BANCADA DIRECTA: Junho 2013

domingo, 30 de junho de 2013

E digam lá meus caros leitores, se os portugueses não são o melhor povo do mundo. O Gaspar podia ter falhado todas as suas previsões mas neste aspecto não se enganou em afirmar “que somos o melhor povo do mundo”!.....

E digam lá meus caros leitores, se os portugueses não são o melhor povo do mundo.
O Gaspar podia ter falhado todas as suas previsões mas neste aspecto não se enganou em afirmar “que somos o melhor povo do mundo”!..... 

 "O MELHOR POVO DO MUNDO" 


Tive um subalterno que para além de ser um óptimo trabalhador era do tipo “rezingão” com tudo o que não fosse trabalho. Não me fazia a vida negra, mas eu evitava contrariá-lo. Não me atacava pessoalmente mas os seus colegas viam-se negros com ele. Censurava asperamente todos aqueles que aceitavam pacificamente as regras das suas funções.

Havia aqui um contraste de comportamentos, porque enquanto ele cumpria a preceito não queria que os colegas fossem “cordeirinhos”. Tinha uma frase que hoje ainda recordo: dizia ele que “os portugueses não tinham sangue nas veias mas sim capilé” Adoecia frequentemente e tinha pena dele. Visitei-o varias vezes na sua casa, que era para os lados da Estação de Campolide, na parte baixa do Bairro da Liberdade..

Não entrando nas virtudes do capilé português tenho a presunção de que esta frase do capilé se aplica nos dias de hoje a muito boa gente. Eu acrescentaria, que podem não ter capilé no sangue os portugueses, mas têm uma coisa muito significativa: o sentimento da inveja


Os portugueses, em geral, têm inúmeras virtudes. Muitos há, porém, que têm também grandes e nocivos defeitos.
Custa-me dizê-lo, mas há verdades amargas e incómodas que têm de ser ditas. Sobretudo no momento actual, em que vivemos sob a pata de um governo que é exímio em explorar esses defeitos em seu proveito. Refiro-me, por exemplo, ao conformismo, a uma certa curteza de vistas, e à inveja. Muitos trabalhadores que ganham o salário mínimo, que o governo não deixa aumentar nem sequer para compensar a inflação, conformam-se com a sua situação, a ponto de considerarem que essa é a situação normal e que os que ganham um pouco mais são uns privilegiados. E têm inveja. Mas não têm inveja dos banqueiros que ganham obscenos milhões. Têm inveja do vizinho do lado que ganha 600 euros.


E em vez de se revoltarem contra o governo que não deixa que o seu salário aumente, revoltam-se contra o vizinho e acham muito bem que o governo lhe carregue nos impostos. E ficam muito contentes se souberem que os vizinhos estão atrasados nas prestações do automóvel, da prestação da casa e de outras despesas correntes normais Por sua vez, este que ganha 600 euros, rodeado de vizinhos que só ganham o salário mínimo ou estão desempregados, considera-se rico e irmana-se com os Espírito Santos e os Ulrichs, pensando que são do seu extracto social e , portanto, vota na direita como eles, claro!.

Depois há aquele cidadão que tem um vencimento jeitoso complementado com o do cônjuge. E lá aparece um casal com dois automóveis, casa ou vivenda a preceito, restaurantes por tudo e por nada, cafés, tabaco, e outras despesas certas mensais e mordomias vulgares. E assim aparecem os endividados E por cima surgem nas Televisões a lamentarem-se da crise que os estrangula. E depois lá aparece a Jonet a dizer que os portugueses só queriam e estavam habituados a comerem bifes do lombo.

Depois há o trabalhador por conta de outrem que vive essencialmente do seu salário, mas tem uma leirita de terra onde cultiva, com enorme trabalho, umas batatas que lhe saem quase tão caras como se as comprasse no supermercado. Mas é proprietário, torna-se acérrimo defensor da propriedade privada, pensando e votando como um latifundiário alentejano.

Numa coisa, porém, toda esta gente está de acordo: em vociferar contra os desempregados que recebem o seu magro subsídio e, acima de tudo, contra os que auferem o rendimento mínimo, considerando-os a causa de todos os males do País. Só assim se compreende que a direita ganhe eleições e nas sondagens não desça tanto como seria de esperar tendo em conta as suas desastradas e desastrosas políticas.


Assim se compreende também que o Gaspar diga que “os portugueses são o melhor povo do mundo”. É triste, mas é verdade. 


 (partes do texto é do “Ponte Europa”)

sábado, 29 de junho de 2013

Alto Minho. Valença. Ganfei. Vamos ver e ouvir o seu Grupo Folclórico com um abraço ao seu director Valdemar Moreira

Alto Minho. Valença. Ganfei. S. Teotónio. Vamos ouvir o doce tocar do Grupo de Cordas sextas às nove.

MafrAnimal. Uma Instituição que deve ser acarinhada e ajudada. Tudo em nome do amor que todos os animais merecem

Contribuições
Tomara que todos os animais respirassem e sentissem enorme felicidade de viver tal como o meu gato "Senhor Neves"
Mesmo nas vésperas de tomar um bom banho e seguir para Roquetas de Mar
Vai trocar as belas sombras que dimanam da Serra de Sintra por uma varanda encalorada da Calle Países Bajos mas com uma bela vista para o mar.
Vai-lhe custar mas tem mesmo de ser. É por pouco tempo. Vem depois com um belo bronze.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O desporto no Bancada Directa. Falemos de futebol profissional com envolvimento do tema arbitragem. Estará a nossa arbitragem no bom caminho? Fernando Correia põe o dedo na ferida e diz de sua justiça

O desporto no Bancada Directa. 
Falemos de futebol profissional com envolvimento do tema arbitragem. 
Estará a nossa arbitragem no bom caminho? 
Fernando Correia põe o dedo na ferida e diz de sua justiça 

Os homens do apito e os seus dirigentes. 


Esta arbitragem portuguesa é uma originalidade Bem basta o erro cometido. Bem basta a avaliação despropositada. É suficiente o corporativismo existente no sector.


Mas, como se isto não bastasse, eis-nos perante mais uma originalidade consubstanciada nas classificações dos árbitros que atiraram alguns para a segunda divisão da arbitragem (sem terem culpa alguma) e elegeram outros como grandes senhores da arbitragem nacional, como se percebeu nas classificações atribuidas, por exemplo, aos árbitros Rui Silva e Rui Costa. 


Inacreditável. Ficámos a saber depois que, contrariamente ao informado pelo presidente dos árbitros, Vitor Pereira, a comissão encarregue de classificar os árbitros entendeu dever considerar como factores individuais valorativos, os testes escritos e as provas fisicas, para além das actuações nos jogos considerados dificeis 

 
Foi por isto que Paulo Batista baixou de divisão e foi por isto, também, que um dos assistentes de Artur Soares Dias - que até foi nomeado para integrar a equipa de arbitragem que dirigiu a final do Torneio de Toulon – baixou aos campeonatos distritais.. Ao fim e ao cabo sorte teve Pedro Proença em continuar na prim, tendo sido nomeado recentemente para dirigir o jogo dr abertura da Taça das Confederações no Brasil. 

Tudo isto era escusado se houvesse bom senso e se as pessoas que dirigem a arbitragem soubessem o que andam a fazer. Mas não. Como ninguém se entende eis-nos perante uma “bomba” perfeitamente ilógica e inoportuna que não deveria ter sido despoletada e que vai deixar, novamente, o grande publico consumidor de futebol em estado de alerta. Logicamente desconfiado! 


Não é assim que a arbitragem portuguesa evolui e não é assim que ela se credibiliza Aplaudo Vitor Pereira pelo esforço desenvolvido, mas há coisas que não valem o esforço. Com tais “comissões” e desentendimentos, o melhor é estar quieto e calado e deixar “correr o marfim”.


Cá por mim, cada vez dou mais valor aos árbitros honestos e competentes. É desses que reza a história. Os que praticam diatribes como esta de que lhes damos conta não merecem que percamos tempo com eles. Poderão sair de cena. Quanto antes!...


Fernando Correia 


(Fernando Correia escreve no “Jornal Daqui”, que circula no Concelho de Mafra.)


Bancada Directa dá voz a uma mãe desesperada. Rui Pedro: a tua mãe espera por ti e nunca desistirá de te encontrar!

- RUI PEDRO -

Só se pede que mostrem esta mensagem ao mundo


E já será uma grande ajuda, quiçá toda a ajuda necessária. Vamos inundar o mundo com este e-mail. Esta mãe já merecia melhor desfecho.


A MÃE DO RUI PEDRO NÃO DESISTE


RUI PEDRO NÃO DEIXES MORRER A TUA MÃE. SE VIRES ESTA MENSAGEM A TUA MÃE SOFRE TERRIVELMENTE NÃO TE ESQUECE!!! POR FAVOR CONTACTA-A . OBRIGADA A TODOS QUE DIVULGAREM ESTA MENSAGEM

ESTA MÃE NÃO DESISTE. QUE GRANDE MÃE... RUI PEDRO 

Esta mensagem é um dos métodos a que a mãe do Rui Pedro tem recorrido para que a ajudem a encontrar o filho, já que as autoridades Portuguesas têm deixado arrastar este caso há já nove anos. O mínimo que podemos fazer é MOSTRAR esta mensagem para os nossos contactos na esperança de que um dia ela venha a dar os seus frutos

Por favor divulguem esta mensagem junto dos vossos contactos nacionais e internacionais.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Parabens Michelle de Brito. A modesta portuguesita mostra a sua vontade e o seu enorme talento e arrasa a Sharapova em Winbledon

A tenista portuguesa Michelle Brito venceu esta tarde a russa Maria Sharapova, pelos parciais 6-3 e 6-4. Sharapova, de 26 anos, terceira cabeça-de-série, era uma das favoritas do torneio logo atrás da norte-americana Serena Williams, contando no currículo a vitória da edição de 2004. 

Michelle Brito tem 20 anos e é a 131.º tenista do mundo. Vinda do qualifyng, a portuguesa surpreendeu e segue em frente para a terceira ronda do Grand Slam.

A sua melhor prestação tinha sido a segunda ronda em 2009. 

Parabéns


Michelle e agora será sempre a mostrar o teu tenis por esse mundo fora 

A vida actual de Nelson Mandela. É uma luta pela vida depois de uma vida em luta pela LIBERDADE. Desejamo-lhes boas melhoras e se isto piorar para um fim inexorável que Deus o receba em PAZ

A vida actual de Nelson Mandela. 
É uma luta pela vida depois de uma vida em luta pela LIBERDADE. 
Desejamo-lhes boas melhoras e se isto piorar para um fim inexorável que Deus o receba em PAZ 

Família espera notícia da morte de Nelson Mandela a qualquer momento 

Nelson Mandela, 94 anos, está hospitalizado desde 8 de Junho em Pretória. O estado de saúde do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, piorou nas últimas horas, avança o porta-voz da presidência, Mac Maharaj, e a família espera notícia da sua morte a qualquer momento.

A informação surge depois do presidente sul-africano, Jacob Zuma, ter cancelado a sua visita a Moçambique depois de ter ido visitar Mandela ao hospital. "A única coisa que posso dizer é que o papá está em estado muito crítico.
Tudo pode acontecer de um momento para outro", disse a filha mais velha de Nelson Mandela, Makaziwe, à rádio pública sul-africana, SAFM. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou, esta quarta-feira, que o mundo inteiro reza pelo antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela, "um dos gigantes do século XX", que luta contra a morte.

Ban Ki-moon qualificou Mandela como "um dos gigantes do século XX" pelo seu papel de líder contra o apartheid na África do Sul, durante uma receção em Nova Iorque do 50.º aniversário da Organização da Unidade Africana (OUA), antecessora da atual União Africana. "Eu sei que os nossos pensamentos e orações são para Nelson Mandela, a sua família e entes queridos, todos os sul-africanos e para as pessoas que foram inspiradas pela sua vida notável e pelo seu exemplo em todo o mundo", realçou Ban Ki-moon. 

Claro que já não estamos no Verão quente de 1975. Mas os saneamentos selecionados ainda por aí proliferam. Desta vez coube ao Provedor de Justiça Alfredo de Sousa ser o atingido. Poder-se-ia ter precipitado numa sua análise, mas é um homem sério, justo e íntegro. Conheço-o bem!....

Claro que já não estamos no Verão quente de 1975. 
Mas os saneamentos selecionados ainda por aí proliferam. 
Desta vez coube ao Provedor de Justiça Alfredo de Sousa ser o atingido. 
Poder-se-ia ter precipitado numa sua análise, mas é um homem sério, justo e íntegro. 
Conheço-o bem!.... 

Um Provedor socialista depois de um Provedor saneado 




O processo de escolha do novo Provedor de Justiça por parte do PSD e do PS é mais um caso que ilustra como a democracia portuguesa bateu no fundo. 

Os dois maiores partidos já não tentam disfarçar a instrumentalização de um órgão que nos termos da Constituição e da lei é independente e inamomível. 

Ao longo da democracia portuguesa, o cargo tem sido exercido por figuras demasiado próximas do PS e do PSD. É uma das muitas máculas do nosso sistema político tentacular.


A consciência cívica individual de muitos dos nomeados tem evitado o pior. 

Nos últimos 20 anos, formou-se a prática de um Provedor de Justiça fazer dois mandatos. Aconteceu com Meneres Pimentel e Nascimento Rodrigues. Alfredo de Sousa manifestara expressamente a intenção de fazer mais 4 anos na Provedoria. 
Mas o PSD saneou-o politicamente porque o Provedor defendeu há um mês numa entrevista que caso o governo caísse as próximas eleições legislativas deveriam realizar-se em simultâneo com as autárquicas. Praticamente o PS calou-se sobre o saneamento. E quem cala consente. 

Talvez os socialistas não tenham gostado de ver Alfredo de Sousa levantar a lebre de eleições já este ano, o que obrigaria os socialistas, grandes favoritos nas sondagens, a ficarem antes de tempo com a batata quente nas mãos. Talvez Alfredo de Sousa, um juiz de carreira, habituado ao estatuto de independência da magistratura judicial, tenha ultrapassado as marcas permitidas pelo Bloco Central no exercício do cargo. De facto nunca foi ministro ou dirigente do PSD. 

O PSD aliciou entretanto o PS a escolher um novo Provedor "na área socialista", que os deputados laranjas votariam de cruz. Os socialistas preparam-se para aceitar com as duas mãos a proposta descarada (que é também um presente envenenado). Se o PS eleger um novo Provedor que tem o emblema socialista estampado que legitimidade tem para criticar a ditadura do executivo perante os poderes jurisdicionais, designadamente o Tribunal Constitucional.

Alfredo de Sousa faz bem em pedir rapidez aos deputados para o substituir. Este não é o seu filme. 


Paulo Gaião.

Semanário Expresso

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Hoje é quarta-feira e é dia do “Teatro no Bancada Directa” dando a escrita ao Salvador Santos com a sua rubrica “No Palco da Saudade”. O nosso caro amigo recorda hoje o grande mestre do Teatro o encenador Antonio Pedro.


In memoriam
António Pedro, de seu nome completo António Pedro Costa era cabo verdiano pois nasceu na Cidade da Praia em 9 de Dezembro de 1909 e faleceu em Moledo. Caminha em 17 de Agosto de 1966.
Foi um encenador teatral, escritor e criativo de artes plásticas

Hoje é quarta-feira.
Dia de  “Teatro no Bancada Directa”
Damos  a escrita ao Salvador Santos com a sua rubrica “No Palco da Saudade”.
O nosso caro amigo recorda hoje o grande mestre do Teatro o actor e encenador Antonio Pedro.

 “No Palco da Saudade”

Texto inédito e integral de Salvador Santos

ANTÓNIO PEDRO

Em pouco mais de quarenta anos de atividade criativa, ele foi escritor, artista plástico e homem de teatro. Nasceu em Cabo Verde, na cidade da Praia, em 1909, mas foi em La Guardia, num colégio de jesuítas, onde fez parte do liceu, que entrou em contacto pela primeira vez com a arte de representação teatral, à qual viria a dedicar quase exclusivamente os seus últimos dezasseis anos de vida.


Colégio dos Jesuítas onde Antonio Pedro estudou. Paxace. La Guardia. Galicia

Os livros e as telas acabariam por ser, no entanto, a sua primeira forma de expressão artística. Em Paris, em 1933/35, expõe no “Salon des Surindépendents” e publica “15 Poèmes au Hasard”. Na capital francesa escreve o seu primeiro texto dramático (“Théâtre: Comédie en un Acte”) e sofre a inflexão surrealista que lhe garantirá uma participação especial na fundação e nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, em finais dos anos 1940.

Ainda no início da década de 1940, António Pedro faz uma breve passagem pelo Brasil, o que lhe permite dar a conhecer o seu trabalho pictórico, através de exposições no Rio de Janeiro e em São Paulo, atraindo a atenção do poeta italiano Guiseppe Ungaretti, que produz um exaustivo estudo sobre a sua pintura. Regressa a Lisboa em 1942, onde publica o seu originalíssimo romance surrealista “Apenas Uma Narrativa” e assume a chefia de redação do jornal Diário Popular.


Pintura a óleo de Antonio Pedro. Rapto na Paisagem Povoada. 1947

Dois anos depois, em plena II Guerra Mundial, trabalha como jornalista na BBC, em Londres, onde participa em diversos programas sobre teatro e escreve e apresenta as célebres “Crónicas das Segundas-Feiras”, que Adolfo Casais Monteiro considerou como «a voz de todos os portugueses que não esqueceram a sua condição de europeus e cidadãos do mundo». Na capital inglesa, António Pedro expõe também com alguma regularidade a sua pintura, tendo integrado a exposição “Surrealist Diversity”, na London Gallery, com Max Ernest, Magritt e Picasso.

Em 1945, deixa Londres, onde um incêndio de contornos suspeitos destrói boa parte da sua obra pictórica, e volta a Lisboa. Nesta cidade, publica “Teatro-Comédia em 1 Acto” na Revista Ver e Crer, escreve o poema-manifesto “Protopoema da Serra d' Arga” e pinta o seu último quadro (inacabado), “O Amanhecer das Virgens”, ao mesmo tempo que organiza a companhia d’ Os Companheiros do Páteo das Comédias, na qual encena “Escola de Maridos” de Molière.

E a par desta intensa actividade, ainda arranja tempo para fazer inúmeras preleções no Instituto Superior Técnico que dão origem aos “Cadernos de Um Amador de Teatro”. Depois de muitos anos tendo Lisboa como epicentro da sua diversificada atividade, colaborando em diversos jornais (no Diário de Lisboa publica uma série de artigos polémicos sob o título “O Caso do Teatro em Portugal”), dirigindo no Teatro Ginásio e no Cinema Odéon alguns dos atores mais promissores desse tempo (Eunice Muñoz, Canto e Castro e Laura Alves, são disso exemplo) e escrevendo peças de teatro (a comédia “Andam Ladrões Cá em Casa” é editada em 1950), e após um breve retiro em Moledo do Minho, António Pedro encontra no Porto espaço para um dos seus mais significativos contributos para a cultura nacional, no seu múltiplo papel de diretor artístico de uma companhia de teatro, encenador, dramaturgo, cenógrafo e figurinista.

É de facto no Teatro Experimental do Porto, a partir de 1953, que António Pedro encontra espaço para promover uma radical renovação de repertórios e de práticas cénicas, que vinha ensaiando em escritos e em experiências concretas. As primeiras peças que encena no TEP são “A Gota de Mel” de Chancerel, “Um Pedido de Casamento” de Tchekhov e “A Nau Catrineta” com adaptação de Egito Gonçalves, todas elas levadas a cena no Teatro Sá da Bandeira. Segue-se a sua versão da “Antígona” de Sófocles no Teatro São João e mais quatro espetáculos no Teatro Vale Formoso, entre os quais “A Morte de Um Caixeiro Viajante” de Miller.

Até que o TEP ganha espaço próprio no Teatro da Algibeira, mais tarde renomeado de

cTeatro de Bolso. Naquele teatrinho da antiga Viela das Pombas, e mais tarde noutros espaços da cidade do Porto, com algumas escapadelas de premeio por Lisboa, António Pedro afirma-se definitivamente como um dos mais importantes homens do teatro português do século XX, tanto nos domínios da programação – na qual se destaca a sua abertura ao vasto repertório clássico, moderno e contemporâneo em língua inglesa, de Shakespeare e Ben Jonson a Synge e Eugene O’Neill, Steinbeck e Arthur Miller –, como da cenografia, da formação e direção de atores, assim como da teorização, esforçando-se por ultrapassar o sistémico atraso da prática teatral no nosso país.
Como divulgador e teórico, impõe-se recordar as inesquecíveis “Conversas Sobre Teatro” de António Pedro na RTP, gravadas nos velhinhos Estúdios do Monte Virgem, bem como o seu “Pequeno Tratado de Encenação” publicado em 1962. Como encenador, pode afirmar-se que ele antecipou em termos definitivos a emancipação artística que viria a caracterizar o devir do teatro em Portugal a partir da década de 1960.

Pode mesmo dizer-se que existe no nosso país um teatro antes e depois de António Pedro. Ele foi sem dúvida o maior visionário e, ao mesmo tempo, um dos homens mais lúcidos da cultura portuguesa, cuja memória não temos sabido honrar.


Salvador Santos

Porto. 2013. Junho. 23
Véspera do São João

Contribuições ( blogue Bancada Directa)
Citações

“Chamo-me António Pedro da Costa. Nasci em 9 de Dezembro de 1909, na cidade da Praia, em Cabo Verde, filho de pais europeus. Meu avô paterno era minhoto, armador e capitão de navios. Minha avó materna era irlando-galesa, Power Savage, sobrinha, suponho eu, do poeta romântico Savage Landor. Esta metade galaico-minhota e irlando-galesa do meu sangue faz-me gostar de gaitas de foles, de instrumentos de percussão e da conquista do impossível. Como meus tataravós celtas, se eu pudesse, atiraria setas ao sol. Minha família, no entanto, é de gente burguesa e bem-pensante. Nenhum familiar foi propício ou sequer favorável às minhas actividades artísticas e literárias, consideradas desde sempre, e muito bem, como um mau prenúncio certo. “Il faut décourager les artistes”. Na luta contra as ideias, os gostos e o estilo de vida da minha família, temperou-se uma vocação irresistível que, se o não fosse, não persistiria em manifestar-se. Não creio que possa ser dada a um artista melhor educação”. (Teatro Completo: 301; de uma carta “autobiográfica” enviada ao Dr. Lopes de Oliveira, a pedido deste, datada de 10 de Outubro de 1955).


Bibliografia Ativa Selecionada

PEDRO, António (1981), Teatro Completo, coord. António Brás de Oliveira, Biblioteca de Autores Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

–– (1997), Pequeno Tratado de Encenação [1962], Lisboa, INATEL.

–– (1998), Antologia Poética, introdução, selecção e notas de Fernando Matos Oliveira, Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc. XX, Braga e Coimbra, Angelus Novus.

–– (2001), Escritos sobre Teatro, introdução, selecção e notas de Fernando Matos Oliveira, Coimbra, Lisboa e Porto, Angelus Novus/Cotovia/TNSJ.




terça-feira, 25 de junho de 2013

Um país super endividado é uma tragédia para a população. Serão eles a pagar a crise. Tudo por causa da divida publica. Compreendamos, então, como aparecem as dividas publicas e o seu descontrolo

Um país super endividado é uma tragédia para a população. 
Serão os naturais desse país que terão de  pagar a crise. 
Tudo por causa da divida publica. 
Compreendamos, então, como aparecem as dividas publicas e o seu descontrolo 

Compreender a dívida Pública
Debrucemo-nos sobre o exemplo francês. 
Claro que depois foi tudo seguido por todos os países do mundo e na zona Euro é o pão nosso da cada dia   
Até 1973 o Estado francês controlava o sistema financeiro do país, assim como a moeda, o franco, através do Banco Central. Para as necessidades do Estado, para pagar a administração pública, para investir na saúde ou na educação o governo, se o dinheiro dos impostos não lhe chegava, pedia dinheiro emprestado ao Banco Central e não pagava qualquer juro.

Aconselhado pelos banqueiros, em 1973, o presidente Pompidou publicou uma lei que alterou radicalmente a situação. A partir de então o Estado quando necessita de dinheiro pede emprestado aos bancos privados que, obviamente levam o seu juro.


Parece absurdo. Parece, mas assim os bancos, os acionistas dos bancos e os administradores dos bancos passam a ter uma gigantesca fonte de riqueza e de facto passam a controlar, mais ainda, a vida económica do país.

No vídeo que aqui está, informa-se que, de 1973 a 2010 a dívida pública da França tinha aumentado 1,348 biliões (milhões de milhões) e que, sintomaticamente, os juros pagas pelo Estado à banca privada nesse mesmo período foi de 1,408 biliões de euros.

O aumento brutal da dívida pública da França nestas 4 décadas foi praticamente igual aos juros pagos, neste período, pelo Estado aos banqueiros , consequência daquela lei de Pompidou que entregou aquele poder do Estado, poder do povo, aos banqueiros e acionistas dos bancos. Esta situação de os Estados terem de pedir dinheiro emprestado aos bancos privados em vez de o obterem sem juros do banco central do seu país generalizou-se a quase todo o mundo.


E é também a situação na zona euro. Esta mudança de paradigma foi aliás um passo grande do sistema financeiro internacional na sua longa caminhada para o controlo dos governos nacionais e do "governo do mundo". Obviamente que não podemos concluir que os bancos são "maus".


Os bancos foram instrumentos fundamentais e absolutamente indispensáveis ao desenvolvimento histórico e atual da economia mundial. Deveriam era serem propriedade dos Estados ou controlados por eles e não o contrário. 


Agradecimento ao nosso caríssimo amigo Dr Raimundo Narciso




Contra os canhões marchar, marchar!....Mas por cá, apesar do apelo do hino, a atitude é impensável..

1989
China
Pequim
Tianamen square
Fez agora 24 anos
Um acto de coragem contra a força bruta dos blindados

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Disse Poiares Maduro que em Portugal há um excesso de contestação. Contesta-se por tudo e por nada. Não fico surpreso. Afinal ele limita-se a seguir o exemplo do afastado cardeal patriarca que em Fátima disse aos seus seguidores “que não se resolve nada com manifestações contestatárias. Comportamento tipico da direita…..

Disse Poiares Maduro que em Portugal há um excesso de contestação.
Contesta-se por tudo e por nada.
Não fico surpreso. Afinal ele limita-se a seguir o exemplo do afastado cardeal patriarca que em Fátima disse aos seus seguidores “que não se resolve nada com manifestações contestatárias.
Comportamento tipico da direita…..

Afinal  os 10 mandamentos são poucos. Acrescente-se mais um: Não contestarás

O iluminado menino-prodígio do governo, Professor Doutor Poiares Maduro, que tem em excesso as habilitações académicas que o seu antecessor no Ministério da Propaganda, Miguel Relvas, tinha de menos, e que, tal como o “sábio” Gaspar, “não foi eleito coisíssima nenhuma”, produziu há dias esta doutíssima reflexão: “Um dos grandes problemas em Portugal é que tudo é contestado”.
Contestar para este iluminado é um sacrilégio. Tal e qual como pensou o D. José Policarpo. Desta maneira contestar será a causa de todos os males que grassam em Portugal. Não está sozinho o Maduro nesta sua aversão à contestação.

Já há largos meses, como então aqui comentei, Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, na sequência das grandiosas manifestações populares de 15 de Setembro passado, pregava às suas ovelhas em Fátima: “Não se resolve nada contestando”.

A direita é e sempre foi assim. Não tem emenda. Juntam-se, para excomungar a diabólica “contestação”. Esquecem-se que a pobreza grassa em Portugal e a fome é um dado real na vivencia de muitos portugueses

Poiares veio para o Governo com um fim bem premeditado. Está a actuar no seu desiderato

Habemus confitentem reum . É mesmo!........

Ler as criticas do Maduro às contestações clicando aqui

domingo, 23 de junho de 2013

A ultima aquisição para este Governo é um autentico erro de casting para um país que sofre de uma espiral recessiva do “caraças” e este iluminado da trêta afirma que se vive num clima de esperança!

A ultima aquisição para este Governo é um autentico erro de casting para um país que sofre de uma espiral recessiva do “caraças” e este iluminado da trêta afirma que se vive num clima de esperança! 

Poiares Maduro: mais um erro de casting?

Uma economia mais competitiva, maior mobilidade e coesão social são os objetivos do Governo para os próximos dois anos, disse, este sábado, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento, afirmando que há condições para "oferecer esperança" aos portugueses. É preciso ser muito ignorante e inexperiente como politico.

É preciso muita desfaçatez! Perante a profunda e longa espiral recessiva que nos aflige e sufoca, com uma taxa de desemprego recorde (próxima dos 19%) esta conversa só pode sair da boca de um lunático. 
Vamos acreditar que foi mais um erro de casting porque as outras hipóteses são (todas) piores Aliás tudo o que se possa dizer sobre a inutilidade deste lunático no Governo, só é compensado com as decisões mais estranhas nesta governação, pois ainda ontem o Conselho de Ministros reuniu no mosteiro de Alcobaça. 

Onde antes havia silêncio, ouviram-se assobios e vaias. Perante o desespero do país e a incapacidade dos governantes, só lhes resta rezar e, para isso, nada melhor do que um convento.

A clausura devia ser o destino obrigatório deste colectivo.

Mas que não aparecessem nas missas dominicais lá em cima na área da torre central ao lado das sineiras. 

Os leitores podem deliciar-se com Poiares Maduro clicando aqui

sábado, 22 de junho de 2013

Fado do Passarinho na gaiola. Duas versões da Ala dos Namorados, a segunda com a participação da Raquel Tavares. A propósito o meu subsidio de férias também está na gaiola. Eu sabia bem quem metia na gaiola....

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Museu Arqueológico de São Miguel Odrinhas. EN 247. A meio caminho entre Sintra e a Ericeira. Esta noite há cultura do tempo dos romanos


Ericeira. Histórias que as minha avó me contava. Biblioteca Municipal da Ericeira. Iniciativa da Câmara Municipal de Mafra


"AS HISTÓRIAS QUE A MINHA AVÓ ME CONTAVA"
A Biblioteca Municipal da Ericeira recebe duas sessões de leitura para crianças, nos dias 22 de Junho e 20 de Julho. Consulte a programação. »
HISTÓRIAS QUE A MINHA AVÓ ME CONTAVA

SÁBADOS | 15H30 | BIBLIOTECA MUNICIPAL DA ERICEIRA

22 de Junho | “Quem dá um abraço ao Martim?” de David Melling
Destinatários: Crianças dos 3 aos 6 anos
20 de Julho | “Presos” de Oliver Jeffers
Destinatários: Crianças dos 4 aos 10 anos

Inscrições:
Gratuitas.
Na Biblioteca Municipal da Ericeira, telef.: 261 860 553
e-mail: biblioteca.ericeira@cm-mafra.pt ou através do formulário de inscrição disponível em "Inscrições online".

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Nem tudo o que luz é oiro! E veio esta senhora a Portugal apregoar as riquezas do Brasil e com a intenção de ajudar o nosso país. Afinal o seu país está cheio de miséria social...




A verdade é que o Carnaval e o futebol disfarçavam as agruras que o povo brasileiro sofria. Mas agora chegou a hora do povo saber o que quer!

Paulo Portas é um mestre a encenar situações virtuais. Esta de pretender “baixar impostos” é uma intenção muito pequenina em relação à sua jactância de ser “poder”.

Paulo Portas é um mestre a encenar situações virtuais.
Esta de pretender “baixar impostos” é uma intenção muito pequenina em relação à sua jactancia de ser “poder”. 
Seguro exige “respostas concretas” e não as “palavras” ou “intenções” de Portas sobre baixa do IRS 

O secretário-geral do PS, António José Seguro, comentou a ideia de baixar o IRS defendida pelo ministro Paulo Portas: “costuma dizer-se que ‘de intenções está o inferno cheio’, o que é preciso são soluções e respostas concretas”. 
“O que neste momento se exige são respostas e não palavras”, reforçou. António José Seguro não dá importância às “palavras” de Paulo Portas. Depois do ministro dos Negócios Estrangeiros ter revelado que, na moção que vai levar ao congresso do CDS, defende um “desagravamento fiscal em sede de IRS” ainda nesta legislatura, Seguro garantiu que “o que neste momento se exige são respostas e não palavras”. 

“Costuma dizer-se que ‘de intenções está o inferno cheio’”, comentou o líder socialista, à saída de um encontro (em Lisboa) com Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, exigindo que haja medidas e não apenas propostas: “o que é preciso são soluções e respostas concretas. É isso que o Governo tem que fazer”. 

Como exemplo de “respostas”, Seguro destacou as medidas que o PS apresenta para serem incluídas no Orçamento Retificativo, como “pagar a tempo e horas o subsídio de férias aos funcionários públicos”, descer a taxa do “IVA da restauração de 23 para 13” por cento e assegurar a hipótese de “os desempregados que não tenham rendimentos poderem ver prolongado por seis meses o subsídio social”. 

“São três exemplos concretos de propostas que ajudam a minorar as dificuldades dos portugueses”, considerou o secretário-geral do PS, só que não foram aceites por PSD e CDS: “a maioria chumbou”.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ensaio sobre as nossas Televisões generalistas que temos . É a crónica de Antonio Raposo

Ensaio sobre as nossas Televisões generalistas que temos . 

O nosso cronista Antonio Raposo disserta sobre este tema

AS NOSSAS TELEVISÕES GENERALISTAS 




Após longos anos em que só tivemos a RTP, ilustres investidores do nosso País tentaram e conseguiram obter mais umas licenças de emissão a coberto de uma suposta concorrência que supunha um estímulo para a elevação da qualidade.

Ora o que temos hoje são televisões comerciais que vivem para a captação de audiências e respectivo bolo publicitário. O dinheiro as moveu e só o dinheiro. O objectivo aumentar as audiências quaisquer que fossem os mais baixos níveis de qualidade mesmo os mais abjectos.

Com a divisão do poder político que se verificou e depois se condensou nos dois partidos do arco do poder (PS e PSD) a nossa RTP começou a engordar de pessoal que ia ocupando as prateleiras logo que um dos dois partidos chegava ao POTE. Nunca nada se fez para rentabilizar e levar as receitas e as despesas a equilíbrios. Quem dirigia o barco era sempre um boy do ministro que geria a comunicação social. Não sei com quanto pessoal a RTP contará hoje.

Mas isso não se pode nem deve analisar sem bases e dados que não possuímos. Quanto às televisões privadas o que temos hoje é na maioria dos casos degradante: Na TVI um big brother que nunca mais termina e que já vai em várias versões, qual delas a mais degradante e humilhante para quem lá entra e dirige, já para não falar em quem vê. Contribui para baixar o nível intelectual a quem já não tenha lá muito no sótão dos parafusos.

Mas programa bizarro para o meu gosto é o de uma senhora que todos os finais de noticiário da manhã da SIC dá as cotações da bolsa. Deve ser um programa que interessa sobretudo aos reformados que ganham menos de 600 euros mês e não sabem como aplicar tanto dinheiro na bolsa. Mas na SIC ainda tem uma bruxa que lê a sina em direto. Pior programa é difícil de se conseguir. E como educativo estamos falados. Pergunto: Então nos encargos escritos da programação obrigatória não estão proibidos os programas degradantes e achincalhantes para a inteligência dos portugueses?
Há coisas que passam nas televisões tão abaixo de cão que me admira não faça mal ao estômago dos políticos que deram essa benesse aos comerciantes de televisão. Eles tem um estômago a toda a prova. Tem ácido clorídrico que consegue desfazer um pedregulho sem ferir o duodeno.
É mais fácil um faquir que engula espadas sofrer de asia que um político dos nossos precisar de um alka-seltzer. Há estômagos para tudo e lata não lhes falta.

Um abraço para os meus caros leitores

Antonio Raposo Lisboa. 
2013. Junho. 20

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um tema recorrente. O novo regime de co-adopção. Apresentamos um texto que nos foi enviado por mail: A Teresinha foi co-adaptada

Um tema recorrente. O novo regime de co-adopção. Apresentamos um texto que nos foi enviado por mail: A Teresinha foi co-adaptada


Nota prévia do blogue Bancada Directa.  
Dentro do espirito que anima os responsáveis deste blogue damos noticia dos temas que neste momento são importantes para o esclarecimento da opinião publica. É evidente que os fundamentos do regime de co-adopção estão suportados legalmente pelo artº 1.986 do Codigo Civil – aliás referido no texto de Isilda Pegado. Mas não somos nós que vamos impedir que as vozes discordantes não tenham cabimento e ser ouvidas por todos os cidadãos. É o principio do espirito democrático.

A Teresinha foi co-adoptada
Isilda Pegado
Voz da Verdade, 2013-06-08 

 1 – A Teresinha tinha 6 anos quando a mãe, vítima de cancro da mama, faleceu. Desde o ano de idade que vivia com a mãe, perto dos avós e dos tios maternos. Foram estes a passar mais tempo com ela, durante a doença da mãe. Acima de tudo os primos... de quem tanto gostava, e com quem brincava longas horas… 

 2 – Durante estes 5 anos teve sempre um relacionamento saudável com o pai. O facto de o pai viver com um companheiro, o Jorge, nunca foi motivo de comentário. Contudo, desde os tempos do divórcio, o pai e os avós maternos ficaram de relações cortadas. Após o óbito da mãe, a Teresinha foi viver com o pai, e com o Jorge.


3 – Os avós maternos receberam então uma notificação para comparecer em Tribunal onde lhes foi comunicado que a sua "neta" tinha sido coadoptada pelo companheiro do pai, pelo que deixava de ser sua neta. Foi-lhes explicado que por efeito da coadopção os vínculos de filiação biológica cessam. É o regime legal aplicável (art. 1.986.º do C.C. – "Pela adopção plena, extinguem-se as relações familiares entre o adoptado e os seus ascendentes e colaterais naturais"). Nada podiam fazer. Choraram amargamente a perca desta neta (depois da filha) que definitivamente deixariam de ver e acompanhar. A Teresinha que tinha perdido a mãe, perdia também os avós, os tios e os primos de quem tanto gostava. Nunca mais pôde brincar com aqueles primos ou fazer viagens com o tio Zé e a tia Sandra que eram tão divertidos. A Teresinha tinha muitas saudades daquelas pessoas que nunca mais vira. Não percebia por que desapareceu do seu nome o apelido "Passos" (art. 1.988.º n.º1 – "O adoptado perde os seus apelidos de origem").

4 – Um dia perguntou ao pai porque mudara de nome. Foi-lhe dito que agora tinha outra família. Não percebeu e, calou… Na escola, via que os outros meninos tinham uma mãe e um pai, mas ela não.

5 – Quando chegou aos 16 anos de idade foi ao ginecologista, sozinha. Ficou muito embaraçada com as perguntas que lhe foram feitas sobre os seus antecedentes hereditários maternos. Nada sabia. Percebeu que o médico não a podia ajudar na prevenção de varias doenças... Estava confusa. Nada sabia da mãe. Teria morrido? Teria abandonado a filha?


6 – Até que um dia descobriu em casa, na gaveta de uma cómoda, um conjunto de papéis em cuja primeira pagina tinha escrito SENTENÇA. E leu... que "o superior interesse da criança impunha a adopção da menor pelo companheiro do pai, cessando de imediato os vínculos familiares biológicos maternos, nos termos do disposto no art. 1.986.º do C.C., tal como o apelido materno (Passos) (art. 1.988.º n.º1 do C.C.) que era agora substituído por... Tudo por remissão dos arts. X.º a Y.º da Lei Z/2013.

7 – O que mais a impressionara naquele escrito foi o facto de que quem a escrevia parecia estar contrariado com a decisão que estava a tomar. E, a dado passo escrevia "Na verdade, quando da discussão da lei Z/2013 na Assembleia da Republica o Conselho Superior da Magistratura e a Ordem dos Advogados emitiram parecer desfavorável à solução legislativa que agora se aplica. Porém, "Dura lex sede lex". A Teresinha não percebeu...


8 – Durante anos procurou a Família materna, em vão... Mas rapidamente consultou os Diários da Assembleia da Republica onde constavam os nomes dos deputados que tinham aprovado aquela lei que lhe tinha roubado os mimos da avó Rosa, as brincadeiras do avô Joaquim... e os primos. A Teresinha queria voltar ao tempo destes que são sangue do seu sangue, mas não pode porque esses anos foram-lhe usurpados. Vive numa busca incessante pela sua identidade. Se as outras raparigas da sua idade sabem das doenças que a mãe e o pai tiveram, por que é que ela não pode saber? Por que lhe negam esse direito?


9 – Leu então num livro que "a adopção é uma generosa forma de ajudar crianças a quem faltam os pais e a família natural para lhes dar um projecto de vida. A adopção é sempre subsidiária". E perguntou – Onde está a minha família que nunca me faltou, mas de mim foi afastada por estatuição legal e decisão judicial? A Teresa está muito triste.

10 – O pai e o Jorge entretanto divorciaram-se… e a Teresa é obrigada a ir passar os fins-de-semana a casa do Jorge… porque a Regulação das Responsabilidades Parentais assim o ditou.


11 – Teresinha, nós estamos aqui! Vamos ver o que podemos ainda fazer!


Isilda Pegado

Presidente da Federação Portuguesa pela Vida


Obrigado Pela Sua Visita !