BANCADA DIRECTA: Novembro 2013

sábado, 30 de novembro de 2013

O irrevogável Paulo Portas. Pode-se dizer que há um “antes” e um “depois”. Referimo-nos à irreversibilidade da sua demissão.

O irrevogável Paulo Portas. 
Pode-se dizer que há um “antes” e um “depois”. 
Referimo-nos à irreversibilidade da sua demissão. 

É um facto concreto e verdadeiro. Paulo Portas nas suas funções governamentais nas coligações em que entrou já foi Ministro da Defesa, dos Negócios Estrangeiros e agora Vice Primeiro Ministro. Tenho a presunção que se ele insistisse muito Passos Coelho dava-lhe a função de Primeiro Ministro

Não é que para Paulo Portas isso fizesse grande diferença, porque na realidade ele é o putativo Primeiro-Ministro e Passos Coelho subalternizou-se em relação a êle. Depois da demissão irreversível de Paulo Portas tudo mudou, Passos Coelho desapareceu, o presidente parece ser um pau mandado do governo e o PSD ficou entregue a uma figura menor do Porto, o Marco António desdobra-se em comunicações enquanto os governantes do PSD parece terem hibernado.  

O discurso do empobrecimento tão ao gosto de Passos Coelho deu lugar ao discurso do crescimento e das exportações de Paulo Portas. Passos Coelho rendeu-se à velhacaria de Paulo Portas e se não o designou primeiro-ministro permitiu-lhe assumir um protagonismo digno desse estatuto. 

Passos Coelho desapareceu e o verdadeiro primeiro-ministro passou a ser Paulo Portas e enquanto os ministros do PSD ou desapareceram ou têm intervenções patéticas. Agora é Portas e os seus íntimos que brilham, que inventam milagres, que se colam aos fracos sinais de retoma económica. Paulo Portas divulga antecipadamente os indicadores do INE, responde a Mário Soares, assume o estatuto de celta libertador, enquanto Passos desaparece e Cavaco Silva perde protagonismo afundando-se na falta de credibilidade de uma presidência reconhecidamente incompetente. 

Paulo Portas luta pela sobrevivência e pouco se importa que o consiga à custa do PSD. Passos Coelho é um derrotado e se o líder do CDS poderá sobreviver ao líder do PSD pouco resta o que sonhou impor à juventude portuguesa, o caminho da emigração. 

As voltas que o mundo dá..

Esta Lisboa que eu amo. Mas desta maneira nem pensar. Uma falta de respeito para quem tem de circular nos passeios desta nossa cidade

Lisboa
Por uns destes dias passados
Cruzamento da Avª Miguel Bombarda com a  Casal Ribeiro.
Passeio do edifício da sede da Imprensa Nacional - Casa da Moeda
Apenas um comentário: onde está a polícia?
A tentar, e conseguir, subir a escadaria do Parlamento para tirarem fotos do acontecimento e da sua valentia?
Francamente

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fragmentos e Opiniões no Bancada Directa. Com o nosso cronista António Raposo a dissecar um tema recorrente. O Papa Francisco a conviver perigosamente com as “feras” do Vaticano

Fragmentos e Opiniões no Bancada Directa. 
Com o nosso cronista António Raposo a dissecar um tema recorrente. 
O Papa Francisco a conviver perigosamente com as “feras” do Vaticano 

O PAPA CHICO 

 
Quero aqui afirmar que não sou crente e de uma forma geral não aceito a maneira como a Igreja católica tem andado por este mundo a pregar a moral e a caridadezinha, mas mantendo e idolatrando a miséria como forma de se auto-justificarem. 

Uns autênticos jesuítas – no mau sentido do termo. A Igreja portuguesa tem sido uma vergonha. Sempre atrás dos poderosos e a lamber as botas do poder instituído, tendo o seu apogeu nos governos Salazar-Caetano. 

0s diferentes papas que tenho visto ser entronados – e já são uma boa mão cheia – na maioria dos casos ficaram prisioneiros da clique que dirigem e norteiam os negócios da Igreja. Umas vezes é verdade que eram escolhidos os conservadores para, mudando, tudo ficasse na mesma. Outros que quiseram mudar ficaram presos nas malhas internas das influências dos que os rodeavam. 
Aquele Banco do Vaticano se falasse teria muito que contar. Até por dinheiro mal lavado… Houve um papa – o bonacheirão João XXIII – que deu uns ares de querer introduzir algumas ligeiras alterações e segundo dizem as más-línguas, deram-lhe um chazinho para adormecer profunda e definitivamente. 

Sempre ouvi dizer e parece-me que não é mentira que as grandes instituições não se conseguem reformar por dentro: a Justiça, as Forças Armadas, as Igrejas. Quando este novo papa que eu chamo de uma forma simples mas respeitosa de Chico, fez uma coisa que me deixou perplexo e ao mesmo tempo atento: mudou a residência! 

Pensei cá para mim: isto tem algo a ver com a sua segurança! E creio que se deve ter rodeado de gente em quem confia. Quem estudou um pouco a história dos papas ao longo da história sabe como a vida deles era difícil e perigosa e não era por causa de aparecer um maluco qualquer a soldo de alguém dar-lhe um tiro ou uma facada. 
Era a sua “entourage” que eles tinham a temer. Tal como aconteceu aos antigos Imperadores Romanos. Acontece que ouvi o papa Chico dizer na televisão que os novos e os velhos foram descartados por esta sociedade que criámos e que está refém do poder financeiro. 

Isto vindo de mim estaria certo, mas vindo do papa, parece música celestial. Saúdo daqui o simpático papa Chico como um homem de coluna vertebral direita e com a audácia das suas palavras deve fazer espumar de raiva esta rapaziada que nos desgoverna ( principalmente aqueles que se dizem católicos e são uns falsos) mas que não podem ir contra nem denunciar o papa porque eles sim são os falsos profetas e os vendidos ao capital financeiro. E viva o papa Francisco ( Chico para os amigos ) e que viva por muitos anos e bons. 

Um agnóstico agradecido. 

António Raposo 
Lisboa. 2013. Novembro. 29

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Portugal está de luto. Mais de 600 trabalhadores vão para o desemprego de uma assentada. Acontece nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Tudo isto é fruto de um processo mal gerido e pouco transparente

Portugal está de luto. 
600 trabalhadores vão para o desemprego de uma assentada. 
Acontece nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. 
Tudo isto é fruto de um processo mal gerido e pouco transparente 


«A única garantia é que o senhor ministro confirmou hoje o despedimento coletivo de 620 trabalhadores. Ficámos muito desiludidos porque há ano e meio a esta parte, o ministro pegou num diploma do Governo socialista e disse que ia pôr na gaveta 420 despedimentos. Agora está a fazer melhor, está a despedir de uma só vez 620», afirmou o dirigente da comissão de trabalhadores dos ENVC António Costa. 

O responsável, após cerca de duas horas e meia de reunião com o ministro da Defesa Nacional, em Lisboa, anunciou que vai realizar-se na sexta-feira um «plenário geral às 15:00 para ver todas as formas de luta que se possam encetar no futuro». 

«Fazemos um apelo ao primeiro-ministro e ao Presidente da República. Parem este processo da subconcessão dos ENVC. Não deixem que o ministro faça este crime social em Viana do Castelo. É criminoso o que estão a fazer. 

É inadmissível», continuou. Os 609 trabalhadores dos ENVC vão ser despedidos até janeiro de 2014, processo que vai custar ao Estado cerca de trinta milhões de euros em indemnizações, disse à agência Lusa fonte ligada ao processo de subconcessão. 

Em causa em todo o processo está a adjudicação à Martifer da subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, que anunciou a criação, no período de três anos, de 400 postos de trabalho, mantendo a actividade de construção e reparação naval na região.

Há que respeitar o Regulamento do Código da Estrada. É que em Espanha os polícias não perdoam qualquer transgressão ao dito


 Mira Pepe, porque no monta usted un altavoz en las orejas del burro? 

Agradecimento ao Antonio Raposo

Óbvio!....E seria tão bom para todos nós!....


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Se dúvidas existissem.......

Se dúvidas ainda existissem… basta olhar para esta imagem.!!!
Os políticos tratam-se a eles e aos seus partidos para manterem os privilégios.
Vem à memória o livro/filme Animal Farm/Triunfo dos Porcos, que também podia intitular-se
“Os porcos têm sempre a gamela cheia” (porco que é porco, só quer é a gamela cheia - não importa a ideologia).
Desse livro de Orwell, escrito em 1945, fica na memória a célebre frase final:
“TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS MAS UNS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OUTROS”
e os funcionários públicos e os reformados são os outros - continuam a ser roubados para sustentar esta corja.
 

O Teatro no Bancada Directa. O musico Frederico Valério é a recordação de hoje de Salvador Santos na sua rubrica "No Palco da Saudade".


In memoriam

Frederico Valério nasceu em Lisboa em 11 de Junho de 1913 e faleceu nesta mesma cidade em 12 de Maio de 1982

Foi um compositor português de grande prestigio

O Teatro no Bancada Directa. 
O maestro Frederico Valério é a recordação de hoje de Salvador Santos na sua rubrica "No Palco da Saudade"

"No Palco da Saudade"
Texto inédito e integral de Salvador Santos

FREDERICO VALÉRIO 

Inspirado e perfeccionista, ele foi um dos maiores compositores de música ligeira portuguesa de sempre. Filho de um modesto marceneiro alfacinha, interessou-se vivamente pela música aos treze anos de idade, iniciando a partir desse momento a sua aprendizagem na Academia de Amadores de Música enquanto concluía o antigo Curso Geral do Comércio. Fora essa, aliás, a condição imposta por seu pai para permitir que se matriculasse depois no curso de piano do Conservatório Nacional de Lisboa, como era seu desejo. 

No Conservatório a sua notoriedade revelou-se muito cedo através das composições que criava e pelo talento natural de homem nascido para a música, não chegando a terminar o curso devido ao seu ingresso repentino no mundo do espectáculo. Com apenas vinte anos de idade, decorria então o ano de 1934, Frederico Valério estreou-se no teatro musicado com “A Pérola da China”, tendo composto no ano seguinte o seu primeiro grande sucesso para a revista “Milho Rei”, a canção popular As Carvoeiras criada pela inesquecível actriz Maria das Neves, que durante muitos anos andou de boca em boca. 
A este êxito popular seguiram-se outras composições que fizeram história nos palcos do teatro de revista, mas foi após o seu primeiro contacto com Amália Rodrigues, na revista “Essa é Que é Essa”, em 1942, que a sua veia de compositor despontaria para as suas maiores criações que marcaram a história da música ligeira portuguesa e conquistaram os mais exigentes palcos internacionais. A primeira vez que Frederico Valério saiu de Portugal foi a convite de Amália Rodrigues como director de orquestra de uma das frequentes deslocações da nossa Diva do Fado ao Rio de Janeiro. 

E foi aí, na cidade maravilhosa, que ele compôs a música para o fado “Ai, Mouraria”, com letra de Amadeu do Vale, uma das grandes referências do repertório de Amália, que lhe prestou sempre os maiores elogios: «A existência do Frederico Valério, quando eu estava a começar a cantar, foi formidável. Tinha um tipo de melodia que era para a minha voz. Conhecia muito bem a minha voz e escrevia para mim, para toda a gama da minha voz… Nos fados do Valério a melodia está lá toda, nem que se faça uma voltinha pequena, não se nota, a orquestra segue na mesma». 

No regresso do Rio de Janeiro, Frederico Valério compôs a música da opereta “Rosa Cantadeira”, um êxito sem precedentes que juntou no mesmo palco Amália Rodrigues e Hermínia Silva, e fez depois a banda sonora do filme “Capas Negras” – outro grande sucesso –, ao mesmo tempo que foi criando temas inesquecíveis. Quem não se lembra dos fados “Malhoa”, “Severa”, “Madragoa”, “Sabe-se Lá”, e tantos outros? Por essa altura, em finais de 1948, um empresário norte-americano leva-o para os Estados Unidos, onde a sua canção “Don’t Say Goodbye” atinge rapidamente o primeiro lugar no Hit Parade. 

E, dois anos depois, é convidado para musicar a opereta “On With the Schaw”, no carismático Teatro Marke Hellinger, na Broadway. A música de Frederico Valério espalha-se pelo Mundo inteiro, com gravações na Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França e Inglaterra. A versão inglesa de “Ai Mouraria” (Star of the Night), foi gravada por Vic Damone e Eddie Fisher, entre muitos outros. 
Maria Candido, uma cantora francesa nascida em 1922, de seu verdadeiro nome Simone Marius, grava “Les Cloches de Lisbonne” (versão do “Fado da Madragoa” imortalizado por Amália) e o tema obtém um grande sucesso em França, sendo depois regravado – como era habitual na época – por muitos artistas de renome, como Tino Rossi, Luis Mariano, Gloria Lasso, Bob Azzam, Francisco Grandey ou Pierre Carré. Entretanto, a Broadway contrata-o de novo para mais um musical: “Hit the Trail”. 

Apesar do seu enorme sucesso internacional, que o permitiria viver para sempre apenas dos direitos de autor se quisesse, Frederico Valério nunca deixou de trabalhar em Portugal, compondo para cinema e para teatro, bem como para as vozes portuguesas que mais admirava. 
Entre os filmes em que colaborou é inevitável que se recorde “Aqui Portugal”, “Fado, História de uma Cantadeira” e “Madragoa”. No teatro musicou, por exemplo, a reaparição de Beatriz Costa na revista “Ela Aí Está” e inaugurou o Teatro Monumental regendo a orquestra na opereta de Strauss “As Três Valsas”. 

Mais tarde surpreendeu a sua sobrinha Maria José Valério com a canção “Folha de Hera” e compôs um dos últimos grandes êxitos de Simone de Oliveira: “Esta Lisboa Que Eu Amo”. “Confesso” foi outro tema de Frederico Valério que alcançou considerável sucesso, acabando por ser gravado por Maria Bethânia no álbum Memória da Pele, de 1989, depois de cantado por Caetano Veloso e outras grandes vozes da música popular brasileira. 

Antiga Marcha de Carnaval de Loulé. Frederico Valério está no centro da foto e foi o autor da musica dessa marcha

Mas não se ficam por aqui os temas do compositor que ainda hoje constituem o repertório das mais prestigiadas vozes, muitos deles criados para os palcos de revista em espectáculos como “Anima-te, Zé!”, “Chuva de Mulheres”, “Cigarro Forte” ou “Rua da Paz”, que animaram o Parque Mayer na década de 1940. Nessa altura Frederico Valério enamorou-se da jovem actriz Laura Alves, mas as voltas da vida não permitiram o romance. 

Quis o destino que quarenta anos depois recuperasse esse seu amor, casando com a actriz em 18 de Julho de 1979. Três anos depois, a sua morte interrompia tudo. 

Salvador Santos 
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2013. Novembro. 26

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Gentes deste Portugal, que tanto sofreis com esta austeridade, lembrai-vos destas palavras de José Saramago.


Custou mas teve de ser. Se não actuasse Cavaco teria remorsos para toda a vida. Aqui nem interessa que ele seja o Presidente da República. Ele é um cidadão como um qualquer de nós e tem de ser solidário connosco para acabar com estas injustiças.

Custou mas teve de ser. 
Se não actuasse Cavaco teria remorsos para toda a vida. 
Aqui nem interessa que ele seja o Presidente da República. 
Ele é um cidadão como um qualquer de nós e tem de ser solidário connosco para acabar com estas injustiças. 

Presidente rejeita modo "furtivo" de criar impostos 

É um imposto" 


Presidente fundamenta pedido de fiscalização do diploma da convergência de pensões considerando que é um imposto e alerta para perigo de criação de outros novos. Cavaco Silva considera que o texto carece de uma regulamentação de transição e impede pensionistas e reformados de se adaptarem com tempo a um novo regime que lhes diminui de forma abrupta os rendimentos 

O diploma da convergência de pensões cria um novo imposto, que "fere" os princípios constitucionais da protecção da confiança e da proporcionalidade e abre a possibilidade de criação de novos impostos de forma "furtiva", segundo o pedido de fiscalização constitucional do apresentado pelo Presidente da República. 
Para além disso, Cavaco Silva considera ainda que o texto carece de uma regulamentação de transição, o que impede os pensionistas e reformados de se adaptarem com tempo a um novo regime que lhes diminui de forma abrupta os rendimentos. 

O diploma sobre a convergência de pensões pretende, tal como o nome indica, fazer convergir os regimes da Caixa Geral de Aposentações (sector público) e da Segurança Social. No seu pedido, o PR questiona as normas constantes das alíneas a), b), c) e d) do nº1 do art.7º do decreto da Assembleia da República nº187/XII. 

"É um imposto"

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Isto é que andam para aqui umas indignadas açordas de marisco com camarão estragado. Numa Democracia e num Estado de Direito já não se pode ter opinião. Se Mário Soares tem a opinião de que Cavaco deve pedir a demissão há que aceitar a dita opinião. Tristes foi terem aparecido os “falsos indignados”!



Isto é que andam para aqui umas indignadas acordas de marisco com camarão estragado
Numa Democracia e num Estado de Direito já não se pode ter opinião. 
Se Mário Soares tem a opinião de que Cavaco deve pedir a demissão há que aceitar a dita opinião. 
Tristes foi terem aparecido os “falsos indignados”! 

Falsos indignados 

As declarações de Mário Soares geraram uma vaga de indignação à direita, primeiro foi o PSD deu o mote distorcendo o que Soares disse, depois Paulo Portas deu consistência ideológica à resposta da direita defendendo que em democracia as opiniões não se expressam oralmente ou através de quaisquer manifestações, em democracia a opinião fica reservada para o voto. 
Cada artista escolheu o seu melhor exercício, até houve quem se tivesse dado ao trabalho de contabilizar os pedidos de verificação da constitucionalidade para provar que Cavaco era um campeão nessa matéria. É óbvio que o que uniu toda esta gente não foi a figura de Cavaco Silva mas sim a consciência de que sem o empenho de Belém este governo e as suas políticas erráticas não sobreviveriam. 

É uma pena que tenham feito tantas contas, que tenham feito tantas comparações entre presidentes e mesmo assim tenham ignorado a grande diferença entre Cavaco e os seus antecessores. Compararam coisas secundárias, esqueceram-se do principal, a competência. Pior ainda, esqueceram-se dos vários motivos que já deu para se questionar a sua permanência em Belém. 

Esqueceram-se do golpe dado por gente de Belém quando a partir da sua casa civil foi montado um golpe contra um governo democrático, com recurso à mentira e à manipulação da opinião pública. Esqueceram-se do comportamento menos transparente de Cavaco Silva perante as falsas escutas a Belém, a forma como o presidente manteve as dúvidas em pleno período eleitoral. 
Pacheco Pereira teve uma intervenção brilhante

Esqueceram-se dos negócios menos transparentes da família Silva no domínio do imobiliário e das acções da malfadada SLN. Esqueceram-se de quanto ganhou a família Silva um negócio de acções cujo lucro foi fixado por Oliveira e Costa à margem de qualquer mercado. Hoje sabe-se que o lucro arrecadado pela família Silva acabou por ser pago pelos contribuintes. 

Estes senhores que andam muito indignados com as palavras de Soares, que até ousam dar lições de democracia e para quem ter lutado pela democracia é um sinal de senilidade e estupidez serão os primeiros a apanhar o avião caso Soares venha a ter razão e a situação do país descambar numa grave crise social. 

Esperemos para ver. 

Bancada Directa / O Jumento

Cantas muito bem, mas não me alegras.


Pensamento correctissimo para aplicar naqueles que andam a sofrer com esta austeridade e deixam-se estar na retranca. Os outros que se mexam!.....


sábado, 23 de novembro de 2013

“Tempicos e os pastelinhos de nata. O Detective Tempicos volta a atacar. Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. Hoje temos o Episódio nº 3 da autoria de Onaírda (Sintra)

“Tempicos e os pastelinhos de nata. 
O Detective Tempicos volta a atacar. 
Bancada Directa apresenta aos seus leitores uma nova série de aventuras deste famoso ex-inspector, muito especialista em tudo, menos descobrir crimes. 
Os outros que o façam nesta novela colectiva. Nós fazemos-lhe a vontade. 
Hoje temos o 3º episódio da autoria de Onaírda (Sintra) 


Episódio nº 3. 
“Divagações e suspeições sobre quem matou Pedro Manuel”. 



Estamos em Novembro. 
Na Associação de Reformados da “Judite” preparava-se uma das salas para as festividades do Natal. Tempicos não fazia parte dos corpos gerentes da Associação, mas desde que se tinha reformado era ele quem fornecia todos os anos, sem falhar um sequer, a árvore de Natal. 

Como havia contenção de custos Tempicos pediu ao Ruca da Bica para lhe arranjar um pinheiro natural e de borla que ele arrancaria por aí nos arredores da capital. Pedido muito sensato (não para a floresta), não só porque o Ruca tinha transporte, como conhecia muito a propósito onde havia os pinheiros bons para arrancar, porque ele andando atrás dos tentilhões nas horas vagas conhecia onde os havia. Tentilhões e pinheiros, claro! 


 Já com o pinheiro entregue Tempicos aproveitou a colaboração de um colega inspector no activo e pediu-lhe orientações para tentar descobrir quem matou Pedro Manuel na Pensão Kubala. Investigação paralela era o que ele queria para daí tirar proventos para o seu ego de ex-inspector. -Assunto sério e complicado, mas vai ter de me contar todos os pormenores sobre os residentes e pessoal da pensão para alinhavarmos as hipóteses concretas: disse o investigador a Tempicos. 

No entanto esse ex-colega conhecia de sobra quem era Tempicos e o seu fraco perante apaixonadas de ocasião, pelo que receava, e com razão, que as suas conclusões chegassem ao conhecimento de Fatinha ou de Arlete que se aproveitariam das fraquezas do ex-inspector nas funções de alcova. Preferiu entregar o relatório que obteve a partir de Tempicos, a outro excelente inspector, o famoso “Teórico” que se encarregaria de ajudar a equipa a quem estava distribuida a investigação 


Então vamos dar visibilidade ao tal relatório e ao que ele conseguiu apurar numa fase prévia das suas investigações 


Investigações

Fatinha: 
Não era só no Rossio que Fatinha alimentava os pombos generosamente. Também o fazia noutros locais, tal como este.

Proprietária da Pensão Kubala. Adquirida com dinheiro vindo de heranças familiares. Praticamente só de tarde e à noite a sua presença era notada na pensão. Todas as manhãs deslocava-se a pé para o Campo de Santana e Rossio para dar comida aos pombos. Sobras de pão, arrozes e massas. 

Descia a Almirante Reis até ao Bairro das Colónias, subia a Rua de Santa Barbara, passava pelo Paço da Rainha e depois descia a Calçada de Santana para alcançar o Rossio. Ao passar pelo Largo da São Domingos aproveitava e tentava arranjar clientela para a sua pensão. Clientela africana e desta maneira angariou dormidas para o Pedro Manuel que frequentava o local e convivia com negros de varias etnias. Negócios de todo o cariz. Drogarias nem pensar. 


Tinha tido um “affaire” amoroso com Tempicos ( a Fatinha, claro!), saturou-se desta relação e Eduardo canalizador foi o substituto do latin lover do Alto do Pina.. Disse que era inocente da morte de Pedro Manuel, mas deu um pormenor interessante. Dois dias antes da morte do Pedro encontrou numa das despensas um estojo com uma lança africana de 3 sectores. Alguém o tinha lá posto para depois o levar. Fatinha adiantou-se e levou-o para o escritório da pensão. No dia seguinte quis apreciar a lança, mas viste-a. Alguém a surripiou e deixou o estojo vazio. 


Arlete. 

Arlete. Não havia o nosso Tempicos de andar bem enrabichado com esta cabritinha. Para ela Tempicos era uma relação para sempre

Nasceu na Trofa mas era angolana por raízes familiares. Tipo cabrita, boa como o milho e cheia de curvas nos sitios ideais. Era empregada de Fatinha e era pau para todo o serviço. Tinha praticado atletismo na especialidade de lançamento do dardo, depois de ter chegado à metrópole cinco anos antes. Enrolou-se vivamente com Tempicos e estava satisfeita com a performance sexual do dito. Quando regressasse a Angola Tempicos prometeu-lhe que iria com ela. Boa e confiada rapariga que não conhecia o malandreco do Tempicos. 

Arlete era assediada por quase todos os residentes da pensão incluindo Pedro Manuel.  Disse que tinha sido ela a descobrir Pedro Manuel morto com uma lançada nas costas ao fundo da escada para o andar superior. Disse que era inocente. Ainda disse que estava apaixonada por Tempicos e que este era melhor do que muitos homens mais novos. 


Eduardo 

O Ferrari "testa rosso" só andava nas faldas do Caramulo. Para a Serra de Sintra Eduardo trouxe a sua reliquia "Alfa Romeu" para um ralie em que fez boa figura (imagem real)

Era do tipo “muita parra e pouca uva”. Andava já à algum tempo a querer por o rabo com a Fatinha ao Tempicos e conseguiu. Nos últimos tempos, em vez de ir canalizar para ganhar a vida, ia todas as manhãs à Tarantela no Largo Dona Estefânea e comprava invariavelmente uma duzia de pasteis de nata. Muitos destes bolinhos ainda o Tempicos lhe punha o dente, mas acabou. 

Agora o Eduardo carregava com a Fatinha para Alfama, Graça e Bairro Alto e pespegava-lhe com sardinhas, vinho tinto carrascudo e pão casqueiro de 2ª. Dizia-se na pensão que era um amor assardinhado. Eduardo em tempos era um fanático das corridas, e não se sabe como, chegou a ter um Ferrari “Testa Rosso”. Era de um vermelho lindo. Especializou-se em descidas da Serra do Caramulo a uma velocidade de 300 Kms/hora. O Ferrarri desapareceu e agora tinha uma carrinha vermelha para a sua ocupação de canalizador e não só, pois a Fatinha só o deixava sair se ela fosse ao lado dele. 


Disse que não matou o Pedro Manuel e que nesse dia tinha ido à Marinha Grande contactar elementos da sua antiga banda, onde tocava viola, para darem um concerto na pensão. Eduardo sabia muito bem o que queria. Ser proprietário da Pensão Kubala Considerava-se inocente da morte do Pedro 


Salvadorinho 

Natália era a namorada do Salvadorinho. Era eximia na arte de atacar o varão com beleza sensual. Aqui terminava a sua actuação ao som da musica do fado "O cacilheiro". Pedro Manuel ia vê-la todas as noites e isto burilava com os ciúmes do Salvas. A segurança no agarrar do varão também indicia que podia agarrar com firmeza uma lança africana. São só conjecturas que passa pela tola do Tempicos  

Salvadorinho era um mestre na arte de dançar. Disse que não matou o Pedro Manuel e nem tinha qualquer interesse. De momento só tinha a intenção de abafar a Arlete na sua cama. Era a sua prioridade Não vale a pena falar mais de Salvadorinho, porque posso cometer alguma inconfidencia, ele fica com o “burro, amua e deixa de colaborar com a sua rubrica “No Palco da Saudade” cá no blogue da rapaziada 

Ruca da Bica. 
Taxista com viatura de sua propriedade. Fazia “praça” na Praça da Figueira, depois de ser corrido da “praça” do Aeroporto da Portela por enganar-se (para ele, claro) nos preços que praticava com os turistas, o que é muito frequente acontecer aos distraídos quando passam pelos mamarrachos da Avenida da Republica e da Avenida Fontes. 

A maioria dos seus clientes eram africanos e por isso alguém deixou esquecido no taxi um estojo com uma lança africana. Levou-a para a pensão e guardou o dito no seu quarto debaixo do sofá cama. A lança até lhe podia servir para apanhar tentilhões atingindo-os quando voassem perto dele. Três dias antes da morte do Pedro Manuel alguém surripiou o estojo do seu quarto e só viu a lança bem cravada nas costas do Pedro. Não tinha interesse na morte do Pedro, pois este era seu amigo. Foi ele que lhe disse para ele ter cuidado com o Tempicos pois o detective chamava-lhe o Ruca da Bicha. Ruca disse-lhe que não fizesse caso e não ligasse, porque Tempicos tinha um defeito linguístico e trocava os P pelos B. O detective andava ressabiado com o taxista pois tinha de pagar as corridas de taxi. Por isso o denegria. 


Dr. Aurélio 

Era um santo homem. Como médico tratava graciosamente todos os residentes da Pensão Kubala. Uma vez a Arlete apareceu com um antraz no bum-bum e ele andou cerca de dois meses a dar-lhe massagens para a saliência desaparecer. Desapareceu o furúnculo da Arlete e ele ficou com menos seis quilos com o esforço das massagens. Não era suspeito do assassínio do Pedro Manuel. 

Duarte 
Duarte era um pintarola do caraças e também queria dar uma trincadela na Arlete. Para a cativar pintou-a em três dimensões o que agradou muito à cabritinha e desgostou Tempicos

Duarte era "porficional de artes" (constava da sua ficha na pensão). Era um pintarolas e pouco se sabia dele. E como isto já vai um pouco longo o melhor é ficarmos por aqui. Mas temos de estar com um pé atrás com ele. Não inspira confiança 

Tempicos 

Paris. Não esquecer que as paixões assolapadas de Tempicos pelo belo sexo começaram nesta cidade-luz. Há documentação advinda do próprio. Não é de excluir que nesta altura Tempicos tenha convencido Arlete para dar uma volta por Paris e que a cabritinha se queira ver livre de impecilhos tal como Pedro Manuel. São só conjecturas.

Tempicos não era alvo de qualquer suspeita. Mas factos são factos e têm de ser esclarecidos. Tempicos tratava com formalidade Pedro Manuel, mas tinha tido ultimamente um “quiproquo” com ele, pois foi por seu intermédio que Tempicos arranjou quem lhe fornecesse os tais comprimidos manhosos para fazer crescer a direito as couves galegas. Simplesmente o fornecedor vendeu-lhos falsificados e foi o fiasco que se viu com a Fatinha. Tempicos disse que Pedro Manuel tinha sido conivente na venda e que retirou lucros da mesma. 

Pedro Manuel respondia-lhe afirmando que era o Eduardo que punha canela (?) a mais nos pasteis de nata


Fim do episódio nº 3. 

A saga continua





Episódio nº 3

O autor


Revelações da forma como se desenvolveu a estratégia que levou Passos Coelho ao "poder".

"Como entrou Passos Coelho na lideranças do PSD" 
"Como se trabalhou a campanha contra Sócrates
Cúmplice de Pedro Passos Coelho vangloria-se das campanhas sujas, do condicionamento de opinião, das mentiras espalhadas pelos media e pelas redes sociais, levadas a cabo por uma “task force” para o efeito criada e que assim, primeiro, ludibriando os militantes do PSD ajudou Coelho a derrotar Paulo Rangel e Aguiar Branco na corrida à presidência do partido e depois, manipulando os eleitores com os mesmos métodos, ajudou Passos Coelho a derrotar Sócrates. 

A história desta atividade abjeta que ajudou a fabricar um presidente do PSD e um primeiro ministro de Portugal vem descrita, com orgulho, pelo consultor de comunicação, Fernando Moreira de Sá, um dos heróis desta saga, na revista Visão de 14 de Novembro de 2013 e que reporta à sua tese de mestrado obtida na universidade de Vigo. 
Eis o que nos relata a VISÃO








Ver a noticia no seu conjunto   clicando aqui

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Nova vida para estes quatro magníficos. Não sei nada de chinês, mas fui informado que a noticia era a de que estes quatro vão fixar-se definitivamente na China. Será verdade?

Seria um grande presente de Natal
Desde que acontecesse a uns tantos mais
Não é necessário individualizá-los
Toda a gente sabe quem é!

Vá lá troquem lá de funções! Nem perde o país e ganha-se um novo humorista (sem trabalho, claro!)


Água mole em pedra dura tanto dá até que fura!


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Guimarães! Aqui nasceu Portugal. E a população vimaranense orgulha-se de viver no berço da Nacionalidade. Ao contrário os lisboetas andam tristes, tristes, tristes por conviverem com os seus coveiros!......

Guimarães.
Castelo de Guimarães
Berço da Nacionalidade
Aqui nasceu Portugal


Lisboa
Edifício da Presidência do Conselho de Ministros
Daqui saem as estratégias que fazem deste Portugal um país em declinio
País prestes a morrer
Os coveiros continuam no meio de nós
Até um dia!........

Deixem o homem viver! É ele que neste momento é o único que faz rir Portugal com as suas idiotices. Ele terá de comer a minha açorda de marisco com gambas maradas!.....

João César das Neves (JCN) e o Faceboock 
A sanha contra JCN já levou à criação de uma página do FB «Correr com o César das Neves do DN, TV, Rádio e U.C. (Universidade católica)». 
Só falta pedir a exclusão do devoto, do próprio FB, do Banco de Portugal e da missa. 

A vocação censória iguala a do bem-aventurado e o senso aproxima-se do dele. JCN diz muitas tolices? – claro que diz, e grandes, mas não fica sob a alçada do Código Penal. 


Acha que o ordenado mínimo deve ser reduzido e que os pensionistas são ricos? – De facto, ele pensa isso e revela a formação da madraça onde é aiatola, mas não sendo um pensamento digno, não é crime. JCN gostaria que a sharia romana fosse a legislação que substituísse o direito de família, sem divórcio, com cadeias abertas para a IVG e a lapidação para mulheres adúlteras?


 – É de crer que sim, mas há outros que pensam o mesmo e andam à solta. JCN gostaria de confiar a saúde, o ensino, os Tribunais, a assistência e as polícias aos Irmãos Católicos e transformar o Estado num departamento da Conferência Episcopal? 


– É natural, mas pensar que a demência mística possa abalar os fundamentos do Estado de Direito é não acreditar na democracia. JCN atira-se aos juízes do Tribunal Constitucional como um Cruzado aos mouros, mas não é diferente do PM que, com isso, perde legitimidade para o ser ou do presidente da CE, Durão Barroso, cuja chantagem devia ter sido repudiada pelo PR, se o houvesse. JCN cilicia-se, viaja de joelhos, empanturra-se em hóstias, inala incenso, encharca-se em água benta e extasia-se com o brilho da púrpura, a beleza do báculo e o fulgor da mitra? 


– E o que temos nós a ver com isso? O homem flagela-se e acha que «no [seu] medíocre quotidiano, continua a mesma mesquinha criatura que sempre foi»? 


– E que temos nós a ver com um raro momento de lucidez? A censura é sempre um ato inadmissível e, vendo bem, JCN é um manancial de humor que diverte muito mais com as tolices que diz do que António Sala com «Anedotas» que publica. 


Bancada Directa / Sorumbático

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Portugal está no Mundial de 2014 no Brasil. Cristiano Ronaldo foi a figura marcante dos dois jogos do play-off com a Suécia.

Mas Paulo Bento tem muita razão: a selecção portuguesa tem se ser mais consistente e jogar da mesma forma, quer esteja a ganhar ou sob pressão.

Se a nossa selecção tivesse jogado durante a fase de grupos com a mesma determinação com que jogou os dois jogos do  play-off com a Suécia, ficaríamos em primeiro lugar e com avanço pontual significativo. Não tenham dúvidas.

Parabéns a toda a equipa de jogadores e staff técnico

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos apresenta a sua rubrica semanal “No Palco da Saudade” e hoje recorda Mario Alberto

O Teatro no Bancada Directa. 
Salvador Santos apresenta a sua rubrica semanal “No Palco da Saudade” e hoje recorda Mario Alberto 

“No Palco da Saudade” 

Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto) 

MÁRIO ALBERTO 
Ele foi o último morador do Parque Mayer a abandonar a sua casa, mas fê-lo apenas depois de vencido pela doença e após várias e enérgicas recusas em fazê-lo quando confrontado com tentativas compulsivas ditadas pelos poderes municipais. O seu coração estava na pequena broadway portuguesa e no teatro de revista, onde cabiam inteira toda a Lisboa que ele aprendeu a amar de paixão depois de ter vivido nas mais belas cidades. 
Sá da Bandeira. Angola. Terra de naturalidade de Mário Alberto

Nasceu em Angola, em Sá da Bandeira (atual Lubango), onde ficou até aos quatro anos. Veio depois para Elvas e anos mais tarde, após o divórcio dos pais, foi para Coimbra, onde passou a adolescência. E só então conheceu Lisboa e duas outras cidades que amou e onde viveu em curtas mas inesquecíveis temporadas: Paris e Porto. 

Foi na cidade do Mondego que Mário Alberto descobriu o teatro. Durante a semana trabalhava de dia numa fábrica de cerâmica e à noite frequentava o ensino industrial, mas os sábados e os domingos eram passados a conceber, a carvão, nas paredes das ruas mais movimentadas, cartazes promocionais dos espetáculos de teatro de cordel produzidos por um grupo amador ou a caracterizar os seus atores com lápis, batom e rolhas de cortiça queimada. 


A sua paixão pela arte de Talma intensificou-se quando assistiu às primeiras peças do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), nos gloriosos tempos de Paulo Quintela e Manuel Deniz Jacinto, experiência que o marcou profundamente e «onde aprendeu a ver e a perceber Gil Vicente». A morte do pai provocou um considerável agravamento das condições financeiras da família, que já eram antes muito criticas, levando Mário Alberto para Lisboa. 

Então com dezassete anos, empregou-se num escritório. Mas a sua fixação pelo teatro falou mais alto e pouco tempo depois fazia figuração no espetáculo “A Casta Susana” no desaparecido Teatro Avenida, onde deu também alguma colaboração na construção do cenário. O emprego de escriturário ficaria definitivamente para trás, em favor de inúmeros pequenos trabalhos de ator e de assistência à montagem de cenografias, até que se dedicou principalmente à caricatura. 

E foi através do desenho que ele conheceu o cenógrafo e figurinista Pinto de Campos, o seu primeiro mentor. Mário Alberto nunca negou a importância da presença de Pinto de Campos na sua vida profissional, chegando a considerar-se, de certo modo, um discípulo daquele grande artista plástico da revista à portuguesa: «Foi com ele que aprendemos todos. Era Genial». Seguiu-se a colaboração com os irmãos Hernâni e Rui Martins, dois grandes mestres com quem trabalhou na concretização da montagem de inúmeras revistas e deu continuidade à sua aprendizagem. 

Mário Alberto com o escritor Luís Pacheco

Até que, em 1949, foi convidado a conceber a cenografia para alguns espetáculos d' Os Companheiros do Pátio das Comédias, companhia encabeçada por ilustres figuras como Jorge de Sena, António Pedro e Luiz Francisco Rebello, que ocupou durante várias temporadas o extinto Teatro Apolo. A sua formação enquanto artista plástico foi marcada, em 1957, por uma breve estada em Paris – possibilitada pela ajuda financeira de Beatriz Costa, com quem esteve para casar – onde estudou pintura na prestigiada Academia La Grande Chaumière. 

Na cidade luz teve por mestres Yves Brayer e Henri Goetz, conviveu com Vieira da Silva e Arpad Szènes e expôs o seu trabalho na galeria de Raymond Duncan. Contudo, Mário Alberto, que como pintor teve sempre um traço muito distintivo – um seu quadro não pode ser efetivamente de mais ninguém! –, dividindo-se entre a pintura abstrata, a pop art e o surrealismo, declinou uma carreira no mundo da pintura e, ao regressar a Lisboa, regressou também ao teatro, embora nunca tivesse deixado propriamente de pintar. 



Actividade nos dias de hoje do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra). Mario Alberto deu a sua colaboração a este grupo de teatro

Durante mais de quatro décadas, Mário Alberto colaborou na criação de centenas de revistas, realizando também cenários e figurinos para alguns grupos de teatro universitário, como o TEUC, o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) e o Grupo Cénico de Direito, bem como para o Teatro Experimental do Porto, entre outras companhias profissionais como o Grupo de Teatro A Barraca, do qual foi um dos membros fundadores. 

Ainda antes do 25 de abril, encabeçou – juntamente com Francisco Nicholson e Gonçalves Preto, entre outros – um notável esforço de revitalização do teatro de revista, com espetáculos inovadores e de grande êxito como “O Fim da Macacada”, “P’ró Menino e P’rá Menina” e “Tudo a Nu”. Homem de esquerda com firmes convicções políticas e dotado de um espírito crítico muito forte e franco, Mário Alberto era «um militante do prazer, um homem generoso, heterossexual praticante, antifascista visceral, rabulista imparável, bebedor consistente, anarco-surrealista». 

Beatriz Costa. Foi uma grande amiga do cenógrafo Mario Alberto

É preciso, no entanto, acrescentar que ele era um génio, um sarcasta, um amante da noite… o último boémio de Lisboa! Na verdade, não há outro assim. Com ele acabou uma certa Lisboa. Mário Alberto seguia um princípio: se os inimigos não tinham defeitos, inventava-os. Ele próprio admitia que gostava de ter amigos e… inimigos. 

Ao mesmo tempo – e isso é consensual entre todos os seus camaradas – era «o melhor amigo do mundo». Deixou muitas saudades, mas também deixou a certeza d

e que não viveu em vão. Ele foi uma verdadeira pedrada no charco! 

Salvador Santos

Teatro Nacional de São João. Porto 
Porto. 2013. Novembro. 18

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