BANCADA DIRECTA: Julho 2010

sábado, 31 de julho de 2010

A minha crónica "sabatinas". Recordar " Chanquete". E, claro, a cidade de Nerja e O "Verão azul".

Cronicando ao Sabado
Chanquete, Verão Azul e a cidade de Nerja



A personagem "Chanquete", interpretada por Antonio Ferrandis na série "Verano Azul" e na foto de baixo todo o elenco principal

No meio desta semana calorenta e abafante abro o blogue Bic Laranja e leio este texto.

Esta vida de turista!...
Em 2002 rumámos à terra do Chanquete, em férias. O pacote incluía uma semana de alojamento a meio quilómetro da praia; refeições e estender as toalhas no cascalho era por nossa conta. Ora deslocações de 500 metros de ida e volta a pé para a praia, de manhã e de tarde, mais estender as toalhas, haveis de imaginar, são uma grande canseira!... Por isso não admira que de súbito começasse a ouvir à senhora:
- Esta vida de turista!...
Um suspiro que se tornou numa piada nossa e muito calhado para título dalgumas crónicas de praia que às vezes escrevo.

Para nós, modesto escriba deste Bancada Directa, claro, que me saltou à vista a palavra “Chanquete”. Evidentemente que o “blogger” está a referir-se à cidade de Nerja, situada na costa sul de Espanha, Província de Málaga e distando cerca de 135 quilómetros de Roquetas de Mar.

“Chanquete” foi a figura principal de uma série da TVE que passou na RTP nos anos 90 e que RTP Memória exibiu já em 2010. Chamava-se a série “Verão Azul” filmada em Nerja, com a colaboração do povo e o actor António Ferrandis era o “Chanquete”, personagem que morre no penúltimo episódio (18) O actor António Ferrandis morre a 16 de Outubro de 2000 no Hospital Quiron de Valência por motivos cárdio respiratórios. Tinha 79 anos. A minha mulher reviu na íntegra a serie de 19 episódios que passaram na RTP Memória. Mas não descortinou que o local onde passava a historia era uma localidade, na qual já tem passado dezenas de vezes ao seu lado. Nunca nos despertou a atenção passarmos por dentro de Nerja.

Antes de estar construída naquelas paragens (entre Málaga e Motril) a Autovia del Mediterrâneo, a nossa via de circulação era a N340. Esta “carretera” passava por dentro de Nerja, mas bastante longe do seu Centro e das suas praias, aí a uns tais 500 metros referidos pelo nosso amigo Bic Laranja. No caminho para Roquetas gostávamos de passar por Rincon de La Vitória, Torre del Mar, e Torrox. A N340 ainda, actualmente, passa por dentro de Nerja onde mais tarde entra na Autovia. Mas quando se chega a Nerja, vindo de Torrox, há uma rotunda. Nesse local segue-se logo pela “carreterra” MA501 S e entra-se na Autovia del Mediterrâneo. E não se vê Nerja. E é o que sempre acontece nas nossas viagens. Só utilizo a Auto-estrada A92 (Almeria/Sevilla) nas viagens de regresso.
Na última semana de Junho a Anne-Rose deu-me dois bilhetes para visitar “Las Cuevas de Nerja”. Como trabalha, melhor tem contactos directos com operadores turísticos locais, oferecem-lhe bilhetes para vários eventos. Fez questão que eu visitasse Nerja, aliás trabalha lá um seu irmão, cidadão maliano. Acabei por não o ver.

Da minha visita a Nerja gostei do que vi, do ambiente hospitaleiro da população, das novas urbanizações e de toda a estrutura social de apoio. A traineira do “Chanquete” lá está como símbolo turístico da cidade e do “Verão Azul”. Fez-me lembrar Tossa de Mar onde no alto do jardim, junto ao mar e dominando a cidade, lá está a estatua de Ava Gardner, que nos anos 60 filmou naquela localidade a película Pandora. Estivemos no “Balcão da Europa” local com vista magnifica sobre o Mediterrâneo. As praias são do mesmo estilo de todas as outras praias espanholas: areias nada amarelas e finas. Pelo contrário são escuras e formadas por arenitos grossos. Mas os espanhóis vivem com o que têm.

Curiosamente “Las Cuevas de Nerja” ficam muito próximo da Autovia del Mediterrâneo num local chamado Maro. Mas confesso que nunca tinha dado pela sua existência. Nem sequer reparava nas placas de sinalização. Visitei-as e fiquei encantado. Tão semelhantes às Grutas de Aracena, pela sua grandiosidade. Foram descobertas em 1959.
A história de Nerja, na sua maioria, ainda se está a descobrir através das Grutas de Nerja, através das pinturas que se estão a encontrar nelas, e, graças a elas, sabe-se que os primeiros povoadores chegaram aqui na época do Paleolítico ao Bronze. Desde esses dias e até aos dias de hoje, muitos são os episódios que se viveram na zona.

Dos monumentos que vi na minha visita destaco o Balcão da Europa, (foi o rei Alfonso XII em 1885 que mandou construir a Torre dos Guardas e que mais se converteu neste local de turismo), a Ermida de Nossa Senhora das Angustias, a Igreja Virgem Maravilhas ou o Aqueduto El Águila. As praias são o que eu já disse, tão iguais a tantas outras espanholas. Realce para a praia mais cosmopolita, La Torrecilla. A gastronomia é na base de pescado e mariscos.


Iremos lá novamente num futuro próximo

Adriano Rui Ribeiro

Bancada Directa deseja aos seus fieis amigos leitores que tenham um excelente Fim-de-semana

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Isto já andava um pouco esquecido por aqui. Desejar aos amigos leitores que passem um excelente Fim-de-semana é, sobretudo, uma atitude boa educação.


É tempo de reatarmos a nossa tradição. Procurei descobrir nestas quatro beldades quem era a Mary Lou. Não descobri a magana que me queria matar na Alameda.


Diz-me um leitor que estas personagens são os quatro elementos do Benfica que ontem no Algarve entraram na segunda parte do jogo com o Feyenoord e que viraram o resultado de 0/1 para 4/1.


Então Bom Fim-de-semana

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Esta Lisboa antiga que eu amo. Série de dez fotos de Lisboa antiga

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Lisboa, velha cidade
Cheia de encanto e beleza
Sempre formosa a sorrir
E no vestir sempre airosa
O branco véu da saudade
Cobre o teu rosto linda princesa

Olhai amigos
Esta Lisboa doutras eras
Dos cinco réis das esperas
E das touradas reais
Das festas, das seculares procissões
Dos populares pregões matinais
Que já não voltam mais


1ª Série de 10 fotos


Bancada Directa agradece ao Doutor RR.

Espreitando o inimigo a dormir. Senhores Windows e Joaquim das Neves

Um dos intervenientes gosta de aparecer quando abro o computador; o outro gosta de se pôr em cima do teclado com uma função apenas: dormir!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quem tem medo do”Lobo Mau”? Em defesa e conservação da espécie "Lobo Ibérico"

Quem tem medo do”Lobo Mau”?

Depois dos posts dedicados ao Grupo Lobo, viramo-nos agora para uma organização espanhola, a ASCEL, empenhada na defesa do "Lobo Ibérico"

O tema do Lobo Ibérico em nova série aqui no Bancada Directa

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Publicámos recentemente uma série de quatro posts sobre o Lobo Ibérico em Portugal, do risco de extinção da espécie, tendo como suporte de fundo desses posts a actuação dos voluntários do Grupo Lobo (CRLI) em Portugal. Mafra. Gradil. Quinta da Murta.

Prometemos na altura que iríamos desenvolver o tema do Lobo Ibérico, agora com um olhar para o que se passa em Espanha e mostrando uma organização espanhola de protecção ao Lobo Ibérico.

Voltamos a referir as características desta espécie e algumas particularidades

Introdução/Características

O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é uma subespécie do lobo-cinzento que existe na Península Ibérica. Outrora muito abundante, sua população actual deve rondar os 2000 indivíduos, dos quais cerca de 300 habitam a região norte de Portugal. Um pouco mais pequeno e esguio que as outras subespécies do lobo-cinzento, os lobos-ibéricos machos medem entre 130 a 180 cm de comprimento, enquanto as fêmeas medem de 130 a 160 cm. A altura ao garrote pode chegar aos 70 cm. Os machos adultos pesam geralmente entre 30 a 40 kg e as fêmeas entre 20 a 35 kg.

A cabeça é grande e maciça, com orelhas triangulares relativamente pequenas e olhos oblíquos de cor amarelada. O focinho tem uma área clara, de cor branco-sujo, ao redor da boca. A pelagem é de coloração heterogénea, que vai do castanho amarelado ao acinzentado mesclado ao negro, particularmente sobre o dorso. Na parte anterior das patas dianteiras possuem uma característica faixa longitudinal negra.


Habitat/Distribuição

Ainda no século XIX o lobo se distribuía por quase todo o território da Península Ibérica. Ao longo do século XX, a caça e a redução do habitat natural causaram sua extinção na maior parte desse território. Actualmente o lobo-ibérico está praticamente restrito ao quadrante noroeste da península.

Em Espanha a área de distribuição do lobo abrange cerca de 100.000 km2, ocupando a maior parte da Galiza e grande parte das Astúrias e Cantábria e a metade oeste de Castilla y León, além de pequenas áreas no País Vasco. Ao sul é possível a existência de populações isoladas na Sierra Morena.
Acredita-se que a grande população do noroeste esteja em aumento, podendo eventualmente colonizar a região central da Espanha.

Em Portugal a área de distribuição do lobo abrange cerca de 20.000 km² no norte do país. Considera-se que existem duas populações separadas pelo Rio Douro:
Uma população próspera ao norte do Douro, em uma área montanhosa que ocupa os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança e pequena parte do distrito do Porto. Essa população abrange cerca de 50 alcateias e é contínua com a grande população do lado espanhol da fronteira. Áreas protegidas portuguesas importantes para a preservação do lobo ao norte do Douro são o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural do Alvão, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Douro Internacional.
Uma população em declínio ao sul do Douro, distribuída em parte dos distritos de Viseu, Guarda e, talvez, Aveiro e Castelo Branco. Essa população abrange apenas 10 alcateias e encontra-se isolada em relação à população do norte do Douro. Seu futuro é incerto, considerando-se que pode extinguir-se no curto ou médio prazo

Imagem triste, muito triste mesmo

Alimentação

Sua alimentação é muito variada, dependendo da existência ou não de presas selvagens e de vários tipos de pastoreio em cada região. A vida em alcateia permite ao lobo caçar animais bastante maiores que ele próprio.
As suas principais presas são o javali, o corço e o veado, e as presas domésticas mais comuns são a ovelha, a cabra, a galinha, o cavalo e a vaca. Ocasionalmente também mata e come cães e aproveita cadáveres que encontra, isto é, sempre que pode é necrófago.

Reprodução

A época do acasalamento abrange o final do inverno e princípio da primavera (Fevereiro a Março). Após um período de gestação de 2 meses nascem entre 3 e 8 crias (lobachos), cegas e indefesas. As crias e a mãe permanecem numa área de criação e são alimentadas com comida trazida pelo resto da alcateia.
Por volta de Outubro as crias abandonam a área de criação e passam a acompanhar a alcateia nas suas deslocações. Os jovens lobos alcançam a maturidade sexual aos 2 anos de idade. Aos 10 anos já são considerados velhos, mas em cativeiro chegam a viver 17 anos.

Comportamentos

O lobo-ibérico vive em alcateia de forte organização hierárquica. O número de animais numa alcateia varia entre os 3 a 10 indivíduos e está composta por um casal reprodutor (casal alfa), um ou mais indivíduos adultos ou subadultos e as crias do ano. A alcateia caça e defende o território em grupo.

Os indivíduos de uma alcateia percorrem uma área vital que varia em tamanho de acordo com as características da região. Em Portugal, as áreas vitais são relativamente pequenas, entre 100 e 300 km2. Buscando presas, os lobos podem percorrer entre 20 a 40 km diários dentro do seu território. Essas deslocações ocorrem geralmente à noite.
As pequenas populações ao sul do Douro em Portugal e no sul da Espanha estão isoladas da grande população ao norte da Península.

Curiosidades

- Habitam no norte de Portugal cerca de 300 indivíduos desta espécie.

Falaremos em pormenor desta Associação no próximo post sobre o tema

Ameaças de extinção

Como em toda a Europa, o lobo é temido pelas pessoas na Península Ibérica desde tempos remotos. A alegada ferocidade do lobo e o roubo de animais de criação levaram à caça sistemática destes canídeos, que tiveram sua área de distribuição geográfica muito reduzida. Enquanto que no início do século XX os lobos ainda se distribuíam por quase todo o território continental português, calcula-se que hoje esses animais ocupem apenas 20% da sua área de distribuição original.

Apesar de que a caça é hoje proibida, o lobo ainda é ameaçado pela destruição da vegetação nativa e a construção de grandes infra-estruturas, como auto-estradas, que fragmentam os habitats. A diminuição do número de presas naturais do lobo, como o javali, o corço e o veado, levam os lobos a atacar animais domésticos e a entrar em conflito com as populações rurais.

Em Portugal o lobo-ibérico é classificado como espécie "em perigo" (EN), enquanto que em Espanha é classificado como "vulnerável" (VU). A população de Lobos Ibéricos tem vindo a aumentar devido aos esforços de conservação tanto em Portugal como em Espanha.

Contribuições

Los ataques de lobo afectan a menos del 0.092% del ganado gallego.

Para el cálculo de este porcentaje sólo se consideró el ganado saneado (no se tuvo en cuenta el ganado mostrenco no registrado) y todos los expedientes solicitados por daños (incluidos los que no fueron aprobados como tales), por lo que cabe esperar que la afección real del lobo en Galicia es incluso menor. Por tanto la polémica social que se crea entorno a los daños que genera la especie es muy desproporcionada respecto a su afección real. Para comparar con otras causas de mortalidad del ganado, la lengua azul fue responsable en tan sólo tres meses de la muerte de ganado equivalente a las bajas causadas por el lobo en medio año, y generó pérdidas económicas mucho más cuantiosas a las que hay que sumar los gastos asociados a la vacunación de gran parte de la cabaña ganadera gallega. El lobo lleva conviviendo miles de años con el hombre. Para que esta situación se mantenga, es necesario llegar a un consenso entre los sectores implicados. Si es cierto que el retraso en el pago de las indemnizaciones puede enmascarar la problemática real que supone la presencia del lobo, que, repetimos basándonos en los datos anteriores, está claramente sobredimensionada. Quizás para algunos, la raíz de toda la polémica sea un problema económico. Pues, añadiré que pagar todos los daños que genera el lobo en España supone 1'5 millones de euros, y esto señores, es lo equivalente al coste de 250 metros de autovía.

continua

Recordar é Viver. Os nossos olhos viram e leram estes anuncios nos anos 50/60/70

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Lembram-se destes anuncios? Recordem-nos, recordem-nos!

Doutor RR. O nosso muito obrigado por parte do Bancada Directa. Amanhã publicaremos as fotos da Lisboa de outras eras, dos cincos reis , das esperas e das touradas reais...

Fragmentos e Opiniões. E, caros amigos leitores, vejam a opinião do nosso cronista "Olho Vivo e Pé Ligeiro".



Fragmentos e Opiniões

A minha opinião

A crónica de "Olho Vivo e Pé Ligeiro".

Não gosto do Sócrates. Acho que nunca votaria nele se, eventualmente, votasse. Sempre achei que ele estaria melhor no PSD, por onde aliás começou a sua vidinha política. Ele é e sempre parece que será um social-democrata e não um socialista

Tenho acompanhado o seu percurso e reconheço nele uma qualidade, para além de ter ou não ter o canudo (que não interessa nada, pois anda por aí muito burro com o título de doutor). É bom na bancada da Assembleia a argumentar. Um dos melhores.

Durante alguns anos a imprensa, rádio e televisões armaram uma campanha de bota abaixo ao Sócrates como nunca tinha visto. Pegaram no Freeport e foi cascar até se provar que afinal NADA SE PROVOU!

Estes nossos jornais e televisões são um autêntico escândalo. Todos se uniram para ver se conseguiam derrotar o homem. Como não podiam ganhá-lo a votos resolveram derrubá-lo enquanto figura pública. Acompanhei a campanha. Uma autêntica orquestra.

Como se não chegasse o “Público”, a Sic a TVI armaram nova cilada com o semanário Sol. Uma publicação que não se sabe de onde veio (se calhar mais sabem eles…não nos querem é dizer). Depois assisti na Assembleia da República a uma rábula de chorar a rir com alguns partidos a cair na esparrela de chamar o pessoal da Telecom para se tentar descobrir se Sócrates tinha mentido.


Fiquei muito admirado pois já sabia que todos os políticos mentiam. Porquê só agora a dúvida? Aquelas perguntas dos deputados fizeram-me rir. Ó santa ingenuidade!

Depois, o que achei mais piada foi aquele pessoal com dúvidas se o A comprava o B e se havia uma “golden share” e tal e coisa. Ora, desde que “venderam” a maioria das acções da Telecom como é que o Estado (todos nós) poderemos ter voz activa nas empresas? É óbvio que vai tudo parar às famílias ricas deste País que se estão borrifando para o País e querem é o dinheirinho…

Lembram-se do Champalimaud que coitadinho fugiu para o Brasil (teso!) quando do 25 de Abril e depois voltou (rico!) e comprou o Totta?
A seguir vendeu logo aos espanhóis do Santander e borrifou-se para o País.
São assim, os nossos queridos capitalistas. Para eles o País é de quem der mais. Até a mãezinha vendiam é só uma questão de preço!

Olho Vivo e Pé Ligeiro

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mary Lou, Mary Lou: onde estavas tu? Capítulo dez(10)




Mary Lou, Mary Lou: onde estavas tu?

Capítulo dez (10)

“zid ashashi bashshi tafaddal adni surra sili”

O Detective Tempicos é o autor

Tempicos localiza a sua história nas paisagens idílicas e frondosas do Deserto de Gobi


História original do Detective Tempicos , considerado como o maior investigador policiário português vivo

Nota de Bancada Directa: caros amigos leitores deliciem-se com o texto que mostra Tempicos no seu melhor – uma completa desorientação sexo/literária


“zid ashashi bashshi tafaddal adni surra sili”

Exclamou Tempicos extasiado perante aquele pôr de sol no deserto de Gobi. À sua volta o sepulcral silêncio dos desertos. Uma cor de areia que lhe fazia lembrar o saudoso vinho branco com sabor a rolha.Porém, as suas palavras eram dirigidas à Mary Lou que, diante dele, não percebera patavina.

Nada de admirar pois ela fora especialista em línguas mortas As línguas de Allah não lhe diziam nada. Tempicos não se preocupou pois sabia que os seus melhores e fiéis leitores eram fans da iliteracia e daí ser obrigado a traduzir a frase que dissera a Mary Lou com a sua voz baixa e roufenha de H. Bogart, no filme “Casablanca”.

“CONTRIBUI, RI, EXULTA, OFERECE, PRATICA O BEM, ALEGRA-TE, DÁ”

Sobrevivendo num mundo cheio de "surrealismo" Tempicos compara-se a Humphrey Bogart. Claro que a sua Mary Lou é a Ingrid Bergman.

Se havia menina que seguia fielmente os ditames desta frase essa menina era a Mary Lou. O que ela adorava dar: era uma autêntica esmoler dos pobres. Tudo o que tivera dera. Umas mãos rotas.

Para si guardara a “Apus,apus”. O seu andorinhão preto, ave em extinção que ela protegia e que era linda pois tinha uma fofa penugem cor de azeviche. A águia do Benfica – apesar de colorida – ao pé da sua avezinha ficaria envergonhada.

Porém, Tempicos levara a Mary Lou para lá do espaço e do tempo pois transportara-a para o século XXV. Tempicos adquirira a Mary Lou na loja da sua rua, do Chinês, pois estava à venda como o “clone” da sua irmã Nelinha. Ainda por cima “balato”!

Não perdeu tempo. Foram os dois até Santa Apolónia e tomaram o transiberiano, com relativa facilidade. Hoje em dia todos os caminhos vão dar a Roma! Pararam em Omsk para comprar um quarto das Pedras e acabaram por descer em Irkutsk. Daí foi um pulinho até ao deserto de Gobi.

Uma mochila era toda a bagagem que recolhia uma tenda de campismo. Nada mais era preciso. “Nesta altura do campeonato é preciso avisar os leitores do que se estava a passar na cabecinha do Tempicos. Ele queria levá-la até ao deserto para lhe cantar a canção do bandido”…

Queria aproveitar-se do ambiente. Da melodia que Tempicos trauteava: “o voo do moscardo” de Rimsky Kossaskostas. Do calor, para fazer a Mary Lou vergar ao peso dos argumentos. Da sua proverbial lábia. Sabemos com o a carne é fraca, a vida é curta e os momentos de prazer escassos. Pois temos que os aproveitar enquanto abundam.

Mary Lou só com esta encenação já estava meio zonza e já não sabia se o calor vinha do deserto ou se era ela que acalorava as areias. Armou-se a barraca, caiu a noite. Os dois personagens, o quarto das Pedras, o andorinhão entraram no vestíbulo do amor, ou seja a tenda.


Olá amigo andorinhão! Sabes por onde paira a Mary Lou?

Através da fina cobertura da “barraca” Mary Lou e Tempicos observavam as estrelas.
- Olha que luminoso cometa! – Exclamava Mary Lou.
- Lá vem a lua cheia iluminar a nossa felicidade! – Dizia Tempicos imitando Bogart.

E assim passaram a noite entre o pecado e a luxúria, entre o quarto das Pedras e o andorinhão e uma olhada ao Céu. Diz-se, como moral da história que a Mary Lou viu as estrelas muitas vezes.

Quem somos nós para duvidar…

Outra nota de Bancada Directa: Informamos que o Detective Tempicos não voltará a ter mais palavra nesta saga da Mary Lou, Mary Lou: onde estavas tu? Dele espera-se tudo e do melhor! Mas vai ser noutra história.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fragmentos e Opiniões. Os abutres batem as asas sobre os telhados. Quando agonizam!

Fragmentos e Opiniões
Os abutres nos telhados

Clara Ferreira Alves
O Estado é a doença como metáfora. Na agonia geral, os abutres batem as asa sobre os telhados

No princípio da vida adulta, a minha geração apanhou com a sida em cima. Ainda mal tínhamos entendido a emancipação da mulher, a pílula, a igualdade, a liberdade sexual, a educação sexual, os direitos dos homossexuais, quando estalou o medo.

No princípio, um medo rarefeito, noticias nos jornais, a cena underground de Nova Iorque dizimada, as declarações perplexas dos médicos e cientistas e, claro, a ideia de que aquilo era uma coisa que acontecia aos outros. Os moralistas do costume descarregaram a sua ira, confundindo com a ira divina, sobre os homossexuais, as prostitutas e os promíscuos, acusados de corrupção da espécie humana e castigados pelo pecado. A sida, como palavra sagrada do terror (Susan Sontag escreveu “A Doença como Metáfora”), começou longe do estado de aceitação pacífica da doença como doença e dos tratamentos que a converteram numa doença crónica em vez de um mistério.
Falava-se em sussurro, aquilo, a síndrome, e as pessoas vigiavam-se e começavam a vigiar os parceiros. Ninguém queria fazer o teste, excepto os curiosos ou os obrigados pelos hospitais e seguradoras. Os dentistas tinham medo dos doentes. O sangue era um veneno. Foi um largo, larguíssimo período de paranóia e incerteza, até as pessoas raciocinarem que a sida era do domínio da medicina e da investigação e que angariados os fundos para a investigação, o resto viria por acréscimo graças ao génio humano. A ansiedade substituíra a serenidade.

As pessoas reagem mal à incerteza. Os animais também. Um rato de laboratório reage mal à incerteza: a ordem é da ordem natural das coisas. O contrário do caos. Nessa época de incerteza cometeram-se muitos erros. Conheci pessoas que viveram aterradas com o vírus sem fazer qualquer exame. No Inverno, ao menor resfriado, entravam em pânico. À menor dor, entravam em pânico. Vivendo com medo, adoecendo do medo, confundindo sintomas, mentindo aos médicos e aos parceiros. Conheci gente que tomou a doença como expiação. Um pai de família homossexual que viu desmoronar-se a fachada social recusou qualquer tratamento ou paliativo e aceitou morrer num sofrimento atroz para se punir. Conheci gente que se converteu: ao budismo, ao catolicismo, a todas as doutrinas New Age. Conheci gente que saltou de contente quando soube tinha cancro em vez de sida, e morreu em meses de cancro. Conheci sobretudo o medo, o medo bruto e espesso que cobria toda a gente que tinha tido a ousadia, segundo os moralistas, de “prevaricar”. E o medo que fazia com que os moralistas pregassem que os doentes deviam morrer e não ser tratados pelo Estado com “dinheiro dos contribuintes”.
A situação mudou por causa de meia dúzia de heróis e altruístas, cientistas e artistas a maior parte, que resolveram estudar a sério a doença, e arranjar dinheiro a sério para a doença ser estudada. Elizabeth Taylor e Elton John foram dois destes heróis, mas a lista é longa. Em Portugal apareceu a Abraço, uma associação de voluntários que cuidava e acompanhava os doentes com sida e se batia por eles e pelo fim da descriminação, pela educação e a prevenção. Sem esta gente, sem o seu empenho e a sua coragem, e sem um Estado protector, que pagou medicamentos e internamentos, a sida teria morto muita gente e destruído o tecido social. Os moralistas só tinham uma cura: a abstinência. A Igreja não ajudou e declarou ser o preservativo uma abominação. Com esta politica, metade de África teria desaparecido. O tempo em que vivemos tem coisas parecidas. Substituam a palavra sida por crise; a crise explica tudo, todas as falhas humanas, todas as relações culpadas, todos os comportamentos, todos os erros. Todos os medos. E os oportunistas e moralistas, na esquina das crises sociais espreitam com os estandartes da razão única. Quando se perde a serenidade acredita-se em tudo. Gente que contribuiu largamente para a crise é a mesma gente que vem agora dizer que a crise é culpa dos outros, culpa de nós, culpa do Estado, culpa dos políticos, culpa de tudo o que escapa ao seu controlo milimétrico, quando o que escapou ao seu controlo milimétrico foi, precisamente, a capacidade de prevenir e remediar a crise.

Os moralistas só têm um caminho, o da conversão, o da expiação, o da abominação. Antes deles tudo estava errado e a crise é o resultado do erro. É o mesmo que dizer que a sida é o resultado do sexo. Os moralistas querem destruir o altruísmo e substituí-lo pela regra absoluta. A regra deles, bem entendido. O dogma. Seres que usaram e abusaram do Estado, ou que foram coniventes com os administradores do Estado, vêm agora dizer que a culpa é do Estado, há de destruir o Estado. Usando a Constituição. O Estado é a doença como metáfora. Na agonia geral, os abutres batem as asas sobre os telhados.

Obrigado Pela Sua Visita !