BANCADA DIRECTA: Novembro 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fragmentos e Opiniões. O Professor Luis Menezes Leitão assina um artigo cáustico

A nossa aldeia gaulesa

Artigo de Luís Menezes Leitão


Estamos no ano 2011 d.C. Todo o Portugal está ocupado pelas tropas da troika. Todo? Não. Uma ilha povoada por irredutíveis madeirenses resiste ainda e sempre ao invasor. E na Madeira a vida não é fácil para os defensores da disciplina orçamental...

Efectivamente, os governantes da nova província do Império, o procônsul Passus Cuniculus e o questor Victor Gasparius, andam completamente desesperados para tentar submeter a ilha à austeridade que impuseram no Continente. Mas os irredutíveis madeirenses resistem sempre, comandados pelos seu chefe Jardinix, que já fez saber que não vai entregar ao Continente ocupado os tributos cobrados na ilha, que não vai despedir ninguém e que vai continuar a gastar como sempre fez. O chefe Jardinix não se assusta com as ameaças vindas do Continente ou da troika, dado que só tem medo de uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça. E ele próprio costuma dizer que amanhã não será a véspera desse dia.

Os irredutíveis madeirenses sentem-se felizes com o seu chefe. Enquanto o Continente ocupado está sujeito à austeridade, eles podem comer e beber bem e dar tabefes aos invasores. Não interessa que lhes digam que estão a gastar de mais e que não têm dinheiro para tanto. Os irredutíveis madeirenses aproveitam o tempo presente sem pensarem no futuro. Eles sabem que esta estória acabará como todas as outras: com um grande festim. E o rectângulo há-de pagar a conta.

Professor da Faculdade de Direito de Lisboa

Nota: o artigo do professor circula na net

"Crime das Escadinhas dos Baldaques". De vez em quando aparece um "fait-divers".

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Caros confrades/escritores da história.

Da triste e esfarrapada história "Crime nas Escadinhas dos Baldaques" (brevemente em cena num cinema perto de si) o vosso confrade Tempicos anda com algum frio (é do tempo) e para aquecer as mãos resolveu fazer uma brincadeira a meias com o falecido poeta Alexandre O´Neill.

Vai em anexo, na falta de pombo correio.

Vosso Tempicos

Se não gostarem, rasguem ou deitem fogo. Vai dar ao mesmo.

TEMPICOS aproveitou o tempo frio e a ausência de problemas policiais para resolver, pegou no lápis e no papel e –dentro da sequência da história que estamos a construir- "Crime nas Escadinhas dos Baldaques", adaptou um velho trabalho do nosso poeta Alexandre O´Neill e vai daí reescreveu a história de…


Pois

O respeitoso membro de Zeca Maluco
Nunca penetrou nas intenções de Kátinha Vanessa
Que eram as melhores. Assim tudo ficou
Em balbúrdias de língua e cabriolas de mãos.

Assim tudo ficou até que não.

Zeca maluco ao volante do Ferrari
Vê Kátinha Vanessa a ultrapassá-lo alguns anos depois
E pensa e pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.

Kátinha Vanessa passa rindo dentadura aos clarões.

Lisboa, 30.11.2011
Tempicos/ O´Neil

Esta Lisboa que eu amo. O mar não anda por aqui perto neste local, mas respira-se um ambiente "salgado"

Camara Municipal de Lisboa

Vereador Manuel Salgado


Um Vereador que passou a aprovar directamente "por despacho" ... sem ir a Reunião de Câmara …


Manuel Salgado passou a aprovar casos de demolição de Património Arquitectónico insubstituível , que constituem verdadeiro crime … por despacho directo … evitando assim … possiveis confrontos e críticas …

Alguma vez passaria pela cabeça de um Parisiense ( Hector Guimard – Arte Nova ) ou de um Belga ( Victor Horta – Arte Nova – Bruxelas) cometer tal crime em Novembro de 2011 ?
Em Lisboa continua a ser possível !!
António Sérgio Rosa de Carvalho.


Rua Camilo Castelo Branco, 25

"uma vez que a informação prévia que conduzirá à destruição dos interiores da moradia do nº 25 da Rua Camilo Castelo Branco, e construção de um edifício de vários pisos e esventramento do subsolo, já foi aprovada por despacho do Sr. Vereador do Urbanismo no passado dia 2 de Nov. 2011."

A fonte é do "Cidadania LX" a quem agradecemos.



O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Falemos de questões oncológicas 1ª parte

O saber não ocupa lugar.

Temas de Medicina.

Falemos de questões oncológicas

Esperança de Vida?

Embora temidas pelas dores e pelo desconforto que causam, a quimioterapia e a radioterapia continuam a ser dois caminhos de esperança no tratamento de doença oncológica, porque ao destruir as células malignas podem permitir a remissão do tumor e o prolongar da vida.

A luta contra o cancro é uma verdadeira corrida de fundo. E, apesar dos enormes saltos científicos e tecnológicos, esta doença caminha a passos largos para ser a primeira causa de morte em Portugal.

Dor e sofrimento adquirem uma singular simbiose com esperança e alento, o que permite percorrer e esgotar as alternativas de tratamento em prol de uma melhor qualidade e de uma vida mais longa. Neste trajecto, a cirurgia é quase indissociável da quimioterapia e da radioterapia. E sendo armas úteis neste combate, comportam riscos e alguns sacrifícios. Cada sessão pode envolver desconforto, cansaço,
náuseas e vómitos, seguindo-se da eventual queda de cabelo, que afecta emocionalmente, em particular as mulheres, correspondendo a uma dose adicional de fragilidade.
Antes ou depois da intervenção cirúrgica para a remoção total ou parcial do tumor, os tratamentos são forma de cura ou de mitigação do galope das células cancerígenas.

Assim, a quimioterapia consiste na administração de medicamentos que actuam sobre as células cancerosas, visando a sua destruição,controlando ou impedindo o seu crescimento e aliviando os sintomas causados pelo desenvolvimento do tumor. Esses medicamentos podem ser ministrados por via oral (sob a forma de comprimidos), por via endovenosa, por punção lombar ou através de injecções sub-cutâneas ou intramusculares, sendo as três primeiras formas as mais frequentes. É perante um tumor concreto e consoante o estádio de desenvolvimento de doença que o médico escolhe o tipo de fármaco, a quantidade a ser utilizada e a forma de administração.

A mesma avaliação ditará se as tomas são diárias, semanais ou mensais. Em regra, utiliza-se a chamada poliquimioterapia, que consiste na aplicação combinada de vários fármacos. Esta é uma opção terapêutica em que se optimiza a actuação dos diversos fármacos, reduzindo-se a resistência do tumor a cada um desses medicamentos e obtendo-se uma maior resposta por cada dose administrada. A quimioterapia pode estar indicada antes ou após uma cirurgia ou radioterapia, ou ainda isoladamente, sem que haja uma intervenção cirúrgica, mas também em conjunto com outras técnicas, como a radioterapia (caso em que se chama quimioradiação).

Consoante o tipo de abordagem, a quimioterapia pode ser curativa; adjuvante do tratamento quando administrada após o tratamento cirurgico ou a radioterapia, com o objectivo de destruir células residuais e reduzir a probabilidade de ocorrerem metásteses; prévia ao tratamento com o objectivo de reduzir parcialmente o tumor (quimioterapia neo-adjuvante) ou paliativa

Assim, quando o objectivo é o controlo total do tumor, a quimioterapia é tida como curativa, mas quando a técnica utilizada para melhorar a qualidade de sobrevida do doente, não tendo finalidade curativa, fala-se em quimioterapia paliativa

continua na próxima semana

Fonte do texto. Revista Farmácia e Saúde. 2011. Outubro

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Esta Lisboa que eu amo. Campo de Santa Clara. Estatua do médico Bernardino Gomes vandalizada

Lisboa. Jardim Botânico. Estatua do médico Bernardino Antonio Gomes. Monumento respeitado pelos visitantes.

Tal não acontece com outra estátua deste médico localizada no Campo de Santa Clara e que está vandalizada conforme mostram as fotos.

Esta situação mereceu uma tomada de posição da Presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico.


«Exmo Director do DMC-DPC,
Lisboa, 27 de Novembro de 2011
Assunto: Monumento a Bernardino António Gomes no Campo de Santa Clara
Exmo. Arq. Jorge Ramos de Carvalho,
A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) vem por este meio chamar atenção para o mau estado de conservação em que se encontra há já vários anos o Monumento ao Dr. Bernardino António Gomes no Campo de Santa Clara.
Muito nos preocupa ver este, assim como grande parte dos monumentos e estatuária da nossa cidade, sem devidos cuidados de protecção e de conservação.
Estamos conscientes da tarefa complexa e difícil que é gerir, manter e recuperar os monumentos de Lisboa.
Mas esperamos que brevemente seja estudada e executada a limpeza deste monumento que homenageia um ilustre Botânico do nosso país.
Enviamos em anexo imagens para que possam constatar o terrível estado em que se encontra o monumento.
Com os nossos melhores cumprimentos
A Presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico,
Manuela Correia
LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa»


Contribuições

Bernardino António Gomes (Paredes de Coura, 1768 – Lisboa, 1823) foi um médico e botânico português que actuou na primeira metade do século XIX. Estudou várias plantas oriundas do Brasil e isolou a cinchonina.

Estudou medicina na Universidade de Coimbra, onde concluiu o doutoramento em 1793. Foi o primeiro dermatologista Português. Após o doutoramento, foi médico em Aveiro, onde se manteve até 1797, ano em que foi nomeado médico da armada real. Ainda nesse ano, embarcou para o Brasil, onde permaneceu até 1801. Em 1802 foi encarregado de debelar uma epidemia de febre tifóide a bordo de uma esquadra portuguesa, no estreito de Gibraltar. Ao fim de dois meses tinha conseguido resolver o problema. Em 1810, na sequência de uma nova epidemia de tifo que atingiu uma esquadra portuguesa em Gibraltar, foram transportados para o Lazareto, na Trafaria, 445 doentes que tratou com sucesso. Do serviço no mar, passou a trabalhar no Hospital da Marinha e no Hospital Militar de Lisboa. Deixou a carreira de médico da armada, em 1810. Em 1817, foi nomeado Médico da Câmara Real. Foi eleito membro efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1812. Nesta Academia promoveu, em 1812, a criação da Instituição Vacínica, que se dedicava à vacinação antivariólica. Em 1817, o número de inoculações atingia 17 mil. Em 1817, foi designado para prestar serviços médicos à princesa Leopoldina da Áustria, noiva de Dom Pedro, futuro Imperador do Brasil, quando esta se deslocou de Livorno para o Rio de Janeiro. Permaneceu seis meses no Rio de Janeiro, após o que regressou a Lisboa. Não se deve confundir com o seu filho Bernardino António Gomes, do mesmo nome, que nasceu em Lisboa, em 1806 e se formou em Medicina, em Paris e em Matemática, em Coimbra.

Durante as suas longas estadas no Brasil, que na altura era uma colónia portuguesa, Bernardino António Gomes estudou várias espécies de plantas medicinais. No período de 1798 a 1822, publicou (em Portugal e no Brasil) vários relatórios a descrever a morfologia e propriedades farmacêuticas de plantas brasileiras e portuguesas, assim como relatórios sobre a incidência e terapia de doenças infecciosas. Em 1812, foi fundada a Instituição Vacínica, em Lisboa, da qual B.A. Gomes foi o primeiro director e que tinha como objectivos generalizar a vacinação em Portugal e promover o progresso das ciências e do bem-estar público. Assim, em conjunto com outros médicos, B.A. Gomes iniciou a vacinação em Portugal. Os trabalhos que publicou tiveram um grande impacto ao nível da comunidade científica internacional. Destes trabalhos, destaca-se o isolamento por cristalização da denominada cinchonina, a substância activa presente na casca de quina. A cinchonina foi utilizada, desde o século XVII, como antipirético. Grande parte dos seus trabalhos foi desenvolvida no Laboratório Químico da Casa da Moeda, em Lisboa.

As fotos da estátua no Campo de Santa Clara são do nosso amigo Paulo Ferrero e que agradecemos

Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista António Raposo parece que anda descontente com o que restou do 25 de Abril


Fragmentos e Opiniões.

O nosso cronista António Raposo parece que anda descontente com o que restou do 25 de Abril

O QUE FICOU DO 25 DE ABRIL – ALGUNS CACOS

Antonio Raposo, nosso cronista, não anda nada contente com o que vê actualmente
Assisti com ingenuidade e alegria à chegada do 25 de Abril. Foi bonito, pá. Mas já não estou contente.

Pensei que alguma coisa importante iria acontecer neste pobre país de pobres.
Já lá vão quase 40 anos! Uma vida. E concluo – o défice é enorme.

Assisti ao nascimento dos políticos profissionais, pois os primeiros que surgiram foram amadores que rapidamente se esfumaram. Muitos não tiveram paciência. Outros foram empurrados pelos aparelhos partidários. Muita gente honesta não aguentou a dose.

Fixaram-se os partidos principais e cristalizou-se tudo a seguir. Passamos a votar em profissionais. Tipos que fizeram o percurso por dentro dos partidos.

Hoje temos os dirigentes dos dois principais partidos que se poderão considerar gémeos, construídos pelo marketing – no seu pior! Homens de plástico que nada dizem às pessoas e que sobrevivem trocando favores dentro da máquina partidária. São bonitos e agradam às senhoras despolitizadas. É pouco.

Mas não têm valor nenhum nem nada lá dentro. Experimentem abri-los: só têm botox! Ainda se pensou que alguém pudesse entrar na Assembleia através do voto directo das pessoas. Nem pensar! O edifício da “anti-democracia” estava montado e não se poderia alterar. A pergunta que toda a gente fará (aquela que ainda vota) é: - Qual é o deputado que eu escolhi com o meu voto?

A segunda pergunta que se fará: estes tipos representam-nos mesmo? Ou será que foram simplesmente escolhidos pelo aparelho partidário (os yes man) para se levantarem e sentarem na Assembleia?

Será isto democracia? Não é não senhor!

E não me venham com a conversa do Churchil que disse que era a melhor dos piores males. Então porque não se escolhe outra? Não há imaginação para mudar nada?
Para começar eu gostaria de ter um deputado que fosse meu (como se fosse eu que o tivesse eleito) e a quem eu pudesse pedir responsabilidades pela sua actuação. Mais, que pudesse correr com ele logo que ele se armasse em dono do meu voto!

Será assim tão difícil mudar as coisas que estão feitas e ninguém mexe nem deixa mexer? Ora, se nada se fizer são os próprios partidos que estarão a mais e que não conseguem representar o povo. E já agora para começar não seria altura dos partidos viverem com os seus próprios rendimentos. A quota dos sócios? Como os clubes de futebol já foram e alguns ainda são. Se não se mudar esta coisinha básica que é a massa que vai para os partidos não vale a pena mexer no resto. Tudo tem que se fazer pelos alicerces. Enquanto nada se fizer. Tenham paciência. Eu não voto e mais, acho que essa coisa a que chamam democracia e Assembleia Nacional e o resto é uma falácia.

Pelo menos a mim não me enganam. E a si? Já pensou?


Um abraço para os meus leitores
António Raposo
Lisboa. 2011.11.28

Historias de Monserrate. 5 Dezembro. Assirio & Alvim. Lisboa

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Desporto por estas terras de Aveiro. Para os jovens que gostam do ciclismo e que queiram praticar

domingo, 27 de novembro de 2011

O Teatro no Bancada Directa. Salvador Santos apresenta e coordena “No Palco da Saudade”. Recorda-se hoje a grande Hermínia Silva

Herminia Silva nasceu em Lisboa a 2 de Outubro de 1907 e faleceu nesta mesma cidade a 13 de Junho de 1993

O Teatro no Bancada Directa.

Salvador Santos apresenta e coordena “No Palco da Saudade”.

Recorda-se hoje a grande Hermínia Silva



“No Palco da Saudade”. Uma rubrica de Salvador Santos

HERMÍNIA SILVA

No verão de 1915, já lá vão mais de noventa e seis anos, subia a cena no Teatro Taborda, em Lisboa, a peça “A Castro”, de António Ferreira. No palco, com apenas seis anos de idade, vestindo a pele do Infante D. João, estreava-se no teatro uma menina do bairro do Castelo que foi grande no fado e enorme na revista à portuguesa.

Chamava-se Hermínia Silva e andou ainda menina e moça pelos palcos amadores e pelas verbenas dos velhos bairros de Lisboa a representar teatro e a cantar fado. Com apenas treze anos ela passou pelo Parque Mayer como cantadeira, no popular Pavilhão do Valente das Farturas, e a sua graça e espontaneidade despertaram o interesse dos empresários do teatro de revista.

Nessa altura, a actriz Hortense Luz, então também empresária, desafiou-a para um espectáculo no Teatro Maria Vitória, mas o que ela queria mesmo era cantar o fado à sua maneira e ficou-se pelo… Valente das Farturas.

Porém, dois anos volvidos, Hermínia Silva não resistia ao assédio dos empresários dos teatros do Parque Mayer e acabaria por se estrear na opereta “Fonte Santa” e logo de seguida na revista “Feijão Frade”. Diversos especialistas de teatro, ao perceberem que ela transcendia as fronteiras do fado, aliando aos seus dotes inconfundíveis de fadista uma extraordinária capacidade de comunicação, queriam à viva força que ela tivesse aulas de representação, mas Maria Matos logo se opôs, porque, segundo aquela actriz,
Hermínia Silva tinha que ser ela própria quando estava em cena, sem recurso a técnicas. Isto porque nela existia tudo o que uma actriz de teatro popular tinha que ter: a espontaneidade e a generosidade da alma dos bairros populares de Lisboa. E isso, Hermínia tinha como ninguém.

Depressa a actriz cómica, intuitiva e dotada de um sentido agudo de observação, emergia da cantadeira, a tal ponto que o Mestre António Pedro, depois de a ver na revista “Tico-Tico” (1945), dizia a seu respeito num artigo de opinião publicado no “Mundo Literário: «[Hermínia Silva] é a melhor actriz que conheço». E para que não restassem dúvidas, acrescentava: «A melhor sem nenhuma restrição de género ou qualidade.
A melhor querendo dizer exactamente a melhor, sem mais reticência nenhuma». Por seu turno, Amália Rodrigues, a maior voz de sempre da chamada canção nacional, falando certa vez a propósito de Hermínia, disse que ela podia ter sido a maior… se quisesse. Mas o que Hermínia sempre quis foi “simplesmente” cantar o fado com o coração e fazer de cada fado um hino de optimismo e amor à vida.

No fado, assim como na revista, ou até mesmo no cinema, onde cantou o célebre “Fado da Sina” no filme “O Homem do Ribatejo”, Hermínia foi sempre ela própria, inteira e única. A sua popularidade atingiu uma tal dimensão que o cinema não dispensou o seu contributo de actriz e cantadeira. Apenas nove anos após a sua estreia na revista, Hermínia foi convidada a integrar o elenco do filme “A Aldeia da Roupa Branca”, de Chianca de Garcia. E a partir daí, as propostas de contratos surgiram em catadupa, provenientes das mais diversas latitudes.

O Brasil, a nossa vizinha Espanha e outros países europeus reclamaram a sua presença “fora de portas”. Não fora o seu pavor de andar de avião e Hermínia teria tido uma carreira internacional fulgurante a julgar pelos convites recebidos para actuar nos mais diversos pontos do Globo.

Hermínia Silva acabou por concentrar a sua carreira em Portugal, passando regularmente pelo Parque Mayer, onde rubricou actuações inesquecíveis em revistas como “Sempre em Pé”, “Ai Bate, Bate”, “Ai Venham Vê-las” ou “Afinal Como É?”.
Paralelamente às suas participações nos palcos da revista, ela “passeou” o seu enorme talento por inúmeros espectáculos de variedades realizados um pouco por todo o país e em vários programas televisivos, para além de muitos êxitos populares registados em disco.

A partir de 1958, com a inauguração do Solar da Hermínia, em Lisboa, no popular Bairro Alto, onde lançou inúmeros artistas que despontavam para o fado, ela passou a marcar encontro todas as noites com o imenso público que a idolatrava quase fanaticamente e que se deliciava com o seu sentido de humor muito peculiar e com o seu divertido jargão … “Anda, Pacheco!”

São muitos os prémios e distinções que Hermínia Silva foi acumulando ao longo dos anos, entre os quais se encontram o justificadíssimo Prémio Nacional de Teatro Ligeiro atribuído pelo ex-SNI, a Grã Cruz da Ordem do Infante e a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa. Hoje, passados mais de dezoito anos sobre o seu desaparecimento (Hermínia faleceu no dia Santo de António – 13 de Junho de 1993), impomo-nos recordar a fadista, a actriz e, sobretudo, o povo quer havia naquela mulher.

Salvador Santos
Porto. 2011. 11. 25

O autor desta rubrica é um homem do Teatro, conhecedor profundo das suas envolventes artísticas e administrativas. Em Portugal poucos haverão que possuam os seus conhecimentos sobre o Teatro

Desenvolve a sua actividade profissional no Teatro Nacional de São João no Porto

Bancada Directa apresenta-lhe os seus calorosos agradecimentos pela sua disponibilidade em levar a efeito esta rubrica


Cultura na Ericeira. Mafra.


"VISÕES"

A pintura de Fernando Figueiredo está em destaque na galeria da Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira. A Câmara Municipal convida-o(a) a visitar esta exposição, intitulada "Visões", que está patente até 8 de Janeiro. »

"Visões representa a tentativa de voltar às origens da pintura, da ideia original. Por isso, a abstracção, forma primária antes do pensamento actuar sobre a ideia. Por isso, a inspiração no dripping, cascata de informação desconexa, labiríntica, onde tudo nasce e onde muito se perde. Por isso, também, o título Visões, assomos de coisas transferíveis para composições bidimensionais, ápices de certezas inquietas, vértices instantâneos captados imediatamente, ou para sempre esquecidos...".

As palavras são de Luísa Almeida, que assim descreve a exposição da autoria de Fernando Figueiredo, pintor com formação na Sociedade Nacional de Belas Artes e que desenvolve a sua actividade profissional na área industrial.

Horário da galeria:
3.ª a 6.ª feira das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00;
Sábado e domingo das 15h00 às 18h00.

Cultura na Ericeira. Mafra.


EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA NA ERICEIRA

Esperança Matos apresenta os seus trabalhos na área da Escultura, a partir de dia 26 de Novembro, pelas 16 horas, na Sala Atlântico do Parque de Santa Marta, na Ericeira. "Rasgos do Meu íntimo" encontra-se patente até dia 8 de Janeiro de 2012. »


Esperança Matos, uma revelação na escultura em Portugal, que já é conhecida de um vasto público pelo talento e criatividade revelados nos inúmeros trabalhos que executou para todo o país e alguns para o estrangeiro.

Pode visitar esta exposição todos os dias das 10h00 às 20h00.

As crónicas do meu Domingo. Hoje uns andam contentes e outros tristes.

Caros amigos leitores

Uns sorriem e outros ficam tristes.

Qualquer que seja o vosso um destes casos, não esmoreçam e sorriam.

Um desafio de futebol, nunca será um Fim-do-mundo.

Portanto sorriam. Para a próxima será melhor.

sábado, 26 de novembro de 2011

“Crime das Escadinhas dos Baldaques” Capitulo 3. Anexo

“Crime das Escadinhas dos Baldaques” Capitulo 3. Anexo

O administrador principal do blogue Bancada Directa quis comprovar “in loco” as condições em que é idealizada a novela colectiva “Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Para isso deslocou-se especialmente dos USA e dirigiu-se de imediato -se ao prédio onde reside Tempicos e companhia

Aqui foi surpreendido e verificou que o Detective Tempicos dirigia musicalmente os seus condóminos a entoarem uma canção muito a propósito.

Como era uma gritaria muito afinada pedimos aos nossos amigos leitores que ouçam a canção com volume bastante alto

Para ouvir o tema clicar aqui

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. 3º capítulo

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. 3º capítulo

Titulo episódio de hoje:
Para Tempicos o Céu era o limite.

Autor: Onaírda


Mas para Adrianov o seu limite nem era um Céu qualquer e nem um qualquer offshore onde pudesse colocar uns cinco milhões de euros conseguidos num virtual empréstimo bancário para compra de terrenos baratos mas lucrativos, onde quadros e estatuetas de duvidosa origem eram a garantia.

Outros o conseguiram, mas ele era superior a esta volúpia financeira, porque às vezes Deus ( o ortodoxo, claro) dá as voltas e o que hoje parecia ser um bom negócio dá mas é para ter ralações. Era pobre, vivia da sua profissão de motorista de táxi, com licença de condução obtida na Ukrânia de uma forma algo liberal. O Estado protege os seus cidadãos que querem emigrar. Entendem?

Trioska integrava um núcleo feminista na Ukrânia. Nesta foto empunhava um "putativo" cartaz: a "Ukrânia não é um bordel

O limite real para Adrianov era o amor que dedicava à sua mulher Trioska, pensando, erradamente, que era correspondido na mesma proporção. Mulher escultural, bonita de cara e corpo de menina solteira, despertava a cobiça, mal disfarçada, dos “machos” residentes no prédio das Escadinhas dos Baldaques. Se os homens do prédio a cobiçavam, as duas senhoras de seus nomes Arnezinha e Fafá desdenhavam a bela eslava, melhor detestavam-na.

Adrianov e Trioska vieram para Portugal porque já não tinham possibilidades de viver na Ukrania. Ele não tinha colaborado muito com a independência do seu país e ficou mal visto. Ela pertencia a um grupo de feministas que tentavam moralizar os costumes. Fez parte de manifestações, nuzinha em pelota, foi identificada pela KGB de lá do sítio e só lhes restou vir para Portugal, arrendando o casal uma casa no rés-do-chão esquerdo daquele prédio nas Escadinhas dos Baldaques.
Trioska era eximia em dançar a Kalinka. Sabe-se que Tempicos pretendia que ela lhe ensinasse os segredos dos volteios da dança eslava.

Adrianov era o oposto de Tempicos quanto a conviver com os residentes do prédio. Enquanto Tempicos se desfazia em salamaleques com os residentes, mais com as senhoras, Adrianov pouco falava com eles e só os saudava com um breve “Привіт витрачені не даремно? Nada mais. Em certa altura Tempicos e Adrianov desentenderam-se, trocaram palavras azedas entremeadas com ameaças do eslavo para Tempicos. O que tinha motivado esta situação ninguém sabia, mas o certo é que reinava uma certa tensão no ar e que poderia mais tarde originar consequências graves. O Zeca Maluco, o Salvattore, o Mendinho e a Fafá esfregavam as mãos de contentes com a evolução dos acontecimentos. O cónego Novena andava entretido a salvar almas do pecado e não ligava às paixões terrenas

Adrianov era um pobre no meio de ricos do prédio, trabalhava num táxi pertença do presidente do clube União, emprego que fora arranjado pela Arnezinha, a qual não perdia um baile no União, o qual presidente se deleitava a vê-la dançar e a moça tinha consciência disso, meneava as ancas e fazia-lhe olhinhos. Por isso não foi difícil ela arranjar o emprego ao Adrianov. Tráfico de influências, foi o que o foi. Ilícito penal, claro. Ela tinha pena da situação do ucraniano, que não de Trioska.

Falava-se em surdina que o Adrianov lidava diariamente com muitos portugueses, mas não assimilava muito a nossa língua, enquanto que a Trioska, apesar de não trabalhar falava o português correctamente. De certeza que tinha um bom mestre. Adrianov andava desconfiado. E tinha razão para isso. As paixões estalavam rapidamente no prédio. Tempicos esmerava-se em ensinar o português a Trioska e aproveitava-se claro

Quando Tempicos descobriu a Katinha na marmelada na escada com o Zeca Maluco soube-se depois que foi a Trioska que o informou. A eslava não gostava da Katinha e constava-se que Tempicos era possuidor de vários apartamentos no Algarve e que explorava um campo de golfe em Vilamoura. O plano de Trioska era que Tempicos deixasse a Katinha e se enrabichasse com ela. Como Tempicos já era entradote, no futuro ela seria a dona da sua fortuna. Adrianov ficava para segundo plano e fora da vida dela.
A Arnezinha e o Salvattore alegravam com as suas danças de salão os Sabados à noite no Clube União. O presidente do clube cada vez que via dançar a Arnezinha ficava com os olhos mais torcidos.

Mas o amor de Tempicos pela Katinha era enorme e perdoou-lhe o seu devaneio com Zeca Maluco. Claro que Trioska não passou e nem entrou no coração do detective, foi posta de lado e jurou vingança.

Adrianov e Trioska reconciliaram-se. Juraram que uma vingança serve-se a frio……

Tempicos nem sonhava no sarilho em que se tinha metido.

.A Arnezinha continuava a ser a estrela dos Sábados à noite no Clube União com os seus passes de boleros e tangos que volteavam a cabeça do presidente do clube.

Passada uma semana…

Fragmentos e Opiniões. Como está a passar a crise financeira por esta Europa?

Fragmentos e Opiniões.
Como está a passar a terrível crise financeira por esta Europa?
As euro obrigações vão salvar-nos!

Leio o jornal El Mundo de Madrid e um artigo do jornalista Rainer Hachfeld e a pergunta surge

José Manuel Barroso conseguirá convencer Angela Merkel da necessidade das "eurobonds"?


Propostas oficialmente pela Comissão Europeia, as euro obrigações são encaradas pelos países em dificuldades como a solução para a crise da dívida. Resta convencer a Alemanha, que acabará por ceder, assim espera El Mundo.

A Alemanha sentiu ontem (24 de Novembro), na própria carne, a crise da dívida soberana europeia. É verdade que tal aconteceu pelas razões contrárias àquelas que atingem os países em dificuldades orçamentais, mas a fuga de investidores face à baixa rentabilidade oferecida no leilão de obrigações a dez anos – só conseguiu colocar 62% do total – devia ser uma chamada de atenção para Angela Merkel. A epidemia alastra e é cada vez mais claro que só se consegue sair desta crise de dívida soberana se remarmos todos ao mesmo tempo e na mesma direcção.


Os acontecimenos precipitaram-se e levam quase irremediavelmente à criação de um tipo de dívida conjunta dos países do euro, que seja capaz de aguentar as tensões nos mercados. As características e a forma de participação dos países nessas emissões deverão ser objecto de discussão posterior, mas é possível que tenhamos que ir repensando o euro se a UE não dirigir o seu esforço para por em marcha as eurobonds. De momento, Merkel nem quer ouvir falar delas. Ontem voltou a sublinhá-lo de forma categórica: “É inapropriado que a Comissão Europeia se centre nas eurobonds porque dá a impressão de que o peso da dívida se pode partilhar”, disse.

Apertar o cerco aos governos incumpridores De um ponto de vista racional é possível que tenha razão. Nas actuais condições, o lançamento de um qualquer tipo de dívida conjunta seria uma forma de premiar os Estados incumpridores e castigar os que fizeram os seus deveres. O problema é saber se a zona euro consegue aguentar muito mais tempo nestas condições. Há que recordar que apenas há dois anos a crise da dívida estava circunscrita à Grécia e os seus problemas eram atribuídos à inaptidão de um Governo perdulário.

Hoje, temos três países resgatados, mais dois estão no arame, os restantes têm dificuldades com a sua dívida e a ansiedade atinge já o núcleo duro da UE: França fez cortes do orçamento para manter o Triplo A das agências e a Alemanha tem dificuldade em captar investidores porque as suas obrigações pagam juros abaixo de 2%. Com este panorama, ninguém se aventura a pensar em prazos para além dos três meses.

Ontem, a Comissão apresentou a sua proposta de emissão de eurobonds. Sabiamente, condicionou a sua criação à concessão a Bruxelas de um maior controlo sobre as contas dos Estados-membros em dificuldades. Assim, o presidente Durão Barroso e o comissário Rehn querem que Bruxelas possa analisar e dar o seu visto prévio aos orçamentos nacionais antes de serem aprovados pelo Parlamento do respectivo país. Propõem que a Comissão tenha capacidade para impor multas aos Estados que não sigam as suas recomendações. A iniciativa tem como objectivo apertar o cerco aos governos incumpridores mas, também, criar um clima favorável às eurobonds nos países centrais do euro e no BCE, que também não as vê com bons olhos.

O único caminho é mais Europa

Na opinião de muitos analistas a UE não tem tempo material suficiente para que as medidas que já se tomaram contra a crise dêem os seus frutos e para que os parceiros do euro possam ir solucionando a crise da dívida. Por isso aumenta a pressão sobre Merkel e talvez já tenha percebido a mensagem que os investidores lhe transmitiram a 23 de Novembro.

O único caminho é mais Europa. Há que exigir aos líderes políticos que dêem passos nessa direcção. Os investidores – e os cidadãos – estão à espera de um compromisso. No próximo dia 9 de Dezembro há uma cimeira em Bruxelas em que deviam ser aprovadas medidas concretas nesse sentido. Uma reunião fundamental que apanha Espanha entre dois governos. Por isso, há que aplaudir Zapatero e Rajoy que ontem começaram a conversar sobre a posição que vamos defender. E só pode ser a de apostar nas eurobonds que, pelo menos, já conquistaram um lugar na agenda oficial da União Europeia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Lisboa. Natal. Campo Pequeno. Mercado de Natal. Entrada livre.





Mafra. Concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa

SOLISTAS DA OML EM CONCERTO

A Orquestra Metropolitana de Lisboa apresenta um recital na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira. O espectáculo realiza-se no dia 26 de Novembro, pelas 22h00. »

Alexei Tolpygo, violino
Peter Flanagan, violoncelo
Savka Konjikusic, piano

Programa:
José Vianna da Motta (1868-1948) - Trio com piano
Franz Liszt (1811-1896) - Rapsódia Húngara n.º 9, S244/R106, Carnaval de Peste
Franz Liszt - Vallée d'Obermann, do livro Années de Pélérinage: 1.º ano/ Suíça, S. 160

O valor da entrada é de 4,00€, podendo os bilhetes ser adquiridos, a partir de duas horas antes, no local onde o concerto se realiza.

Hoje é dia 24 de Novembro. Bancada Directa adere à Greve Geral



E como tal hoje não publicaremos o 3º capítulo da novela colectiva "Crime das Escadinhas dos Baldaques, como tínhamos anunciado que o faríamos. O Detective Tempicos ficaria zangado e dele espera-se tudo. Fica para Sábado.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Oh meu Deus: o meu filho sofre de gaguez. Como posso fazer para remediar?

O saber não ocupa lugar.
Temas de Medicina.
Oh meu Deus: o meu filho sofre de gaguez.
Como posso fazer para remediar?

Desafiar e controlar as palavras

Sabemos como é embaraçoso para uma pessoa gaga tropeçar nas palavras. Com vários factores que contribuem para o seu desenvolvimento, a gaguez é uma perturbação da fala que é possível mitigar.

É fácil imaginar o stresse associado a uma incapacidade de dizer, por exemplo, o próprio nome durante uma entrevista para um possível emprego. Há certas palavras que parecem atraiçoar um gago. O discurso até pode estar a correr e apresentar-se com fluidez e coerência, mas há sempre um momento em que se é traído por certas sílabas que obrigam a uma hesitação ou a repetir-se até se conseguir pronunciar correctamente a palavra. Aliás, com a experiencia, as pessoas gagas evitam pronunciar determinados vocábulos.

O “iceberg” é uma imagem elucidativa para explicar o que ocorre na gaguez: a parte visível é bem menor do que a parte invisível., como os sentimentos negativos, como a tensão e o medo de falar. Se pensarmos que a comunicação é a base das relações sociais, os efeitos de perturbação na vida de um indivíduo podem mesmo condicioná-la.

A gaguez caracteriza-se por uma perturbação da fluência do discurso, podendo ocorrer repetições, bloqueios e demora na emissão ou prolongamentos de sons. Tende a surgir na infância, sendo mais predominante nos rapazes.

Em grande padre dos casos, a gaguez regride até à fase final da infância, podendo contudo manter-se por toda a vida, afectando a vida social e profissional do individuo e podendo interferir no rendimento escolar da criança., pelo que há que estar atento a qualquer perturbação da linguagem em particular, e das comunicação, de uma forma mais ampla.
Na escola, os atropelos de linguagem também se sobrepõem. A criança pode sentir-se pressionada e a gaguez torna-se então, mais evidente. O que – sabendo nós como os mais pequenos podem ser cruéis uns para com os outros – pode torna-la motivo de troça e riso dos demais

Criança, ou adulto, o gago é pressionado por acontecimentos geradores de stresse e ansiedade, como falar em público. Quando uma criança brinca sozinha com os seus bonecos ou o seu animal de estimação, o mais provável é não gaguejar. SE cantar num coro, também as palavras escorrem, porque não há interlocutor directo, não há diálogo.

O importante é identificar esta perturbação da falar mais cedo possível, de modo a afectar ao mínimo o bem-estar do indivíduo. Porque o que está em causa é acima de tudo, a auto-estima da criança ou do adulto.

Tipos de gaguez

A repetição de uma sílaba no início de uma frase ou uma repetição compulsiva de sílabas que ficam presas caracteriza a gaguez crónica. Já as pausas no discurso para facilitar a articulação das palavras, ditando um discurso aos tropeções são tipos da gaguez “tónica”. A gaguez pode ser ainda classificada como mista quando ocorrem episódios de repetições de bloqueios (crónica e tónica), e pode ser acompanhada de movimentos, como piscar de olhos, tiques e tremores.

E as crianças
Entre os dois e os seis anos, quando começa a utilizar a linguagem como instrumento privilegiado de comunicação, a criança pode atrapalhar-se com as palavras, o que pode desencadear a ansiedade.

Com o desenvolvimento da linguagem, podem surgir alguns episódios de gaguez, mas transitórios. As crianças também têm tendência para repetir frases inteiras, o que não deve ser confundido com a gaguez.

O apoio da família é essencial e, deve acima de tudo

a) Evitar aumentar a ansiedade, falando calmamente, sem pressões
b) Mostrar disponibilidade para ouvir as histórias que a criança tem para contar, valorizando-as
c) Resistir à tentação de a interromper, de a ajudar a completar as frases
d) Enriquecer o vocabulário da criança, através da leitura de uma história ao deitar.
e) Evitar a exposição a situações complicadas, que provoquem ansiedade, mas sme mergulhar numa superprotecção.
f) Fazer jogos, incluindo canções e versos. A criança gaga reage muito bem a tudo o que é entoado com ritmo.

Para suavizar o problema A terapia da fala pode ser útil para conquistar uma linguagem mais fluida. Por sua vez, as técnicas de relaxamento podem ajudar o indivíduo a relaxar em situações de maior ansiedade.

Fonte: Revista Farmácia e Saúde. 2011. Outubro

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