BANCADA DIRECTA: Setembro 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O desporto por estas terras de Aveiro. Uma boa noticia para aqueles que acompanham o futebol dos mais novos

Futebol / Taboeira dá boas indicações em Benjamins B
As duas equipas de Benjamins B do Taboeira realizaram, neste sábado, dois jogos de preparação, tendo em vista o campeonato da categoria que se inicia no próximo dia 8 de Outubro.

Em Frossos, apesar da boa réplica do Avança, venceu tangencialmente, enquanto que em Estarreja, com uma equipa mais competitiva, não teve grandes dificuldades em golear por 10-2.


Agradecimento ao nosso amigo Pedro Neves

O desporto por estas terras de Aveiro

Aveirenses

O importante é que todos vocês compareçam


Os meus flops (20). Pensamentos de Woddy Allen

Os meus flops (20)

Sobre aquilo que Woddy Allen pensa e diz....

Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente

Começar morto, para despachar logo o assunto.

Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.

Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.

Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.

E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.

Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço num orgasmo.

Os desalinhados no Bancada Directa. Existe uma "Santa Aliança" para que estas situações aconteçam impunemente para os infractores.

Os desalinhados no Bancada Directa

A respeito da "Santa Aliança" hoje não me apetece dizer quem são os intervenientes.

Lisboa. Rua Actriz Virginia (Bairro dos Actores) Setembro 2011
Lisboa. Praça de Alvalade. Setembro 2011

Francamente. Isto só acontece nesta olisipo urbe

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Politica à portuguesa. Claro que gostei de ouvir no Parlamento o “chefão” dizer que falou de mais.

Politica à portuguesa. Claro que gostei de ouvir no Parlamento o “chefão” dizer que falou de mais.

Falar demais




Claro que falou demais e deve ter cuidado. Se se descuida será crucificado como foi José Sócrates. É que os fazedores de noticias são implacáveis.

Gostei de ouvir ontem à tarde Pedro Passos Coelho dizer no Parlamento que da última vez que aí tinha estado, afinal, tinha falado de mais – a propósito da dívida da Madeira e do respectivo plano de recuperação, ou lá como vai ser chamado.

Teve a humildade (e a «frontalidade», palavra sua) de assumir um erro.
Está a aprender.

Agiu de forma diferente da do dia em que no mesmo sítio anunciou o imposto extraordinário de 50% sobre o subsídio de Natal.

O Poço…..

Mas a ideia de um poço persegue-me. Pergunto-me como será o futuro deste país?
Passos Coelho declarou recentemente, durante o discurso nas Nações Unidas que "a crise é uma boa oportunidade para o fortalecimento da economia".

Passos Coelho é capaz de ter alguma razão quanto afirma que as crises podem gerar boas oportunidades.

Ele, aliás, é um bom exemplo disso mesmo.

De facto, não fora a crise, nunca um indivíduo impreparado, como ele, teria alguma vez hipótese de ser arvorado em primeiro-ministro.

Mas não lhe gabo a sorte. Infelizmente, o "fortalecimento da economia" de que fala não está à vista. Como ainda, há poucos dias, o ministro Gaspar veio dizer é que "o pior está para vir", o que vale por dizer que o país se afunda cada vez mais

Não sei se o poço para que o país vai resvalando é um poço sem fundo. Na Serra da Estrela, mais precisamente na estrada que liga Manteigas à Nave de Santo António existe um poço famoso chamado “Poço do Inferno”. Será este Inferno que dá o nome a este acidente térreo uma premonição do que espera Pedro Passos Coelho, Gaspar e Moedas?

Missão ingrata…..

Os meus flops (19). Tás com pressa? Passa por cima!


video


Mas o nosso Governo não está com pressa nenhuma em divulgar onde vai cortar despesas.


Para que conste!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ultima hora. O Google Earth actualiza a foto satélite da Ilha da Madeira

Para que conste

Fragmentos e Opiniões. Em entrevista, António Vitorino considera que a queda da Grécia pode acarretar o colapso do euro e este à desagregação da União

Fragmentos e Opiniões.

Em entrevista, António Vitorino considera que a queda da Grécia pode acarretar o colapso do euro e este à desagregação da União Europeia.

Numa entrevista ao Expresso, o antigo comissário europeu diz que os efeitos de tal acontecimento seriam devastadores para o mercado interno - o verdadeiro coração da União - na medida em que o contágio de um incumprimento grego seria imediato e não apenas para os pequenos países como Portugal e Irlanda

Em causa estariam logo a Itália e a Espanha que, juntas representam 27% da economia europeia. Com tudo isto, diz António Vitorino, "já estamos a falar de mais de um terço da economia europeia afectado pela pressão dos mercados com base na questão da dívida". Só a banca francesa detem 600 mil milhões de euros dos países sobre-endividados.

António Vitorino também se manifesta contra a via federalista - se bem que considere fundamental discuti-la - e diz que perdeu as ilusões da refundação da União Europeia quando a Europa passou de 15 para 27 membros e se fez o Tratado Constitucional: "O caminho não é por aí".

O "pesado encargo" português

"Desconfio muito das lógicas de excesso de zelo. Tal como na culinária, os ingredientes têm de ser misturados na justa proporção"

Mas António Vitorino defende que existem soluções para a actual crise e que elas já estão aí: os programas de assistência financeira aos Estados e a reformulação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). O problema, considera, é o ritmo da política, que está desadaptado ao dos mercados, neste tempo de globalização financeira.

Quanto a Portugal, o político socialista, que se afirma retirado da política activa, diz que tem um "pesado caderno de encargos" a cumprir, mas mostra-se desconfiado em relação ao que chama "as lógicas de excesso de zelo".

"É fundamental por em ordem as finanças públicas (...) mas se não se acrescentar a componente de crescimento económico, não há saída".

Segundo António Vitorino, este ano a Europa (incluindo a Alemanha) irá entrar em recessão.

Votos cruciais

A entrevista de António Vitorino surge numa altura em que uma série de países vão votar nos seus Parlamentos a reformulação do FEEF, que lhe permitirá, nomeadamente, a compra de títulos da dívida dos países em situação difícil no mercado secundário.

Sem o acordo de todos os 17 Estados-membros da zona euro, essa reformulação - peça chave das decisões tomadas a 21 de Julho para resolver o problema da dívida soberana - não pode entrar em vigor.
Dos 17 Estados oito já votaram, mas faltam alguns considerados cruciais, na medida em que têm colocado muitos problemas: a Finlândia, que vota hoje, e a Alemanha, amanhã, onde o voto está a ser objecto de dura luta política dentro do próprio partido da chanceler Angela Merkel.
O último a votar será a Eslováquia, no 11 de Outubro, cuja primeira-ministra encarava a possibilidade de pôr a votos igualmente uma moção de confiança do seu Governo de coligação. A Eslovénia, a Estónia e a Áustria também têm planeado votações nos próximos dias.

No fim-de-semana foram divulgados planos de que estaria na forja um grande aumento da capacidade do FEEF (para dois biliões de euros dos actuais 440 mil milhões).

O Detective Tempicos volta a atacar. Recordando velhos amores no Café de la Paix em Paris

Caros amigos.

Destes lindos Cafés lembro o Café de la Paix em Paris, onde nos idos anos 60 Tempicos e Nelinha tomaram um pequeno almoço frugal, após uma noite de lua cheia passada numa cama de ferro num mansarda da Rue de Rivoli.

Do alto do 4ème ètage viram a lua, contaram as estrelas e sonharam. Finalmente adormeceram já de madrugada, o que se passou entretanto não foi ainda contado, mas, antes que a Troika tudo destrua, há-de ver a luz o devido relato. Eu seja ceguinho...

Saudações

Tempicos ( detective sempre em actividade)


Nota: As imagens do Café de la Paix fazem parte de uma lista dos 10 cafés mais bonitos do mundo segundo a opinião de Tempicos


clicando nas imagens elas ampliam-se

terça-feira, 27 de setembro de 2011

No Minho costuma-se dizer "é muito bom termos um "cavaquinho" sempre à mão"! Nós por cá estamos todos bem servidos com um Cavaco.

Os meus flops (18)

Vivendo ao som da música de um "cavaquinho"!

Num só dia, duas escusas: Cavaco Silva escusou-se hoje a comentar as alterações à legislação laboral e a decisão da Moody’s de baixar o “rating” de longo prazo da Madeira.

Confesso que não percebo a insistência dos jornalistas em fazer perguntas desagradáveis a Cavaco Silva.

É que, quando a pergunta não lhe convém, até eu já conheço a invariável resposta que, com mais ou menos molho, é sempre a mesma: “Não vou comentar o assunto, é uma matéria que está neste momento na concertação social, subirá depois ao Parlamento e só mais tarde chegará ao Presidente da República para efeitos de promulgação”.

Cavaco só se pronuncia sobre assuntos desagradáveis se lhe chegarem às mãos, para efeitos de promulgação, porque, em tal caso, tem mesmo de se pronunciar. Não pode fugir.

Não me digam que ainda não sabiam.

Oh gentes! Basta atentar no seu silêncio sobre o escândalo nas contas públicas da Madeira. Já alguém o ouviu dizer uma palavra de censura dirigida ao "companheiro" (?) Alberto João?

Ninguém ainda ouviu e nem ouvirá

Para que conste entre os seus fervorosos eleitores

Bilhete Postal.O mundo impressionante do Zoraida Garden de Roquetas de Mar

A foto foi obtida do terraço do Zoraida Park, irmão quase gémeo do Garden
Interior do hotel. A foto foi obtida do piso zero do local onde fica o salão de festas e o acesso para a piscina

Cerca de 1200 hospedes eram presentes nas instalações

Roquetas de Mar. 2011. Setembro. 15

Bilhete Postal. Deserto de Tabernas. Almeria. Aqui fizeram-se muitos "spaghetti westerns".

Bilhete Postal

Uma visita ao Deserto de Tabernas. Terras que imitavam o Far-West norte americano para se produzirem filmes de cow-boys, os chamados "western spaghetti" (Trinitá: cow-boy insolente com Terence Hill e Bud Spencer)
Una notacion del blogue Bancada Directa

... El desierto de Tabernas está considerado como el único verdadero desierto de Europa. Ocupa una franja de 280 Km2 al norte de la ciudad de Almería.

Las lluvias anuales no exceden de 25mm con una temperatura media de 17 grados centígrados.

En el desierto sólo crecen las plantas conocidas como xerófitas (plantas como los cactus que son capaces de vivir en lugares muy secos) o las plantas parásitas.

El paisaje desértico y el clima lo hicieron un lugar ideal para las películas del oeste, sobre todo durante los 60.


Anne-Rose Schelman Fuente (texto

Três notas de Adriano Rui Ribeiro:
a)ambas as fotos são comerciais dos catalogos na recepção do Parque

b) boas infraestruturas para se passar um dia agradavel

c) bilhetes carissimos



domingo, 25 de setembro de 2011

O Teatro em Bancada Directa.. Apresentamos a rubrica "No Palco da Saudade". Coordenação e autoria de Salvador Santos. Hoje recordamos João Villaret.

O Teatro em Bancada Directa

"No Palco da Saudade" (1)


Recordando JOÁO VILLARET

Uma rubrica semanal de Salvador Santos

“Esta Noite Choveu Prata”, do poeta, médico e dramaturgo brasileiro Pedro Bloch, terá sido talvez um dos maiores e mais aplaudidos êxitos de João Villaret, um dos nossos mais prestigiados e importantes actores de sempre. Sozinho em cena, descendo do palco à plateia, quebrando as fronteiras entre o espectáculo e o espectador, encarnando três personagens completamente distintas, o actor viveu com aquela peça noites e noites de glória no extinto Teatro Avenida, em Lisboa. Mas foi no Teatro Nacional D. Maria II que ele nasceu como actor há exactamente oitenta anos, na peça “Leonor Teles”, de Marcelino Mesquita, depois de concluído o curso de teatro do Conservatório Nacional.

O público seguiu assombrado a carreira daquele rapazinho que nunca se atemorizava em representar os papéis mais difíceis, sujeitando-se às inevitáveis comparações com os artistas consagrados. Aos poucos, o jovem gordito, orfão do Villaret médico e tocador de violão, que inicialmente manifestara um gosto imenso pelo bailado, foi conquistando a admiração dos seus pares, rendidos à inteligente contracena por ele oferecida em peças tão distintas como “Ciclone” de Somerset Maugham, “A Ceia dos Cardeais” de Júlio Dantas, “O Padre Setúbal” de Maurice Maeterlinck, ou ainda “Electra e os Fantasmas” de Eugene O’Neill.
Animador de todas as revistas de Carnaval levadas a cena no “Nacional”, desde a sua estreia na Companhia de Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro, João Villaret acedeu em 1941, por iniciativa do empresário Rosa Mateus, em participar num espectáculo do género fora do “D. Maria”. E foi tão grande o agrado que já no ano seguinte ele integrava como actor e não apenas como atracção o elenco da revista “Beleza de Hortaliça”, que constituiu um sucesso sem precedentes no nosso teatro popular.

Daí por diante, Villaret entremeava as suas grandes criações dramáticas na trilogia de O’Neill sobre o mito das Átridas, no “Pigmaleão” de Bernard Shaw e no “Baton” de Alfredo Cortez, com brilhantes interpretações no teatro de revista.








Cartaz da revista "Champanhe Saloio". Contracenou com Beatriz Costa

Da passagem do actor pelo teatro musicado, são memoráveis os seus desempenhos no Corridinho de “Lisboa Nova”, no Fado Falado de “Tá Bem ou não Tá” e no Rosa Araújo de “Não Faças Ondas”. E apesar de ter participado apenas em dez revistas, a sua influência na evolução deste género teatral nos anos 1940/50 foi enorme, quer pela sua cultura e exigência imprimida a nível literário quer pela sua ironia inteligente e cosmopolita, bem patentes no espectáculo “Champanhe Saloio”, que ele próprio escreveu em parceria com Fernando Santos e Carlos Lopes, e com o qual se despediu, em 1959, dos palcos do teatro de revista.

As gerações mais jovens talvez ignorem a estrutura admirável de João Villaret, um homem que lutou como poucos contra os condicionalismos do teatro português, impondo-se à força de um talento até hoje sem paralelo. Gigante no teatro, ele também soube sê-lo no cinema, adoptando um estilo de representar diferente, mais compatível com a técnica da sétima arte, e que fez escola rapidamente.
Também na televisão, Villaret soube entrar na intimidade do público, num inesquecível programa sobre poesia, onde narrava histórias e contava episódios num tom sereno que, talvez por isso mesmo, se tornava empolgante.
João Villaret no filme "Inês de Castro" nesta pelicula fez o papel de "bobo" ao lado de Antonio Vilar e de Alicia Palácios

Os recitais de poesia que realizou em Portugal e no estrangeiro eram acontecimentos culturais de grande nível, com os quais teve oportunidade de divulgar como ninguém os maiores poetas portugueses e universais. Com os seus poetas, deslocou-se por diversas vezes ao Brasil, onde chegou a ter um programa numa Televisão de São Paulo. Angola e Moçambique também fizeram parte do seu itinerário como actor e divulgador de poesia.


Numa digressão a Luanda, em 1958, um barbeiro amigo aparou-lhe, a seu pedido, uma pequena calosidade num pé. Fere-o. E essa ferida acabou por nunca sarar. Villaret não sabia, mas estava num estado adiantado de diabetes. O actor ainda representou no ano seguinte o espectáculo “Patate”, de Marcel Achard, que lhe valeu o Prémio Eduardo Brazão para a melhor interpretação masculina do ano. O seu último trabalho seria, contudo, em 1960, na peça “A Ratoeira”, de Agatha Christie, durante a ante-estreia da qual recebeu as insígnias da Ordem de Sant’Iago da Espada.

Morreu novo João Villaret, mas no coração do povo ele permanece ainda. Lembrá-lo hoje é prestar a mais singela homenagem a um homem raro, de envergadura singular, que soube amar como poucos o teatro, os poetas e o seu país.

Porto. Setembro.23.2011


Salvador Santos

O autor desta rubrica é um homem do Teatro, conhecedor profundo das suas envolventes artisticas e administrativas. Em Portugal poucos haverão que possuam os seus conhecimentos sobre o Teatro.

Desenvolve a sua actividade profissional no Teatro Nacional de São João no Porto

Bancada Directa apresenta-lhe os seus calorosos agradecimentos pela sua disponibilidade em levar a efeito esta rubrica

Bancada Directa promete que não volta a falar mais de Alberto João. É que não dá para nos rirmos mais. Independência : foi apenas desabafo

Bancada Directa promete que não volta a falar mais de Alberto João. É que não dá para nos rirmos mais. Quanto à independência não foi a sério, foi apenas um “desabafo”!

Mas convém ler alguns excertos de uma crónica actual

O regime das regiões autónomas em Portugal ou das regiões em Espanha, para citar um exemplo geograficamente próximo, está constitucionalmente delineado nas respectivas Constituições e Estatutos numa perspectiva que facilita ou até incita à irresponsabilidade. Há muitos direitos e poucas obrigações. Não está de forma alguma em causa a transferência de poderes da mais variada espécie para as regiões, alguns dos quais até soberanos. Pelo menos, em Portugal não está. Em Espanha a situação poderá ser – e certamente é – diferente. O que está em causa é que essa transferência de poderes não seja acompanhada das correspondentes obrigações, em termos tais que o seu incumprimento se reflicta apenas e só sobre a região que as viola. Se tal não se afigurar juridicamente possível – e admite-se, pelo menos em certos domínios, que nem sempre seria possível configurar o princípio da unidade do Estado com tais consequências - terá de encontrar-se um meio de impedir que o prevaricador possa politicamente ficar impune ao abrigo dos privilégios do poder regional.

Em Portugal a demissão do governo por irregular funcionamento das instituições – situação que nunca ocorreu no nosso país – seguida de eleições legislativas não garante que o responsável pelo governo exonerado não volte a ganhar as eleições e o PR se veja de novo confrontado com a “quase obrigação” de o nomear Primeiro Ministro.

É, porém, verdade que se o irregular funcionamento das instituições, que determinou a demissão do Governo, for de tal modo grave que de forma alguma aconselhe a nomeação da mesma personalidade para o cargo de Primeiro Ministro, o PR, sem desrespeitar os resultados eleitorais, poderia recusar-se a indigitar a personalidade que antes demitiu, independentemente da “legitimidade” readquirida em novas eleições. O mais provável é que o não faça. Assim como também é muito provável que no contexto nacional tal situação não ocorra, já que os eleitores, actuando sem os constrangimentos típicos dos “pequenos espaços”, tendem a punir pelo voto o partido dos anteriores governantes.

Claro que estamos a falar de situações graves e inequívocas e não de “tricas” ou de disputas políticas entre o PR e o PM, pois, neste o caso, o mais provável até seria que o Presidente “desrespeitado” nas urnas se visse compelido à demissão.

Nas regiões autónomas, o regime jurídico é muito diferente. O PR não pode demitir o presidente de um governo regional por irregular funcionamento das instituições, apesar de lhe competir a ele - Presidente da República - assegurar o regular funcionamento das instituições em todo o território nacional. E o representante da República tão-pouco o pode fazer. O PR pode dissolver a Assembleia Regional e por essa via provocar eleições, mas já não pode impedir que aquele que até então chefiava o Governo a ele regresse, na mesma qualidade, se o seu partido vencer as eleições. Teoricamente, podê-lo-ia fazer o representante da República já que é ele nomeia o presidente do governo regional, tendo em conta os resultados eleitorais. Mas se ninguém, salvo o parlamento regional, pode exonerar o presidente regional, como poderia o representante da República deixar de nomear o chefe do partido mais votado, mesmo que esse seja aquele que politicamente, por motivos graves, levou o PR a dissolver a Assembleia Legislativa Regional?
Tudo isto tem a ver com o que se passou na Madeira. Atenção: não está necessariamente em causa a dívida, apesar de os seus limites máximos estarem juridicamente regulados. Não está em causa a situação aqui tantas vezes aludida de o capital, por falta de competitividade no quadro comunitário aberto, se ter refugiado nas actividades onde não tem de sofrer a acção da concorrência dos mais fortes. Não é isso que está em causa: aquela consequência é uma inevitabilidade do sistema no caso de haver dinheiro barato à disposição de quem dele precisa… É uma inevitabilidade pelo menos até o sistema rebentar, seja por falta de liquidez, seja, posteriormente, por insolvência. Mas isso já é outra conversa.

Digamos, magnanimamente, que, no caso da Madeira, não está em causa o que já seria muito grave. O que está em causa, na Madeira, é o facto de a dívida ter sido dolosamente escondida e de o próprio prevaricador se vangloriar agora, eleitoral e politicamente, do acto que cometeu. Podem entretanto já lhe ter recomendado que faça a maquilhagem das suas declarações. Mas isso de nada vale. Toda a gente ouviu o que disse Jardim e a convicção com que o fez. Para o Presidente do Governo Regional da Madeira o acto, os múltiplos actos praticados ao longo dos anos, de ocultação dolosa da dívida, tem uma justificação política e moral irrecusável.








Ora, isto é politicamente inaceitável. Exige-se por isso que os dois órgãos de soberania directamente provenientes do voto popular tomem sobre o assunto uma posição. Uma posição inequívoca que, tendo em conta tudo o que se passou, e os reais prejuízos que a irresponsável conduta causará a milhões de portugueses, declare Jardim uma personalidade politicamente non grata!

Em conclusão: tanto o PR como a AR têm de actuar politicamente; se nada fizerem e se limitarem a deixar correr a situação dificilmente, aos olhos dos portugueses, deixarão de ser politicamente tão responsáveis como Jardim!

Agradecimento ao Dr. J. M. Correia Pinto

sábado, 24 de setembro de 2011

Os meus flops (16)

Os meus flops (16)
Quando se perde a recordação de uma coisa que nos aconteceu bonita, como por exemplo, o amor de uma mulher carinhosa, agradável e bonita, a coisa passa e esfuma-se no tempo.

Mas quando estamos no estrangeiro e perdemos as chaves do nosso carro e ficamos às aranhas, isso é que é dramático e nunca mais se esquece. Coisas da vida!

Os desalinhados no Bancada Directa. Açores. Ilha Terceira. Angra do Heroismo. Património da Humanidade!

Angra da Heroismo. Património da Humanidade. Mas não será "património" de mais qualquer coisa?

Como, por exemplo, da falta de respeito e urbanidade de uns cidadãos para com os seus pares?

Para uma ilha que se rege (ou se regia) por uma doutrina considerada de esquerda desde o 25 de Abril isto é feio....

Francamente!.....

A foto é do "passeio livre".

Alberto João diz de sua justiça.”Se a Madeira não é Portugal que nos dêem a independência já!

Alberto João diz de sua justiça.”Se a Madeira não é Portugal que nos dêem a independência já!

Oh amigo Jardim! Pela minha parte fica já com ela toda. E governa-a a teu modo e jeito. Mas não empurres essa monstruosa divida para as nossas costas. Nisso é que és forte!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro” vê o que esta Europa tem para oferecer – ou influenciar - a Portugal e desconfia

Fragmentos e Opiniões.

O nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro” vê o que esta Europa tem para oferecer – ou influenciar - a Portugal e meneia a cabeça desconfiado.

Nesta análise "Olho Vivo e Pé Ligeiro diz de sua justiça

ESTE PAÍS NÃO VAI A LADO NENHUM




Nos próximos dois anos o crescimento será negativo. Nos anos seguintes ninguém prognostica. O que está a passar na Europa – mais precisamente na União Europeia – é o fantasma da crise que desponta por todo o lado. Como poderemos ser optimistas?

Depois, pela amostra deste governo só estamos a ver medidas que empurram mais para baixo o desenvolvimento do País. Não existe um pingo de uma ideia para avançar. Não existe um programa de desenvolvimento. Nada. É a pura navegação à vista.

As preocupações dos dirigentes é (parece ser) pedir dinheiro emprestado e pagar juros altos.

A Europa deixou-nos encurralados sem forças para sair nem rumo para tomar. Ninguém sabe o que este governo se propõe fazer para levantar o País do pântano em que estamos atolados. Vimos a Grécia ao nosso lado e não gostamos do que vimos.
Só nos prometem e propõem desemprego como se as pessoas fossem meras peças de uma velha carroçaria. O deficit é que é importante ! Temos afinal um deficit inferior a países mais desenvolvidos e não estamos a vê-los a reagir como nós. Há mais vida para além do deficit.

A Belgica tem um deficit maior, não tem um governo executivo (está em gestão) há mais de um ano e teve um crescimento superior ao da Alemanha. Para lá não foram os especuladores. Nem o FMI.

Não parece estranho? Ou será que as nossas televisões não estão interessadas em estudar estes casos? Gasta-se o dinheiro a mandar o “orelhudo” dizer umas bocas frente ao buraco do 11 de Setembro e está a informação feita! Mais vale fechar as televisões….
Não gosto nada da troika nem desse pessoal. Só estão a nos desajudar. Só ouço os governantes dizer que o Estado é para os mínimos. E pior, é o culpado de todos os males. Dizem-nos mas é uma enorme mentira.

Graças ao Estado temos um Serviço de Saúde para todos sem excepção enquanto que os ricos americanos só tem saúde quem tem seguro e quem tem trabalho. Cinquenta milhões deles se estiverem doentes serão jogados na valeta. E chamam a isto o País das Liberdades? Liberdades para quem? Só se for para os presos de Guantânamo que ainda não foram julgados e estão presos há anos…Democracia?

No nosso casos os culpados poderão ser quem mal geriu o estado. Mas tal como actualmente se viu na Madeira, o Jardim gastou o dinheiro em “coisas” em prol da população (serviços de saúde, estradas, etc.) mas o drama é que gastou demasiado. Acima do orçamento e escondendo o facto. No continente foi mais ou menos parecido. Só que o PS perdeu o governo por isso. Os políticos governam à rédea solta e saem airosamente e não lhes sucede nada.

Estamos a ser governados (pela primeira vez em 40 anos) por gente de formação liberal.
Não confundir com um governo social-democrata. Isso seria o PS se ainda governasse. Sei que Portugal há-de sobreviver a esta situação difícil. Os países não acabam assim.

Para nos vender os tarecos que nos restam lá está o nosso comandante de Massamá. O liquidatário Passos de Coelho que ficará na história (vagamente…) como o que deu a machada final do País.

Mas quando me lembro dos ingénuos capitães que acabaram com o Salazarismo e instituíram os três DDD (democratizar, descolonizar e desenvolver), Dá-me uma dor no peito e julgo que vou ter um enfarto. Mas não. Deste País e destes governantes é que começo a ficar (in) farto!

E depois não me venham dizer que só digo mal. Afinal qual é a situação? É boa?

Francamente

Um abraço para os meus leitores do

"Olho Vivo e Pé Ligeiro"


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fragmentos e Opiniões. Toda a problemática acerca das dividas soberanas.Uma análise de Luis Pessoa.

Fragmentos e Opiniões

PAGAR AS DÍVIDAS?

AS DÍVIDAS DOS ESTADOS JAMAIS PODERÃO SER PAGAS!

A análise de Luis Pessoa



É ponto assente entre quase todos os técnicos que lidam com os números, contabilistas e economistas incluídos, que tenham uma visão desapaixonada e não estejam à espera de cargos ministeriáveis, ou ainda melhor, mais rentáveis do que ministeriáveis, é ponto assente, dizíamos, que JAMAIS as dívidas dos estados poderão ser pagas!
Nem as dívidas da Grécia, nem da Irlanda, nem a portuguesa, nem a americana, nenhuma!

Por cada passo que um país dá para apertar o cinto aos seus cidadãos, que lhes é vendido como “uma acção fundamental para recuperar a credibilidade dos mercados”, não é mais do que mais uma acha para a fogueira em que esse país vai ardendo.
Ao apostarem em medidas absurdamente recessivas, porque causam situações de penúria interna na classe média (a verdadeira classe que suporta todos os sistemas mais ou menos democráticos), os governantes, a mando das instâncias financeiras internacionais, entregam todos os recursos, na esperança de que elas os deixem respirar um pouco.
Pura ilusão!
Como vimos na Grécia, de cada vez que ela tentava colocar a cabeça acima do nível de água, logo apareciam mais e mais exigências. Em Portugal passa-se o mesmo, as instâncias fazem “auditorias” e “monitorizações” e referem que estamos no bom caminho (dizem, sem especificarem para quem), mas logo acrescentam mais umas medidas!
Ora, se não há mexidas a nível das dívidas, se os juros do “mercado” (estranha e sinistra figura) são absolutamente usurários, não há medidas internas que possam valer, não há processo de amortização de dívidas; se os credores fazem depender o empréstimo do facto de ele se destinar a pagar juros de dívidas anteriores, pouco há a fazer! Ou seja, aplicam aos estados as fórmulas que os governos não querem que os cidadãos sigam, de se endividarem para liquidarem dívidas, ou seja, contraírem novas dívidas para saldarem dívidas anteriores. Até porque os organismos que os próprios “mercados” criaram, as chamadas empresas de “rating”, trabalham a seu soldo, tornando os juros cada vez mais altos quando pretendem conceder novos empréstimos, porque são para pagar outros empréstimos!
Ou seja, os emprestadores são os mesmos que são credores de outros empréstimos anteriores, que os estados não conseguem pagar e quem dá as notas para determinação dos riscos são os emprestadores e os credores, ou seja, os mesmos!

Cabe aqui um ponto de ordem, para tentarmos saber o que são os famosos “mercados”, que tanto nos exigem e apertam. Para qualquer economista o “mercado” não é mais do que a regra básica da economia, da oferta e da procura: Se a oferta é muita e a procura pequena, os preços descem, se a procura é muita e a oferta pouca, os preços sobem.
Isso, será o “Mercado”.
Aplicado aos estados, abundância de dinheiro disponível, originará um crédito fácil e barato; a rarefacção de dinheiro fará com que o crédito encareça. Isso faz com que os detentores do dinheiro sigam as estratégias mais favoráveis para ganharem mais! Em certos ciclos colocam dinheiro ilimitado à disposição dos estados e dos cidadãos, barato, sem grandes formalidades, tornando-os a todos, seus dependentes. Não compensa estar com grandes trabalhos nem exigências se é possível ir buscar dinheiro para tudo o que se pretende!





A partir de certo momento, todos trabalham para pagarem os empréstimos que contraíram para obtenção de bens e serviços completamente desnecessários e inúteis. Como esta abertura normalmente conduz a um consumismo importante, a economia cresce e avança de forma decisiva, produzindo um efeito de inflação de preços.
Ora, quando essa inflação atinge valores altos, respondem os “Mercados” com aumentos de taxas de juro, redução de crédito, para diminuir a procura.

Neste entendimento, durante muitos anos o crédito foi barato, acessível a todas as bolsas e os estados avançaram para obras inúteis, auto-estradas, projectos imobiliários inacreditáveis, organização de eventos sem estratégia, enfim, tudo o que desse prestígio bacoco. Assim entrámos nós em campeonatos de futebol com construção ou remodelação de 10 estádios, alguns dos quais são hoje elefantes brancos; auto-estradas inúteis, algumas construídas paralelas, a escassos quilómetros e conduzindo aos mesmos locais; pontes sem qualquer interesse, mas convenientemente colocadas em locais visíveis; projectos megalómanos de imobiliário; submarinos para brincar às guerras, que, imagine-se só, apenas podem atracar no Alfeite, porque mais nenhum porto ou cais português os pode acolher!; etc.

O não haver dinheiro nunca foi problema, porque os “mercados” lá estavam para financiar tudo e mais alguma coisa.
E, se para os estados era assim, para os cidadãos era o mesmo. Os bancos acotovelavam-se para impingir crédito, sob a forma de cartões, aos molhos! Comprar a crédito era o que estava a dar e ninguém se importava com isso. Havia crédito malparado, é certo, mas não fazia mal.
O problema foi que não havia consistência, base segura. Os gestores da banca e responsáveis pelo crédito, recebiam prémios chorudos por cada exercício com resultados. Havia gestores a receberem 80 ou 90 milhões de euros de bónus por um exercício! Esses bónus eram calculados e autorizados pelos accionistas, face aos enormes volumes de dividendos distribuídos! Só que a maioria desses lucros eram baseados em produtos contaminados, provenientes dos off-shores e paraísos fiscais, partindo de avaliações irreais.



Vejamos um exemplo simples: Um indivíduo queria obter um milhão de euros para adquirir um determinado produto financeiro de rentabilidade grande. O banco que tinha de colocar esses produtos, aceitava a hipoteca da casa, do carro e mais uns tantos bens a que atribuía um valor de 1,2 milhões, portanto, salvaguardando o empréstimo. Esse cidadão obtém o empréstimo, mas nem vê o dinheiro, imediatamente trocado por uma montanha de papel a garantir uma elevada rentabilidade. O gestor do banco marca na sua tabela um empréstimo de 1 milhão, mais uma venda de 1 milhão de títulos (lixo tóxico), mais uma garantia de 1,2 milhões sobre os bens de garantia. No final do exercício, vai receber um chorudo bónus por estas operações. Só que os bens recebidos não valem 100 mil, os produtos são tóxicos e rebentam rapidamente sem darem lucro ao comprador (as letrinhas pequeninas diziam que era um produto de risco elevado e portanto ele estava alertado!). O cidadão é apanhado com uma dívida de 1 milhão e o banco ainda vai receber os bens no valor de 100 mil. Se o banco foi conivente com os produtos infectados, acaba por não perder grande coisa, porque recuperou o milhão, se foi apanhado em falso, acaba por perder também. Quem ganhou? O gerente que embolsou os bónus!
Ora, este exemplo repetido milhões de vezes, em todo o mundo, ocasionou um movimento de derrocada de todo um sistema, que no entanto produziu uma boa série de fortunas.

Quando estes exemplos se expandiram para os próprios estados, em que as seguranças sociais e as aplicações dos estados começaram a ser feitas, também, em off-shores e em compras desses produtos infectados, porque havia uma rentabilidade excelente que até poderia ser a chave para a sustentabilidade dos sistemas, a constatação de que, afinal, não valiam nada, deitou por terra as economias dos estados.

Como figura tutelar, temos sempre os “mercados”, aqueles que definem quem ganha e quem perde. Aqueles, recorde-se, que detém o controlo das agências de rating, que jamais se cansaram de cantar loas à excelência dos tais produtos tóxicos, sempre apresentados como de grande qualidade e valor (pudera, eram a chave do sucesso dos seus patrões!).

Sem mais delongas, podendo regressar a estes assuntos em nova oportunidade, registamos que os estados foram “enrolados” pelos “mercados” numa espiral derrotista, de que jamais poderão sair. Os europeus, mercê da valorização do euro, fizeram sombra ao dólar e com isso “levaram” com os americanos, afinal onde tudo começou. O abanão que o dólar queria dar no euro, foi dado com força demasiada, ou o euro não tinha a base que se imaginava; ou ambas as coisas.
Os “mercados” estão bem, obrigado! Estão agitados, como convém! Estão instáveis, como convém! Como lhes convém!

Na nossa opinião, nada mais há a fazer para “acalmar” os “mercados”, porque eles não querem estar calmos, é neste ambiente turvo que eles mais gostam de se movimentar. Cada vez que a Europa toma uma medida para acalmar os “mercados”, estes agitam-se ainda mais! Eles dominaram os estados, são detentores das suas dívidas, que sobem sempre que querem dando ordens às agências de rating para aumentarem riscos e os governantes não sabem ou não querem reagir. Também eles governam melhor em ambientes turvos, tomam medidas inacreditáveis, cortam salários, aumentam impostos a níveis irreais, cortam segurança social, destroem emprego, lançam populações para a fome e miséria e os povos, em pânico, ainda pedem mais, “para salvar o país!”.
Perante este estado de coisas e num momento em que se vê claramente que estamos perante uma conspiração em escala monstruosa, nenhum país europeu foi capaz de dar um murro na mesa e dizer com muita clareza: Não pagamos a dívida infectada; não pagamos os juros usurários dos empréstimos que nos concederam; não aceitamos que umas agências de rating sem qualidade nem honestidade definam perante os seus próprios patrões (“mercados”) as garantias que pedem; não pagamos nem mais um cêntimo enquanto não fizermos em conjunto uma avaliação, uma auditoria que estabeleça o que é empréstimo honesto e real e o que é produto impingido, infectado, lixo; e só depois de calculada essa dívida real é que avançaremos para um plano de pagamento à nossa medida, que possamos pagar, sem necessidade de estrangulamento interno dos nossos cidadãos; não desfaremos os sistemas sociais porque eles são a essência do melhor que a Europa conseguiu após 1945; não nos renderemos.

Ao contrário do que nos querem fazer ver, de que vivemos muitos anos acima das possibilidades, de que temos de mostrar a todo o mundo que podemos cumprir as metas do défice, a todo o custo, etc., assumindo uma culpa que não é só nossa, não é dos países mais débeis, embora sejam esses os primeiros a cair e que portanto temos de aceitar com um sorriso nos lábios toda a penúria a que nos querem sujeitar, a resposta enérgica deve ser de recusa absoluta do regresso aos tempos de fome e miséria, que esta recessão já mostra.
É necessário que os governos mostrem hoje que não estão dispostos nem disponíveis para escravizar os seus povos e que demonstrem aos “mercados” que só têm a ganhar se vierem discutir com os estados as formas de pagamento das dívidas, ou acabarão por ficar sem receber nada!
Esta luta já se está a travar! Contam-se as armas e luta-se em todos os tabuleiros. Os “mercados” todos os dias mandam novas avaliações de rating, para que os estados se submetam e façam tudo para satisfação dos seus caprichos e vontades. Foi na Grécia, foi na Irlanda, foi em Portugal, na Espanha, na Itália, até nos EUA! É altura da Europa (principalmente), mas também os Estados Unidos, assumirem que o seu principal inimigo é esse “mercado” sem rosto, a menos que ele seja, também e afinal um instrumento de alguém, bem cá dentro!
Será?


Luis Pessoa

Marinhais. Setembro. 2011

Nota de Bancada Directa para os seus leitores: Luis Pessoa é o coordenador da secção "Policiário" do Jornal Publico e administrador do Blogue "Crime Publico".
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A secção "Policiário", que se publica sempre aos Domingos, conta com cerca de 3.000 participantes nos seus temas, tanto de soluções de provas de caracter policial, como na produção de problemas afins .

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