Expresso]

Contribuições

Frederico Carvalhão esteve para ser expulso por ordem de Rui Pereira. Suspeito e espião russo apanhados em Roma com documentos secretos e dinheiro.

Um quadro superior dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), Frederico Gil Carvalhão, foi detido em Roma, durante uma ação internacional da PJ, designada Operação Top Secret, que o apanhou quando se encontrava com um espião dos serviços secretos russos (SVR), também detido. Foram apreendidos documentos confidenciais que iam ser negociados.

O encontro tinha por base a venda de informações secretas (políticas e económicas) ao agente russo pelo espião português. A investigação policial a Frederico Carvalhão decorria há dois anos, a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT). É a primeira vez que oficialmente é conhecido um caso com esta dimensão no nosso país, que põe a nu a atividade do elemento do SIS e a da espionagem.

Frederico Carvalhão era um antigo quadro do SIS e tivera um processo disciplinar quando Rui Pereira esteve à frente daquele serviço. Então, Frederico mantinha relações íntimas com várias mulheres do Leste europeu, inclusive da Rússia, e deslocava-se com frequência àquelas zonas, o que começou a levantar muitas dúvidas no SIS. Por outro lado, também não escondia a sua proximidade à Rússia, algo que era visto como uma fragilidade, tendo em conta a delicadeza do serviço que desempenhava. Frederico chegou a ser chefe de departamento, embora recentemente tenha passado para a Análise de Informações, ficando afastado de informação de natureza mais secreta.

Encontros no estrangeiro

No entanto, além da sua conduta pouco ortodoxa, até mesmo nas redes sociais, pouco de acordo com o perfil discreto que deve ser mantido nos serviços de informações, Frederico Gil Carvalhão começou também a levantar suspeitas de que estaria a passar informação para um serviço estrangeiro. A contraespionagem do Sistema de Informações da República (SIRP), de que depende o SIS, acabou por começar a verificar se poderia haver ou não fundamento para as suspeitas.

sinal positivo abriu caminho a uma participação do SIRP junto do Ministério Público, uma vez que poderiam estar em causa os crimes de violação de segredo de Estado e de espionagem. A investigação ficou a cargo da UNCT, com diligências iniciadas há cerca de um ano.

Os contactos entre Frederico Carvalhão e o agente russo já ocorriam há pelo menos dois anos, mas a passagem dos documentos e de outra informação aconteciam presencialmente. Os pontos de encontro eram sempre em cidades fora do território português.

A UNCT foi recolhendo prova e, ao mesmo tempo, através do DCIAP, da Eurojust e da Interpol, era estabelecido contacto com as autoridades europeias, em particular as italianas, neste caso a Policia de Stato, departamento de operações especiais. Na passada sexta-feira, Frederico partiu para Roma e foi seguido pela UNCT, que já enviara inspetores para Itália em colaboração com a Policia de Stato.

O encontro entre o elemento do SIS e o agente russo ocorreu no sábado. E foi então que a polícia italiana interveio e fez as detenções, acompanhada pela PJ. Foi apreendida documentação e dinheiro na posse do português, cuja residência em Lisboa foi alvo de buscas. Na casa, foi encontrada mais documentação que poderia ser também negociada. Um e outro estão detidos em Roma, indiciados pelos crimes de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado, e aguardam o processo de extradição para Portugal. 

O JN contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para obter um comentário sobre o caso, mas não obteve resposta.

sábado, 21 de maio de 2016

Nisto Passos Coelho tem muita razão! Há poderosos interesses na questão dos financiamentos aos colegios privados. E interesses na distribuição de lucros aos proprietarios dos ditos cujos

A Constituição da República Portuguesa, bem, consagra o direito à Educação universal e de qualidade. A Lei, novamente bem, prevê o financiamento de colégios privados se e só se não houver escolas do Estado nas proximidades com capacidade instalada para assegurarem cabalmente aquele direito. 
Vai para aí uma enorme chinfrineira causada por um despacho de um Governo que, sem rasgar compromissos previamente assumidos pelos seus antecessores, finalmente teve a coragem de zelar não apenas pelo cumprimento da Constituição e da Lei, como também o de avançar para a racionalização de recursos que, se são escassos para garantir que o número de alunos por turma nas escolas do Estado não compromete a qualidade do ensino por elas ministrado, com toda a certeza se tornarão ainda mais escassos se servirem para financiar uma oferta que multiplica os custos e o desperdício. 

 Outros já o fizeram, por isso não valerá a pena alongar-me sobre o liberalismo do subsídio que se vê por aí em fúria ou sobre o tal direito de escolha de cada um que o despacho não belisca, ele apenas deixará de ser pago com o dinheiro de todos. Porém, vale muito a pena prestar atenção ao que disse Pedro Passos Coelho sobre os interesses estranhos ao interesse público e ao da Educação que emolduram toda esta polémica. 
Bem vistas as coisas, embora a sua intenção seja precisamente a oposta, Pedro Passos Coelho tem toda a razão quando diz que há interesses no despacho que elogiei atrás. E dou três exemplos. Os interesses que fazem com que o Estado laico que vem consagrado na nossa Constituição continue a fechar os olhos às missas ao amanhecer e ao entardecer e à educação católica que é ministrada em muitos colégios com o dinheiro dos nossos impostos. 

Os interesses que impedem que os contratos de associação sejam do domínio público, e continuam a não sê-lo, mesmo com o país inteiro a falar deles. Finalmente, e haverá mais, os interesses que impediram o Governo de fazer o que se faz noutros países onde, tal como cá, a Educação é confiada a privados mas onde, porque o que se quer financiar é Educação apenas e não também enriquecimentos obscuros, se impõe como regra definida à partida a proibição de distribuição de lucros entre os proprietários dos estabelecimentos com contratos com o Estado. 
Quero dar tempo ao tempo e ver a decência a ocupar-se também destes interesses em futuros actos normativos. Por agora, porém, dar-me-ei por satisfeito se o Governo conseguir ceder à pressão de dar o dito pelo não dito e substituir a decisão de dar cumprimento à Lei por uma daquelas soluções “por consenso” que saem sempre tão caras aos mesmos de sempre. 

E mesmo que não ceda, o consenso dos colégios com contrato de associação continuará a custar-nos anualmente bastante mais de 200 milhões ainda durante vários anos.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fascistas ressabiados para todo o sempre na sua vida. Difamadores e especialistas em calunias


Manuel Alegre é um lutador antifascista e enorme escritor e o outro, o caluniador, um mero epifenómeno do fascismo orgânico português.

Sempre defendi que a liberdade de expressão só pode ter como limite o Código Penal, tal como aconteceu agora. O apreço que Manuel Alegre nos merece pelo seu percurso cívico e literário, equivale ao desprezo que nutro pelo fóssil que o difamou, mas preferia que tivesse sido absolvido. 

Não é um fascista que conspurca a dignidade de um combatente da liberdade, por mais vezes que calunie, por mais torpes que sejam as mentiras, mas a liberdade de expressão pode perigar se a jurisprudência insistir em condenações.

Não ficaria mal no acórdão: «Apesar da indigna e reincidente conduta do arguido, vai absolvido porque a liberdade de expressão, que o autor ajudou a conquistar, é um bem tão precioso que não pode estar à mercê da boçalidade de um fascista.»

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 1 tem o alferes Sezinando como figura central e intitula-se "O Retiro do Quebra Bilhas"


O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 1 tem o alferes Sezinando como figura central e intitula-se "O Retiro do Quebra Bilhas"

Clicar para abrir o link do blogue Policiario de Bolso

http://policiariodebolso.blogspot.pt/2016/05/1-episodio-o-retiro-do-quebra-bilhas-de.html

O autor deste tema literario

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Esta Assunção Cristas anda a cantar de galo, mas não convence ninguém. Defende os seus interesses no financiamento das escolas privadas, porque daí tira beneficios afins. Defende critérios duvidosos de comparação com as escolas publicas

Assunção Cristas

Assunção Cristas descobriu um novo critério para financiamento de escolas, na sua opinião se a escola privada for melhor do que a pública deve ser financiada, o critério de tão ingénuo até parece certo, mas nem está certo, nem é honesto, diria mesmo que é velhaco. O que Cristas omite e que um colégio privado obedece a regras que uma escola pública não obedece, esta tem obrigações que os colégios privados não têm, sofrem de restrições financeiras que não são necessariamente as mesmas de um colégio privado, tem alunos que em média vêm de meios sociais com melhores recursos e educação e obedecem a critérios pedagógicos diferentes.
O que a líder do CDS pretende é comparar coisas diferentes e com base em resultados, dois critérios que têm mais de velhaco do que de honesto. A qualidade não se avalia no ranking, exigiria uma auditoria séria aos métodos para que essa avaliação fosse séria, não sendo influenciada pela dimensão das turmas, pela estabilidade do corpo docente, pela origem social dos alunos, pela percentagem de alunos com problemas de deficiência, pelos critérios de admissão de alunos.

Assunção Cristas começa a revelar-se uma política pouco séria, ela sabe que instituições como escolas ou hospitais não são empresas privadas, o número de doentes curados ou a posição no ranking não têm nada que ver com o lucros das empresas, não se pode estabelecer uma relação directa e proporcional entre estes resultados e a qualidade da gestão. De uma líder do CDS seria de esperar mais honestidade intelectual, isto no pressuposto de que Assunção Cristas sabe do que está falando.
"A líder do CDS sugere que o critério para financiamento das escolas não deve passar pelo proprietário das mesmas, mas pela escolha dos pais, custos, qualidade e resultados do estabelecimento. "Se uma escola é melhor, se tem melhores resultados, se os pais a preferem e se não é mais caro que uma escola estatal, porque é que não há de ser essa turma nessa escola que deve prosseguir?", questiona Assunção Cristas, que falava esta segunda-feira aos jornalistas à margem de uma visita ao Colégio Apostólico da Imaculada Conceição (CAIC), em Coimbra.


Com "o problema da natalidade" a criar uma falta de crianças "para encher as escolas", será necessário perceber o que se quer: "Se queremos olhar para a escolha dos pais, para a preferência dos pais, para a qualidade do ensino, olhar para os custos, certamente, ou se queremos olhar simplesmente para o dono da escola", afirmou.» [Expresso]

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sou um catolico convicto. Mas estou atento aos problemas reais da nossa sociedade. Aceito a luta do episcopado contra as decisões do Governo desde que firam as suas mordomias. Mas deixem Deus na sacristia das Igrejas e reconheçam que as nossas crianças pobres também mereciam "liberdade de escolha"

O Episcopado demonstra que os problemas das crianças não lhe fazem mossa nos seus espiritos

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Barbosa, mostrou-se ontem, terça-feira, "preocupado" com a revisão dos contratos de associação, incentivando a luta no terreno contra a medida.

 A CEP "mostra preocupação e manifesta incentivo a todos aqueles que no terreno lutam para que estes princípios se realizem e sejam concretizados" – disse o presbítero. É inquestionável a legitimidade da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) para incentivar a luta contra a medida do Governo, tal como a dos partidos da oposição para se colarem contra um governo cuja legitimidade é igual à do ressentimento que nutrem.
O confronto de posições faz parte da dialética da democracia. O que parece importante é discutir a legitimidade da decisão do Governo e das reivindicações clericais. Se é de legalidade que se trata, é assunto para os tribunais, se é de política, é matéria que cabe a todos e talvez os bispos venham em busca de lã e acabem tosquiados.

 É difícil perceber que uma atividade privada seja subsidiada pelo Estado e não se compreende onde o ensino público, que cabe ao Estado assegurar, tem condições para absorver os alunos. 

 Ninguém reclama do Estado, em nome da liberdade de escolha, que conceda ao automóvel os subsídios que concede aos transportes públicos e, neste caso, são os impostos que recaem nos transportes privados que ajudam a manter os públicos, tal como os impostos sobre os colégios deviam ser dirigidos para o ensino público, em vez de ser este a ser canibalizado pelo privado.
Dado que já se agitam mitras, exibem báculos e nas homilias se defendem interesses terrenos, é tempo de os cidadãos discutirem os negócios profanos da ICAR e os benefícios fiscais de que gozam. É talvez chegada a altura de as Misericórdias passarem a ter inspeções fiscais tal como os outros negócios profanos.

 E deixem Deus na sacristia.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Colégios privados. Mas que raio é esta Liberdade de escolha? Só os filhos de privilegiados é que têm essa possibilidade, enquanto os filhos dos pobres não têm direito a nada. E os pais das crianças descriminadas pagam impostos para beneficiar estas mordomias na Educação.

Liberdade de escolha?

Ouço os pais dos colégios exigirem liberdade de escolha e interrogo-me porque motivo só estes papás terão direito à liberdade de escolha. Lembro-me de muitas terras sem escolas, onde as crianças têm-se de deslocar muitos quilómetros para frequentarem a única escola secundária em muitos quilómetros.

Que liberdade de escolha têm os jovens de concelhos como Castro Marim ou Alcoutim para concluírem o 11.º ou o 12.º ano? Esperem lá, nalgumas localidades argumenta-se com o local de emprego dos papás para que os meninos possam frequentar a escola preferida, por ser privada, enquanto numa boa parte da serra algarvia e de muitas outras serras os jovens têm de andar dezenas de quilómetros, para frequentarem ma única escola disponível?

Quanto custa ao Estado um jovem do Pereiro, de Martim Longo ou do Cachopo, comparado com um dos meninos de Coimbra cujos pais estão tão condicionados pelo emprego que em poucos dias puderam tirar um dia para se manifestarem de t-shirt amarela e outro para carregarem envelopes com as cartas dos seus rebentos a Marcelo? Seria de imaginar que alunos que têm de se levantar de madrugada e chegam às suas aldeias já de noite contassem com condições favoráveis, a fim de assegurar condições de igualdade com os mais favorecidos.

Apoio pedagógico para compensar a falta de estudo e o cansaço resultante de muitas horas de transportes, com partidas de madrugada e chegada a casa já de noite. Turmas com menos alunos para que os professores pudessem compensar estes jovens, bibliotecas melhor apetrechadas, espaços de convívio e de repouso para quem é obrigado a estar fora de casa durante todo o dia, cantinas com uma alimentação adequada.

Mas não, a liberdade de escolha significa que os meninos de algumas cidades podem escolher o colégio que está melhor classificado no ranking, beneficiar de turmas com menos alunos, pagas pelo mesmo Estado que força os jovens de Martim Longo, de Giões, de Cachopo e de muitas localidades deste país a encherem salas com trinta alunos para que tivesse sido possível despedir professores. 

Façam as contas a quanto custa ao Estado um dos meninos que escreveram a Marcelo, comparem com o que o Estado gasta com um menino das nossas aldeias, contabilizem todas as infraestruturas sociais de uns beneficiam e que os outros não conhecem e depois falamos de liberdade de escolha. Seguindo o critério desses papás extremosos eu também gostaria de ter tido a liberdade de escolha de nascer nos EUA e filho de um Bill Gates.
Imagino que depois de ter andado a defender o investimento no interior, declarando "Em larga medida espero que aquilo que foi prometido em relação a uma preocupação de incentivar investimentos no interior venha a corresponder à realidade, que o senhor primeiro-ministro prometeu numa das suas primeiras visitas ao interior venha a ser cumprido", o Presidente da República compare as liberdade de escolha dos jovens da classe média alta das cidades onde há colégios particulares e a dos jovens do interior.

Ele que compare quanto custa ao Estado a liberdade de escolha de uns e a falta de liberdade dos outros.

Fonte do texto: blogue O Jumento

terça-feira, 10 de maio de 2016

A realidade dos sentimentos cristãos. Solidários mas olhando para os seus proprios interesses. Egoismo, narcisismo e impiedade para com as classes mais desprotegidas da Sociedade


domingo, 8 de maio de 2016

No Governo anterior de Direita olhava-se muito bem para os interesses privados. Mesmo em fim de mandato as decisões eram tomadas a tempo e a desmodo




Todos nos demos conta da pressa com que Passos Coelho e Paulo Portas, acolitados pelo seu amigo de Belém, quiseram desmantelar o Estado e entregar a Saúde e a Educação aos particulares, com generosos subsídios ao que, pela sua natureza, devia ser privado.

 Em Portugal, a direita tornou-se, nos últimos anos, ferozmente reacionária e ressentida, sem um modelo próprio, mero capacho do Partido Popular Europeu, a navegar à vista de interesses privados e subsídios públicos.

 Esta direita, a direita que substituiu os quadros com um módico de pudor republicano e sensibilidade social, não se esconde na defesa de interesses privados nem na chantagem à devolução de um mínimo de soberania que o atual Governo reivindica. A Europa [leia-se, direita europeia] não vai permitir que Portugal tenha sucesso – disse Pacheco Pereira.

Ele conhece os meandros do poder e a manha dos que confiscaram os partidos da direita portuguesa. Hoje, andam em polvorosa os colégios privados, em nome da liberdade de ensino, uma liberdade que não dispensa a gamela do orçamento, como os deputados avençados a fazer a sua defesa no Parlamento.

 O pai de um aluno que frequenta um colégio de Coimbra denunciou o colégio por ter encarregado os alunos de levarem hoje uma carta, [TPC*] dirigida ao PR, a pedirem-lhe para continuar a frequentar aquele colégio, onde são felizes.

 Quem o impedirá?

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Esta troupe direitista formou a "claque da austeridade". São os diabos laranjas na sua veia de querer a desgraça do país para intervir como salvadores


Durante anos a direita respondia aos comentários da esquerda relativos a indicadores económicos menos simpáticos sugerindo que se desejava mal ao país. 

Agora houve uma grande evolução, temos um candidato a primeiro-ministro sem estratégia e sem programa porque apenas quer ser poder num cenário de desgraça financeira.

Junta-se o mau ao desagradável, Passos Coelho sabe que só volta ao poder com o argumento da desgraça, da mesma forma que sabe também que a sua política neo-salazarista só é viável numa situação de crise extrema. A direita não quer nem menos austeridade, nem uma austeridade assente em medidas diferentes, quer a mesma austeridade que adoptou, isto é, concentrada em dois grupos, funcionários públicos, pensionistas e pobres.


O programa da esquerda difere muito pouco daquele que resultaria se o governo tivesse aceite um governo para preparar eleições antecipadas, uma boa parte das medidas adoptadas faziam parte das famosas 25 medidas facilitadores propostas pelo PSD ao PS para que este partido viabilizasse o governo da direita. Aliás, uma boa parte das medidas adoptadas estavam previstas nas promessas do PSD.

Pior ainda, do ponto de vista das contas públicas 2015 teve muito provavelmente menos austeridade do que 2015, pelo menos no terceiro trimestres. Atrás dos ideólogos colunistas da comunicação social de direita assistimos a uma verdadeira claque da austeridade, uma verdadeira claque dos Diabos laranja que berram em uníssono clamando por desgraça, na esperança de uma bancarrota que lhes devolva o poder.

 Esta gente ainda não percebeu que o tempo mudou, o BCE já intervêm no mercado contra a vontade de gente como Passos Coelho, a senhora Merkel tem mais com que se preocupar, a Grécia tem problemas bem maiores do que o défice orçamental e em Portugal há um novo presidente.

Nem Passos, nem os seus Diabos Laranjas aprecem ter percebido que mesmo com um regresso ao poder em circunstâncias excepcionais não terão as facilidades que tiveram com Cavaco Silva.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A musica que a Comissão Europeia diariamente nos dá, é uma musica velha, desinspirada e caduca. Só serve os interesses dos grandes grupos financeiros e só cria dificuldades estruturais aos paises pequenos ou de pouca expressão para os seus interesses.

A previsão da Primavera da Comissão Europeia sobre a situação portuguesa faz lembrar a tragédia do Titanic. 

 Isola-se um país (Portugal) de uma complicada situação europeia onde todos os indicadores estão em queda. 

A Europa está a desconstruir-se, inexoravelmente, em vários âmbitos. Desde a crise de crescimento, ao desemprego, ao Brexit, ao problema dos refugiados, ao atoleiro da Ucrânia, etc., tudo está a afundar-se. 

A Comissão Europeia, no entanto, prefere fixar-se na disputa prospectiva à volta de umas décimas de projectado défice orçamental (que será sempre julgado como ‘excessivo’). 
E onde entra o Titanic? Bem, num pormenor do drama histórico do seu afundamento. Quando tudo estava perdido, e os passageiros lançavam-se, em desespero, borda fora, ao encontro da morte, sendo engolidos pelas gélidas águas do Atlântico Norte, a orquestra de bordo continuava a tocar impassível no salão da 1ª. classe. A semelhança é essa. 

Enquanto a Europa se afunda inexoravelmente na incapacidade de resolver os seus problemas e enfrentar uma crise sistémica, a Comissão Europeia, nos salões de Bruxelas, continua a debitar acordes orçamentais divergentes em décimas (como se previsões fossem factos consumados), do mesmo modo que um músico pretende diferenciar as notas altas das baixas. 

Ficamos sem saber ao certo que tipos de dó nos endereçam. Se dó maior ou menor. Mas há uma coisa que sabemos. 

A ‘música’ vinda de Bruxelas é sempre a mesma!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Amanhã é Quinta Feira da Ascensão mais conhecida por Quinta Feira da Espiga

Vamos lá a reatar antigas tradições populares
Dizia-se que apanhar a espiga não trazia mal nenhm ao mundo.

De acordo com o calendário litúrgico cristão, na Quinta-Feira de Ascensão comemora-se a ascensão de Cristo Salvador ao Céu, após ter sido crucificado e ter ressuscitado. Esta data móvel encerra um ciclo de quarenta dias após a Páscoa. Lá diz o adágio: "Da Páscoa à Ascensão, 40 dias vão."

Na Quinta-Feira de Ascensão celebra-se igualmente o Dia da Espiga. Era tradição e igualmente superstição [2], as pessoas irem para o campo neste dia, para apanhar a espiga de trigo e outras plantas e flores silvestres. Faziam um ramo que incluía pés de trigo e/ou centeio, cevada, aveia, um ramo florido de oliveira, papoilas e margaridas.

O ramo tinha um valor simbólico. Simbolizava a fecundidade da terra e a alegria de viver. As espigas simbolizavam o pão e a abundância, as papoilas o amor e a vida, o ramo de oliveira a paz e as margaridas o ouro, a prata e o dinheiro.

Nalguns locais, o ritual da colheita da espiga era muito preciso. Na 5ª Feira de Ascensão, devia ir-se ao campo, do meio-dia para a uma hora, colher flores de oliveira, espigas de trigo e flores amarelas e brancas, tudo em número de cinco. Deviam rezar-se igualmente cinco Padres-Nossos, cinco Ave Marias e cinco Gloria Patres, para que durante o ano, houvesse sempre em casa, azeite, ouro e prata. [6]
De acordo com a tradição, o ramo devia ser pendurado dentro de casa, na parede da cozinha ou da sala, aí se conservando durante um ano, até ser substituído pelo ramo do ano seguinte. Havia a crença que o ramo funcionava como um poderoso amuleto que trazia a abundância, a alegria, a saúde e a sorte. 

Lá diz o adágio: "Quem tem trigo da Ascensão, todo o ano terá pão." E porquê? Porque se acredita naquilo que diz o cancioneiro popular alentejano:

"Tudo vai colher ao campo
Quinta-feira d'Ascensão,
trigo, papoila, oliveira.
p'ra que Deus dê paz e pão." 

"Quinta-feira de Ascensão
As flores têm virtudes,
Quis amar teu coração,

Fiz empenho mas não pude." (Évora) 

terça-feira, 3 de maio de 2016

A situação politica no Brasil. Vamos a ver como é que a Dilma e o Lula vão descalçar esta bota.

 Uma verdade é emergente: há uma certa oposição no Brasil que quer acabar com os partidos de esquerda

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pedro Passos Coelho. Um homem ressabiado que não sabe conviver com a realidade. As suas teses de não querer consensos com o PS revela eu egoismo atroz e a ansiedade de um dia poder ter a cadeira do poder. novamente.

Um político ressabiado é do pior que há. Passos Coelho é um exemplo acabado desse destempero.

Habituado a fazer política à volta de cumplicidades promiscuas tem lidado mal com a postura política do atual Presidente da República. Não porque este (PR) esteja a fazer um ‘frete’ ao Governo do PS apoiado pela Esquerda.

Mas porque Marcelo tem um projecto presidencial próprio (que o tempo vai revelando numa cascata de prestações) e não é identificável com a anterior situação - vivida no tempo de Cavaco Silva - em que a Direita, então, no Governo sempre se sentiu escorada em Belém.

O problema de Passos Coelho é que vivendo aquilo que transparece como ‘momentos de infelicidade’, por não se conformar com o exercício de um papel de Oposição, resolve mostrar um inqualificável despeito para os que exercem um cargo político com ‘felicidade’. Foram esses sentimentos que revelou na entrevista ao ‘Sol’ .

É o 'fado do desgraçadinho': castigado nas urnas, rejeitado no Parlamento e enjeitado em Belém. Mas na referida entrevista foi mais longe. Perante, por exemplo, o conteúdo do discurso do ‘feliz protagonista’, que acintosamente denomina por “Dr. Rebelo Sousa”, na sessão comemorativa do 25 de Abril na AR, onde apelou a consensos nacionais em áreas chaves nas reformas (verdadeiramente estruturais) do Estado, o licenciado Passos Coelho resolveu 'desconversar' falando da miopia dos ‘outros’.
Ao fim deste tempo todo continua a confundir reformas do aparelho de Estado (em curso) com mudanças inconstitucionais de regime (o que paulatinamente foi tentando na legislatura que governou). É o que sibilinamente advoga quando aponta a total submissão aos ‘mercados’ e ‘investidores’ como a sua base programática de consensos

Bem, ficamos por esta cegueira política que deixa os cidadãos sem enxergar os caminhos, em direcção ao futuro, deste dirigente político.

domingo, 1 de maio de 2016

O meu presidente! Marcelo que se cuide. Pelo caminho que a populaça está a seguir "o meu presidente" norteia-se por outros preconceitos e ideais

Graças a um campeonato onde os ânimos foram acicatados quase diariamente o futebol está dominando a actualidade, até o pobre do Passos Coelho parece que está em câmara ardente desde que veio de Espinho, onde se realizou o congresso onde deixou de ser primeiro-ministro no exílio, a verdade é que ninguém está interessado em saber o que diz o líder do PSD, que na verdade nada diz, ou se é a Maria Luís que o vai suceder, o que importa é o que diz o JJ nas antevisões dos jogos, bem como saber se ele fica ou se vai. 

O país deixou de estar dividido entre PS e PSD, esquerda e direita, o que divide o país é os que são admiradores do JJ e os que se riem à gargalhada da personagem, os que querem ver o SCP ganhar e os que são do SLB, os comícios e as arruadas podem ficar desertos, o que importa é que o pessoal enche Alvalade e já nem usam lenço, enquanto a Luz enche às sete da tarde de uma sexta-feira onde nem os taxistas se esqueceram de opções mais importantes do que ser contra a UBER, dando entrevistas com a camisola do glorioso. 

O futebol é uma droga barata e um descarregar de emoções a todos os níveis, a falar de futebol somos todos uns pequenos JJ ou, se tivermos tiques de intelectual, um Octávio ou mesmo um Eduardo. Serve para dizermos uns palavrões e até para ensaiarmos umas sessões de pancadaria sem que daí resulte uma guerra civil. 
Mas ultimamente estamos a assistir a um fenómeno que deve preocupar o Marcelo, é que anda por aí muita gente a referir-se ao “meu presidente”. Mas não estão a pensar no Marcelo, referem-se ao Bruno, ao Vieira ao Fiuza e a todos os outros presidentes dos clubes. Quando um deputado do CDS, agora comentador desportivo na CMTV se referiu ao Bruno de Carvalho como o “meu presidente” ia caindo para o aldo. 

A bebedeira é mesmo colectiva e um dia destes os almoços entre deputados e os presidentes dos grandes clubes na cantina de São Bento ainda acaba em feriado nacional com o Vieira ou o Bruno a dirigirem-se ao país a partir do hemiciclo. 

 A direita conservadora tem um deputado que se refere num programa de televisão a Bruno de Carvalho como o meu presidente? Enfim, já não preciso de ver um porco a andar de bicicleta e apetece-me perguntar se estamos todos parvos ou será só impressão minha.

Obrigado Pela Sua Visita !