BANCADA DIRECTA: Novembro 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O desemprego é um mal que nos dias de hoje os mais afectados são os jovens. Não será que o programa Erasmus, que alguns tencionam acabar com o dito, não será uma solução viável para a criação de empregos para esta juventude sem futuro?

O desemprego é um mal que nos dias de hoje os mais afectados são os jovens. 

Não será que o programa Erasmus, que alguns tencionam acabar com o dito, não será uma solução viável para a criação de empregos para esta juventude sem futuro? 

A crise deixa na beira na estrada 14 milhões de jovens europeus, sem emprego nem formação, mas ninguém fala neles nas discussões sobre o orçamento da UE. E se dedicássemos algum dinheiro para os integrar no mundo do trabalho, através da União Europeia?


A sugestão é do consultor francês Edouard Tétreau no Les Echos de Paris


Erasmus, o único verdadeiro sucesso 


"Prontos para o trabalho": uma manifestação do Battlefront Campaign em frente a um centro de emprego, com o objectivo de chamar a atenção para o desemprego dos jovens no Reino Unido. Londres, Outubro de 2011

On les appelle les NEET, « not in employment, education or training ». Soit 14 millions de jeunes entre 15 et 29 ans totalement désoeuvrés. Le budget européen en cours de discussion serait bien inspiré de s'en occuper. Grâce à la crise des « subprimes », vous connaissez les Ninja d'Amérique (« no income, no jobs, no assets »). Connaissez-vous les NEET d'Europe ? Les NEET ont entre 15 et 29 ans, et ne sont nulle part : pas d'emploi, pas d'études, pas de formation professionnelle. Il ne faut pas chercher loin pour croiser un NEET dans sa famille, ses amis ou son quartier : ils sont 14 millions en Europe. Un jeune sur six.

A propósito: os NEET europeus terão acompanhado, nos últimos dias, a farsa das discussões inconclusivas sobre o orçamento da UE para os próximos seis anos? Saberão que, ao contrário do que se poderia acreditar nestes tempos de crise e de austeridade, a Europa de Bruxelas é imensamente rica?
Tão rica que tenciona distribuir, sem discernimento, nada menos de um bilião de euros, nos próximos seis anos? 420 mil milhões para a agricultura. 300 mil milhões para a "coesão para o crescimento e o emprego" – na verdade, as transferências das regiões ditas ricas para as regiões ditas pobres, e não interessa que: a) 15 departamentos franceses tenham um PIB por habitante inferior ao da Grécia; b) os 350 mil milhões distribuídos nos últimos seis anos tenham tido efeitos discutíveis sobre a coesão (veja-se o caso da Grécia), o crescimento (- 0,3% previsto para 2012) e o emprego (25 milhões de desempregados na União). 

58 mil milhões para "a Europa, actor mundial", no entanto globalmente muito ausente, dada a inexistência de uma Europa da defesa, na resolução de todos os conflitos e dossiers recentes (Líbia, Síria, Israel-Palestina, Irão). Não esquecendo os 56 mil milhões de despesas administrativas da União.


É possível uma política orçamental diferente.

Esta consistiria em deixar de subvencionar os erros e o passado da União, e interessarmo-nos finalmente pelo seu futuro, a saber os seus jovens, e prioritariamente os NEET. Não passou despercebido a ninguém que, na defesa de interesses nacionais ou burocráticos, os dirigentes da União tencionam pura e simplesmente suprimir o Erasmus, o único verdadeiro sucesso concreto, tangível e pan-europeu da União Europeia nos últimos anos.
Desde a sua criação, em 1987, o Erasmus permitiu que três milhões de estudantes europeus fossem estudar num dos países da União, com um subsídio muito modesto dos seus estudos (€250 por mês). O facto contribuiu para criar um espírito e uma realidade europeus, de sinal contrário àquilo que nos é proposto hoje, isto é, fecharmo-nos sobre nos próprios por trás das fronteiras nacionais, a ausência de projectos para as novas gerações, a gestão, segundo uma visão de curto prazo, das emergências financeiras.

Desde a sua criação, o Erasmus custou €4,1 mil milhões: é menos que os erros de pagamento na execução do orçamento da União Europeia, em 2011 (€4,9 mil milhões).


O investimento no nosso futuro

Não terá chegado o momento, não de enterrar o Erasmus, mas de o alargar, propondo um Erasmus para o emprego? Esse programa subsidiaria todos os anos, porque não até ao montante dos encargos sociais, um milhão de contratos a prazo de um ano, no sector privado – verdadeiros empregos na economia mercantil.
Daria, todos os anos, a um milhão de jovens europeus a oportunidade, primeiro de trabalhar e depois de trabalhar num país da União. Isso significa viajar, aprender a trabalhar noutra cultura, noutra língua. Esquecer os nacionalismos limitativos e os proteccionismos mortais e viver a Europa das empresas – em vez da Europa das burocracias. Partindo da hipótese de um salário médio de 20 mil euros anuais e de encargos sociais de 40%, estamos a falar de uma subvenção de €8 mil milhões anuais. Será pedir demais, quando se pede que se atribuam 6% do orçamento da União Europeia a um tal investimento?

Daremos aqui razão aos partidários do rigor e do controlo orçamental da União: esse orçamento de um bilião é um insulto aos Estados, às famílias e às empresas que fazem esforços drásticos para reduzir os seus défices e as suas despesas. Mas, se há investimento que devemos preservar e alargar, é o investimento no nosso futuro. Criar um Erasmus para o emprego permitira voltar a dar uma esperança aos jovens, estabelecer uma dinâmica de crescimento para todos na Europa e reforçar o espírito europeu.


Por outro lado, esse programa melhoraria a competitividade das empresas europeias, aliviando os encargos com os novos contratados. Por último, voltaria a dar legitimidade a instituições europeias hoje muito distantes da realidade das empresas e dos povos.

Perante uma catástrofe mais do que certa, vamos unir esforços e tentar conseguir que eles se vão embora. E alguns que vão estudar que ainda é tempo!........(não só para serem doutorados, mas principalmente para aprender a serem boas pessoas)

"Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,  (por favor não ler Exmo)


Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo. À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental. O País foi então inventariado à exaustão. 

Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática. 
 Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste. Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. 

O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando. Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados. 


Perdeu-se toda e qualquer esperança. No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa. O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo. 

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida. 


Perante estes factos, os signatários interpretam - e justamente - o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências. É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro. 


Os signatários  da presente  darão conhecimento ao Senhor Presidente da República. 

 Lisboa, 29 de Novembro de 2012"  
MÁRIO SOARES ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa) ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo) ALICE VIEIRA (Escritora) ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto) AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico) ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra) ANA SOUSA DIAS (Jornalista) ANDRÉ LETRIA (Ilustrador) ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado) ANTÓNIO ARNAUT (Advogado) ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor) ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário) ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado) ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa) ARTUR PITA ALVES (Militar reformado) BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS TRINDADE (Sindicalista) CESÁRIO BORGA (Jornalista) CIPRIANO JUSTO (Médico) CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora) CONSTANTINO ALVES (Sacerdote) CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto) DANIEL OLIVEIRA (Jornalista) DUARTE CORDEIRO (Deputado) EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado) EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário) EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista) FERNANDO GOMES (Sindicalista) FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa) FERNANDO TORDO (Músico) FRANCISCO SIMÕES (Escultor) FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo) HELENA PINTO (Deputada) HENRIQUE BOTELHO (Médico) INES DE MEDEIROS (Deputada) INÊS PEDROSA (Escritora) JAIME RAMOS (Médico) JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa) JOÃO CUTILEIRO (Escultor) JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa) JOÃO GALAMBA (Deputado) JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista) JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa) JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra) JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor) JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado) JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa) JÚLIO POMAR (Pintor) LÍDIA JORGE (Escritora) LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra) MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) MANUEL DA SILVA (Sindicalista) MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário) MANUEL MONGE (Militar Reformado) MANUELA MORGADO (Economista) MARGARIDA LAGARTO (Pintora) MARIA BELO (Psicanalista) MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz) MARIA TERESA HORTA (Escritora) MÁRIO JORGE NEVES (Médico) MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor) ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista) PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto) PEDRO ABRUNHOSA (Músico) PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga) PEDRO DELGADO ALVES (Deputado) PEDRO NUNO SANTOS (Deputado) PILAR DEL RIO SARAMAGO (Jornalista) SÉRGIO MONTE (Sindicalista) TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa) TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema) VALTER HUGO MÃE (Escritor) VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista) VITOR RAMALHO (Jurista) - que assina por si e em representação de todos os signatários)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como vai Portugal (50) Com a porta aberta para o pagamento de propinas no ensino secundário. Mas afinal de que é que estavam à espera? Os outros eram maus e foram arduamente contestados. E estes não foram lá postos para correr com os outros? Claro que foi pior a emenda do que o soneto.


Como vai Portugal (50) 
Com a porta aberta para o pagamento de propinas no ensino secundário. 
Mas afinal de que é que estavam à espera? 
Os outros eram maus e foram arduamente contestados. 
E estes não foram lá postos para correr com os outros?
Claro que foi pior a emenda do que o soneto. 

 O Governo prevê mudanças no financiamento da educação e a proposta que coloca em cima da mesa é o “co-pagamento em níveis de ensino que hoje são gratuitos”, disse o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, quarta-feira à noite, em entrevista à TVI. As reacções não se fizeram esperar. As principais federações de professores – FNE e Fenprof – mostram-se claramente contra. 

Mas o constitucionalista Bacelar Gouveia diz que a hipótese pode ser possível e que não colide com a Constituição da República (CR). O constitucionalista Costa Andrade considera que a cobrança de taxas de acesso ao ensino secundário não é inconstitucional. “Ao estabelecer a obrigatoriedade da frequência do secundário, a lei andou à frente da Constituição, porque esta só garante a gratuitidade universal no básico”, diz ao PÚBLICO. 

Em relação aos restantes graus de ensino, precisou, “a CR diz que o Estado deve estabelecer progressivamente a gratuitidade, o que significa que esta depende dos meios de que o Estado dispõe”. “Ora, o Estado somos nós, os contribuintes, e há limites à compressão fiscal. Até que ponto é que a sociedade está disposta a pagar ainda mais impostos para assegurar as prestações sociais?”, questiona. 

Na sua perspectiva, o Estado está obrigado, sim, “a criar condições de igualdade de oportunidades no acesso ao ensino secundário e superior, o que significa que tem a obrigação de suportar a gratuitidade deste no caso das famílias que não têm possibilidade de o pagar e na medida em que não têm essas possibilidade”. 

Também o constitucionalista Bacelar Gouveia sublinha a separação que o texto constitucional faz entre ensino básico – “em relação ao qual a Constituição estabelece a regra de ser absolutamente gratuito” – e os ensinos secundário e superior para os quais a Constituição “não é taxativa” e “apenas diz que o Estado deve estabelecer progressivamente a gratuitidade. 

 O progressivamente aqui é adaptável em função das condições económicas e sociais”, frisa em declarações à Lusa. Bacelar Gouveia entende que cobrar o ensino secundário é um assunto que tem de ser visto com “delicadeza, proporcionalidade e igualdade”, e que a introdução de uma taxa moderadora deve ter em consideração que os alunos do secundário ainda não têm rendimentos próprios e que “pode ser difícil para as famílias cumprirem com o ensino secundário obrigatório que não seja gratuito”.

Arre Diabo, Chiça Penico. E ainda me pedem para não pensar neste mariola?


Amigos leitores: por hoje não pensem mais no Gaspar, no Passos e nem no Portas. Vamos lá a descomprimir um pouco com este novo desporto olimpico

Retrato de um economista obcecado. Vitor Gaspar: um economista radical e perigoso


Retrato de um economista obcecado

O Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, é um homem inteligente e qualificado, mas também obcecado e, por isso mesmo, perigoso. Tem uma agenda de desvalorização interna e privatização do Estado Social. É um técnico, politicamente muito hábil, que procurou no encerramento do debate orçamental transferir para os seus adversários políticos as características que melhor o definem a si próprio: radical e aventureiro.

Só alguém assim pode pretender impor ao país, pela segunda vez consecutiva e numa dose reforçada, uma receita que já falhou. Só um radical se dispõe a retirar 5,3 mil milhões de euros à economia portuguesa em 2013, em cima dos mais de 10 mil milhões que retirará durante o ano de 2012. Só um aventureiro se predispõe a fazer experiências numa economia complexa com base em cenários delirantes que nenhum economista subscreve.

É exemplo disso a tentativa frustrada de, através de alterações na TSU, transferir rendimento directamente de trabalhadores para patrões. Só um conservador radical aproveita a crise presente para transformar o Estado Social português numa versão minimalista e assistencial. No entanto, não demonstrou qualquer vergonha quando acusou de radicalismo e aventureirismo aqueles que, no PS, defendem o financiamento da dívida pública pelo BCE.

Não há nada de mais bom senso que defender que o BCE tenha os mesmos instrumentos dos Bancos Centrais dos Estados Unidos da América, Inglaterra ou Japão. Basta para isso ler o seu “amigo” e conselheiro económico de Durão Barroso, Paul De Grauwe, na defesa de que não pode existir uma moeda única sem este mecanismo. Se há lição a tirar desta crise europeia é a de que o euro não pode sobreviver sem um Estado europeu digno desse nome.


Pelo contrário, de Vítor Gaspar nunca ouvimos uma ideia, uma proposta que vise solucionar o carácter europeu desta crise. Radical é um Ministro das Finanças que tenta excluir, pela via da retórica, todos os que querem participar no debate político com propostas praticadas no mundo real. São homens assim que perigam a nossa democracia.


Agradecimento ao amigo "Ladrões de Bicicletas"

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ao que isto chegou!.....Portugal está a tornar-se muito perigoso. Parece que temos de ter muito cuidado com tudo e com todos.

Jornal de Noticias. Hoje

Correio da Manhã- Hoje

 
Diário de Coimbra. Setembro 2012


Algures no dia seguinte

Na sua rubrica “No Palco da Saudade” o nosso especialista em teatro Salvador Santos recorda e homenageia as velhas glórias do Teatro Português. A recordação de hoje é o grande actor Augusto Rosa. É o Teatro no Bancada Directa.

In memoriam
Augusto Rosa  nasceu em Lisboa em 6 de Fevereiro de 1852 e faleceu nesta mesma cidade em 2 de Maio de 1918. 
Foi um grande actor, encenador e empresário do teatro português.

Na sua rubrica “No Palco da Saudade” o nosso especialista em teatro Salvador Santos recorda e homenageia as velhas glórias do Teatro Português.

A recordação de hoje é o grande actor Augusto Rosa. 
É o Teatro no Bancada Directa. 
No Palco da Saudade
Augusto Rosa é a motivação de hoje
Texto inédito e integral de Salvador Santos para o Bancada Directa 

 AUGUSTO ROSA

Actor talentoso, culto e empreendedor, foi ele o impulsionador da criação da companhia Rosas & Brazão, que dirigiu em conjunto com o seu irmão João Rosa e com o seu antigo companheiro de escola, Eduardo Brazão, reunindo os melhores actores e actrizes de então. Muito graças ao seu espírito criativo, esta companhia veio a marcar de forma indelével o teatro português, não só pela excelência do elenco, mas também pela qualidade das montagens cenográficas, pelo cuidado posto nas encenações e pelo extremo profissionalismo patente em cada produção.
Dizem alguns escritos da época que foi ele de facto o grande responsável pela transformação operada no último quartel do século XIX nos palcos nacionais, traduzida na realização de espectáculos quase míticos que se tornaram essenciais a uma maior aceitação pública do nosso teatro. Mas nem tudo foi fácil na ascensão de Augusto Rosa aos lugares cimeiros da arte de representar em Portugal.

O início foi, aliás, muito conturbado, com o pai, o grande actor João Anastácio Rosa, a impor-se contra a sua decisão de enveredar pela carreira teatral. O desejo de Rosa-pai era que nenhum dos filhos experimentasse as inúmeras dificuldades e incertezas que resultavam da precariedade do trabalho de actor no nosso país, tendo destinado ao mais novo – o Augusto – a profissão de escriturário. Mas depressa percebeu que não valia a pena lutar contra a férrea vontade do filho em seguir a sua carreira. Impôs-lhe apenas uma condição: emigrar para Espanha e tentar singrar por lá, onde os actores eram bem mais respeitados e… melhor pagos.


A tentativa de encontrar trabalho como ato no país vizinho foi um verdadeiro fracasso. O proteccionismo nacionalista dos espanhóis fechou-lhe todas as portas e Augusto Rosa depressa regressou a Portugal. Não lhe restou outra alternativa que não fosse estrear no seu país. E tal acabaria por acontecer no Teatro Baquet, na cidade do Porto, ao lado do pai, na peça “O Morgado de Fafe em Lisboa” de Camilo Castelo Branco, que assistiu ao espectáculo e felicitou o jovem pela sua seguríssima prestação.
Estava confirmado o talento de Augusto Rosa, que, pouco tempo depois, se apresentaria na capital na mesma peça e em muitas outras que se lhe sucederam, nomeadamente “Um Murro e um Lenço”, no Teatro Ginásio, onde a sua interpretação deu brado. Augusto Rosa aprendeu com o pai tudo o que, segundo ele, havia para aprender, numa altura em que Almeida Garrett já havia criado o Conservatório.

Nunca quis lá entrar como aluno e recusou por duas vezes fazê-lo também como professor, quando mais tarde o convidaram a leccionar arte de representar. O que ele queria era estar no palco ou nos bastidores dos teatros, a interpretar grandes personagens ou a dirigir grandes actores e atrozes  Como actor são memoráveis as suas criações de Duque de Septmond na peça “A Estrangeira” de Dumas Filho e de D. Cesar Bazin na peça homónima de D’Ennery

O pai e o irmão de Augusto Rosa, também grandes actores de teatro. Ambos usaram o mesmo nome: João Anastácio Rosa

Como encenador regista-se como extraordinário o seu trabalho em “A Corte de Henrique III” de Dumas Pai e em “O Regente” de Marcelino Mesquita. A ideia da criação de uma companhia de teatro para concorrer à exploração do Teatro D. Maria ocorre-lhe, no início de 1880, quando integra o elenco do Teatro da Trindade. Desafia para esta empresa o seu grande amigo Eduardo Brazão e o irmão João, que só acede após oferecer alguma resistência, alarga a seguir o convite a outros companheiros de cena, e nasce assim a sociedade Rosas, Brazão & Companhia, que daria lugar dois anos depois à célebre companhia Rosas & Brazão.

É ele que mexe os cordelinhos de toda a política de bastidores, deixando o palco à responsabilidade do irmão João e do Brazão, não deixando porém de representar e dirigir algumas peças. Augusto Rosa tinha outras paixões e interesses para além da representação teatral. Era um homem muito culto e viajado, um coleccionador de arte, um dandy, íntimo de alguns dos nomes mais famosos da arte da Europa. O seu extremo gosto pelas artes plásticas manifestava-se em cena nos trabalhos realizados pela companhia Rosas & Brazão.

O extinto Teatro Baquet no Porto

Contratou os melhores artistas do seu tempo para conceber os cenários e os figurinos dos espectáculos  o que influenciou a qualidade do teatro produzido por todas as outras sociedades artísticas existentes. Foi praticamente a partir daí que os cenários nos teatros deixaram de se resumir a três telas pintadas figurando um salão, um jardim ou uma rua, e os figurinos passaram a ser expressamente desenhados para o palco. Mas o que fica de Augusto Rosa é essencialmente a memória de um grande actor de uma economia de gestos impressionante, cuja riqueza fisionómica do rosto apaixonou um professor de Medicina da Faculdade de Lisboa que nos legou um extraordinário estudo das suas expressões.

A riqueza dos traços fisionómicos do actor levou também o escultor António Teixeira Lopes a perpetuá-lo num busto em atitude de reflexão que se encontra exposto no jardim Augusto Rosa, em Lisboa, muito perto da casa onde o actor morou muito tempo e onde viria a morrer aos sessenta e oito anos, na manhã do dia 2 de maio de 1918, meses depois de ter sido agraciado com o Hábito de Santiago pelo Rei de Espanha e com a Comenda de Santiago pelo Estado português.


Salvador Santos 

Porto. 2012. Novembro. 26

terça-feira, 27 de novembro de 2012

E eu a pensar que “sem regresso” era o filme com a Marilyn Monroe feito em 1954. Afinal hoje no Parlamento Seguro afirmou que sem regresso era este Orçamento para 2013. Sem regresso e uma bomba atómica


Mas não falemos de coisas tristes, vamos esperar que os Partidos da Oposição peçam ao Tribunal Constitucional a fiscalização deste Orçamento de Estado. 

 Se foi um dia sem regresso é caso secundário. Marilyn Monroe teve uma morte trágica e muito se especulou sobre as causas e efeitos da mesma. Mas muito pouco se há-de especular quando acontecer a queda deste Governo que tão mal dirige os destinos deste Portugal 


River of no return 1954 Realização de Otto Preminger e de Jean Negolesco
Actores: Marilyn Monroe, Robert Mitchun e Rory Calhoun
Notável a interpretação de Rory Calhoun no papel de um amante desprezado e que tenta por maus caminhos recuperar a sua influencia junto da mulher

Isto é que anda para aqui uma açorda de marisco. No melhor pano cai a nódoa. Ora quem havia de dizer que isto poderia acontecer....

Não vale a pena ler a noticia com mais detalhes.
Assinalar que os três evadidos estão a ser procurados activamente esperando-se para breve a sua detenção. Há que evitar que atravessem a fronteira


Os meninos estão a brincar ou querem levar bordoada? Vamos lá a ter juizinho!.......Aqui ou há disciplina ou está ali a porta de saída

Como vai este Portugal com deputados empenhados em guerras de alecrim e manjerona

Os meninos estão a brincar ou querem levar bordoada? 


Vamos lá a ter juizinho!.......


Aqui ou há disciplina ou está ali a porta de saída 

Os dezoito deputados do PSD recuam de intenção de apresentar declaração de voto


Na base do recuo destes 18 deputados está o facto de o PSD apresentar uma declaração de voto sobre o Orçamento em que estes parlamentares se revêem. Um grupo de 18 deputados sociais-democratas vai recuar na sua intenção de apresentar uma declaração de voto com reparos ao aumento da carga fiscal, porque se revê numa declaração de voto que todos os parlamentares do PSD vão apresentar. 
Após uma reunião com a liderança com a bancada, o deputado Miguel Frasquilho, um destes 18 parlamentares, indicou que estes deputados se reviam numa declaração que o seu partido iria apresentar também em 20 pontos. 

Nesta declaração, o PSD diz que espera que possa ocorrer a reversão das medidas fiscais e que a consolidação orçamental se faça através do corte da despesa. Os deputados do PSD admitem que o esforço fiscal dos portugueses está 15 por cento acima da média europeia e justificam a subida de impostos pelas circunstâncias excepcionais que o país enfrenta. 


Nesta declaração de voto da bancada social-democrata, manifesta-se ainda os desejos de que as prometidas alterações em sede de IRC possam ser colocadas em prática o mais rápido possível, uma vez que Portugal está numa posição desfavorável, muito longe dos países competitivos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Detective Tempicos e amigos voltam a atacar. Mas hoje o cigano Buena Vida ataca e de que maneira! Os oito estão no Caribbe e estão quase a regressar aos Baldaques, todos ricos, mas dinheiro (não vá o Gaspar fazer uma das suas) nem vê-lo. É "A Saga Portuguesa" no seu 8º episódio.

O Detective Tempicos e amigos voltam a atacar. 
Mas hoje o cigano Buena Vida ataca e de que maneira! 
Os oito estão no Caribbe e estão quase a regressar aos Baldaques, todos ricos, mas dinheiro (não vá o Gaspar fazer uma das suas) nem vê-lo. 
É "A Saga Portuguesa" no seu 8º episódio.
Autor é o Inspector Boavida


Tal mãe, tal filha! É a Kátinha e a sua mãe adoptiva Ginjinharnes. Tempicos de vez em quando desabafa para o Adrianovich. : são boas como o milho!


A SAGA PORTUGUESA
Capítulo 8 de Inspetor Boavida 

 O alarme soou nas Necessidades, em Lisboa. O Paulinho mandou tocar a rebate e depressa reuniu o seu núcleo duro. “Está na hora de comprar mais dois submarinos” – disse ele. “Boa, vamos a isso” – regozijou-se o assessor principal, já com a máquina calculadora nas mãos e a cabeça na sua conta bancária. “E o Gaspar dos trocos vai deixar?” – questionou o controlador financeiro. “E o Aguiar das tropas está de acordo?” – rosnou o assistente para os assuntos diplomáticos. “E o Álvaro está pelos ajustes?” – interrogou o adjunto para a diplomacia económica.


“E o Passos aguenta mais uma gritaria no conselho de ministros e uma nova crise no governo?” – rematou o chefe de gabinete. “Vocês têm razão. Mas temos que fazer alguma coisa!” – gritou o Paulinho. “E se eles nos atacam por mar, o que fazemos? Os chineses são do piorio. Se eles entram por aí, tiram-nos tudo. Vejam o que está a acontecer na eléctrica nacional!”




Depois de vários telefonemas para São Bento e para o Terreiro do Paço, e de acesa discussão entre os líderes parlamentares dos partidos que sustentam o governo (… e o inefável Relvas da Lusófona!), fez-se finalmente luz: “É preciso enviar até à Ilha de Santa Lucia um emissário secreto que seja capaz de impedir que os chinocas invadam os nossos mares” – disse o Paulinho. “E isso só se consegue com uma ação concertada com o grupo de Tempicos & Companhia que se encontra no terreno, depois de verificada a veracidade da temível notícia” – concluiu.

Por essa razão, a escolha recaiu sobre a célebre Kátinha. Segundo os serviços secretos portugueses, só ela poderia convencer os baldaquianos a colaborar nesta espinhosa missão. “Mas quem é essa Kátinha?” – perguntou o sonso do Álvaro, que continua com o seu pequeno cérebro no Canadá e, por muito que se esforce, nada sabe do que se passa por terras lusas. A muito custo, o Álvaro das economias desfeitas lá conseguiu perceber que a jovem Kátinha é uma das nossas mais bem-sucedidas agentes secretas, com formação prática adquirida na cidade da Trofa junto de uma respeitável família local cuja matriarca dedica algum do seu precioso tempo à resolução de problemas policiais.


E, pronto, dadas todas as explicações ao Álvaro (e aos parceiros sociais, em sede de concertação!), lá foi ela cumprir mais uma delicada missão. Era preciso convencer os chinocas que Nostradamus, nas suas profecias, quando diz que no futuro existirão cidades de aço no meio dos oceanos, habitadas por gente maléfica (de chifres!), se está referir a pessoas horrendas como a dona Angela, verdadeiras feras que vivem fora das águas; pessoas que não vivem nos mares, mas sim em terra, numa certa Europa que quer dominar o mundo com a austeridade, cuspindo fome, desgraça e maldição sobre os povos inocentes do sul. Tempicos nem queria acreditar quando os seus olhos viram Kátinha, esvoaçante e bela.

Fujam! Está a chegar hoje  o primeiro chinês a Portugal. 

Foi tamanha a surpresa que desatou aos gritos pelos areais: “Estou a ver coisas, estou a ver coisas…”. Quem viu tudo muito bem e não teve olhos para mais nada foi o Buenavida, que se pendurou no pescoço da jovem aos beijos. Outro que não quis perder tempo nos abraços e apalpões foi o Novena, que desatou numa correria louca em sua direcção  e tal foi a pressa, que a batina se enrolou nas pernas e o fez cair redondo no chão. Adrianovich não sabia quem socorrer primeiro, se o cónego que procurava desembaraçar-se das vestes sagradas, se a Kátinha que sufocava nas garras do ciganito das naifadas. Atenta como sempre a tudo o que se passa à sua volta, a Lolita Jeremias avançou de seringa em punho até às nádegas de Buenavida, injectando o com um poderoso químico paralisante que o deixou firme e hirto que nem uma pedra.


Ginginharnes não se conteve quando soube das novidades, correndo ao encontro de Kátinha lavada em lágrimas: “Ai, minha filha, minha rica filha, que saudades me maltratavam o coração!” Sensível como diz ser, Gustavito aparentemente também não segurou a emoção e chorou que nem uma Madalena agarrado à mãe e à filha, com uma mão no seio da mais jovem e com a outra na bunda da mais crescidita. O ciumento Clorianus, que o conhece de ginjeira, gritou-lhe ameaçador: “Vê lá, não abuses, ó toureiro de meia tijela!”


O nortenho Sargento Estrela, parafraseando o seu conterrâneo Abrunhosa, procurou colocar água na fervura: “Calma, meus caros, não podemos dar o corpo pela alma”. Mas a observação teve o efeito contrário ao pretendido. “Qual calma, qual quê. Já estou cansado das rábulas deste pantomineiro. Ele pode enganar todo o mundo, mas a mim é que não” – continuou Clorianus, encostando a sua cabeça à dele.
O cigano Buena Vida era um dançarino do caraças. Apanhou lá a Kátinha e nunca mais a largou. Até a vestiu de cigana para tirar dela o seu melhor. E nem só a dançar....

Mas eis que Tempicos se recompôs do choque e se juntou ao grupo. “Mas afinal o que se passa aqui? Vamos lá mas é a ter maneiras. É assim que recebem a minha adorada afilhada? – disse ele, enquanto passava a mão pelos ombros de Kátinha. “Quietinho, quietinho, que isto agora não é para estragar. O respeitinho é muito bonito e eu gosto” – reclamou a jovem com autoridade. “O que me traz é aqui são negócios. Negócios que podem ser bastante lucrativos, tanto para mim, como para vocês. Estão interessados em ouvir-me?” Todos se olharam, incrédulos. “Bom… Negócios é connosco, minha linda menina. Vamos lá então a isso. O que é preciso fazer?” – quis saber Tempicos. “O que é lá essa coisa dos chineses quererem invadir as terras à beira mar plantadas”? – lançou Kátinha de chofre. “Primeiro vamos a números, menina.

O que ganhamos nós com o tal negócio de que falas?” – perguntou Lolita, como sempre muito fria e pragmática. Kátinha hesitou um pouco. Depois mostrou o emblema do governo que trazia na lapela do casaco, para dizer-lhes: “Foi-me oferecido pelos bons serviços por mim prestados na secção de equivalências da Lusófona” – disse ela. E continuou: “De quem me ofereceu este emblema veio também a garantia do vosso regresso à rua dos Baldaques, para um luxuosíssimo condomínio que será construído no local da vossa anterior humilde colmeia.

O Sargento Estrela vai entrar em acção. Mas como é um pouco envergonhado escondeu-se no meio deste pessoal em Saint Lucia. Diz o Tempicos que ele está de joelhos para se esconder melhor. Olha o magano.....

Para além disso, podem ainda contar com umas valentes massas. Isto se vocês forem verdadeiramente colaborantes e a missão correr bem junto do núcleo chinoca de Santa Lucia”. O sargento Estrela deu dois passos em frente, perfilou-se junto dela depois de bater os calcanhares e arriscou: “A proposta parece-me interessante. Mas, na verdade, o que é que temos de fazer?” Kátinha sorriu enigmática: “Ora, oiçam…


Inspector Boavida

Porto. 2012.Novembro. 25

Como vai Portugal com este primeiro.ministro? (48) Além de ser um incompetente, rasteiro e medíocre, é um provocador que brinca com a miséria dos portugueses.

Como vai Portugal com este primeiro.ministro? (48) 

Além de ser um incompetente, rasteiro e medíocre, é um provocador que brinca com a miséria dos portugueses.





Aqueles que mais têm são aqueles que mais contestam. E foi com esta tirada provocatória que Passos Coelho deu nas vistas no Congresso PSD Madeira. Voltou a ofender todos os portugueses que sofrem com esta crise, desde os trabalhadores, os reformados, pensionistas e os desempregados. Esqueceu-se de dizer que de facto, quem mais contesta é quem mais tem dificuldades, desespero, cortes selvagens na sua qualidade de vida, precariedade, desemprego, nova pobreza... quem mais é vítima do desprezo pela sua condição de trabalhador, de cidadão, de ser humano. 

 «Posso bem com aqueles que pensam diferente de mim» - referindo-se a todos os que contestam o seu “bom caminho” e a “inevitabilidade” da sua austeridade fanática. Este “posso bem com aqueles que pensam diferente de mim”, grunhido por um primeiro-ministro que sabe, como toda a gente já sabe, que se houvesse amanhã eleições as perderia fragorosamente... há-de ter uma classificação profunda e extremamente douta nos manuais de análise política; apenas para o caso de esta lá não figurar, aqui fica o meu sincero contributo:  

Sempre demonstrando uma necessidade doentia de se afirmar como um interessado numa única missão de que está investido pelo grande capital estrangeiro e pelos “mercados” de agiotas, é a venda a retalho de tudo o que valer alguma coisa no país e a destruição do resto...

Ele lá sabe porque faz estas provocações. Ele sabe perfeitamente que nunca mais vai ganhar qualquer eleição candidato ao que quer que seja.


Vaidoso e arrogante como é, nunca vai aceitar uma derrota como uma regra da Democracia. Prepara , então, o terreno para sair de cabeça levantada e a querer dizer que não significava nada aquela derrota. Ele até já disse que “se lixem as eleições!”


Pobre Portugal que tais homens tem.



Ver a arrogância do Passos clicando aqui

Como vai Portugal (46) já com um cheirinho a Revolução com alterações profundas e globais em factores que sustentam a sociedade dos nossos dias

Como vai Portugal  integrado nesta Europa em decadência (46).

Já com um cheirinho a Revolução com alterações profundas e globais em factores que sustentam a sociedade dos nossos dias


Já cheira a Revolução 

Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses...

E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos! Tal como ocorreu noutros períodos da história recente, no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.


Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 factores":


1º- A Crise Financeira Mundial
Desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !..

2º- A Crise do Petróleo :

Há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há semanas, a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : 
Fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais que implicam transporte irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração :

A Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e por melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média :
Quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e, descontados alguns matizes e diferente gradação, as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu :

Embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, já não tem liderança e já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e "seus valores" deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto!

A construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia... Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais.

8º- A Crise do Edifício Social :

As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : 

Para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : 
Nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos! Eis a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, e estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Nota de Bancada Directa:
O presente texto circula pela net, foi-me enviado por um amigo leitor  mas desconheço a sua origem editorial

domingo, 25 de novembro de 2012

Mas de que é que estão à espera? As vaias são constantes e cada vez são mais consistentes!

Semanário Expresso. Gente. Ontem

Portugal e os cortes que por aí vêm no Orçamento Europeu para o período 2014/2020. Isto é que anda para aqui uma grande açorda de marisco…..Mas que grande confusão e a EU está a suicidar-se politicamente a conta-gotas

O Orçamento Europeu para o período de 2024/2020

Será mesmo um suicídio politico da União Europeia?


Ninguém se lembra que foi o executivo europeu a preparar o orçamento que os dirigentes da UE estão actualmente a negociar. 

Por uma simples razão: o seu presidente, José Manuel Durão Barroso, é invisível. 


Um "suicídio" político, denunciado pelo correspondente do Liberation em Bruxelas. 


Leio o jornal “Liberation” de Paris e o cronista Jean Quatremer põe o dedo nas feridas da UE


A Comissão Europeia tem vindo a afundar-se politicamente. Quem tinha dúvidas sobre isso tem uma demonstração clara, nos dias que correm: numa altura em que devia estar a defender, perante os dirigentes máximos dos 27, a sua proposta de lei do programa orçamental para 2014-2020 (o "quadro financeiro plurianual") – o acto mais importante da legislatura, aquele que vai orientar a União Europeia nos próximos sete anos –, está simplesmente ausente dos debates. 

Já ninguém está interessado no que tenha a dizer, sejam os governos, sejam os meios de comunicação ou os cidadãos. Não se trata de um assassínio, mas de um suicídio orquestrado pelo seu próprio presidente, José Manuel Durão Barroso. Uma absoluta calamidade para uma instituição que, no entanto, foi um dos motores da construção europeia, num passado não muito distante. Antigamente, a batalha orçamental mobilizava todos os recursos da Comissão: trata-se da chave de todo o funcionamento da Europa, uma vez que estipula e tem os meios para orientar a União Europeia – por pouco que consiga convencer os Estados, ou as opiniões públicas que pesam sobre os Estados, do mérito da sua acção.

Nada é adquirido para uma instituição cuja legitimidade é frágil; daí a necessidade de se ser extremamente político. Porque a política não é apenas nação, é também convencer do mérito da acção, não é assim? 


Testamento político 

Jacques Delors, presidente da Comissão entre 1985 e 1995, era exímio nesta matéria. Inventor, em 1987, das "perspectivas financeiras" ou lei de programação orçamental, destinada a pôr termo aos dramas financeiros anuais, nunca negligenciou qualquer dos campos de dação política. Missão de forçado das galés, é certo, mas que deu frutos.

Acompanhei as negociações do "Delors II" (1993-1999), em 1992. Ainda me lembro do longo processo montado pela Comissão, de explicação e de convencimento prévio junto da Comunicação Social, intermediária incontornável para atingir a opinião pública europeia. O próprio Delors, mas também Pascal Lamy, seu chefe de gabinete, e os directores gerais da Comissão, todos estiveram envolvidos: em “off”, em “on”, em conferências de imprensa, a explicar as vantagens, ilustrando-as com dados numéricos. Uma máquina de convencer incrivelmente eficaz, que continuou a funcionar com Jacques Santer e Romano Prodi.  


Com Barroso, emperrou. O homem nunca foi um bom comunicador e está pouco à vontade com a Comunicação Social. Ainda se podia pensar que o quadro financeiro para 2014-2020, que será o seu testamento político, o poderia acordar. Mas não. Pelo contrário, ainda piorou. Montou uma conferência de imprensa de convocação tardia e a despachar, em 29 de Junho de 2011, onde apresentou o espesso documento da Comissão, sem qualquer trabalho de triagem nem divulgação prévia.


Como fazer qualquer pergunta, quando se toma conhecimento de um projecto no momento em que é publicamente apresentado? Cada um que entenda o que ali consta. O que se torna desmotivante, dada a extrema complexidade do assunto. Acabou sendo um porta-voz a assumir a tarefa de decifrar para os jornalistas as grandes linhas do quadro financeiro. 


Sem comunicação com o exterior 
E desde então? Nada, absolutamente nada. Um ano sem comunicação com o exterior. Um presidente ausente, ocupado sobretudo em contrariar a influência de Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, junto dos Estados e do Parlamento Europeu; comissários paralisados, que mal ousam falar com a imprensa; directores-gerais trancados nos seus gabinetes, em vez de explicarem as questões envolvidas nas negociações.

Resultado: campo livre para os Estados, que podem dizer todo o mal que lhes lembre das propostas da Comissão (o que não hesitam em fazer, todos revelando grande disponibilidade); e para Herman Van Rompuy, encarregado de substituir a Comissão e de arranjar uma solução de compromisso, a partir dos valores apresentados pelo executivo europeu. Já o presidente do Conselho, desde que tomou em mãos a negociação, não se tem coibido de comunicar. Sem ninguém do lado da Comissão a manifestar-se.


A Comissão simplesmente desapareceu do debate, em vez de se colocar no centro dele. Não é amuando ou adejando pelos corredores de Bruxelas que se influencia, que se reentra em campo. Quem sabe apontar a última entrevista com Durão Barroso na Comunicação Social? É simples: ninguém, porque ele deixou de falar com a imprensa. E não vale o discurso de 21 de novembro no Parlamento Europeu, pois quase ninguém se deslocou a Estrasburgo por causa do Eurogrupo e da preparação de uma cimeira europeia. Tudo tem as suas pequenas regras institucionais e Barroso esqueceu-se de que tinha de convencer, em primeira mão, os cidadãos europeus; que tinha de fazer política e não “lóbi” ou secretariado.

Assim, vai perder em ambas as frentes: perante os Estados, que menosprezam cada vez mais a sua instituição; e perante a opinião pública, que o ignora cada vez mais

Bonito serviço!

Obrigado Pela Sua Visita !