BANCADA DIRECTA: Fevereiro 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fragmentos e Opiniões. Uma apreciação da utilidade da EMEL numa análise do nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro”

Fragmentos e Opiniões.
Uma apreciação da utilidade da EMEL, numa análise do nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro”

A EMEL É UM ORGANISMO QUE DEVIA SER EXTINTO

Não serve aos habitantes da cidade.

Vive da caça à multa e com ela não se vislumbra qualquer vantagem para o lisboeta.

Vejamos: A cidade tem mais carros que lugares disponíveis para aparcar. Muita gente aparca mal e em qualquer lado. É esse o problema e será esse o problema que a Câmara terá que resolver. Dou aqui uma ideia. Temos milhares de casas desabitadas que estão tijoladas para ninguém lá entrar. E assim estão ficando cada vez mais. Casas que são cada vez mais perigosas para quem passa perto. Como estão não servem para nada. Só dão um péssimo aspecto das cidades. Uma espécie de “vale tudo”.
Porque não deitar abaixo e reservar o espaço disponível para estacionar dezenas de carros? Pagando um custo simbólico pelos automobilistas que precisam do carro para o seu trabalho. Os prédios pertencem a entidades que não se podem tocar? Seguradores, Bancos, Privados, Especuladores? Deve haver de tudo.

O que faz a EMEL (organismo que pertence à Câmara a 100%). Propõe-se andar pelas ruas a multar os citadinos. Resolve algum problema? Nenhum. Dá rendimento à Câmara. Dá. Só isso.

Não se resolvem os problemas de estacionamento apenas multando o pessoal.
Só para vos dar um exemplo do “bom” trabalho da Emel, junto ao Hospital dos Capuchos – na Alameda em frente e tendo a rua um único sentido, o pessoal aparca de ambos os lados e não vai mal ao mundo nem prejudica nada a circulação.

Vem daí a Emel dia sim, dia não e toca de meter nas rodas os travões de forma a ninguém fugir sem largar dezenas de euros. Eu chamo a isto caça à multa descarada! Enfim, para alguma coisa serve.....

O mais curioso é que a carrinha da Emel não tendo onde aparcar também fica em transgressão e nenhum polícia aparece para a multar…É tão ridículo!

O que me dói é saber que a Câmara é constituída pelo PS e pelo PC. E ninguém vê isto?

Que raio de esquerda….

Um abraço para os meus carissimos leitores

"Olho Vivo e Pé Ligeiro"

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Desporto na nossa terra. O Desporto português está de luto. Faleceu Jaime Graça. Desaparece aos 70 anos de idade.

O Desporto na nossa terra. O Desporto português está de luto. Faleceu Jaime Graça. Desaparece aos 70 anos de idade.
Enquanto jogador teve apenas duas camisolas: Benfica e Vitória de Setúbal. Falamos de Jaime Graça, médio talentoso na década de 60, que faleceu hoje, aos 70 anos, vitima de doença prolongada.

O futebol português fica mais pobre com o desaparecimento de um jogador que no currículo conta com a presença na selecção dos Magriços, que em 1966 deslumbrou o mundo do futebol com o 3º lugar no Mundial de Inglaterra.

Jaime da Silva Graça nasceu em Setúbal, a 10 de Janeiro de 1942. Foi no Sado que começou a dar os primeiros pontapés com o seu irmão Emídio Graça, com 21 anos, já um dos médios mais conceituados do Vitória de Setúbal.

Em 1961/1962, com apenas 20 anos, Jaime Graça é um dos titulares nos sadinos, equipa finalista na Taça de Portugal, que acabaria derrotada, por 0-3, com o Benfica.
Aos 23 anos foi um dos escolhidos para a fase final do Mundial de 1966, prova onde mostrou ser um dos melhores médios da actualidade. E, diga-se, haveria de ser em pleno mundial que se tornou jogador do Benfica a partir de 1966/1967.

Seguiu-se um longo percurso nos encarnados onde foi peça fundamental da equipa, de elevada capacidade técnica, um maestro.

Titular indiscutível, como sub-capitão, teve oportunidade de subir de posto pela ausência do capitão Simões, na final da Taça de Portugal, em 1971/72, quando o Benfica venceu, por 3-2, após prolongamento, com três golos de Eusébio (15 dias mais novo que Jaime Graça), o Sporting.

Apenas um dos muitos orgulhos de Jaime Graça que desapareceu esta terça-feira. Depois de deixar os relvados, Jaime Graça chegou a ser um dos adjuntos de José Torres na Selecção Nacional durante o Mundial do México, vinte anos depois dos «Magriços».

Haveria de terminar no Benfica para integrar o conjunto de técnicos do futebol juvenil.

Palmarés: Dez títulos oficiais

Benfica
Campeão Nacional - 1966/1967- 1967/1968- 1968/1969- 1970/1971- 1971/1972- 1974/1975
Taça de Portugal - 1968/69, 1969/70 e 1971/72

V. Setúbal
Taça de Portugal - 1964/65

Bancada Directa apresenta os seus sentidos pêsames à família de Jaime Graça.

Jaime: que descanses em paz. Nós por cá sentiremos sempre saudades tuas e da maneira como tratavas os teus amigos

Contribuições
Jaime da Silva Graça, nasceu em Setúbal em 10 de Janeiro de 1942 e faleceu em Lisboa (Hospital dos Lusíadas) em 28 de Fevereiro de 2012. Foi um brilhante futebolista português

Actuou como médio pelo Vitória Setúbal até ao final da época de 1965/66, o Benfica, o Palmelense, o Vitória de Setúbal e o Oliveirense. Conquistou os seus maiores êxitos no Benfica, vencendo o Campeonato Nacional nas épocas de 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1970/71, 1971/72, 1972/73 e 1974/75, e a Taça de Portugal nas épocas de 1968/69, 1969/70 e 1971/72.

Os dotes da família Graça foram evidenciados inicialmente pelo seu irmão Emídio, que teve papel preponderante no Sevilla FC. Pouco depois, era a vez de Jaime começar a destacar-se nos juniores do Palmelense, onde se transferiu para o Vitória de Setúbal. Tinha 17 anos quando se estreou na equipa principal da formação sadina e por aí ficou vários anos, tendo conquistado uma Taça de Portugal (com um golo seu na final) e chegado à condição de internacional.

Jogou uma final da Taça dos Campeões Europeus (que terminou com a derrota do Benfica por 4-1, frente ao Manchester United) e coube-lhe marcar o golo que permitiu empatar a partida e levar o encontro para o prolongamento. Manteve-se no Benfica até 1975, tendo depois regressado ao Vitória de Setúbal.

Seguiu ligado ao futebol como técnico voltando à Luz para trabalhar no departamento de futebol juvenil.

Selecção Nacional

Foi 36 vezes internacional A, 12 pelo Vitória de Setúbal e 24 pelo Benfica, de 1965 a 1972. No seu jogo de estreia, o Portugal-Turquia, primeiro jogo da campanha que levaria Portugal à fase final do Mundial de 1966 a 24 de Janeiro de 1965, ficou provado todo o seu valor.

Marcador de um dos cinco golos nacionais, o médio (então) do Vitória de Setúbal voltaria a ser chamado para jogar os 90 minutos no importante Portugal-Roménia (2-1), falhando os restantes encontros. Apesar disso, foi inquestionável a sua inclusão no lote dos 22 "Magriços" a tal ponto que ele foi um dos totalistas dos jogos de Inglaterra, deixando bem patente toda sua classe.

Jaime Graça ainda deu muito mais selecção nacional. O seu derradeiro encontro com o equipamento de Portugal teve lugar a 9 de Julho de 1972, a final da Mini copa, que Portugal terminou em segundo lugar.

A ligação de Jaime Graça à selecção nacional não se esgotou, toda via, nesse momento, uma vez que José Torres o chamou para seu adjunto na campanha do Mundial do México.

Títulos

7 Campeonatos de Portugal
5 Taças de Portugal

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Febre da carraça. Vem aí o calor. Há que ter cuidado. È a rubrica “O Saber não ocupa lugar” Temas de Medicina. Um desvio para a Veterinária

Febre da carraça. Vem aí o calor. Há que ter cuidado. É a rubrica “O Saber não ocupa lugar. Temas de Medicina". Um desvio para a Veterinária

A Febre da Carraça. Uma ameaça concreta e perigosa associada aos tempos de calor

Autor do tema: Dr.ª Veterinária Marta Flamínio

Com o aproximar da Primavera e Verão começam a surgir doenças transmitidas por parasitas externos que servem de vectores a diversos agentes infecciosos, nomeadamente as carraças.

A designação de “Febre da Carraça” abrange todas as doenças que são transmitidas por esse parasita externo, independentemente do agente infeccioso envolvido.

Em Portugal, o número de casos de animais infectados têm vindo a aumentar nos últimos anos devido ao aumento significativo das temperaturas que se têm feito sentir no planeta e em todas as zonas geográficas.

Todos os animais são susceptíveis de ser parasitados por carraças, desde que não façam qualquer tipo de protecção contra parasitas externos.

Contudo, nem todas as carraças provocam esta doença, apenas aquelas que possuam no seu organismo os agentes infecciosos,

A “Piroplasmose” apenas é transmitida pela carraça no animal, não havendo transmissão entre vários animais nem aos seres humanos.

Os principais agentes infecciosos transmitidos pelas carraças são a “Babesia, a Ehrlichia e a Rickettsia, que invadem as células sanguíneas e potenciam a sua destruição.

Desta forma, os animais apresentam anemia, prostração e febre. Caso não seja devidamente tratado, o animal pode desenvolver alterações renais irreversíveis.

Por este motivo é que deve consultar o médico veterinário assim que se verifique alguns destes sintomas e sinais clínicos

Sinais de alerta:
Existência de carraças na pele.
Urina demasiadamente escura
Tremores musculares
Febre.

O diagnóstico baseia-se na história clínica do animal (existência de carraças na pele), nos sinais clínicos e na observação das parasitas nas células sanguíneas através de um microscópio. Por vezes pode necessário recorrer-se a análises Sanguíneas mais específicas para identificar o agente infeccioso.
O tratamento é dirigido à causa, ou seja, ao agente infeccioso envolvido. Contudo, envolve a administração de antiparasitários injectáveis e antibióticos específicos, sendo que alguns animais muito debilitados devem ser hospitalizados para fluidoterapia e transfusões sanguíneas.

O prognóstico varia com a severidade de doença e com o momento do diagnóstico logo no inicio da afecção têm melhor prognóstico.

Por tudo isto, o melhor é a PREVENÇÃO


Contribuições

Aplicação anual da vacina contra a Febre da Carraça. Aplicação sistemática e regular de desparasitantes externos, com acção contra carraças.

Evitar passear os animais em sítios infestados e nos períodos mais frescos dos dias.

Em todo o caso deve consultar rapidamente um médico veterinário desde que verifique sintomas e sinais anormais

Agradecimento à nossa amiga Dr.ª Marta Flamínio da Clínica Veterinária de Alcochete


Anexo ao tema "A Febre da Carraça"


Este é o gato "Senhor Neves" de minha propriedade. Apesar do cuidado que tenho com ele, de vez em quando aparece com uma carracita

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Teatro no Bancada Directa. “No Palco da Saudade”. Rubrica de Salvador Santos. A sempre saudosa Ivone Silva é hoje recordada.

In memoriam
Maria Ivone da Silva Nunes Viana nasceu em Paio Mendes, uma aldeia perto de Ferreira do Zêzere em 24 de Abril de 1936 e veio a falecer em Lisboa no IPO em 20 de Novembro de 1987, vítima de doença oncológica.
O seu nome artístico era Ivone Silva e foi uma das maiores actrizes do Teatro português de revista e ainda de Televisão.

No Palco da Saudade

IVONE SILVA

Descendente de uma família muito pobre de Paio Mendes (Ferreira do Zêzere), cujo patriarca, que chegou a participar como actor em alguns filmes de cinema mudo, morreu cedo, deixando treze filhos ainda menores, foi aprendiz de costureira e empregada de comércio antes de emigrar para Paris aos dezasseis anos.

Depois de algum tempo por terras de França, ela aproveitou as férias para experimentar a sua sorte nos Teatros do Parque Mayer, em Lisboa, na companhia de uma das irmãs. O empresário José Miguel, que começara a gerir o Teatro ABC, gostou das jovens e contratou ambas. Uma, a mais elegante e bonita, ficou a fazer “chefes de quadro” (actrizes que dão “deixas” aos compères) e a outra meteram-na no meio das coristas a “dar à perna”: a primeira (Linda Silva, recentemente falecida) nunca atingiu o estrelato e a segunda foi uma das maiores de sempre dos palcos da revista, Ivone Silva.

A sua estreia aconteceu na revista “Vamos à Festa”. Toda a gente achava imensa graça à jovem Ivone, porque, ao contrário de todas as outras coristas, ela não perdia tempo nos camarins. Sempre que podia, lá estava ela nos bastidores a ver as actrizes representar.

E como tinha uma memória prodigiosa, em pouco tempo sabia as “falas” de todas elas. E que bem ela interpretava, na brincadeira, fora de cena, todos aqueles papéis, da actriz mais modesta à cabeça de cartaz! Este seu jeito de ser valeu-lhe alguns pequenos papéis na revista seguinte (“Gente Nova em Biquini”), considerado o seu trabalho revelação.

Alguns meses depois, durante uma digressão a África com aquele espectáculo, a “estrela da companhia” teve um pequeno diferendo com o empresário e abandonou o elenco. Como consequência, Ivone Silva foi chamada a substituir aquela actriz e no regresso a Portugal estreia uma nova revista já como cabeça de cartaz!

Muitos boatos circularam a propósito destes acontecimentos que resultaram na ascensão de Ivone Silva ao topo do elenco da companhia do Teatro ABC, mas a verdade é que a ex-corista soube merecer a confiança nela depositada pelo empresário José Miguel. E “Chapéu Alto”, assim se chamava a revista, foi um rotundo sucesso muito graças ao talento daquela actriz de “sorriso aberto e olhos saltitantes” que percorria o palco de uma ponta a outra, vestindo as mais diversas personagens, com grande sentido de humor e malícia, “rindo, barafustando, gesticulando e falando com uma rapidez incrível” – características que foram invocadas pelo júri do prémio Estêvão Amarante para lhe atribuir o galardão da Melhor Actriz do Teatro Ligeiro. Estavam desfeitas todas as dúvidas sobre as capacidades da actriz e esmagadas as maledicências que se escondiam por detrás dos boatos que tinham origem nas andanças por África.

Os êxitos de Ivone Silva sucedem-se em catadupa, ora no Teatro ABC, ora no Teatro Maria Vitória. São inesquecíveis a afectada “Senhora de Bem-Fazer” (revista “Lábios Pintados”), a burguesa dona de casa de “Diário de uma Louca” (revista “Sete Colinas”), a chique socialista de recente data “Madame Salreta” (revista “O Bomba da Festa”) ou a inquieta “Olívia, Olívia/Empregada, Patroa” (revista “P´ra Trás Mija a Burra”).


Mas o seu reconhecimento popular deve-se à televisão. Programas como “A Feira”, “Ivone Faz Tudo”, “Ponto e Vírgula”, e, sobretudo, “Sabadabadu”, da autoria de César de Oliveira, o autor que melhor soube explorar o talento de Ivone Silva, onde a actriz atinge o auge da sua popularidade graças aos inesquecíveis duetos cómicos que protagonizou com o actor Camilo de Oliveira (“Ai Agostinho, Ai Agostinha”).

Com a Revolução de Abril, Ivone Silva assume publicamente as suas opções políticas, confirmando a sua filiação no Partido Comunista, e manifesta-se desaproveitada no teatro de revista. Experimenta outros géneros teatrais, abordando o teatro do absurdo, textos políticos e existencialistas, no Teatro da Graça (“Feliz Natal, Avozinha” e “Andorra” de Max Frich) e no Teatro Experimental de Cascais (“Oração” de Fernando Arrabal). Mas a revista era de facto o seu mundo.

E o regresso era inevitável. Ivone volta ao Parque Mayer para fazer, no Teatro Maria Vitória, as revistas “Sem Rei Nem Roque”, “Não Batam Mais no Zezinho” e “Não Há Nada para Ninguém”, arrebatando com esta última o Prémio da Critica para a Melhor Actriz.

A última revista de Ivone Silva acabaria no entanto por ser no extinto Teatro Laura Alves, em Lisboa, numa sociedade artística com Camilo de Oliveira: “Cá Estão Eles!”. Dois meses após a estreia do espectáculo, a actriz abandona o elenco e é internada de urgência no Instituto de Oncologia de Lisboa. A doença foi traiçoeira e implacável, levando cedo demais uma actriz popular de fibra que ainda não tivera oportunidade nem tempo de fazer tudo o que o seu talento prometia. Para perceber melhor esta opinião, basta revisitá-la através dos vários programas de humor que gravou para a RTP ou através do filme “A Maluquinha de Arroios” e da série “Retalhos da Vida de Um Médico”. Ivone era uma força da natureza. Deixou-nos há pouco mais de vinte e quatro anos, mais pobres, mais tristes, mais sós!



Salvador Santos
Porto. 2012. 02. 26

Contribuições

Teatro Maria Vitória. 1985. Janeiro

"Não Batam Mais no Zezinho!"

Produção de: Ausenda Bastos e Hélder Freire Costa

No TEATRO MARIA VITÓRIA - LISBOA

Elenco: Ivone Silva, Eugénio Salvador, Henrique Santana, Linda Silva, Carlos Cunha, a popular atracção Marina Mota e Nuno Emanuel, Carlos Ivo, Maria Cabral, Fernando Mendes, Leonor Edviges, Marília Barroso, Alice Gomes, Raquel Almeida e Soraia Arrais.

Corpo de baile "tmv", com criação e direcção coreográfica de José Luís Ardiz e assistente Marlene, composto por: Nani, José Luís, Paula, Fernando Santos, Elsa, Teresa, Rita, Natália, Vasconcelos, Rosa e Tavares.

Texto: Henrique Santana, Francisco Nicholson e a colaboração especial de Mário Zambujal.
Música: João Vasconcelos, Fernando Correia Martins e Nuno Nazareth Fernandes.
Direcção musical e produção: Fernando Correia Martins.
Trabalhos de som executados em "Angel estúdio" pelo Engº. de som Rui Novais.

Direcção de orquestra: maestro Jorge Brandão.

Direcção de Montagem e Maquetas: Moniz Ribeiro.
Maqueta do número "Não Batam mais no Zézinho": Filipe de Melo.
Cenografia: José Manuel, Vitor Rebocho, Barata de Carvalho e António Alberto.
Figurinos: Helena Reis.
Guarda-roupa da Empresa, todo executado no Teatro Maria Vitória pela Mestra Isabel Magro.
Adereços, Chapéus e Cenografia do Guarda-Roupa: João Quintão.

Encenação e Direcção: HENRIQUE SANTANA.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sucedem-se em ritmo avassalador manifestações de protesto contra governantes. Agora foi a vez do ministro da saúde


Sucedem-se em ritmo avassalador manifestações de protesto contra governantes. Agora foi a vez do ministro da saúde

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi hoje recebido com protestos por cerca de uma centena de pessoas, no Barreiro, onde inaugurou a nova Unidade de Saúde Familiar Ribeirinha.

As pessoas, que pertencem às Comissões de Utentes do concelho do Barreiro, aguardaram a chegada do ministro com cartazes em que criticavam o aumento das taxas moderadoras, a privatização da saúde e a necessidade de novos equipamentos no Barreiro, gritando palavras de ordem como: «A saúde é um direito, sem ela nada feito».

Alvarito, Alvarito. Nem és feio e muito menos bonito.....

Em Portugal não chove há tempos.

Pode-se dizer que estamos em forte seca

Mas, amigos leitores, o Alvarito também é uma forte seca!....

Fragmentos e Opiniões. A nova Lei do Arrendamento já foi aprovada. O nosso cronista António Raposo diz de sua justiça. Oh Cristas, sabes de quase tudo

Fragmentos e Opiniões. A nova Lei do Arrendamento já foi aprovada. O nosso cronista António Raposo diz de sua justiça. Oh Cristas, Cristas, sabes de quase tudo….

A Ministra Cristas e a recuperação do parque habitacional

Esta ilustre governante sabe de quase tudo.



Resolveu pegar na lei do “falecido” governante Santana Lopes – que já a tinha preparadinha mas não teve tempo de a pôr em prática porque entretanto o Sampaio mandou-o para o desemprego. Desemprego? Ele já está a dirigir as Misericórdias!

O que é que esta lei se propõe fazer?

Atacar somente os antigos contratos de arrendamento – anteriores a 1990- e segundo consta (pois já foi aprovada na generalidade na Assembleia) vai conseguir.

Os velhos e pobres que tem contratos de arrendamento antigos e que geralmente habitam a parte velha e central das cidades vão para o olho da rua, no prazo máximo de 5 anos. Dentro de 5 anos os senhorios podem pedir o dinheiro que quiserem e os contratos de aluguer poderão ter só 2 anos de vigência.

Como é que um velho, reformado, pode aguentar uma renda assim? Impossível!
Parece que ninguém se apercebeu desta desgraça.
Desta lei imoral e vem isto de uma senhora que se diz “democrata cristã” mas vai pôr os velhos na rua para entregar os prédios devolutos aos amigos do capital que gravitam na área da ministra e do seu partido.
E assim um locado que pouco valia por ter uma velha viúva a ocupá-lo por 50 ou 100 euros mensais, acabará à venda no mercado por 150.000 euros e a velhinha será despejada, não se sabe onde.

Andou o Paulo Portas a visitar os velhinhos e a dar-lhes beijinhos. Também Judas beijou Cristo e deu no que deu!
O mais absurdo disto tudo é que foram estes velhos, pobres, iletrados e despolitizados que, muitos, botaram o voto no CDS!

A ministra nem se deu ao trabalho de verificar que a nossa população está a minguar e estão só em Lisboa 136.000 fogos devolutos e 730.000 em todo o País.
Os centros das grandes cidades parece que foram bombardeados, mas aí não se toca!
O que vai fazer por isso? Subir para 3 vezes o IMI que já estava em 2 vezes para as casas abandonadas. Só que ninguém diz como é que essa “multa” se vai aplicar. Se calhar nem é para aplicar…Como não o foi quando a multa subiu 2 vezes na antiga lei do arrendamento e nada sucedeu. Mas não era para suceder!

Não se tentou atacar mais uma vez o problema das casas abandonadas mas isso aí não se pode tocar porque estão nas mãos das Seguradoras, dos Bancos, dos Fundos Imobiliários. Daqueles que transformaram um bem previsto na nossa Constituição como sendo fundamental num pacote de batatas sujeito à mais feroz liberalização, ao sabor do capital financeiro, especulativo.

Aprenderam depressa com a Troika.
O pior é se os velhos que forem colocados na valeta decidirem dormir à porta da Ministra Cristas. Era aborrecido e se calhar até cheiram mal. Cheiram a Pobres!

Antonio Raposo
Lisboa. 2012. 02. 24

Aveiro e os seus temas e eventos desportivos


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fragmentos e Opiniões. O resgate concedido Grécia é uma ilusão. Mas expulsá-la do Euro seria uma cura pior que a doença.

Fragmentos e Opiniões. O resgate concedido Grécia é uma ilusão. Mas expulsá-la será uma cura pior que a doença.

Obrigar a Grécia a sair da zona euro, erguer uma parede que nos proteja dela e construir a Europa federal? Esta ideia parece seduzir alguns dirigentes europeus. Mas não seria suficiente para regular a crise, e o preço a pagar seria o fim da nossa cultura comum.

É a convicção da jornalista editorialista do “La Repubblica” de Roma, Barbara Spinelli

Estamos habituados a dizer que, afinal de contas, a falência da Grécia não é o desastre que receávamos ao fim de tantos anos. Que, para esta doença incurável, basta o afastamento e, com isso, retirar Atenas da zona euro, como se fizéssemos uma apendicectomia.

O importante é evitar o contágio e não é por acaso que se fala de guarda-fogos quando se referem os novos fundos europeus de resgate, um guarda-fogo capaz de proteger os sistemas informáticos contra intrusos: os que ficarem lá dentro ficam a salvo dos que, atingidos pela desgraça, estão quase a cair ao mar.
À semelhança da linha Maginot, traçada pelos franceses para proteger o país dos ataques alemães nos anos de 1920 e 1930, o guarda-fogo evoca a ideia do universo fechado de uma clínica e da guerra: a ideia de uma parede inviolável é tranquilizadora, mesmo quando sabemos o que aconteceu à linha de defesa francesa. Caiu com um só golpe. O historiador Marc Bloch falou de uma "estranha derrota" porque o colapso deu-se primeiro nos espíritos, antes da queda da linha Maginot, "na retaguarda da sociedade civil e política", na frente de batalha.
Ninguém acredita neste guarda-fogo irreal

De facto, ninguém acredita neste guarda-fogo irreal que alimenta a imaginação enfraquecendo a razão. Se assim não fosse, a União Europeia não teria tomado a decisão, a 21 de Fevereiro, de autorizar o enésimo empréstimo colossal à Grécia. Se assim não fosse, nunca se pensaria em atribuir à UE uma nova arquitectura: mais federal, sob os auspícios de um governo europeu, no qual os Estados-membros delegam mais soberania.

As coisas avançam lentamente e ninguém se detém no fulcro do problema (os recursos que a UE vai ter para conseguir um programa eficaz de investimentos).

Às vezes temos a impressão de que os "grandes" governos estão à espera da falência da Grécia para construírem uma UE à medida dos seus desejos. É esta a tese avançada por Kenneth Rogoff, o economista entrevistado pelo Spiegel: assim que Atenas for expulsa da UE, os Estados Unidos da Europa vão poder concretizar mais depressa o que tinham previsto, graças à crise. Mas será possível a verdadeira emergência de uma nova União Europeia sobre as cinzas da Grécia? E que UE será esta sem a pressão da crise grega?

Por enquanto, Atenas vive uma tempestade e, com a multiplicação dos planos a curto prazo, fragiliza a zona euro e a própria ideia de uma Europa solidária na adversidade. Esta última faz mal em querer formar uma federação se a primeira atitude for mandar sair os países que não saírem. A operação "guarda-fogo" é dolorosa para a Grécia, mas também para a Europa.

Um rancor cheio de agressividade

Como é possível a Europa ter chegado a este ponto? Será a economia que vacila, a classe política que está enferma, ou esta não é a sua cultura? De facto, com estas três fragilidades, a Europa vai chegar ao fim de uma provação mais reforçada, ou vai degenerar, de acordo com os remédios aplicados simultaneamente aos três males – economia, cultura, política.

No plano cultural, fizemos um recuo de 90 anos nas relações europeias. Quando ouvimos os cidadãos, temos a impressão de recuar aos planos nacionais dos anos de 1920 e 1930. Sente-se um rancor cheio de agressividade. Há meses que as primeiras páginas dos jornais gregos chamam nazis aos dirigentes alemães.

Ao mesmo tempo, Atenas desenterra a questão das reparações de guerra que Berlim nunca pagou à Europa ocupada por Hitler. Isto é esquecer o que aconteceu em 1945, quando reiterámos a nossa confiança à nação alemã e nos lançámos na unificação da Europa. Esta confiança tinha um significado preciso, inclusivamente um significado financeiro.

As reparações de guerra, sendo uma maldição para a Alemanha do pós Primeira Guerra Mundial e tendo-a mergulhado numa ditadura, já não deviam existir (Israel é um caso à parte).

O que combinámos em relação à Alemanha, em 1945, por razões estratégicas, e visto que a cultura política se alterou, não conseguimos manter hoje em relação à Grécia. Os erros de Atenas não são crimes e, no entanto, a Grécia vai ter de os expiar e de os pagar. Até as eleições neste país são vistas com maus olhos.

As reparações exigidas são brutais e provocam cólera e ressentimento. É manifesto que não se percebe quais as razões estratégicas que justifiquem a manutenção da Grécia na Europa: para isso, teríamos de ter uma visão do mundo, e a cultura de hoje já não é a dos anos de 1945-1950. Esta regressão tem um impacto desastroso na política. Como será possível a emergência de uma Europa federal quando se impõe uma cultura desligada dos ensinamentos que os europeus retiraram de duas guerras mundiais? A escolha de um presidente como Joachim Gauck, na Alemanha, é uma boa notícia, visto que a população alemã contribuiu para este clima de suspeita, mesmo que algumas vezes se justifique. A Europa precisa de cidadãos esclarecidos e dispensa bodes expiatórios.

Precisa de um crescimento diferente, comum e dispensa anos de recessão, de hostilidades intestinas, de hesitações da democracia. Se assim não for, estará votada a conhecer, por seu turno, uma "estranha derrota", com origem na retaguarda da sociedade civil antes de avançar para a linha de defesa erguida ao longo das paredes anticontágio

Barbara Spinelli (editorialista do La Repubblica de Roma)

Recordar é Viver. Olhar para o passado e ver o futuro


Lá em cima no Alto da Penha de França consolidei a minha vida para o futuro. E que ainda hoje se mantém esse conceito. Ainda bem!

Igreja da Nossa Senhora da Penha de França.

Foi lá que me casei há muitos anos. E dura, dura, dura

A foto é do ano de 1900. Foi retirada do “Bic Laranja” e é da autoria de Paulo Guedes. (Arquivo Fotográfico da CML)

Recordar Zeca Afonso com o seu "Cantar Alentejano"..

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso. Nasceu a 2 de Agosto de 1929 e faleceu a 23 de Fevereiro de 1987. Faz hoje 25 anos que se deu a sua partida


Politicos e calinadas. Um jovem sem experiencia de vida tem um conceito de mobilidade curioso

Caros leitores

Aqui neste modesto blogue Bancada Directa seguimos sempre este conceito: trocar palavras encadeadas pela realidade desta nossa vida de crise a todos os níveis que só as palavras sabem ter, mesmo sem se conhecerem quem as escreve. E fundamentalmente não conhecermos pessoalmente quem as lê!

Então queiram ler a realidade de alguns dias atrás

A conversa em directo, na qual a criatura, com a profundidade intelectual que caracteriza estes inteligentes, diz que "um país assim não faz sentido" e tem um assomo de alegria a seguir derivado ao brilhantismo da frase que lhe saiu

A notícia resumida aqui

O conceito de MOBILIDADE, segundo o governo

O longo currículo do jovem deputado (e note-se a mobilidade que o caracteriza: depois de tirar um curso de Direito não se sabe onde e de ter sido presidente do Belenenses acaba como vice-presidente do grupo parlamentar CDS/PP — (uf...que curriculo tão longo de experiencia)

Como já se comentou por aí (cara de libro), ultimamente, é verdade, só me apetece escrever asneiras. Eu sei que isso significa, infelizmente, um empobrecimento da língua, mas como nos mandaram ficar muito pobres para só depois ficarmos remediados, julgo que as calinadas também farão parte de "l'air du temps".

E com isto justifico o eventual título deste post que não escrevi para não lhe dar o respectivo realce negativo: E este puto medíocre faz sentido?



Nota aquele "l'air du temps" ( french) é só para manter o nível que o rapazola merece...)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por terras de Espanha já começaram as movimentações de protestos

Inevitavelmente será um movimento que alastrará por toda esta falida Europa

Quem agora se seguirá? França? Italia

Em Portugal anda tudo sossegado. A pobreza faz mossa até nos espiritos conformados com o seu destino

Pelo menos não andamos assustados.....

“Diz-me Deças” em cena no Fórum Cultural de Alcochete na próxima sexta-feira 24 de Fevereiro pelas 21h30.

“Diz-me Deças” em cena no Fórum Cultural de Alcochete na próxima sexta-feira 24 de Fevereiro pelas 21h30.

Os actores António Machado e Philipe Leroux sustentam brilhantemente este espectáculo, que tem como encenador António Gonçalves Pereira

Uma pequena nota: ”Diz-me Deças” é um evento que conta com várias formas de interpretação dos textos referidos. Sendo um “ensaio partilhado com o publico”, este poderá participar em algumas decisões de manter ou não os textos apresentados.

É um espectáculo que tem a duração de 75 minutos de uma “diversão inteligente”, cultural e até muito didáctica. É uma forma de falar de coisas sérias e muito importantes nesta vida de uma forma descontraída.

Tanto António Machado como Philipe Leroux são dois extraordinários actores, vindos de escolas diferentes e muito distintas, mas, de uma forma agradável, complementam-se de uma forma surpreendente.

Os preços dos bilhetes são muito baratos e variam entre os 5 e os 7.5 euros

Desejamos ao nosso amigo pessoal Antonio Machado
a continuação deste sucesso e muitos espectáculos

Mafra. Uma boa iniciativa gastronómica. Sabores da Tapada Real

SABORES DA TAPADA REAL

Para a entrada, o afamado Pão de Mafra. Como pratos principais, o veado e o gamo confecionados à moda saloia. Para finalizar, a diversidade da doçaria tradicional. Aceite as nossas sugestões: de 24 de fevereiro a 11 de março, visite um dos 11 restaurantes participantes na mostra gastronómica. »

Tendo por objetivos a divulgação da gastronomia local enquanto produto turístico e a dinamização da actividade de restauração, “Sabores da Tapada Real” é uma organização da Câmara Municipal de Mafra, da GIATUL - Empresa Municipal para a Gestão de Infra-estruturas em Actividades Turísticas, Culturais, Desportivas e Educativas, EM, S.A., e da Tapada Nacional de Mafra, com o apoio do Turismo de Portugal, do Turismo de Lisboa e do Matadouro Regional de Mafra, que certifica a qualidade da carne.

Nesta mostra gastronómica, o veado e o gamo surgem como produto principal de um conjunto de pratos confecionados por vários restaurantes do Concelho. O gamo e o veado são provenientes da Tapada Nacional de Mafra, na sequência do exercício da caça, prática que é fundamental para assegurar o equilíbrio ecológico do espaço, dada a inexistência de predadores naturais no seu interior.

Restaurantes participantes:

Casa dos Caracóis (Malveira)
Convento da Cerveja (Mafra)
D. Guida (Gradil)
Hotel Castelão (Mafra)
João da Vila Velha (Mafra)
O Azeiteiro (Mafra)
O Brasão (Mafra)
Portal do Moinho (Ervideira)
Restaurante Saloio (Malveira)
Retiro do Volante (Carapinheira)
Sete Sóis (Mafra)

Pode ainda aceder à localização e informação detalhada sobre os restaurantes através do Sistema de Informação Geográfica - GeoMafra:
Tema\ Eventos\ Sabores da Tapada Real – Mostra Gastronómica

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Hoje falamos de dois temas recorrentes: a osteoporose e a síndrome de visão do computador

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Hoje falamos de dois temas recorrentes: a osteoporose e a síndrome de visão do computador

1º tema
Osteoporose

A osteoporose é a doença óssea metabólica mais comum e a principal causa de fracturas por fragilidade esquelética.

A doença caracteriza-se por uma redução da massa óssea com alterações do tecido ósseo levando a redução da resistência óssea e ao aumento da susceptibilidade de ocorrerem fracturas.
Causa anualmente em Portugal cerca de 40 mil fracturas. Esta doença faz parte do processo normal de envelhecimento da criatura humana, aparecendo mais frequentemente em mulheres (sobretudo em fase pós-menopausa) mas também na generalidade em pessoas idosas com dietas pobres em cálcio e em fumadores entre ouros casos.

Se não for prevenida precocemente, ou se não for tratada, a perda de massa óssea vai aumentando progressivamente, de forma assintomática, sem manifestações, até à ocorrência de uma fractura.

O que caracteriza as fracturas osteoporóticas é ocorrerem com um traumatismo mínimo, que não provocaria fractura num osso normal. Também se chamam, por isso, fracturas de fragilidade. Alguns dos exames de diagnóstico são a densitometria óssea que permitem uma quantificação de massa óssea e ajudam a decidir o tipo de tratamento.

Há diferentes abordagens terapêuticas, consoante a história de fractura e fragilidade, mas normalmente implica tanto medicação como outro tipo de medidas. Nas pessoas mais idosas institucionalizadas ou com mobilidade reduzida e com propensão para quedas, são equacionados os usos de cálcio e de vitamina D e medidas de prevenção das quedas.

Agradecimento à Ilmª Doutora Vera Teixeira.

2º tema
Síndrome de Visão do Computador
Uma dor de cabeça que não passa, acompanhada de ardor oscular e vermelhidão. Se isso acontece após horas em frente ao computador, as hipóteses de estar com “síndrome de visão computador” são grandes.

Apesar de não ser reconhecida do ponto de vista científico, a doença atinge um número significativo de pessoas que trabalham diariamente em frente a um computador. Um síndrome tem o caso clínico bem estabelecido. Esta doença é um somatório de diversos casos.

Em alguns casos, pessoas que precisam de pouco esforço visual (óculos com grau baixo) e não usam óculos ou lentes de contacto durante o uso contínuo do computador podem desenvolver os sintomas da doença com o passar do tempo.

Entre os sinais da doença, está o cansaço causado pelo esforço contínuo. Esse cansaço é semelhante à leitura prolongada de um livro. Nos dois casos, a pessoa precisa de fixar os olhos num mesmo ponto por muito tempo. Isso causa fadiga no mecanismo de acomodação dos olhos, que é o mecanismo do foco.
Com o esforço em frente à tela do monitor, a frequência do número de piscadelas de olhos por segundo diminui a lubrificação dois olhos.

Piscando menos, o indivíduo não tem uma boa lubrificação. A lágrima fica alterada na quantidade e na qualidade. Ressecados, os olhos podem passar a arder o que provoca vontade de coçar.
Somados à diminuição da frequência de piscadas por agente causal, esta não é por culpa do computador, ele só faz com que ela se manifeste. O mesmo pode aparecer em adolescentes que passam horas e horas a jogar vídeos-jogos ou mesmo aqueles que ficam horas intermináveis em frente da TV sem intervalos.

Sintomas e sinais
- Ardor
-Dor de cabeça
-Fotofobia (aversão à luz)
-Lacrimejamento
-Olhos vermelhos
-Queda da pálpebra
-Sensação de areia nos olhos
-Sensação de cansaço ao final do dia.

Como prevenir
-Faça intervalos de dez minutos a cada hora de trabalho
-Use o monitor do computador abaixo da linha de visão
Pessoas com predisposição devem usar lágrimas artificiais (colírios) ou humidificar o ambiente
-Mantenha uma distancia de 60 cmts da tela do monitor
-O uso de lentes de contacto pede lubrificação extra nos olhos

Agradecimento à Ilmª Doutora Eliana Neves (licenciada em optometria)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. Detective Jeremias (Santarém) assina o episódio de hoje

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”.
Novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia.
Detective Jeremias (Santarém) assina o episódio de hoje

TODOS ELES JÁ SABIAM

“Adivinhar o futuro é muito duro, é muito duro
Sai sempre o cálculo furado
Adivinhar o passado é mais seguro, é mais seguro
Se bem que às vezes também sai errado”

Acesso Bloqueado - Sérgio Godinho

Pois é, caro leitor, parece que é assim em todo o lado. Do futebol à economia, é sempre fácil fazer previsões quando o árbitro apita o fim do jogo ou a crise está instalada. Depois de as coisas acontecerem, não falta pessoal a mandar palpites para o ar. Os críticos de serviço nos “Jornais da Noite” alinham explicações filosóficas, às vezes tão vazias como a indignação sem sentido do fanático da bola, que cospe impropérios para o microfone jornalístico que no esvaziar do estádio procura a indignação dos perdedores do derby.

Os nossos conhecidos das escadinhas dos Baldaques não têm um comportamento diferente. Depois da tragédia fatal ter acontecido, tudo previram e tudo explicaram, conforme declarações prestadas no local aos tablóides da capital. Tudo previram e tudo explicaram, para quem os quis ouvir e para os outros que os preferiam ver calados.

Arnezinha preferia vira tudo, ou quase, nas cascas espiraladas dos búzios e Fonfana ouvira tudo nos cânticos dos seus ancestrais antepassados que lhe batucaram o cocuruto da pinha depois de ter emborcado uma série seguida de imperiais.

O cónego Novena, chamado de urgência ao local crime, apesar de estar a 100 metros do local numa prova de vinhos do Dão promovida pela Sociedade Recreativa, perdeu-se no caminho e quando chegou ao local, três horas depois, já “o médico legista tinha procedido à remoção do copo, perdão, do corpo”, isto a fazer confiança no relato em directo do repórter.
O conego Novena era a santidade e o valor evangélico da moral na colmeia. Consta-se que quando acabar esta louca novela o conego Novena vai ser promovido a Santo Padre do Alto do Pina

Zeca Maluco, com ar ainda mais esgazeado do que o arregalado habitual, guinchava a pelos pulmões: “FOI TUDO OBRA DUM SERIAL KILLER, FOI TUDO OBRA DUM SERIAL KILLER”, num contraste manifesto com a atitude de Adrianov que comentava em surdina com a cara metade: “Isto foi trabalhinho da máfia de leste.”

A protagonista deste dramático final de tarde foi Katinha que com um vestido reduzido, onde o fundo do decote se confunde com o fio da bainha, reunia à sua volta curiosos e entrevistadores de papel e de imagem. Katinha desfiava um chorrilho de mentiras: Fui eu a encontrar a vítima com a faca de desossar espetada no coração, os olhos vermelhos e marcas de esganação no pescoço. Foi suicídio de certeza! Ela andava em depressão por causa dos filmes porno e da tampa que levou do cónego. Não que eu seja de contar, o meu padrinho sempre me disse que pela boca morre o feixe (sic). Já é a segunda vez que ela tenta o suicido, o mês passado foi com um tiro no rabo, digo na nádega. Tadinha não aguentou o stress de se ver envolvida em intrigas. Ontem até sonhei com ela. Apareceu-me numa nuvem de luz, afogada com uns limos nos cabelos a dizer que estava finalmente livre.” E prosseguiu com as fantasias até se cansarem de a ouvir.

Neste caos estupefacto de crime, apenas Tempicos permanece calado e só ele sabe porquê… ah!.. e já me esquecia… Mendinho e Salvattore também não se fizeram ouvir. Estavam ausentes, em digressão a expensas da Sociedade Recreativa… dizia-se.
Salvattore e a Arnezinha continuavam a deliciar a assistencia do Clube União com as suas ritmadas danças de salão.

Pois é, caro leitor, se tem acompanhado o crime das escadinhas dos Baldaques, já descobriu quem foi a malograda vítima. A enfermeira não diplomada Fafá jaz morta e arrefece.

E para que não restem dúvidas sobre a eficácia deste suicídio/assassinato deixa-se aqui o relato do que sucedeu no interior de algumas cabeças no curto trajecto entre o crematório do Alto de São João e a as escadinhas dos Baldaques.

Katinha, pendurada no braço direito de Novena, enxugava as lágrimas inexistentes e pensava que tinha menos uma no prédio a arrastar a asa ao padrinho.

Arnezinha, pendurada no outro braço do Novena, vislumbrava o aumento da clientela no negócio dos búzios. Onde há desgraça junta-se logo o povoléu.

Novena agradecia ao senhor, numa ladainha mental, os consolos pós funeral requeridos pelas enlutadas.

Fonfana tinha na cabeça as imperiais que ia alinhar para o bucho e o decote da meio irmã.

O Mendinho não passava muito tempo na "colmeia" dos Baldaques e nem passava cartão visivel aos seus vizinhos. Sonhava com o Teatro e um dia poder encenar uma peça como esta. Quem sabe?

Só Zeca Maluco e Tempicos sentiam tristeza genuína.

Zeca Maluco já cheio de saudades da vizinha. Uma porreiraça, sempre pronta para alinhar em cenas fixes, mas desta vez não havia nenhum velório que safasse as cinzas da Fafá enterradas num cantinho.

Tempicos, estava num estado lastimoso. Primeiro, porque ignorara um pedido de ajuda de Fafá que temia pela sua vida. E depois, porque de facto fora ele que dera com o corpo de Fafá, tombado no meio da sala. Fora morta com um tiro certeiro, no meio da testa. Mas o mais escabroso era a seringa espetada no braço e os celestes que lhe atafulhavam a boca. Uma imagem que não lhe saia da cabeça.

Tempicos jurou a si mesmo não descansar enquanto não descobrisse o culpado.

Detective Jeremias

Santarem. 2012. 02.18

Contribuições




Sabe-me a "estranho" esta referencia de "acesso bloqueado". Penso, e quase tenho a certeza, de qué uma indirecta a Tempicos face à sua pouca produtividade perante a Katinha. Foi Zeca Maluco que o substituiu. junto da moçoila









Vermelho Transparente
Teatro Nacional D. Maria II [Lisboa/Portugal]
Mais informações:
Duração 1h40 c/ intervalo M/12
Vermelho Transparente
De Jorge Guimarães
Encenação Rui Mendes

“Viver é pertencer a outrem. Morrer é pertencer a outrem. Viver e morrer são a mesma coisa. Mas viver é pertencer a outrem de fora, e morrer é pertencer a outrem de dentro. As duas coisas assemelham-se, mas a vida é o lado de fora da morte.”

Fernando Pessoa
(“Livro do Desassossego”)

Em Vermelho Transparente, o encenador Rui Mendes, em cumplicidade com o autor Jorge Guimarães, cria uma peça capaz de envolver o público num clima de mistério que se adensa até ao clímax da história: Mercedes, de 38 anos, procura um psicanalista para lhe falar do sonho recorrente que tem com um vestido vermelho. No sonho, vê o marido, António, fazer amor com a irmã gémea, Dora. Vermelho Transparente é uma peça que se vai revelando através de reflexos de espelhos, construindo as suas personagens a partir dos dípticos realidade/ficção, verdade/mentira, sustentados em grande parte no duo de actores Helena Laureano e Luís Esparteiro
.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos apresenta a sua rubrica “No Palco da Saudade”. Mirita Casimiro é a recordação de hoje

In memorian
Mirita Casimiro, de seu nome próprio, Maria Zulmira Casimiro de Almeida, nasceu em Viseu a 10 de Outubro de 1914 e faleceu na sua casa em Cascais a 25 de Março de 1970. Foi uma actriz do Teatro e Cinema portugueses.
O Teatro no Bancada Directa.
Salvador Santos apresenta a sua rubrica “No Palco da Saudade”.

Mirita Casimiro é a recordação de hoje

"No palco da Saudade"!

MIRITA CASIMIRO

Texto integral de Salvador Santos

O seu pai foi um famoso cavaleiro tauromáquico (José Casimiro) e os seus irmãos (Manuel e José) foram praticantes da mesma arte. Ela preferiu a arte da representação aos cavalos e ficou para a história do cinema nacional como “Maria Papoila”, deixando no teatro a sua verdadeira marca d´água como actriz.

Foi, aliás, nos palcos que ela se estreou, após ter participado em récitas amadoras, onde cantava canções tradicionais da Beira Alta, carregando no sotaque serrano e envergando trajes regionais típicos. E foi assim que ela se apresentou pela primeira vez em Lisboa, no Teatro Maria Vitória, quando o empresário teatral Lino Ferreira se lembrou de chamá-la para integrar o elenco da reposição da revista “Viva a Folia”, liderada por Maria das Neves, cantando as suas habituais toadas beirãs.

O sucesso não se fez esperar, seguindo-se no mesmo palco as revistas “Olaré, Quem Brinca”, onde Mirita (de nome próprio, Maria Zulmira) era já vedeta absoluta, “Milho Rei” e “Anima-te Zé!”. Mas a grande glória da actriz teve lugar no Teatro Variedades, onde criou um travesti genial na comédia “João Ninguém”, que atingiu um êxito sem precedentes à época, sendo a peça reposta incessantemente durante os anos seguintes.
Mirita Casimiro apaixona-se entretanto por Vasco Santana, com quem casa e forma uma dupla de sucesso que domina a cena portuguesa, como aconteceu na opereta “Invasão” ou na revista “Alto Lá com o Charuto”. Nesta última peça, Mirita desdobra o seu imenso talento, ora no condutor da Carris, interpretando o tema popular “Ó Santo Amaro”, ora declamando a libertação da França ao som de “Mon Homme”.

Ao fim de cinco anos de vida em comum, o casal divorcia-se, com algum escândalo e rumores de infidelidades mútuas. A classe teatral toma o partido de um deles, e Mirita vê-se proscrita dos teatros onde Vasco reina. Afastada dos palcos durante um ano, a actriz regressa depois ao Teatro Maria Vitória pela mão do empresário Rosa Mateus, com o qual faz quatro revistas. Numa delas, a de maior sucesso, “Tico-Tico”, a actriz interpreta a Menina da APA, numa rábula notável e imensamente aplaudida, que parodia as concorrentes dos concursos radiofónicos, que eram a loucura do momento.

O seu êxito contudo diminui e, incentivada por amigos do meio e entusiasmada pela experiência de alguns colegas, decide partir para o Brasil, onde reside durante quase dez anos, conseguindo manter aí a sua carreira, embora sem grande sucesso.

No seu regresso a Portugal, em 1964, a atriz instala-se em Cascais, onde o encenador Carlos Avilez tem em marcha a criação de um dos mais antigos grupos de teatro independente ainda em actividade – o Teatro Experimental de Cascais. Convidada por aquele encenador, Mirita Casimiro volta aos palcos portugueses para integrar o elenco dos espetáculos “A Casa de Bernarda Alba” de Frederico Garcia Lorca, “Mar” de Miguel Torga e “Bodas de Sangue” também de Garcia Lorca, a que se seguiu a sua participação em vários projectos de registo mais popular, como “A Maluquinha de Arroios” de André Brun ou “O Comissário de Polícia” de Gervásio Lobato, sempre sob direcção de Carlos Avilez. As suas interpretações são notadas e admiradas por uma jovem geração de espectadores e abre-se uma nova fase na sua vida.

Um realizador da RTP com ambições na sétima arte, Herlânder Peyroteo, convida-a a regressar ao cinema, onde ela conseguira já a imortalidade em “Maria Papoila”, mas a actriz resiste, temendo não estar à altura do que tinha feito na obra de Leitão de Barros. Aquele seu filme de estreia havia sido escrito à sua medida, tendo alcançado com ele um êxito retumbante.

Actriz e personagem haviam-se confundindo desde então e para sempre no imaginário popular. “Maria Papoila”, que era uma visão crítica dos costumes dissolutos da capital pelos olhos vivos, mas ingénuos, de uma pastora que vem tentar a sorte para a cidade, tinha algo de auto-biográfico, apesar de Mirita não ser propriamente originária das gentes do povo. Na verdade ela descendia de uma “aristocracia marialva”, mas tinha na alma a humilde gente beirã.

Perante a insistência de Peyroteo, Mirita aceita então voltar ao cinema. “Um Campista em Apuros” é o título do filme, no qual lhe está destinado um pequeno papel secundário. Mas também aí parece abrir-se-lhe perspectivas de trabalhos de maior fôlego em produções futuras. Porém, numa das pausas da rodagem do filme, a actriz sofre um grave acidente de viação, que a deixa incapacitada para trabalhar.

Para além de ter interrompido abruptamente a sua participação no filme, aquele estúpido acidente viria também a impossibilitar o seu regresso aos palcos. A partir daí, Mirita Casimiro fecha-se em casa. Profundamente deprimida pela situação de inactividade a que é forçada, suicida-se dois dias antes da comemoração do Dia Mundial do Teatro. Nesse ano de 1970 a celebração do teatro em Portugal “vestiu-se” de luto!
Salvador Santos

Porto. 2012.02. 18

Obrigado Pela Sua Visita !