BANCADA DIRECTA: Abril 2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

"No Palco da Saudade" é uma rubrica do nosso homem do teatro Salvador Santos que recorda as figuras que pisaram os palcos dos nossos teatros e que já deixaram o nosso convívio. Hoje recorda-se Anabela. É o Teatro no Bancada Directa "No Palco da Saudade" Texto inédito e integral de Salvador Santos

"No Palco da Saudade" é uma rubrica do nosso homem do teatro Salvador Santos que recorda as figuras que pisaram os palcos dos nossos teatros e que já deixaram o nosso convívio.
Hoje recorda-se Anabela.
É o Teatro no Bancada Directa

"No Palco da Saudade"
Texto inédito e integral de Salvador Santos

ANABELA
O seu talento natural para a dança, a sua graciosidade e a sua escultural beleza física incendiavam as noites do Porão da Nau, local de culto da gente do teatro dos anos 1960/1970. Já casada e sem qualquer ambição em ingressar no mundo do espetáculo, ela aparecia por lá com o marido sempre que na manhã no palco da saudade Ado dia seguinte podia estar mais algumas horas na cama. Incentivada por frequentadores do local, decidiu participar num concurso de Yé-Yé (estilo de música pop muito em voga), que acabaria por vencer.

O empresário Vasco Morgado repara então na jovem e convida-a por diversas vezes para integrar os elencos dos seus espetáculos, e em todas recebeu um «não» como resposta. O empresário não era pessoa de desistir com facilidade e jamais parou de insistir enquanto não obteve os seus intentos. Anabela estrear-se-ia nos palcos da revista no Teatro Monumental, em Lisboa, como atração, juntamente com o conjunto musical Rock’s, no espetáculo “Esta Lisboa Que Eu Amo”, em 1969, tinha ela pouco mais de vinte e dois anos.
A sua prestação foi de tal modo bem conseguida que o mestre Ribeirinho (Francisco Ribeiro) a convidou imediatamente para trabalhar na companhia do Teatro Alegre, na qual pontificavam ele próprio e outros nomes conceituados da comédia, como Henrique Santana, Maria Helena Matos, Luísa Durão ou Irene Isidro, com os quais fez várias digressões por todo o país, incluindo as nossas ex-colónias.

Mas seria no Parque Mayer, em Lisboa, que o nome de Anabela começaria a brilhar no topo dos cartazes das nossas produções teatrais, quando aceitou integrar o elenco da revista “Frangas na Grelha”, no ABC, a convite de Tony de Matos, com quem havia contracenado no filme “O Destino Marca a Hora”, a sua única incursão no mundo do cinema.
Terminada a carreira desta sua primeira revista como atriz, é desafiada a ensaiar um novo espetáculo no mesmo palco, que subiria a cena com o título “Saídas da Casca”, contando com um elenco maioritariamente feminino liderado pela (então também muito jovem) atriz Maria do Céu Guerra. Nesse espetáculo, o público confirma o que já se dizia pelos bastidores: Anabela é a nova grande vedeta do teatro de revista!

Os empresários começam a disputá-la. Guiseppe Bastos e Vasco Morgado tentam levá-la para o Teatro Maria Vitória, mas ela prefere continuar no ABC onde faz enorme sucesso com “Viva a Pandilha”. O assédio acentua-se e Anabela não resiste a novo convite daquela dupla de empresários, contracenando então aí pela primeira vez com Eugénio Salvador. Sérgio de Azevedo não se dá por vencido e chama-a de novo para o seu ABC, devido sobretudo à crise de vedetas femininas. Ivone Silva andava em digressão, Florbela Queiroz não podia, Aida Baptista estava ocupada...
É então que ela surge como primeira figura absoluta. E o sucesso não podia ter sido maior: “É o Fim da Macacada” tornou-a definitivamente numa das vedetas mais queridas do público. No espetáculo seguinte Anabela reforça o seu estatuto de estrela ao criar um dos muitos números que compõem a galeria dos melhores de sempre da história da revista à portuguesa: Cabaret, inspirado no célebre tema Money, protagonizado por Liza Minnelli e Joel Grey no filme “Cabaret”.

A atriz chegava a repetir o número oito vezes por noite e saía de cena exausta... Mas valeu pelo sucesso. Era aquele número que enchia o Teatro ABC noite após noite e que fez da revista “P'ró Menino e P'rá Menina” mais um êxito popular. Na revista que se seguiu (“Tudo a Nu”) a atriz volta a criar outro boneco memorável, pleno de graça, sentido crítico e grande complexidade, considerado por muitos como uma das melhores criações de sempre no nosso teatro musicado: Charlot.
O empresário Sérgio de Azevedo continua entretanto a apostar na sua vedeta, juntando-a a Ivone Silva na revista “Uma no Cravo, Outra na Ditadura”. Seguiu-se, no mesmo palco do Parque Mayer “P’ra Trás Mija a Burra”, transitando depois para o Teatro Ádoque. Aí continua a sua carreira de sucesso, mas uma queda no fosso de orquestra atirá-la-ia para uma reabilitação demorada. Anabela só voltaria ao teatro dois anos depois para substituir Ivone Silva em “Ó da Guarda!”.

Mas passado algum tempo perde os pais e a irmã, entrando em depressão. Ela, que tinha um corpo escultural, começa a engordar e em 1982 o seu peso rondava os 100kg. Mesmo assim ainda atuou em duas divertidas comédias: “O Gato” e “Chega P’ra Todas”, no Teatro Laura Alves. Para cúmulo da pouca sorte, Anabela é vítima de atropelamento e atirada para uma cama.

Nessa altura, ela dizia muitas vezes, então já com 200kg de peso, que lhe bastava perder 100kg para regressar aos palcos. Os seus colegas mais chegados abandonaram-na. Apenas alguns poucos a visitavam espaçadamente. A fadista Maria da Fé chegou mesmo a organizar um espetáculo, cuja receita reverteu a favor da atriz.

Entretanto, com o surgimento do Dr. Tallon e de novos processos de emagrecimento, Anabela recuperou a esperança de perder peso e de voltar aos palcos. Mas infelizmente a morte foi muito mais célere e ela acabaria por morrer, triste e desiludida, ainda muito jovem, com apenas quarenta e cinco anos de idade. Para a história da revista ficaram muitos dos seus números...

A atriz esfumou-se da memória das pessoas, mas não de todas. Hoje recordamo-la, porque quem é realmente Grande jamais será esquecido!

Salvador Santos
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2015. Abril. 30

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Isto é que anda para aqui uma açorda de marisco com estes todos marados. Até dá a impressão de que querem cortar o direito à greve. E até posso considerar que os pilotos da TAP têm privilégios superiores aos seus outros colegas da empresa. Mas que têm direito à greve, lá isso têm!


Trabalhadores da TAP em protesto contra o sindicato de pilotos

Duas centenas de trabalhadores da TAP participaram hoje numa marcha silenciosa em frente ao Aeroporto da Portela.

Uma marcha contra o sindicato dos pilotos, que tem convocada uma greve entre os dias 1 a 10 de maio.

Um apelo de vários manifestantes para que o sindicato «perceba que existem rostos para além do seu pequeno mundo, que estão em completo desacordo com tamanha insensatez».

A convocação da manifestação partiu da iniciativa de um dos trabalhadores da companhia, Fernando Santos.

A marcha silenciosa teve início na sede da TAP, culminando no Terminal de Tripulações no Aeroporto de Lisboa.

Noutros tempos era o Relvas a muleta de apoio do Passos. Actualmente essa muleta passou a ser pertença do novo rico de Valongo, lá para os lados do Porto


Marco António, novo rico de Valongo

O mesmo Marco António que ainda não disse nada sobre as graves acusações de que foi alvo no Facebook de um antigo dirigente da JSD dá uma semana ao PS para responder a perguntas como se as propostas do PS estivessem sujeitas à censura prévia do PSD.

A jogada de Marco António parece ser inteligente ainda que o PS não tenha que lhe dar qualquer resposta.

 Mas este truque do PSD para reagir a uma proposta que o apanhou de surpresa só vai servir para prolongar o protagonismo do PS.

«O secretário-geral do PS afirmou hoje que o seu partido vai responder na quarta-feira às 29 questões formuladas pelo PSD sobre o cenário macroeconómico dos socialistas e sustentou que a avaliação do atual Governo "já está feita".»

terça-feira, 28 de abril de 2015

É mesmo a Lei do funil. Quando não se dá qualquer cavaco a ninguém das decisões que se tomam e têm a "lata" de quererem que os outros esclareçam



É mesmo a Lei do funil.
Quando não se dá qualquer cavaco a ninguém das decisões que se tomam e têm a "lata" de quererem que os outros esclareçam


A desorientação
A desorientação do PSD perante a divulgação dos cenários macroeconómicos pelos economistas convidados pelo PS é tanta que não há dia em que não haja uma novidade.

Começou pela reacção em massa dos jihadistas do “Observador”, comandados pelos velhos tarecos maoístas da “Voz do Povo” mordendo no documento de todas as formas possíveis. Como os ataques dos jihadistas não surtiram efeito, o país assistiu ao parto induzido de uma coligação que é a primeira a nascer de parto prematuro. Mas o anúncio da coligação teve menos impacto do que um boletim meteorológico.

Perante o falhanço o pequeno da apresentação dda coligação do cravo sim, cravo não o zipadinho Marco António de Valongo lembrou-se dos tempos em que Guterres era candidato a primeiro-ministro e o PSD usou o seu homem de mão da Direcção-Geral de Estudos e Previsão para criticar com ar quem tinha poderes censórios as propostas económicas do líder do PS.

Como agora a inspiração para atribuir alcunhas a António Costa não é grande (a Guterres puseram a alcunha de picareta falante) e já não podem contar com os serviços um pouco emporcalhados do tal Patinha Antão à frente da DGEP, o PSD lembrou-se de exigir que as propostas da oposição passem pelo crivo da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) e do Conselho das Finanças Públicas.

 O PSD, que não consultou nenhuma destas estruturas para adoptar medidas como o corte dos vencimentos, o golpe nas TSU ou o corte das pensões, que contou com Cavaco para que o Tribunal Constitucional não fosse igualmente consultado, vem agora exigir que as propostas do PS antes de serem apresentadas aos eleitores passem pelo crivo de estruturas que são promovidas a uma espécie de conselho económico eleitoral.

É instituída desta forma a censura prévia às propostas económicas da oposição. Mas uma coisa é a Dra. Teodora Cardoso ter um certo ar de tenente coronel na reserva, outra é dar-lhe um lápis azul para riscar as propostas da oposição.

O mais divertido disto tudo é que ainda recentemente o governo adoptou um Plano de Estabilidade cheio de incertezas, com medidas que num dia eram definitivas e no dia seguinte eram esquecidas e, tanto quanto se sabe, o documento não passou pelo crivo daquelas estruturas e não é muito seguro que Cavaco tenha tido conhecimento prévio das propostas. Parece que o PSD não se limita a querer a censura prévia dos programas económicos da oposição. Quando o Gaspar tentou dar o golpe da TSU consultou alguém?

Quando em vez da TSU decidiu um aumento brutal do IRS de um dia para o outro consultou alguém, fez algum estudo? O excesso de troikismo de Passos Coelho foi fundamentado nalgum estudo ou assentou nalguma avaliação do seu impacto no crescimento e no emprego?

Clicar aqui para verem as medidas

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PSD e CDS.PP casaram no Dia da Liberdade. Os casamentos de Santo António primavam e continuam por serem actos de amor de pessoas necessitadas de apoio da Sociedade. Esta união pré- eleitoral entre partidos da direita prima por ser um casamento de conveniência e despudorado. Como insulto ao 25 de Abril foi uma atitude lamentável.

PSD e CDS.PP casaram no Dia da Liberdade. 
Os casamentos de Santo António primavam e continuam por serem actos de amor de pessoas necessitadas de apoio da Sociedade. 
Esta união pré- eleitoral entre partidos da direita prima por ser um casamento de conveniência e despudorado. Amor nem pensar
Como insulto ao 25 de Abril foi uma atitude lamentável.

O acordo pré-eleitoral CDS/PP com o PSD ontem firmado link foi um 'fogacho' pré-eleitoral mas parte de falsos pressupostos. Um deles é quem pediu, ou condicionou, em 2011, a intervenção externa perante uma difícil situação financeira que, tendo componentes internas, nasce de manobras especulativas do sistema onde assentam arraiais os ‘investidores’ (institucionais na sua maioria), travestidos como implacáveis e inomináveis ‘credores’. 


Quando, em 2011, o largo espectro político-partidário paroquial adoptou a solução de proceder a uma ruptura política interna não mediu as consequências. Uns (a Esquerda) rejeitaram a austeridade pensando que existiriam outras soluções alternativas, outros (a Direita) embrulharam-se em promessas de ‘cortes nas gorduras’ do Estado, jurando poupar os cidadãos
Ambos estes cenários revelaram-se absolutamente fantasiosos. E o custo desta ‘fantasia’ recaiu sobre os portugueses. Há, todavia, uma categórica afirmação que passados 4 anos não pode ser esquecida nem desvalorizada. Passos Coelho comprometeu-se a cumprir o programa da Troika (conhecido antes das eleições de 2011) e “ir mais além das metas acordadas” link. Esta terá sido uma das poucas intenções manifestadas que cumpriu. De salientar que se tratou de um compromisso pós-eleitoral perante o Presidente da República. 

Este, por outro lado, viria a revelar-se um fiel companheiro governamental na aplicação de uma desastrosa politica austeritária. Agora suspira por um entendimento interpartidário. Vá lá entender-se a equivoca personagem. O outro equívoco é o de que a governação conjunta durante os últimos 4 anos foi um sucesso linear, explícito e incontestável. 


Na realidade, a dívida não parou de crescer, o desemprego mantém-se a um nível intolerável, a pobreza cresceu exponencialmente e os apoios sociais caíram a pique. Existem, de facto, indicadores macroeconómicos que melhoraram, mas como reconhece a própria maioria governamental não atingiram as pessoas. E em Setembro/Outubro são as pessoas que votam… 

O FMI que recebeu antecipadamente o dinheiro emprestado também não votará. Na realidade, é difícil contornar esta iniquidade: uns recebem antecipadamente no decurso de uma crise ainda não debelada e num clima de indefinição futura e para os outros foi aventada a hipótese de pagamentos em suaves prestações anuais, condicionalmente, i. e., se a situação (orçamental, nacional e europeia) evoluir bem. 

Esta dualidade de critérios caracteriza bem a atitude deste Governo. É isto que estará em julgamento nas próximas legislativas. O acordo tem, como é habitual nestes entendimentos, intenções ocultas. A primeira é meramente contabilística. A ida em coligação às eleições – com o método de Hondt – poderá beneficiar a 'frente eleitoral de Direita', embora descaracterize as opções (nuances) partidárias, face a um plano de tentar a todo o custo a permanência no poder. Não fica qualquer espaço para as habituais tiradas de ‘desapego ao poder’. 

Outra vertente deste acordo pré-eleitoral é permitir o clássico 'sacudir a água do capote'. No dia seguinte às eleições os 2 dirigentes partidários subscritores do presente acordo apressar-se-ão a endossar ‘um’ ao ‘outro’ os resultados tentando cada um salvaguardar a sua posição partidária. O primeiro acto ocorreu ontem (sem surpresas), segue-se o enredo eleitoral que não expurgou todas as possibilidades de correr mal e o terceiro acto vem depois e não oferece garantias de qualquer estabilidade. Finalmente, existe como é habitual nestas situações a canibalização partidária. 

Tradicionalmente, o partido de maiores dimensões tende a canibalizar o mais pequeno, capitalizando as suas áreas de influência (partidária). Este é um desafio que os militantes do CDS não deixarão, ao longo da campanha, de ponderar. A ‘irrevogável’ avaliação ficará para depois.


Bancada Directa / Ponte Europa

sábado, 25 de abril de 2015

Caros amigos. Vamos estar uns dias ausentes. Roquetas, claro.

Tem mesmo de ser. É por poucos dias


Regressamos muito em breve.

Forte abraço a todos os meus amigos

Adriano Rui Ribeiro

sexta-feira, 24 de abril de 2015

“No Palco da Saudade” é uma rubrica de Salvador Santos que se destina a recordar os nomes e figuras que engrandeceram o Teatro português e que já deixaram o nosso convívio. 
Hoje recorda-se o grande e versátil actor Antonio Montez. 
É o Teatro no Bancada Directa 

 “No Palco da Saudade” 

Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto) 

 ANTÓNIO MONTEZ 

Podia ter sido médico como o seu avô, Júlio Montez – figura muito querida no Cartaxo, que ficou para a posteridade como «o pai dos pobres». Influenciado pela história de vida daquele seu parente, do qual se lembrava apenas do seu longo bigode branco que acariciava quando tinha apenas dois anos de idade, pouco tempo antes de ele falecer, ainda estudou medicina. Fê-lo primeiro na Universidade de Lisboa, de onde acabaria por ser expulso ao fim de um ano devido ao seu envolvimento nos movimentos estudantis da época. 

Passou depois pela Universidade de Coimbra, mas aí foi o teatro, no CITAC – Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, que o impediu de concluir o curso, tal foi arrebatadora a paixão que o fez decidir-se pela carreira de ator. António Montez tinha vinte e três anos quando, em 1964, se estreou como actor profissional no Teatro Experimental do Porto (TEP), na peça de Molière “Georges Dandin”, a que seguiu uma série de outras peças de grande sucesso, entre as quais o vicentino “Auto da Barca do Inferno”. 


Serie "Senhores Doutores" realizada por Jorge Marecos Duarte. SIC 1997. Na foto: António Montez ao lado dos interpretes da serie. Cristina Carvalhal, João Reis, Adriano Luz e Rui Paulo
No final da década, decide partir para Lisboa, a convite do empresário Vasco Morgado, para substituir o ator Nicolau Breyner no Teatro Monumental na peça “O Comprador de Horas”, ao lado dos saudosos Laura Alves e Paulo Renato. Paralelamente inicia uma colaboração regular na rádio e na televisão, ficando associado a duas das mais interessantes experiências de teatro televisivo desse tempo, ao interpretar com assinalável rigor “A Trilogia das Barcas” e o “Auto da Natural Invenção”, com adaptação de Luiz Francisco Rebelo e direção de Artur Ramos. 


No início da década de 1970, António Montez obtém os Prémios da Imprensa e do SNI-Serviço Nacional de Informação para o Melhor Ator, graças à sua criação na peça “A Capital”, a partir da obra de Eça de Queirós, no Teatro Villaret, em Lisboa, a que se segue o seu histórico trabalho em “Os Emigrantes” de Slawomir Mrozek, com o consagrado ator João Perry, no Teatro de Bolso do TEP. 


Antes, porém, havia passado pelo Teatro Estúdio de Lisboa de Luzia Maria Martins, um dos símbolos da oposição cultural à ditadura, onde fez o premiadíssimo “Lar” de David Storey e alguns dos mais representativos textos de Girardoux, Duras e Strindberg, voltando depois ao velho Teatro Vasco Santana ainda antes da Revolução de Abril para fazer Tchekov e Voltaire. 


Foi também naquele velho teatro da antiga Feira Popular de Lisboa que António Montez se estreou na encenação, com “O Pecado do Senhor Saiote” de Luzia Maria Martins. Esta sua primeira experiência como encenador encorajou-o a repetir a função mais tarde, na televisão e nos palcos, sendo de destacar a sua versão de “A Morte de Um Caixeiro Viajante” de Arthur Miller, estreada com sucesso no Teatro Maria Matos e transposta pouco tempo depois para o pequeno ecrã. 

A televisão foi, aliás, um dos meios que mais contribuíram para a sua notoriedade, sendo de destacar a sua regular e frutuosa colaboração com o realizador Artur Ramos nas célebres Noites de Teatro da RTP, onde se sobressaiu muito particularmente em “O Luto de Electra” e “O Fidalgo Aprendiz”. O facto de António Montez ter participado na primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia”, em 1982, que inaugurou este género de produção televisiva entre nós, viria a marcar o seu percurso artístico como actor. 


Seguiram-se então “Origens”, “Chuva na Areia”, “Cinzas”, e, mais recentemente, “Olhos nos Olhos”, “Vingança” e “O Olhar da Serpente”, para além de inúmeras séries, ao mesmo tempo que se destacava na dobragem para português de projectos infanto-juvenis. Possuidor de uma voz inconfundível, participou em algumas séries e filmes de animação que acompanharam as últimas gerações de pais e filhos. “Monstros e Companhia” e “Os Incríveis”, da Pixar Amimation Studios em parceria com a Walt Disney, foram dois dos casos mais felizes. 
No cinema, António Montez revelou-se igualmente um actor de inegáveis recursos como protagonista de “Pedro Só” de Alfredo Tropa, sendo ainda de destacar a sua excelente participação noutros filmes, como “Animal” de Roselyne Bosch, “Ruy Blas” de Jacques Weber, ao lado de Gérard Depardieu, ou “Dina e Django” da realizadora Solveig Nordlund. 

Mas era nos palcos que ele se sentia verdadeiramente realizado, percorrendo todos os géneros teatrais com o mesmo à-vontade e a mesma mestria, de que são exemplos perfeitos as suas prestações na comédia “A Preguiça” que fez com Raul Solnado no Teatro Villaret e na revista “P’ró Menino e P’rá Menina”, no Teatro ABC, onde brilhava ao lado doutra saudosa figura do teatro musicado: Anabela. 


A sua atracção pela revista e a luta por um teatro independente de todos os poderes levou-o a integrar o núcleo fundador do Teatro Adoque, onde acrescentou mais um conjunto de títulos ao longo historial de espectáculos da sua carreira, como “Chiça! Este é o Bom Governo de Portugal”, “Paga as Favas”, “Tá Entregue à Bicharada”, “Pides na Grelha” ou “A Cia do Cardeais”. 
Sempre na primeira linha de todos os combates pela valorização da sua profissão, a partir de 2002 António Montez obrigou-se a abrandar o ritmo da actividade em virtude de uma insuficiência cardíaca que o levou ao bloco operatório de um hospital público de Lisboa. Doze anos depois, a 23 de Dezembro de 2014, não resistiu a uma falência renal. Tinha completado 73 anos sete meses antes. 

Salvador Santos 

Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2015. Abril. .23

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Portugal e o Estado Islâmico. Não está em causa a razão desta luta. Sobre o envio de trinta militares portugueses para o Iraque para combater os jhiadistas, perguntamos nós, o que vão lá fazer? Só força simbólica é muito pouco, E nem houve a coragem para o assumirem publicamente. Foi preciso serem os ianques a fazê-lo

Portugal e o Estado Islâmico. 
Não está em causa a razão desta luta. 
Sobre o envio de trinta militares portugueses para o Iraque para combater os jhiadistas, perguntamos nós, o que vão lá fazer? 
Só força simbólica é muito pouco, 
E nem houve a coragem para o assumirem publicamente. 
Foi preciso serem os ianques a fazê-lo 

Dentro da coerência que procuro, regozijo-me com a presença, embora simbólica, de 30 militares portugueses no combate ao Estado Islâmico. 


É a defesa da civilização contra a barbárie. É um sinal de que não permitiremos que a sharia substitua a democracia. Só lamento que o PR e o PM tenham ocultado a informação aos portugueses e que fosse o chefe da diplomacia dos Estados Unidos a dar a notícia, antes do encontro com Rui Machete, agradecendo o envolvimento de Portugal no combate contra o EI no Iraque. 


 Acontece, quando os dirigentes de um país estão de joelhos. 

Acabam a rastejar, sem que os aliados respeitem o protectorado.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Anda por aí o mestre da economia da Rua da Horta Seca a apregoar a melhoria do crescimento económico e o emprego cada vez mais atractivo no aspecto remuneratório e afinal é o que se vê. Os números e as estatísticas não mentem. Número de licenciados a ganhar menos de 600 euros aumentou 50%

Anda por aí o mestre da economia da Rua da Horta Seca a apregoar a melhoria do crescimento económico e o emprego cada vez mais atractivo no aspecto remuneratório e afinal é o que se vê. 
Os números e as estatísticas não mentem. 
Número de licenciados a ganhar menos de 600 euros aumentou 50% 

Dados do Instituto Nacional de Estatísticas revelam que o número de trabalhadores, com grau superior, a ganhar um salário inferior a 600 euros subiu 50 por cento, avança esta quarta-feira a Antena 1. O mercado de trabalho está desigual, e cada vez pior para os licenciados. Se no final dos anos noventa, os licenciados ganhavam o dobro, agora ganham menos. 
Segundo o «Jornal de Negócios», no final de 1998, o acréscimo que antes chegava aos 107% tem vindo a cair. No segundo trimestre deste ano, era de 72%. Mas as contradições não se ficam por aqui: se o número de trabalhadores por conta de outrem na economia portuguesa continua a cair, certo é que se mantém o aumento do número de pessoas que ganham 3000 euros líquidos ou mais. 

Segundo o jornal «i», a destruição de emprego está a ser feita à custa de pessoas com salários mais baixos. Segundo a edição desta quinta-feira do «Jornal de Negócios», os licenciados têm escapado à destruição massiva de emprego que nos últimos dois anos atingiu em cheio os menos qualificados, mas não saem ilesos. 

A vantagem salarial de quem tem um curso superior tem vindo a cair, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ou seja, em média, ser licenciado compensa, mas cada vez menos. Também segundo dados do INE, no segundo trimestre havia 3,87 milhões de trabalhadores por contra de outrem; desses, 55,2 mil ganhavam mais de 2500 euros líquidos por mês. 

O «i» analisa os números e revela que a subida é especialmente pronunciada no escalão mais elevado: nos que ganham 3000 euros ou mais, o aumento homólogo foi de 28% para um total de 32 mil pessoas; no escalão dos 2500 a 3000 euros, há mais cerca de 7%, ou 23 mil trabalhadores. Assim, a destruição de emprego acontece sobretudo nos salários mais baixos (entre 310 e 600 euros). 

Antes da crise, em meados de 2007, havia 1,63 milhões de pessoas; hoje são menos 314 mil (1,3 milhões).

Coligação, coligação até pode haver: mas o certo é que andam desconfiados uns dos outros. Passos diz que sozinho até pode ganhar as eleições com maioria absoluta e aplicar as suas politicas à vontade. Por outro lado os mandantes do CDS fazem figas e querem dobrar o Passos

Coligação, coligação até pode haver: mas o certo é que andam desconfiados uns dos outros. Passos diz que sozinho até pode ganhar as eleições com maioria absoluta e aplicar as suas politicas à vontade. 
Por outro lado os mandantes do CDS fazem figas e querem dobrar o Passos 

A coligação PSD/CDS é inevitável? Nem por isso. 

Por vontade de Passos Coelho não haveria coligação nenhuma. Está farto das birras do Portas, o Pires de Lima apesar de dizer que é um soldado disciplinado, às vezes ameaça abandonar o quartel e, last but not the least, Passos acredita mesmo que pode ganhar as eleições apresentando-se sozinho . 
No entanto, não será fácil Passos Coelho desenvencilhar-se dos meninos mimados e impertinentes do CDS. Dentro do PSD a maioria quer manter a coligação. Por muito que Passos lhes diga que o CDS é um empecilho, só atrapalha e seria muito mais confortável apostar numa vitória sozinho e depois convidar o CDS, fragilizado, a servir de muleta, do que ir a votos em coligação e sujeitar-se às chantagens de Portas. 

No grupo parlamentar do PSD poucos são os que compram esta teoria e argumentam que, caso o PSD perca as eleições, Portas irá a correr lançar-se nos braços de António Costa. Por uma vez, há que dar razão a Passos e elogiá-lo pela coragem em assumir riscos. Só que, repito, será muito difícil a Passos manter esta posição. 

O CDS está disposto a abdicar de todas as suas bandeiras – como já se viu no recuo em relação à TSU, à extinção da taxa extraordinária do IRS e às pensões dos reformados- para manter um lugar no pote. Bem pode argumentar Passos que Portas não é de confiança e dizer que só aceita ir a votos coligado se o CDS assinar um acordo pré- eleitoral, onde fique determinado o número de ministérios que lhe cabem em caso de vitória. 

Só que ele também sabe que o CDS será exigente, porque acredita valer mais do que efectivamente vale e isso é um obstáculo a um acordo prévio. Não tenho dúvidas que se Passos pudesse decidir sozinho, prescindiria da muleta do CDS. Não sei é se conseguirá fazer valer a sua tese. Os defensores da coligação não deixarão de esgrimir as sondagens que apontam para a possibilidade de PSD e CDS, coligados, poderem ter maioria absoluta. 


 Como a seu tempo se verá, este argumento é enganador. As eleições do Outono irão trazer grandes surpresas, pela dispersão de votos nos “pequenos” partidos que pela primeira vez entram em cena. Se o CDS concorrer sozinho, ficará reduzido a uma expressão minimalista. Talvez um táxi seja demasiado grande para transportar os seus deputados. 

Os portugueses penalizarão mais o CDS – que consideram um partido imprestável-do que o PSD. Portas sabe disso. Passos também. Por isso mesmo penso que, não sendo a coligação inevitável, acabará por se concretizar por força das pressões internas no seio do PSD e pela vontade de Portas se manter agarrado ao pote.. Restará a Passos forçar o CDS a aceitar um acordo pré-eleitoral que o reduza à sua insignificância. Não será fácil. 

 Agradecimento ao Dr Carlos Barbosa de Oliveira

terça-feira, 21 de abril de 2015

Marcelo segue o seu caminho de candidato da direita a próximo PR estrategicamente definido. Mas em matéria de opiniões e comentários isentos isso já é outra coisa.. O objectivo é agradar aos ora mandantes


Marcelo segue o seu caminho de candidato da direita a próximo  PR estrategicamente definido. 
Mas em matéria  de opiniões e comentários isentos isso já é outra coisa.. 
O objectivo é agradar aos ora mandantes

Há muita gente que segue religiosamente os comentários semanais de Marcelo Rebelo de Sousa aos Domingos à noite na TVI. 


Há muita gente que, por não conhecer outras opiniões que não têm o mesmo direito a tempo de antena, colocam Marcelo nos píncaros da honestidade, isenção, até mesmo verdade, critério estranho tratando-se de opinião. 


E há muita gente que está disposta a ajudar a transformar a eleição do próximo Presidente da República na consagração do seu comentador de eleição. Na eucaristia de ontem, Marcelo comentou a greve convocada por dez dias pelos pilotos da TAP. Está contra. Sou dos muitos que já sabiam que estaria contra mesmo antes de o ouvir dizê-lo. 

Marcelo pertence àquela casta de ideologicamente “neutros” que, embora – dizem eles – respeitem o direito à greve, por ser à Sexta, por ser à Segunda, por haver muitos desempregados que dariam tudo para ter um emprego ou por haver muitos mortos que dariam o seu caixão e mais um par de lápides para voltarem à vida, para eles as greves nunca têm razão de ser. 

A ordem natural do mundo destes “neutros” é os grandes enriquecerem oprimindo e os pequenos empobrecerem a deixar-se oprimir. Não admira, pois, que as razões que apontou para estar contra esta greve o retratem tão bem. 


Alguém que respeita o direito à greve, qualquer comentador de trazer por casa, um putativo candidato à Presidência da República tem a obrigação de saber que se convocam greves para reclamar aumentos salariais, melhores condições de trabalho, para se defender a empresa onde se trabalha ou até o interesse nacional. 

Nunca, como esta greve absurda, e absurda precisamente por isto, como arma usada ilegitimamente por uma classe que exige a sua parte dos despojos de mais um assalto ao património público e dizer ao país que pode ser mais um negócio ruinoso para todos desde que para eles o não seja e os faça patrões. Marcelo podia tê-lo dito. Não disse. 

Contornou o uso abusivo do direito à greve resumindo a questão aos prejuízos causados a um negócio que será sempre péssimo e às eventuais retaliações que os pilotos possam sofrer no caso da TAP vir a ser reestruturada. 


O comentador isento vendeu como inevitável um negócio a evitar. O candidato a PR que fará esquecer Cavaco não vê prejuízos para o interesse nacional para além daqueles que venham a ser causados pela greve. 


Mas Marcelo há só um. No monopólio da opinião não há lugar para mais nenhum. As pessoas gostam. E no Domingo há mais.


Bancada Directa / O País do Burro

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A minha homenagem àquela mãe e àquela filha que lutam para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Entrar-se em Mestrado e as exigencias são tão díspares quanto a “timings” de apoio. Bolonha será assim tão apetecível? Muitos, mas mesmo muitos ficam pelo caminho………


A minha homenagem àquela mãe e àquela filha que lutam para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Entrar-se em Mestrado e as exigências são tão díspares quanto a “timings” de apoio. 

Bolonha será assim tão apetecível? 
Muitos, mas mesmo muitos ficam pelo caminho……… 

Há pouco, chegou até mim uma das muitas histórias do género que se vivem por estes dias por esse país fora. Uma mãe contava-me a sua boa e a sua má notícia da semana. A boa, que a filha tinha conseguido entrar em mestrado. A má, que a mesma filha, bolseira de licenciatura, não tinha dinheiro para a primeira propina, a qual pelos vistos, apesar dos protestos, lhe foi exigida imediatamente juntamente com a garantia de lhe ser devolvida na eventualidade da bolsa lhe ser atribuída. 

São 200 e tal euros mensais, mais do que sobra do ordenado da mãe depois de pagas a renda de casa, água, luz e outros luxos do mesmo género, também mais do que a miúda recebe pelas quatro horas diárias que faz na caixa de um supermercado para ter dinheiro para as deslocações, alimentação, fotocópias ,– e livros são extravagância que está acima de qualquer possibilidade, e restante material escolar que a mãe não pode comparticipar. 


Veio à conversa Bolonha, que antes as licenciaturas eram de cinco anos, que as encurtaram para três, que passaram a chamar "mestrado" aos restantes dois e que quem quer obter formação equivalente às antigas licenciaturas de cinco anos passou a ter que pagar estes dois últimos anos a preço de "mestrado", muito superior ao da propina dos três primeiros anos, e com apoio social escolar ainda mais racionado e ainda mais miserável do que aquele a que têm direito os alunos de licenciatura. 


E vieram à conversa os agradecimentos dos ultra da claque rosa ao prisioneiro 44, Primeiro-ministro do Governo que implementou o Processo de Bolonha, e as homenagens que mereceu o grande homem da Ciência – digo-o sem qualquer ironia – que o primeiro escolheu para executar Bolonha na qualidade de titular da pasta da Ciência e Ensino Superior. 

Estas linhas são a minha homenagem àquela mãe, àquela filha e a todos os meus compatriotas que, sem se fazerem notar, lutam diariamente contra as dificuldades do inferno que todos vamos herdando daqueles que sempre têm lugar cativo no paraíso dos grandes homens disto e daquilo. Alguns conseguem vencê-las. Muitos, cada vez mais, ficam pelo caminho. Todos eles são os meus grandes homens e as minhas grandes mulheres. 

Porque? Porquê? 

A Comissão Europeia, os Ministérios da Educação, as conferências de reitores e de presidentes de estabelecimentos de ensino superior e as associações representativas do movimento estudantil a nível nacional e europeu têm desenvolvido esforços, impensáveis há ainda poucos anos, tendentes à concretização do espaço europeu de ensino superior. (...) “a economia do conhecimento mais competitiva e mais dinâmica do mundo, capaz de um crescimento económico duradouro acompanhado de uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de maior coesão social”. 

Se conseguir realizar este ambicioso objectivo, a Europa poderá então afirmar-se competitivamente com outros parceiros a nível mundial, na área de ensino superior e da ciência. 


Tenderá assim a emergir uma Europa do ensino superior, nascida da concretização do Processo de Bolonha, que estará em posição de falar a uma só voz enquanto espaço integrado competitivo de educação e ciência e, deste modo, ganhar maior protagonismo na cena mundial e ter uma palavra a dizer no delinear dos modelos das sociedades do conhecimento do século XXI.»

sábado, 18 de abril de 2015

Meus amigos: fiquem descansados que isto que nós queremos não há-de ser nada. Vocês já estão habituados. E perguntamos nós: quando vão acabar estes cortes? Respondem vocês: quando as galinhas tiverem dentes.......


Meus amigos: fiquem descansados que isto que nós queremos não há-de ser nada. 
Vocês já estão habituados.
E perguntamos nós quando vão acabar estes cortes? 
Respondem vocês:  quando as galinhas tiverem dentes........

Foram mais de dois anos a alimentar guerras entre trabalhadores do privado e trabalhadores do público, a espicaçar invejas entre quem recebe salários de miséria e prestações sociais de miséria, a diabolizar quem luta pelos seus direitos e a elogiar quem deles abdica de cara alegre. 


O Governo sente que conseguiu dividir um povo hoje incapaz de se reorganizar para repetir o protesto que o obrigou a recuar no seu objectivo de transferir para quem trabalha os descontos para a Segurança Social que quis aliviar a quem emprega e volta à carga com a redução da TSU. 
Em ano de eleições, agora diz que irá reduzi-la aos patrões sem aumentá-la aos trabalhadores e, magia, sem comprometer a sustentabilidade da Segurança Social, o argumento que utilizou constantemente ao longo dos últimos quatro anos para confiscar pensões de reforma, reduzir subsídios de desemprego, abonos de família e rendimento social de inserção e, num contexto de desemprego jovem na casa dos 40%, obrigar velhos a prolongarem a sua vida activa aumentando a idade mínima para se ter o direito a poder ceder o posto de trabalho a um jovem sem sofrer qualquer penalização. 

Ao mesmo tempo, o Governo reanuncia, como se fosse a primeira vez que o faz, para vigorarem num tempo que já não será o seu, uma redução gradual da sobretaxa de IRS e a reversão, também gradual, dos cortes salariais na função pública. 

O rebuçadinho há-de apaziguar os poucos que reparem que a redução da TSU não será gradual e os ainda menos que antecipem que tal redução implicará que a idade mínima para a aposentação a partir de agora aumentará ainda mais rapidamente. Vamos todos trabalhar até aos 80, alguns de nós conhecerão o desemprego aos 70, mas não faz mal. O número de milionários também vai continuar a aumentar. 

E nós somos o melhor povo do mundo, compreendemos tudo menos como é que o sacana do vizinho consegue comer carne todos os dias e ainda ter a lata de meter toda a família no carro novo para irem tirar uns dias de férias ao sol. Isso é que não.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um monstro! O jornalista Fernando Correia diz que foi um monstro que esta Vida e esta Sociedade criou

Um monstro! 
O jornalista Fernando Correia diz que foi um monstro que esta Vida e esta Sociedade criou 
Artigo de Fernando Correia 

Não sei como lhe hei-de chamar, mas por certo trata-se de um monstro que a Vida criou sem dó nem piedade e que anda por aí  a fazer de conta que é alguém. Mas não é!

E de tal forma se afirma como monstro que a morte para ele, não é castigo. É pena leve para quem mata apenas porque quer matar; porque mata porque não tem sentimentos; porque mata por nada; porque o seu coração é de pedra, porque o seu cérebro é feito de água podre. 

Matou o filho de seis meses! E se matar não é direito concedido por nenhum dogma, por mais absurdo que seja, matar um bebé no berço, a nascer apara a vida, é um acto de crueldade sem par. O monstro vai para a prisão que não eterna: por isso continuará a ser um monstro. 


Por isso sairá monstro e o Universo não o quererá, porque a natureza não contempla seres deste tipo e desta índole, sem alma, sem pensamento, sem coração, sem qualquer sentimento que ultrapasse o desejo de beber um copo de vinho. Não sei que raio de Mundo é este que admite seres como assim. 

Mas fico a pensar que só por uma aberração da natureza não explicada, pode existir alguém que actue desta forma 

Ao mesmo tempo que me revolto com o nojo que este individuo representa, abro o meu coração ao amor e à ternura daqueles cães sem abrigo que uma boa senhora alimentava diariamente e que foram velar o corpo da sua benfeitora quando esta partiu. 


Por isso gosto tanto dos animais. Por isso, cada vez mais abomino certos seres considerados humanos, mas que são apenas excrementos da Sociedade. A Vida só deve ser vivida por quem a merece e a justifica. 

 Fernando Correia

quinta-feira, 16 de abril de 2015

“No Palco da Saudade” rubrica de Salvador Santos para se recordar os nomes que engrandeceram os palcos portugueses. Hoje é lembrada a figura de Mario Jacques. É o Teatro no Bancada Directa

“No Palco da Saudade” rubrica de Salvador Santos para se recordar os nomes que engrandeceram os palcos portugueses. 
Hoje é lembrada a figura de Mário Jacques. 
É o Teatro no Bancada Directa 

 “No Palco da Saudade” 

Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto) 

MÁRIO JACQUES 
Foram as preocupações sociais e políticas que o levaram para o teatro, tendo o amor pelas artes cénicas crescido aos poucos até ao arrebatamento da paixão. Amante dos desportos de pavilhão, praticava basquetebol no F.C. Porto quando sentiu o apelo dos palcos, era ainda adolescente. No convívio dos balneários confrontou-se com colegas que tinham uma situação social totalmente diferente da sua, muitos deles a trabalhar para ajudar a sustentar as famílias. 

Oriundo da burguesia mais endinheirada da cidade Invicta, deparou-se então com um mundo que desconhecia, ganhando aí a consciência cívica que o fez interessar-se muito mais pela cultura como veículo social e político. Meio a brincar, costumava dizer que foi o desporto que o levou para o teatro. A estreia de Mário Jacques como actor ocorreu em 1960, aos vinte anos, no Teatro Experimental do Porto (TEP), sob a direcção de António Pedro, primeiro substituindo um ator em “O Morgado de Fafe Amoroso” de Camilo Castelo Branco e depois criando de origem uma personagem de “O Rinoceronte” de Ionesco. 
Nos três primeiros anos de colaboração no TEP, que para ele funcionou como uma verdadeira escola onde aprendeu as bases fundamentais para o trabalho de ator, destacam-se as suas inesquecíveis prestações em peças como “Madrugada” de Buero Vallejo, “Conhece a Via Láctea?” de Karl Wittinger, “O Vagabundo das Mãos de Oiro” de Romeu Correia e “Os Credores” de Arthur Strindberg, todas com encenação do saudoso João Guedes. 

A febre de aprender todas as técnicas de representação e de evoluir do ponto de vista humano, levou-o então até França para frequentar, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, a École Dramatique de Estrasburgo e a École d’ Art Dramatique Charles Dullin de Paris, percorrendo aí todos os géneros de representação teatral, desde a mímica, o que lhe deu uma maior noção da consciência do corpo e do significado dos gestos em cada palavra. Nessa altura teve ainda oportunidade de estagiar durante alguns meses com Roger Planchon, no Thèâtre de la Cité de Villeurbanne, e com Georges Wilson, no Théâtre National Populaire. Com estes encenadores, dois extraordinários homens de teatro e grandes comunicadores, desenvolveu importantes competências. 

Serie  televisiva "A Noite do Fim do Mundo" RTP. 2010. Outubro. 16. Mário Jacques contracena com Maria João Abreu e Sofia Duarte Silva

No regresso a Portugal, em 1966, Mário Jacques recebeu o convite para ingressar nos quadros do Teatro Nacional D. Maria II, onde ficou até ao dia do incêndio que o destruiu quase por completo. Numa das peças em que participou naquele palco (“Ciclone” de Somerset Maugham), teve o privilégio de contracenar com a atriz Palmira Bastos, que o marcou profundamente, segundo as suas próprias palavras em entrevista recente: «Ela tinha 90 anos, eu tinha 25. 

Era quase comovente ver uma atriz daquela idade, com dificuldade de se mover – montou-se inclusive um camarim no palco para ela não andar a subir e descer escadas; mas assim que o espetáculo começava, ninguém a agarrava, com aquela sua voz fortíssima. Foi uma extraordinária lição de teatro». Outras lições de vida, adquiriu-as em cena e no seu quotidiano, no contacto com camaradas de palco e com gente anónima, que o fizeram crescer como cidadão atento e crítico da sociedade. 

Cada vez mais firme nas suas convicções políticas e ideológicas, Mário Jacques adere em 1970 ao Partido Comunista Português e funda o grupo de teatro independente Os Bonecreiros, ao mesmo tempo que reforça a sua participação cívica nos mais diversos fóruns. Celebra a Liberdade conquistada com a Revolução de Abril com a esperança num país mais justo, e, seis anos depois, decide aprofundar os seus conhecimentos artísticos e viaja para Moscovo, para estudar Stanislasvki e Tcheckov. 

 Após a sua experiência em Moscovo, funda o Teatro do Actor e assume a coordenação da direcção do Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo, onde se cruza com o autor destas singelas evocações que o recorda não só como um actor e encenador inteligente e muito criativo, mas sobretudo como um ser político e um homem íntegro, leal e honesto. 



Apesar das suas responsabilidades sindicais, que se estenderam até 1997, Mário Jacques nunca deixou de exercer a sua profissão, servindo dramaturgos como Strindberg, Goldoni, Miller, Pinter, Ibsen ou Shakespeare, nos mais diversos palcos, desde o Teatro-Estúdio de Luzia Maria Martins ao Teatro Hoje de Carlos Fernando. Com Edward Albee, Mário Jacques conquistaria, em 1980, o Prémio Palmira Bastos/António Silva pela sua interpretação em “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf”, levado a cena no Teatro da Graça. 
Peça "À Beira do Fim".  2011. Teatro da Malaposta. Loures (?). Mário Jacques contracena com Lourdes Norberto e Paula Guedes

A sua prestação como actor nos palcos viria a ser distinguida por mais duas vezes, mas as suas qualidades como intérprete seriam também realçadas em diversas criações na produção audiovisual nacional. Na televisão, merece destaque o trabalho realizado na novela “Mar de Paixão” da TVI. No cinema, o relevo vai para os filmes “Tráfico” de João Botelho e “O Fim do Mundo” de João Mário Grilo. 

Um problema cardíaco que o atormentava obrigou-o no início deste ano a mais uma intervenção cirúrgica. Complicações pós-operatórias inesperadas roubaram-nos Mário Jacques para sempre. Foi no dia 25 de Janeiro de 2015. Acompanharam-no na despedida familiares, camaradas de trabalho e amigos, gente anónima e figuras do universo político, que realçaram as suas excelentes qualidades como ator e ser humano. 


Salvador Santos 

Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2015. Abril. 16

Bem prega este evangelista o que devia ser a realidade. Simplesmente profere palavras ôcas para incendiar de optimismo os seus apaniguados. Mas de evangelho em evangelho coelhófilo aproxima-se a morte de Cristo.


Bem prega este evangelista o que devia ser a realidade. Simplesmente profere palavras ôcas para incendiar de optimismo os seus apaniguados. Mas de evangelho em evangelho coelhófilo aproxima-se a morte de Cristo.

Para ser bem-sucedida, a maioria - partindo do princípio que vai haver uma coligação - precisa, ao contrário do dr. Costa, de ganhar absolutamente. 


Não chega aquela lengalenga trôpega de "mais um voto". Mais um voto na coligação, ou no PSD, do que no PS quer dizer nada. 


Ainda não vi, no meio de tanta tagarelice oficial e oficiosa dos principais tenores governamentais e da maioria, uma vontade firme em estabelecer com o país uma base de solidariedade estratégica. 

O reiterado recurso a abstracções que nada dizem às pessoas "reais", por um lado, e a deliberada ignorância do mundo do trabalho privado e público, por outro, não "atraem". 

O investimento e a consolidação orçamental são excelentes mas não votam. As empresas são indispensáveis mas os empresários são voláteis. A balança comercial é muito bonita mas tem dias. O desemprego e a dívida têm todos os dias dramaticamente por sua conta. 


Tal como os impostos. Em resumo, mais para a "direita" e para abstracções ultraliberais e politicamente débeis a coligação já não pode ir.


 Experimentem, antes, puxar a vida das pessoas para cima. Talvez seja por aí.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A vingança de Manuel Maria Carrilho. Ele não pretende só a exclusão de Sócrates do PS, mas sim criar a convulsão intestina dos socialistas. Mas quem vai aceitar as suas opiniões sabendo do triste espectáculo a que nos tem habituado ? Deixem o detido em Évora em paz e que a justiça funcione.....


A vingança de Manuel Maria Carrilho. 
Ele não pretende só a exclusão de Sócrates do PS, mas sim criar a convulsão intestina dos socialistas. Mas quem vai aceitar as suas opiniões sabendo do triste espectáculo a que nos tem habituado ? 
Deixem o detido em Évora em paz e que a justiça funcione..... 

Manuel Maria Carrilho Carrilho é um morto-vivo da política portuguesa, um verdadeiro cadáver político que nenhuma força partidária quer reclamar como seu e ele sabe muito bem disso, mas não é uma alma penada qualquer, é uma alma penada vingativa e ressabiada, não esquece da queda que sofreu quando estava no luxo parisiense e do desprezo colectivo que sentiu pela forma como reagiu. 

Mas mesmo depois de um processo de divórcio pouco próprio para quem alimenta ambições políticas Carrilho ainda encontra forças para prosseguir a sua vingança. 
Não é de Sócrates que Carrilho pretende vingar-se, mesmo preso em Évora José Sócrates deve sentir um desprezo olímpico por esta personagem, a vingança de Carrilho é contra o PS e mesmo contra a esquerda. Carrilho pode ser muita coisa mas burro ainda não parece ser e sabe muito bem que com esta intervenção apenas favorece a direita. 

Enfim, um fim cada vez mais triste para um dos maiores erros de casting cometidos pelo PS. Já não bastava o espectáculo triste do seu divórcio, agora quer envolver o PS num sessão de pancada digna do velho Cais do Sodré. Um nojo. 

 «Manuel Maria Carrilho defende que a única maneira de o PS não ser altamente prejudicado nas eleições legislativas com o caso da prisão de José Sócrates é abrir caminho à expulsão do ex-primeiro-ministro do partido. 


Essa iniciativa deve partir do líder socialista António Costa, disse Carrilho numa entrevista publicada esta terça-feira no Diário de Notícias. “Não tenham ilusões, só esse ato redimirá o PS aos olhos do país”. “É preciso preparar a inevitável proposta de expulsão de Sócrates do PS. 
A iniciativa, a meu ver, devia ser do próprio secretário-geral do PS. Todos sabemos que António Costa foi o número dois de Sócrates, e por isso também ele, como todo o país e a imensa maioria do PS, só se pode sentir traído, enganado”, afirmou numa entrevista concedida a propósito do lançamento do seu novo livro “Pensar no que lá vem”.» [Observador] 

 Bancada Directa/O Jumento/Observador

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