BANCADA DIRECTA: Outubro 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Falemos de esclerose multipla: 2ª parte do tema

O saber não ocupa lugar



Temas de Medicina.

Falemos de esclerose múltipla, isto é, de corpos sem controlo. 2ª parte

(primeiro post sobre este tema foi publicado em 26-OUT-2010)


Ainda no que respeita aos movimentos, podem ocorrer dificuldades em manter o equilibrio ou em cooredenar as funções motoras. Isto acontece quando o órgão afectado pela inflamação é o cerebelo, a parte do “computador” que tem a missão de controlar os movimentos e corrigi-los, se necessário. Assim o doente pode sentir um tremor na mão ao tentar agarrar objectos pequenos, como uma caneta, pode tambem começar a caminhar como se estivesse embriagado.

É tambem no sistema nervoso central que se localizam as células que avaliam o tacto, pelo que quando estas células estão inflamadas o resultado npode oscilar entre uma sensação de “encortiçamento” das pernas (como se a pessoa caminhasse sobre algodão), pele irritada, formigueiro ou picadas, até várias zonas do corpo simultaneamente dormentes.

Comuns são ainda pertubações da bexiga e intestinos, devido à dificuldade em controlar os respectivos musculos. Assim os doentes com esclerose multipla tanto podem sentir dificuldade em urinar ou em esvaziar completamente a bexiga como sentir uma urgencia em urinar, mal dão pelos primeiros sinais de que a bexiga está cheia. São possiveis tambem alguns problemas com o controlo dos intestinos, nomeadamente obstipação.

Quando isto acontece poodem surgir igualmente problemas a nível sexual, tanto para os homens como para as mulheres. Para eles pode ser mais dificil obter ou manter uma erecção; para elas pode ser mais dificil obter um orgasmo, sendo tambem frequente haver dores durante a relação sexua, perda de sensibilidade nos órgãos sexuais ou redução do muco produzido durante o coito

Vamos aprender a viver com a doença.

Os efeitos de esclerose múltipla não são exclusivamente orgânicos, invadindo tambem a esfera psicológica. Assim, podem surgir problemas com a memória recente, com os doentes a sentirem dificuldades em concentrar-se , o que complica a realização de várias tarefas em simultâneo. O raciocinio e a rapidez na execução de tarefas mentais saem igualmente afectados.

Quanto ao humor , a depressão e uma jovialidade excessiva costumam andar de mãos dadas. Tendo de aprender a lidar com uma doença que acaba por ser incapacitante e danosa da qualidade de vida, o doente cai facilmente em quadros depressivos, que muitas vezes tenta iludir com uma aparente mas despropositada jovialidade.

É entre os vinte e os quarenta anos que se manifesta mais frequentemente, mas a doença tanto pode começar na infancia como na terceira idade. Não há uma evolução linear da esclerose multipla, tudo dependendo do ritmo a que a mielina se vai deteriorando, assim como outros factores associados. Todavia, é possível enquadrar quatro tipos, de acordo como a forma dos sintomas se manifestarem.

Assim, a esclerose multipla pode manifestar-se em surtos, através da alternancia deperíodos de “ataque” e de períodos de recuperação. É assim com 30 a 35 por cento das pessoas afectadas.

Pode igualmente manifestar-se de uma forma progressiva, com agravamento gradual dos sintomas. Se no inicio se declararem surtos, mas depois as funções se vão ,perdendo gradualmente, está-se perante uma esclerose multipla progressiva secundária, presente em cercacde 30 por cento dos doentes. Já se a perda de funções do corpo se manifestar desde o inicio, a esclerose diz-se progressiva primária e nesta situação encontram-se entre 20 a 30 por cento dos doentes.

Há ainda uma quarto tipo, benigno, que se inicia em surtos mas de que não restam praticamente vestigios ao fim de uns 10 a 15 anos. Dez a quinze por cento de doentes estão nesta situação.

Fim da 2ª parte. Retomamos este tema na próxima semana com o capítulo: vamos lá a combater os sintomas

E assim vão o Real Madrid e Cristiano Ronaldo






Real Madrid viu-se a perder desde muito cedo, mas Di Maria e Cristiano Ronaldo, por duas vezes, marcaram e deram a volta ao resultado.

sábado, 30 de outubro de 2010

Esta Lisboa que eu amo. Será a Rua da Prata ou a Ria da Prata

Esta Lisboa que eu amo. Lisboa que tanto sofres com a chuva.

A vida nesta Europa a 27. Acudam-nos porque vem aí o Tratado de Lisboa. Será para melhorá-lho? Duvidamos"


Fragmentos e Opiniões

A vida nesta Europa a 27

Socorro, Lisboa está de volta!

O que se lê por esta Imprensa europeia
Porquê rever um tratado que entrou em vigor no ano passado? Após a decisão tomada pelos Vinte e Sete, destinada a consolidar a moeda única, a imprensa europeia mostra-se mais que reservada.

Após longas discussões, os chefes de Estado e de Governo reunidos a 28 de Outubro no Conselho Europeu, em Bruxelas, decidiram reforçar as sanções financeiras contra os Estados indisciplinados do ponto de vista orçamental.

E sobretudo, decidiram alterar o Tratado de Lisboa, para facilitar a criação de um quadro perene de apoio aos países da zona euro. “Merkel ganha o euro póquer”, constata o Financial Times Deutschland, já que a chanceler alemã, apoiada pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigia esta revisão do Tratado, apesar da oposição de vários Estados-membros.

A “roleta russa” ou o suicídio institucional da UE
“A senhora chanceler dirige a Europa”, insurge-se o Rzeczpospolita, de Varsóvia. “A UE está no meio de uma nova crise, mas cada crise torna-nos mais fortes. A única receita é mais integração”, ironiza o editorialista Marek Magierowski. “A Europa deve desenvolver-se, acelerar; se parar de pedalar, cai… Quantas vezes ouvimos este blá blá dos políticos luxemburgueses, dos editorialistas alemães e dos peritos polacos.” “Os euro-entusiastas deviam pegar rapidamente nas suas canetas para justificar esta reviravolta e explicarem porque, de repente, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy deixaram de gostar do Tratado”, acrescenta Magierowski. “Salvar a moeda comum é certamente uma causa nobre e louvável. Mas, mais que nunca, ouvimos os políticos europeus preocupar-se e perguntar porque deve a UE andar sempre a satisfazer os caprichos da Alemanha.”
Por seu lado, José Ignacio Torreblanca recorda, em El País, que "a aliança franco-alemã trouxe paz, estabilidade e prosperidade à Europa”. Mas, considera o comentarista, não se pode hoje ignorar que Paris e Berlim "aproveitaram ao máximo cada pequena oportunidade de salvaguardar os seus interesses estratégicos, mesmo em detrimento dos outros membros da UE". E arrastar os Vinte e Sete para um novo processo de ratificação, em plena crise económica e cidadã, “é mais do que jogar roleta russa: é apostar num suicídio institucional da UE".

"Não vamos ter de reviver aquilo outra vez"

Em Dublin, esta perspectiva é acolhida com apreensão. “Muito a propósito, em vésperas do Halloween, regressa o fantasma do Tratado de Lisboa”, escarnece o Irish Independent. “Não vamos ter de reviver aquilo outra vez. Ao votarmos pelo Tratado de Lisboa, demos à União Europeia poder para tomar decisões sem andar a pedir aos irlandeses que organizem um referendo, ou não?”

Infelizmente, prossegue o diário, “não é tão simples como isso. Quando a chanceler alemã propõe que se suspenda o direito de voto de um país que viola repetidamente as regras em matéria de dívida e orçamento, a Irlanda está claramente na linha de mira. E a arma está bem assestada”.

“O euro e a guerra“, traz o Lidové Noviny em título. O diário de Praga observa que o euro e o seu processo de salvamento envenenam as relações entre os países europeus. A cimeira de Bruxelas demonstra uma vez mais que as ideias sobre a gestão do euro não encontram um denominador comum e que divergem cada vez mais. E entretanto, os países-membros afastam-se económica, política e socialmente.

“Submetida a uma pressão cada vez maior, a chanceler alemã vai ser obrigada a demonstrar aos alemães cépticos que o seu país não irá eternamente pagar as contas dos países endividados”, reconhece o Lidové Noviny. Mas o jornal considera que Angela Merkel sabe que uma nova ratificação do Tratado de Lisboa para prever sanções aos países demasiado gastadores “é uma utopia”. E assim, Berlim pode ameaçar deixar a zona euro, havendo já estudos sobre um n-euro, uma nova moeda para os países do Norte, orçamentalmente responsáveis. O que poderia levar ao desmoronamento da União“, previne o jornal checo.


Nota de Bancada Directa: a confirmar-se o que a Imprensa europeia diz, não haja dúvida alguma de que temos de mostrar um cartão vermelho aos grandes senhores da UE

Aleluia. Aleluia. Já temos Orçamento de Estado para 2011. O Orçamento de Cavaco Silva

Nunca gostei de Cavaco Silva. Pessoalmente nada tenho contra ele!

Achei-o sempre muito sobranceiro perante os problemas qua afligiam o País. Para mim quando uma pessoa se aflige com a pobreza dos outros em publico, mas nunca soube o que é viver dentro dela, soa-me a falso.

Desta vez vi-o muito empenhado em evitar uma situação catastrófica que poderia acontecer para os portugueses.

Foi enérgico, foi contundente, foi insistente e triunfou.

Não há qualquer duvida para mim que este Orçamento de Estado para 2011 não foi o Orçamento do PS e nem do PSD, não foi o Orçamento do Governo e nem da Oposição. Não foi o Orçamento do Passos Coelho e nem do José Sócrates.Nem do Catroga e nem do Teixeira dos Santos. Nem da Ferreira Leite e do Mário Soares. Nem do Pacheco Pereira e nem do Marcelo Rebelo de Sousa

Simplesmente foi o Orçamento do Presicente da Republica Anibal Cavaco Silva. Uma lição para todos aqueles que enxameiam as salas e corredores da nossa Assembleia da Republica.

Adriano Rui Ribeiro

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fragmentos e Opiniões. Muito tens, muito vales. Nada tens, nada vales!

Há ladrões e ladrões

A crónica de OIlho Vivo e Pé Ligeiro


Pois é meus amigos, ele há ladrões e ladrões. Uns parecem ser mais que outros.
Basta estarmos atentos aos telejornais e de quando em vez comprarmos um jornal.

O que é que vimos?

Se for um preto, pobretanas e jovem delinquente vimos que o mesmo é levado pela polícia, filmado, posto contra a parede e de costas apalpado e algemado. Depois metido à força num carro da polícia. Está resolvido o assunto. Ficamos felizes e descansados.

Se for um tipo como o que ainda está preso, o Godinho, o mesmo é apresentado algemado e empurrado por agentes para entrar no tribunal. Finalmente é preso e apresentado inúmeras vezes em dezenas de telejornais ou noticiários como o maior dos ladrões deste mundo. Se a sua prisão, directa ou indirectamente conseguir enlamear um determinado partido, então a coisa é repetida até enjoar.
Porém, se se tratar de pessoa fina tipo conselheiro de estado, a coisa é esquecida pelos noticiários. Ou então em vez do retrato do indígena coloca-se o seu iate ou vivenda e o nome vem devidamente tratado por senhor Carlos M.

E logo que o senhor é preso, se for advogado, no maior dos sigilos – um grupo de advogados da ordem vem logo fazer-lhe companhia não vá a polícia tocar nalgum “item” que ponha em causa o sigilo profissional. Ou lhe possa levar o computador com materiais explosivos e contactos esquisitos.

Tenho visto indivíduos a serem presos, com acompanhamento das televisões que só pode ser feito com o acordo e a colaboração da polícia, pois sabemos que as televisões não adivinham o local onde a prisão vai ser efectuada.

Dois pesos duas medidas. Uma justiça? Várias justiças… Democracias? Várias e diferentes democracias.

Um caso que me deu volta à cabeça, foi o daquele juiz conselheiro que chocou violentamente com outra viatura na Av. da Liberdade, causando quase a morte do próprio e tudo porque – disseram – que o senhor ia atrasado para uma reunião.
Sucedeu alguma coisa ao causador do desastre? Foi o motorista culpado por o carro ir disparado a muitos à hora? Num local que as regras dizem o máximo 60? Era o motorista que estava interessado em não cumprir o código da estrada? Ouvimos falar mais alguma coisa do caso? Ficou abafado? Não sabemos, nem nunca saberemos.

Os críticos que tanto falam pelas televisões abordaram o caso? Não vi!

Tenho inveja dos ingleses. Se a rainha de Inglaterra arrumar o carro num sítio proibido vem um simples polícia e passa-lhe a multa. Não há excepções, nem galões, nem ministros, nem nada. Lei é lei e é igual para todos.


Isto era assim em Inglaterra. Agora já não sei se se mantém. Com os exemplos da Europa não me admiro nada que lá também as coisas tenham entrado nos eixos… para pior!

O saber não ocupa lugar. A "Cultura" em Mafra não é uma palavra vâ!

Amigos leitores: vamos lá a tomar conhecimento de como se faz uma boa alimentação. Não faltes!

Prevenção e consumo de drogas. Louvavel iniciativa da Camara Municipal de Mafra

Prevenção e consumo de drogas

Uma abordagem ética

9 de Novembro 9h30 :Auditório Municipal Beatriz Costa - Mafra

Amigos leitores do Bancada Directa: tomem lá boa nota desta inciativa louvavel da Camara Municipal de Mafra. Damos os parabens ao seu Presidente Engº José Ministro dos Santos

O consumo de drogas é um problema crescente em Portugal e na Europa, afectando transversalmente todas as classes etárias e socioeconómicas.

Perante este cenário, questiona-se o papel da família e da escola, as estratégias para prevenção dos consumos, a cooperação entre as várias entidades e também a própria legalização das drogas.

Tendências recentes propõem, ainda, uma intervenção a montante deste fenómeno, focalizada nas questões da ética e da educação para os valores.

Neste contexto, através da realização deste seminário, pretende a Câmara Municipal de Mafra e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Mafra motivar a reflexão por parte dos diversos interlocutores, tendo como ponto de partida a apresentação de experiências desenvolvidas a nível europeu e ainda um diagnóstico das dependências, efectuado a nível local.

Consulte o programa do seminário em anexo.

Seminário “Prevenção do Consumo de Drogas – uma abordagem ética”

As inscrições são gratuitas e decorrem até dia 4 de Novembro. Efectue a sua inscrição online, através do formulário disponível em

http://www.cm-mafra.pt/cultura/formdroga_insc.asp

Para mais informações contacte:
Câmara Municipal de Mafra
Praça do Município
2644-001 Mafra
Telef.: 261 810 293

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Orçamento Estado 2011: Sócrates "encurralou P. Coelho. Ontem na RTP J Rodrigues Santos atrapalhou o cerebro do PSD nas negociações



Ontem no Telejornal da RTP, José Rodrigues dos Santos entrevistou o Engº Carlos Moedas, que é considerado o cérebro das negociações por parte do PSD para viabilizar o Orçamento de Estado para 2011.

O que se viu foi de bradar aos céus. Em certa altura José Rodrigues dos Santos era tão transparente nas perguntas, que o entrevistado tinha dificuldade em responder. Chegou a parecer que JRS percebia mais de macro economia do que o entrevistado. Moedas mostrava uma lista onde se poderia fazer cortes. JRS perguntava nomes dessa lista. Moedas apenas dizia que não sabia e que isso competia ao Governo. Ora bolas.

As justificações do Engº Carlos Moedas fizeram-me lembrar as teorias filosóficas da antiga Grécia - mormente antes de Sócrates - e sobre as quais já escrevi que as achava um monumento de confusões.

Sobre números e diferenças que não me foram explicados eu até explico o que concluí.

Recordar a teoria dos números pela Filosofia.


A Filosofia grega antes de Sócrates

As coisas semelhantes e da mesma espécie não careciam de uma harmonia, mas as dissemelhantes e as de diferentes espécies e ordens necessitavam de ser amalgamadas pela harmonia, essas coisas que serão englobadas num Cosmo.

O texto procura mostrar a necessidade de harmonia. O conhecimento da eternidade do ser e da divindade da natureza não é concedido ao saber humano, salvo que as coisas que há, foram geradas por aquilo que dá existência. São os limites – as Formas, os Números; os ilimitados, a multiplicidade de coisas geradas a partir de:

Nem se explicou de que maneira são os números causas das substâncias e do ser; se como limites (como os pontos são os limites das grandezas e da maneira que Êurito apontava o número de cada coisa; tal era o do cavalo – imitando, com pedrinhas as figuras dos seres vivos, do mesmo modo que imitam o triangulo ou o quadrilátero aqueles que reduzem os números às figuras): se porque o acorde musical é uma relação numérica, como o homem e as demais coisas..

(Metafísica XIV 6, 1092
b 8 – 13: DK 45 A 3)
Aristóteles

Neste texto Aristóteles aponta a maior fragilidade da doutrina de Pitágoras, segundo a qual as coisas são números!


Amigos leitores perceberam? Confesso que eu não!



Concluindo vou ter de mostrar um cartão vermelho para todos aqueles que têm feito da aprovação deste Orçamento de Estado uma autentica palhaçada e uma novela de cordel.


Adriano Rui Ribeiro

Fotos extraídas do livro "Os meus pais são uns atrasados mentais!

Os desalinhados (pais) no Bancada Directa


Francamente

Fragmentos e Opiniões. Esta Europa a 27. A Europa precisa de uma "super-mãe". E esta mãe será Angela Markel


Fragmentos e Opiniões

Ângela Merkel, neste momento, tem a oposição de toda a Europa

Angela Merkel não terá a tarefa facilitada. No Conselho Europeu de 28 de Outubro, a sua vontade de punir os Estados deficitários será combatida pela maior parte dos seus homólogos. Este papel de mãe rígida é, no entanto, necessário, assegura o Süddeutsche Zeitung.

Leio este jornal alemão, Süddeutsche Zeitung da Baviera (Munique) e constato a situação

A opinião do jornalista alemão Stefan Kornelius


É sempre bom prestar atenção ao que diz Angela Merkel. Os seus adversários a nível nacional já frequentemente tiveram a experiência e a lição não é menos válida para a Europa. A chanceler alemã pensa realmente o que diz.

Assim, quando anunciou, na primavera passada, logo a seguir ao plano de salvação provocado pelo pânico com a crise grega e do euro, que nunca mais poderia deixar-se repetir esse episódio e apelou a uma revisão dos tratados europeus, não eram palavras à toa.

Agora, Angela Merkel conseguiu a adesão do Presidente francês ao seu projecto. Ainda que o resto da Europa se ponha aos gritos, a chanceler vai conseguir essa revisão, porque não há alternativa.
Parece cada vez mais inevitável e não há dúvida de que os deputados europeus e os ministros dos Negócios Estrangeiros não tardarão a dar-se conta disso. As garantias financeiras - instauradas pelos Estados da zona euro para proteger a moeda única - expiram em 2013 e a Alemanha não participará na próxima edição, nem na institucionalização do plano de salvação, quanto mais não seja em nome de princípios constitucionais.

Nessa altura, se não for antes, os mercados financeiros acabarão por acossar os países sobre-endividados do Sul da Europa. É, pois, necessário instaurar um mecanismo que permita uma redução disciplinada da dívida e, sobretudo, fazer participar os credores, ou seja os especuladores, nos prejuízos.

Alemanha, o ímã da Europa
Resta saber se este mecanismo passa pela retirada do direito de voto a certos Estados-membros [no Conselho Europeu], o que seria uma humilhação, se houver necessidade da bênção de um referendo - como para qualquer revisão dos tratados europeus - ou se existem outros meios.

Angela Merkel sabe que vale mais não testar os franceses ou os irlandeses num referendo sobre a Europa. Isso poderia igualmente correr mal na Alemanha.

Estes argumentos são difíceis de contestar. Mas e o estilo político? É fundada a percepção da maioria dos Estados europeus, também ela difícil de contestar, segundo a qual o directório franco-alemão deu um novo golpe? Ou a Alemanha comporta-se como quase soberana da Europa, campeã das exportações e colosso de um crescimento demasiado potente no centro do continente?

As reacções do governo luxemburguês e do Parlamento Europeu mostram que a chanceler caiu na armadilha da hegemonia, apesar de todos os seus esforços para o evitar. A situação económica da Europa é perigosa.

Não se trata de uma oposição entre Leste e Oeste ou entre Norte e Sul. Trata-se do centro, que se afasta cada vez mais da periferia. Trata-se da Alemanha que age como um ímã, em detrimento dos seus vizinhos. Quando, para além da sua irresistível força económica, a Alemanha se põe a dar lições políticas, a revolta cresce.

Tão directa nas palavras como nos actos
O antigo chanceler Helmut Kohl dizia frequentemente que se inclinava sempre duas vezes diante da bandeira francesa. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Joschka Fischer filosofava a propósito da dialéctica europeia: a Alemanha devia ter as rédeas da Europa, sem que ninguém se apercebesse disso.
E Angela Merkel? É tão directa nas palavras como nos actos. O que é difícil de aceitar pelos Estados da periferia, que sentem duplamente a sua fraqueza: a potência económica alemã é incontornável e é em Berlim que acabarão sempre por ser fixadas as regras do jogo.

Angela Merkel não deve apenas falar, deve também ouvir. É possível opor-se-lhe duas vezes em menos de seis meses e levar a melhor. À terceira, tem-se aborrecimentos.

Fragmentos e Opiniões: Atavismos em tempos de crise

Fragmentos e Opiniões:

Atavismos em tempos de crise

Amigos leitores do Bancada Directa: o termo “atavismo” não é muito corriqueiro nos textos e nas conversas de “Português”. Como “O saber não ocupa lugar” dou-lhes aqui uma ajudinha. Também me serviu a mim.

Atavismo = Hereditariedade de certos caracteres vindo de antepassados, manifestada por características que há uma ou mais gerações pareciam ter desaparecido. Ainda se pode relacionar com semelhanças aos antepassados.

A crónica de Vasco M. Barreto

Após aturados meses a pensar no combate ao despesismo, o PSD propõe gastar dinheiro na criação de mais uma agência para monitorizar o dinheiro que o Estado gasta. Já o Governo, sempre na senda do aumento de produtividade, prepara-se para dar tolerância de ponto aos lisboetas por causa da Cimeira da Nato do próximo dia 19 de Novembro.
Diz-se por aí que o Governo foi sensível à proposta de extinção de institutos avançada por Marques Mendes e que terá corrigido o texto do Orçamento de Estado nos últimos dias. Ainda não vi ninguém comparar a lista proposta por Marques Mendes com a lista que surge no Orçamento de Estado, talvez porque esse exercício implica ler as duas listas, mas parece que há consenso nesta matéria entre os grandes partidos.
Como se explica então a proposta de criação de uma agência que esteja de olho nos dinheiros públicos, da autoria do PSD de Pedro Passos Coelho? Não existe já o Tribunal de Contas? Ouvi Guilherme de Oliveira Martins sobre este assunto e fiquei sem perceber qual seria a esfera de actuação de tal agência. Talvez não seja o único. Há não muito tempo, houve uma acalorada discussão sobre a redução do número de feriados e sobre se a visita do Papa merecia tolerância de ponto. Além da questão religiosa, discutiu-se muito a necessidade de aumentar a produtividade.
Ora, tendo em conta que a única real e duradoura saída para a crise é o aumento da produtividade, como se explica que o Governo se prepare para dar tolerância de ponto aos lisboetas, a 19 de Novembro, durante a Cimeira da Nato ? Por muitos que sejam os participantes (cerca de 7000) em tal cimeira, não se resolveria o problema da circulação do trânsito de Lisboa com medidas tão simples como aproximar o quarto de hotel da(s) sala(s) de conferência(s), recorrer eventualmente ao uso de camionetas com batedores e/ou fazer um programa que comece muito cedo e termine muito tarde, para evitar as horas de ponta? É mesmo preciso dar um feriado aos lisboetas? Hereditariedade: genética
Estas duas medidas são o equivalente da saudação que toma conta do braço de Dr. Stangelove, o cientista alemão com um passado nazi que dá o nome ao filme de Kubrick. O braço do Dr. Strangelove é indomável nas situações mais inconvenientes, como em tempo de redução da despesa pública parece ser indomável o impulso para a criação de mais uma agenciazinha absolutamente redundante, que pedirá depois um observatório que a observe, a seguir uma comissão que fiscalize o observatório, e assim sucessivamente, para relato perfeito da génese do monstro. O braço do Dr. Strangelove traduz convicções antigas e profundas, como antigo é o nosso provincianismo e complexo de inferioridade, que nos leva a querer fazer figura de bom aluno, mas aquele bom aluno que dá graxa ao professor, livrando-o do trânsito da capital à custa de comprometer o TPC.

Havia a convicção de que o único efeito benéfico da crise iria ser a criação de bons hábitos: hábitos de poupança, pragmatismo, eficiência, ética de trabalho, redução das assimetrias sociais, tendo em conta que o Governo no poder se diz socialista. Nada disso. No pico da crise, continuamos com os gestos de sempre.
Contribuições
Vasco Barreto was born on February 27th 1971. His area of interest is Immunology, particularly somatic recombination, DNA stability and evolution. Currently he is a research associate in the Lab of Michel Nussenzweig at the Rockefeller University. He concluded his Degree in Biology at the Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, in 1994 and in 1996, a "Masters" from the Programa Gulbenkian of Doutoramento in Biology and Medicine. In 2001 he finished his Ph.D. degree in Immunology at the Université de Paris VI, France. And then he went to the Rockefeller University, and did a Postdoc between 2001 and 2005.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Esta Lisboa que eu amo.Oh "Ditosa pátria minha amada"!

Bandeira portuguesa desfraldada no alto do edificio da CML e vista da Calçada de São Francisco.

O resto é paisagem.

O "Cidadania LX" comenta a imagem desta maneira:

...A Bandeira Nacional, na fachada dos Paços do Concelho, vista da Calçada de São Francisco no Chiado. Esta bandeira não parece ter paz... Enfim, talvez este seja um retrato fiel do estado actual da República Portuguesa. Que os próximos 100 anos sejam melhores..

Para que conste!

Esta Lisboa que eu amo. Mas desta forma não!


Esta Lisboa que eu amo

Perguntamos se os autores - artistas (?) grafittis - destes magnificos desenhos terão alguma espécie de estima pela sua cidade?


A primeira foto - a do alto - é da Praça da Figueira e as restantes são da Rua das Portas de Santo Antão. A situação do Pátio do Tronco (cada vez mais borrado, e de que hoje apenas se mostram 3 aspectos, para não entristecer...) é particularmente revoltante, tendo em conta o significado histórico do lugar: foi onde Camões esteve preso o que, aliás, foi devidamente assinalado, pela autarquia da cidade, em grandes painéis de azulejos lá colocados em 1992.

O facto de, no próprio Pátio, haver umas instalações da CML, não é só do âmbito da anedota: é um verdadeiro símbolo daquilo que muito bem sabe quem anda pela cidade - é uma autentica "porca miséria"!


Francamente

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista “Olho Vivo e Pé Ligeiro” diz de sua justiça e põe o dedo nas feridas da nossa política

Fragmentos e Opiniões.

Política: afinal o que nos faz andar agora aflitos, de calças na mão?

A crónica de "Olho Vivo e Pé Ligeiro": nosso cronista exclusivo.


Pois é a porca da política tem destas coisas. Andamos todos aflitos com o deficit e até esquecemo-nos porque razão temos o mafarrico.

Lembro-me (vagamente…) quando foi da descoberta da situação do BPN a pressa do nosso Governo em meter milhões do nosso rico dinheirinho na caixa falida do Banco, argumentando – falsamente – penso eu, do grave risco sistémico para o bom funcionamento da banca no seu todo. Também nos Estados Unidos bancos faliram – e não só bancos – e nada aconteceu para além disso. Não acredito que algum mal viesse ao mundo por um banco falir.


Então quantas firmas têm vindo a falir no nosso País, com milhares de desempregados?

Aqui não existe o risco sistémico senhor ministro?

O que se passou – penso eu – é que os interesses das famílias que tinham a direcção do
Banco foram mais fortes que a dos dez milhões de pagantes zés povinhos, obrigou o nosso querido governo a agir daquela maneira Penso que agiu muito mal e é claro que não vi na imprensa nem nas televisões ninguém a dizer que o governo fez besteira. Não admira. As RTP´s estão sob a alçada dos dois Partidos do centrão e as privadas defendem os interesses dos privados, como é normal e óbvio.

Jornalismo independente não existe. Ou está vendido ao centrão ou está a recibo verde o que vem a dar na mesma: não se podem mexer – coitados.

Porém, a culpa não será dos jornalistas, será do “sistema” que não permite haver jornalistas. Verdadeiros e livres jornalistas, sem medo de perderem o emprego se as suas opiniões beliscarem o “stato quo”.

Pois é caros amigos, como dizia alguém cujo nome se me varreu da memória: “ Ai, Portugal, Portugal, uns vão bem e outros mal” .

Olho Vivo e Pé Ligeiro

Fragmentos e Opiniões. Manuela Ferreira Leite lá tinha as suas razões

Fragmentos e Opiniões

OE2011 e a suspensão da democracia

Era o dia 18 de Novembro de 2008. No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana Manuela Ferreira Leite, num momento de tranquilidade e rara desinibição, admite que seria bom haver seis meses sem democracia para "pôr tudo na ordem". Foi feita a sua vontade.
Tiago Mota Saraiva


O Orçamento de Estado apresentado no Sábado tem sido classificado entre o péssimo e o sangrento. A meu ver as duas medidas que melhor o qualificam não são as que maior efeito reproduzem mas as que melhor definem o carácter que lhe subjaz:
- a imposição da compra do cartão do cidadão (7,50€) para que o bebé possa ser considerado dependente dos pais - esquecida que está a promessa eleitoral do cheque-bebé, um cheque-bebé-careca que Sócrates passou antes das eleições, é afixado um imposto sobre a natalidade.

- a definição do novo imposto na banca 0,01% e 0,05% sobre o passivo apurado e 0,0001% e 0,0002% sobre o valor nocional dos instrumentos financeiros derivados.
Se a esmagadora maioria dos portugueses concorda que este é um péssimo orçamento que colocará o país em recessão, há toda uma máquina mediática que procura determinar a sua aprovação. Os inúmeros fóruns mediáticos falam a uma só voz, divergindo sobre o que se pode fazer pior e menosprezando as vítimas. Esta doutrina do terror leva a maioria, compreensivelmente, a querer ver o orçamento aprovado ainda que consciente do futuro negro que lhe impõe.
Vivemos, por isso, um tempo de suspensão da democracia. À ideia que o país tem metas inegociáveis impostas por inimigos externos associa-se um fado de miséria, no qual são silenciadas as alternativas. Só assim poderá parecer inevitável que continuemos a suportar a banca mimando-a com uns irrelevantes 4,35% de imposto sobre os lucros enquanto as micro, pequenas e medias empresas são tributadas a 25%.
Só assim se poderá aceitar o gigantesco investimento em despesas de guerra - submarinos, tanques e operações no estrangeiro, quando podemos canalizá-lo para incentivos à produção de modo a que dependamos menos do estrangeiro. Só assim podemos manter os benefícios fiscais em seguros de vida e saúde no momento em que se baixam os benefícios fiscais na saúde e educação. Só assim se poderá ler como bondosa a inconstitucional ingerência dos chefes dos bancos na negociação deste orçamento de Estado.

A suspensão da democracia desejada por Ferreira Leite está ser implementada por Sócrates e Passos Coelho. Uma enorme operação mediática que mascara as mais violentas medidas para condenar o país à miséria.

Obrigado Pela Sua Visita !