BANCADA DIRECTA: Junho 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fragmentos e Opiniões. Quem são os mandantes por cá? Pergunta Antonio Raposo

Fragmentos e Opiniões

Então quem é que manda cá no burgo?


É a pergunta de António Raposo

Nós votamos, regularmente, nos partidos que existem para que alguém fique no governo do País.

Quem ganha as eleições vai para o poder e faz depois o que muito bem entende, independentemente dos programas dos partidos que cuidadosamente lemos antes de votar e decidimos depois em virtude das suas argumentações e com as quais estamos de acordo. Resultado:

O ou os partidos que governam – vão para o poder – fazem o que entendem.
Chamam a isto democracia representativa. Eu não chamaria! Metem, nas eleições uma carrada de deputados, para a Assembleia da República.

Antes foram escolhidos pelo aparelho dos partidos e a representação dos deputados em função do País. Das províncias e das cidades é uma caricatura. Os da Póvoa não conhecem o deputado de lá porque ele se calhar é algarvio ou ilhéu! Estes senhores que assentam o traseiro na Assembleia e que tem muitas mordomias não representam coisa nenhuma, nem região.

Você sabe quem é o seu deputado – o que ganhou o seu voto? Não sabe? Quem saberá? – Ninguém. Estão lá para dar a impressão disso mas é mentira. Eles levantam-se e sentam-se e mais nada. Uma pessoa por partido representando o número de assentos ganhos faria o mesmo serviço e poupava-se uma fortuna.
Outra grande poupança seria se se acabasse com a figura de Presidente da República. A Assembleia da República faria perfeitamente essa função através do Presidente da Assembleia. Já no tempo da outra senhora andava por aí um marinheiro a cortar fitas, e a inaugurar chafarizes. Alguém ainda se lembra dele? Para que serviu? Isto porque no fim acaba por ser a União Europeia a dar as directivas.

Poderão perguntar-me: então porque não um governo tipo de “aluguer”? Um governo out- soursing? Não iria tão longe – Mas não me chatearia muito se fosse um governo regional de Portugal. Já viram o dinheiro que se poupava ao País com esta minha humilde e modesta colaboração? Dava para pagar a reforma a muito boa gente que trabalhou 40 anos, descontou para a S. Social e agora está a pão e água! Esses ou os seus filhos e netos.
Antonio Raposo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fragmentos e Opiniões. Petróleo: a causa de todos os males do mundo moderno. O ouro negro é uma maldição

Fragmentos e Opiniões.



No Golfo do México os americanos armam-se em vítimas e em África são os vilões.

Clara Ferreira Alves



Se a crise da mancha de petróleo no Golfo do México fosse um filme de vilões este seria o título perfeito. E se Tony Hayward, o CEO da BP, não fosse a personagem mais odiada da história, o Peter Lorre da coisa, podia ter sido um Humphrey Bogart. O pior é que Barack Obama não suportaria ser o actor secundário, Exit Bogart, Enter Denzel Washington. Os norte-americanos gostam de viver e de falar como nos filmes sempre que as câmaras estão acesas e holofotes ligados; e esta é a explicação mais amável que se consegue para o espectáculo de audição do corado e seráfico Hayward perante uma Comissão do Congresso cheia de democratas e republicanos belicosos, ansiosos por descarregar a ira num bode expiratório. Hayward foi grelhado com os remoques, apartes, esgares e amuos mais chauvinistas de que há memória no script do drama público americano. Vendo e ouvindo a gritaria daquela gente, descobre-se que a América, quando está zangada, é muito mazinha e é capaz de fazer muitas maldades, como as crianças contrariadas.

A América quer, deseja, com voracidade imensa e parco sentido da realidade, petróleo para os seus SUV e os seus Escalades e Hummers. E quer petróleo a qualquer preço. Invadindo países do Médio Oriente, apertando ditadores ao peito, promovendo alianças espúrias, desencadeando guerrilhas de “libertação”, praticando uma politica externa que torna o crude o símbolo dos interesses americanos. O Pentágono serve o petróleo, e o petróleo é a base mais poderosa e lucrativa corporação mundial: Exxon Móbil Corporation. Sede em Irving no Texas. A par com a PetroChina, embora seja interessante imaginar o que aconteceria ao planeta se os chineses desatassem a comprar carros King Size. Tudo para que o cidadão americano possa encher o seu carro com galões de gasolina a pataco. Que acaba por sair cara se pensarmos nos custos militares do produto.

No seu território, a América autorizou o offshore drilling, caso do Golfo do México, e autorizou-o a grandes profundidades submarinas. Onde o homem não chega nem pode trabalhar. Como se preparava para autorizar, caso a dupla Palin/McCain tivesse ganho, a exploração no Alasca e no Árctico. Quem foi ao Texas e à Califórnia deve ter reparado nas pequenas bombas ferrugentas de extracção de petróleo no meio da rua, do campo, dos quintais das casas. Onde houver petróleo, há drilling.

Quando acontece um desastre destas dimensões, a América deixa cair a luva branca e sacode a água do capote. É compreensível que aquela gente do litoral, que vê a mancha negra e o seu modo de vida ameaçado para sempre, se sinta indignada e muito zangada com a BP. E é óbvio que a BP não teve o melhor comportamento nesta crise. Daí até aceitar a hipocrisia moral dos congressistas e da Casa Branca, aflita com os danos políticos, vai um passo que convém não dar. O que aconteceu podia acontecer, e quem autorizou a exploração devia ter moderado a ganância e ter inspeccionado, regulado, vigiado, para que um desastre destes nunca pudesse acontecer. Descobriu-se que a BP não tinha um plano B. E a América tinha um plano B? Ninguém tinha um plano B. Hayward limitou-se a enunciar o óbvio: tudo falhou!
Quanto ao desastre ecológico, o maior de sempre na história americana, convém recordar que no delta do Níger, nas florestas tropicais do Equador e da Indonésia, entre outros lugares, a Exxon Móbil, a par com a sua colega Chevron, têm causado danos ambientais continuados a tribos e populações que vivem nas zonas de exploração, e têm provocado desastres ambientais superiores ao ora registado no Golfo do México, porque duram há mais tempo. No Equador foram despejados 18 mil milhões de galões de águas pós-residuais tóxicas na floresta, destruindo um ecossistema. Custo da limpeza depois de uma acção no Equador? 27 mil milhões. Na Indonésia, a Exxon Móbil aparece envolvida em crimes ambientais e desrespeito dos direitos humanos, unindo-se a forças de segurança locais que, em conluio com autoridades corruptas, aprisionam e matam todos os que se opõem à exploração.

O mesmo acontece no delta do Níger, onde a aliança entre as petrolíferas e o venal Governo nigeriano tem servido para reprimir as populações que viram o seu modo de vida afectado, a pesca, a agricultura e subvivem no meio de labaredas e uma mancha tóxica que alastra pela paisagem. Rios negros, arvores mortas águas, animais e pessoas envenenadas. Pobreza e destituição, porque os lucros do petróleo não alcançam as tribos. A repressão, incluindo a repressão do MEND, o grupo armado que exige a limpeza do delta e o fim da exploração, é paga em petrodolares. No Golfo do México, os congressistas clamam por vingança e armam-se em vitimas. Em África e no resto do mundo apoiam o invisível vilão

Clara Ferreira Alves (Expresso)

Como nos filmes de espionagem que encantavam na nossa adolescencia. Uma história de espiões modernos

Uma história de espiões à antiga



Afinal, quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria, Moscovo e Washington ainda parecem gostar dos “jogos” de espiões. Em comunicado, o Departamento de Justiça norte-americano anunciou esta Segunda-feira a detenção de alegadamente 10 agentes secretos ao serviço da Rússia.

Oito destes indivíduos foram ontem presos pelo FBI, sob a acusação de terem sido incumbidos de missões “deep cover” a longo prazo nos Estados Unidos em nome do Governo russo. Outros dois eventuais agentes foram também detidos, debaixo das mesmas acusações mas em processos diferentes.

Os supostos espiões exerciam funções para o Governo russo nos Estados Unidos sem que tivessem efectuado qualquer notificação prévia ao Ministério Público, tal como a lei federal exige. As autoridades americanas acreditam que os indivíduos estariam a actuar sob disfarce em manobras de “intelligence”.
Os detidos foram apresentados em tribunal durante o dia de hoje debaixo da acusação de conspiração por actuarem em solo americano como agentes para um Governo estrangeiro sem terem notificado previamente o Procurador-Geral. Nove dos dez supostos espiões foram também acusados de lavagem dinheiro. Existe ainda um alegado 11º primeiro espião que se mantém em fuga.

Agradecimento ao Dr. Alexandre Guerra

Ericeira nos "Os desalinhados no Bancada Directa".

Ericeira. Largo de São Sebastião.

O lugar predilecto dos turistas que visitam a vila piscatória. Domingo 27 de Junho.

A noite anterior tinha sido de festa e ajuntamento para vários grupos de pessoas residentes na vila. Noite de lúdicas atitudes, em que as bebidas não faltaram. Tudo bem, porque festa é festa e é saudável. Simplesmente a falta de urbanismo dos festeiros é que é lamentavel.

Apesar de haver no próprio largo recipientes de grande capacidade para neles se depositar os utensilios "sobrantes" e de ainda existirem mais recipientes no parque de estacionamento do outro lado da estrada, junto às esplanadas e centro comercial, alguns preferiranm deixar os utensilios da maneira que se vêem nas fotos.

Simplesmente lamentável. Ao casal de turistas que foi apanhado na segunda foto peço-lhes desculpa, mas eu só queria apanhar as garrafas vazias.


fotos Bancada Directa

Cavaco tinha razão. Afinal sempre houve escutas em Belem!

Caros amigos leitores do Bancada Directa
Esta foto já tem algum tempo e parece-me que até a publiquei já aqui neste blogue. Mas o mail que um meu amigo me enviou a solicitar a publicação da foto enterneceu-me, até porque tem uma frase lapidar: Esta é tão estupida que merece a pena publicar no Bancada Directa

Francamente.


Obrigado Dr. RR.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fragmentos e Opiniões. As sondagens são o que são e valem o que valem!

Fragmentos e Opiniões

Uma nova forma de fazer política



"Os apoiantes de Pedro Passos Coelho sempre juraram que o homem representava uma nova forma de fazer política. Não duvido. O dr. Passos Coelho é o primeiro líder da oposição que, em última instância, não se opõe a coisa nenhuma.

Cada medida absurda do Governo é recebida pelo actual PSD a cinco tempos:

1) Recusa (o PSD acha a medida inadmissível);
2) Negociação (o PSD pretende obrigar o Governo a discutir a medida e forçá-lo a revê-la de acordo com as suas exigências);
3) Confusão (o PSD lança para a imprensa um nevoeiro informativo acerca das suas pretensões e do desenvolvimento da discussão que mantém com o Governo);
4) Aceitação (o PSD proclama que o interesse nacional o levou a concordar com a medida inadmissível do Governo);
5) Vergonha (o PSD pede desculpa ao País).

Numa democracia menos exótica, esta adaptação condensada dos 12 passos dos Alcoólicos Anónimos seria despachada logo que possível. Em Portugal, é um êxito. A julgar pelas sucessivas sondagens, as intenções de voto no PSD crescem em progressão geométrica.
Enquanto isso, os socialistas, autores das exactas políticas que o PSD subscreve, estão em queda livre. Imagino que, para a semana, o eleitorado continuará a punir o PS por causa das Scut e dos chips nas matrículas e a premiar o PSD que, depois das típicas cambalhotas, acabará em sintonia com o Governo na questão (ou questões) das Scut e dos chips nas matrículas.

Após cinco anos em sentido inverso, o povo decidiu que o eng. Sócrates é o responsável por todas as calamidades que se abatem sobre a nação. O dr. Passos Coelho, que há meses vem legitimando as calamidades, é um herói popular.Explicações? Não mas peçam. Talvez as desculpas do dr. Passos Coelho tenham tocado o coração das massas oprimidas.

Talvez as massas andem tão cansadas do eng. Sócrates que o trocariam pelo Pato Donald ou por uma torradeira eléctrica. Talvez as massas sejam definitivamente malucas. Certo é que as massas querem o dr. Passos Coelho a primeiro-ministro, e só não vêem o desejo cumprido porque, pelos vistos, a nova forma de fazer política também implica evitar o poder a qualquer custo.

A nova forma de fazer política ainda será política ou já entra na pura fraude?"

Esta Lisboa que eu amo! Mas assim não me convidem para lá passar, quanto mais morar.

2010. Junho.27

Rua Oliveira Martins (trazeiras do Centro Comercial Acqua)

Francamente (é só higiene urbana)

Bancada Directa dá conhecimento deste Colóquio aos seus leitores.


Excelentes inciativas culturais na Vila de Mafra e na Ericeira

///////////////////////////////

///////////////////////////////

domingo, 27 de junho de 2010

Mary Lou, Mary Lou: onde estavas tu? Capítulo cinco (5) Nove é o autor

Mary Lou, Mary Lou: onde estavas tu?

Apresentação do 5º capítulo desta novela. Autor = Nove

Os antecedentes dos capítulos anteriores: Claro que a confusão está instalada. Enquanto alguns autores dão como provado que Nelinha e Mary Lou já não são vivas, outro, ao invés vive numa tremenda ilusão e já pensa numa a vida a dois com Mary Lou nos States. Onde é que isto var dar? Acabará em bem? Ou a Katinha vai seguir o mesmo caminho que a sua extremosa e a sua reaparecida tia, isto é, morrerá também?

Ora aqui está o texto do confrade Nove

Haja decoro e fale-se verdade!

Há que enterrar os mortos e cuidar dos vivos!

Valha-nos Deus!

São passados anos sem eu ter lido tanta mentira e escabrosos relatos como nestas últimas semanas, a propósito da morte de Mary Lou. Os intervenientes neste caso conseguem superar alguns altos responsáveis políticos portugueses. É obra!

O que nos ofereceram foram relatos egotistas, um deles até com mal disfarçada auto-flagelação, pelos quais os respectivos autores pretenderam reescrever a história a seu favor e, ao mesmo tempo, propagandear frustrados actos libidinosos como se estes tivessem sido especiais momentos de glória.
Afirma o autor deste capítulo que a Nelinha e Mary Lou estão mortas e bem mortas. Esta foto é da Nelinha, parece que a mesma está morta, mas o confrade Zé prometeu desvendar este mistério

Nelinha e Mary Lou já não são deste mundo, vítimas que foram de morte violenta. O seu óbito pode ser comprovado pelas autoridades. Importa agora descobrir o assassino ou os assassinos de ambas.

E, acima de tudo, deverá cuidar-se desse anjo que é a Kátinha, fugida há quinze dias do lar de adopção, com a qual ninguém se preocupou.

As suas formas, como a própria confessou, num perigoso resvalar da vaidade para a volúpia, são muito atraentes e capazes de lhe garantir a subsistência. A ingénua pensa, certamente, em papéis de estrela de telenovela e não percebe o perigo a que se expõe. Julga ainda que arranjará, com o seu belo palminho de cara, um milionário que lhe dê independência económica. E não estará errada.

O Conde de Oeiras é citado neste capitulo. Enterrar os mortos e cuidar dos vivos. O Detective Tempicos irá de certeza escalpelizar esta citação.

Mas não percebe que o tal milionário quererá afagar-lhe a sedosa pele, acariciar-lhe os rijos seios, beijar-lhe o corpo de alto a baixo, colar os seus lábios aos dela em beijos de trocas salivares de profundezas inauditas, quererá ver, ouvir, cheirar, saborear tudo o que dela brote em espasmos de amor, quererá estar dentro dela e assim prolongar-se em êxtases aprendidos no Kama Sutra.

Ora, convém pôr a Kátinha de sobreaviso quanto a estes perigos. Penso estar em condições de levar a cabo tão meritória tarefa, seja pela teoria seja por uma convincente e eficaz doutrinação prática. Assim Deus me ajude em mais esta espinhosa acção, como sempre me tem ajudado.

Julgo, portanto, ser de pôr ponto final em recordações menos convenientes da Nelinha e da Mary Lou, bem como na publicação de falsas cartas das duas, numa orgia sebastianista de mau gosto.

Guardo na memória a bela Nelinha, verdadeira obra de Deus, e as fotos da famosa irmã na Broadway.


Rezo por ela todos os dias - diz J. Novena

Rezo por elas quase todos os dias. É a beleza de ambas que venero e não o revivalismo de algum escabroso momento.

Há, como disse o Conde de Oeiras, que enterrar os mortos e cuidar dos vivos.

E viva, jovem e pujante está a Kátinha. Ajudem-me a encontrá-la, para felicidade de todos e, em especial, dela.

Bem hajam e Deus vos abençoe.

J Novena, 25-06-2010

A Ria de Aveiro. A obra de Raul Brandão "Os Pescadores" 5ª parte

Os Pescadores . O romance de Raul Brandão

A Ria de Aveiro - continuação com a 5ª parte.

Já noite regresso num barco de cagaréus que vão à festa de S. Tomé, em Mira. Regresso deslumbrado. Tenho a alma a escorrer tintas estranhas. Estendo-me à popa, farto de ilusões, farto de luz e entorpecido – entre um rancho de raparigas que cantam, e que de quando em quando erguem a saia, saltam à água desembaraçadas, de perna nua à mostra, e puxam o barco à sirga i105 sequeiros...

OS SÍTIOS IGNORADOS

5 de Julho
Mas o que tem para mim um grande encanto são os sítios ignorados da ria, onde a água cismática encharca, embebida no céu e reflectindo meia dúzia de ervas e dois
barcos encalhados. Água esquecida ou pedaço do céu translúcido?... Acolá um borrão azul empoçado diante de uma trincheira verde. E este azul entranha-se na terra baixa e empapada, infiltra-se no subsolo, reaparece em fios e charcos.
É inesperado e imprevisto. Não se sabe onde vai ter. Estou na terra ou na água? é um lago ou um rego?
Uma vela navega entre campos verdes. É um saleiro. Ao longe na vasta planície retalhada, correndo a par de um biombo de pinheiros, outro barco desliza sobre a erva
tenra dos arrozais.
...Outro canal. Carros de bois. A planície imensa cortada, riscada, atravessada por fios de água que convergem para um canal mais largo. Há charcos verdes atufados de nenúfares em flor, gordos e espalmados ao lume de água, com um botão branco a abrir. Alguns tufos de árvores rasteiras desdobram-se na água negra e profunda. Mais poças e, no Inverno e nos dias baços e parados, os ramos finos das árvores desenhando-se fio a fio, à pena, na água adormecida. No ar adormecido e na água que não existe, porque tudo parece atmosfera.

São terras impregnadas de água em baixo e envolvidas carinhosamente pela atmosfera marítima. Um rasgão e avisto os montes de sal espalhados pelo campo farto.
Nos milharais andam grupos de cachopas enterradas até ao joelho e os arrozais deslavados atiram para o céu as hastes com os pés metidos na água. Um grande trecho liquido empoçado. Lodo emaranhado de valas e de regos. Silencio e luz. Fios de terra encaixilhando a vasta superfície dividida em rectângulos, com renques de árvores baixinhas torturadas pela poda. Silêncio húmido. Água imóvel.

O que eu queria dar só o podem fazer os pintores – os tons molhados, os reflexos verdes, o galopar das nuvens fugindo sobre a imensa superfície polida, e, por fim, ao
cair da tarde, a agonia dolorosa da luz. No céu não é a mesma coisa, no céu perde-se tudo num momento... Nestas poças os dourados entranham-se misturados à podridão dos verdes e levam muito tempo a esvair, agarrados à água numa aflição. Só aqui se compreende bem o que a luz lhe custa morrer...
Isto, a bem dizer, é um charco. Tenho-os à minha porta que reflectem o céu e se cobrem de limo verde, onde na Primavera se passa exactamente o mesmo drama da cor.
Apodrecem. Criam reflexos metálicos, verdes de rã, e resplendores ao pôr do sol. Não duram nada... A questão é de tamanho. Tudo aqui ganha com a amplidão e é a luz o grande pintor. É ela que nos ilude na atmosfera carregada de vapores invisíveis, que
transformam a terra entremeada de pedaços de vidro, de mil espelhos vivos que a reflectem. Reparem... Acolá um homem à proa do barco esguio lança a fisga, a petarda,
espetando no fundo areento a solha ou a enguia escondida na lama. É nada. Mas na figura escura, no gesto sóbrio não há uma linha que corrigir. A água polida estremece um instante. As linhas reflectidas quebram-se e enrugam-se, para logo voltarem à
limpidez e à imobilidade – enquanto a figura elegante guarda ainda um momento a atitude e o gesto. É um nada – é um quadro onde a luz tem o papel principal.

8 de Julho
Ao lado do areal onde se finca a povoação de Mira, há um resto da ria de Aveiro, que teve aqui noutros tempos uma saída para o mar e que se chama ainda hoje a
Barrinha. É uma gota de água pensativa a cinquenta passos do mar. Canaviais e areias... Mas a lagoazinha bebe a luz do céu e parece ainda mais melancólica e pacífica ao lado do grande oceano atormentado. Não sei se faz versos –sei que sonha e que a certas horas
fica estonteada a contemplar-se. Ao pé do mar, ninguém a ouve, mas talvez seja essa a poesia superior; talvez a poesia íntima e ignorada seja a mais bela e a única que Deus escuta.

Alimentam a Barrinha dois veios de água doce da Fervença, que fazem moer alguns moinhos primitivos. Quatro tábuas e o esguicho que sai de troncos de árvores cavados, tão velhos que se babam pelas fendas. Em volta, areia alagadiça que o pescador de Mira transforma em campos, à força de mexoalho e de sardinha. Todos trazem a sua terra aforada, e nesta época do ano as mulheres vem da lavoura para casa
guiando à vara o barquinho carregado de milho. Às vezes a embarcação leve e escura mete a borda na água azul e polida, cheia de abóboras amarelas, e uma passa por mim, onde ouço um choro que não cessa. Levanto a cabeça para ver. O vulto esbelto da mulher empurra o barco com a vara, de pé, à popa, num movimento compassado e fácil, e, num berço à proa, uma criança embrulhada nos panos chora pedindo de mamar.
É aqui que se pescam as melhores tainhas, luzidias, negras, de cabeça chata, de uma maneira original e que é talvez a maneira primitiva, anterior à linha, ao anzol e à
rede.
O barqueiro lança uma esteira ao lume de água e vai guiando devagarinho o barco. De repente, o peixe, ao deparar com a sombra, assustado, salta, cai na esteira e debate-se até que o homem lhe deita a mão. Mais um momento... A tainha, atrás do pasto, procura a libelinha que voa ao lume de água – faísca ao sol, cai na esteira. Outro peixe para dentro do barco. Apanham-se também na Barrinha magníficas enguias, que o Luís Milheirão, o grande homem da terra, transforma em saborosas caldeiradas.

sábado, 26 de junho de 2010

O saber não ocupa lugar. O amigo leitor sabe o que é "sexo ocasional"? Então descubra.

Humor de Fim-de-semana no Bancada Directa


Fragmentos e Opiniões. E assim José Saramago já está no Céu!

Fragmentos e Opiniões

Reflexões sobre José Saramago a partir de Henrique Monteiro
E assim vai José Saramago para o céu

O tempo dos homens é menor do que o da arte. E o tempo da arte é ínfimo, se comparado com o tempo de Deus. A obra de Saramago é bem maior do que pensamos. Tudo lhe é relevado na hora da sua morte.

Jamais esquecerei o encantamento que me provocou a Blimunda - personagem central de "Memorial do Convento" - muito superior àquele que me provocava o seu autor, José Saramago. Ele era o antigo director-adjunto do "Diário de Notícias", responsável por saneamentos políticos de colegas, o comunista convicto, o antirreligioso militante. Era também um homem severo, ético, frugal e muito sério. Além disso foi um trabalhador incansável, com um rigor extraordinário nas suas descrições e memórias. Não tinha aquela coisa muito portuguesa de ter pena de si próprio e era tão íntegro quanto focado no objectivo ou trabalho que tinha em mãos. Num dia em que passei por Lanzarote e em que Pilar nos convidou (a mim e à minha mulher, verdadeiramente amiga, admiradora e crítica de Saramago) para os visitarmos, tive a noção real do que o escritor vale no nosso mundo. Discretamente, sem qualquer alarido, fui conduzido a um escritório com uma grande janela, uma secretária e um computador e umas três ou quatro estantes repletas de livros com títulos nas mais diversas e estranhas línguas. Perguntei o que eram aqueles livros. "São traduções dos meus", respondeu como se não fizesse caso. Quase todo o mundo está representado naquelas estantes, porque quase toda a obra de José Saramago é talentosamente universal.
Embora ele não queira, estou certo de que irá para o céu. Deus, se é o Todo-Poderoso, não há-de permitir que um homem destes habite longe dele. Como a de um pequeno deus, também a obra de Saramago perdurará no tempo, per omnia secula seculorum, enquanto houver quem goste de uma grande ou pequena história com uma boa e honesta moral.

Não nego que escreveu coisas que me chocaram. Acho que escreveu que "Deus é um filho da puta". Pois bem, enganou-se. Se é omnisciente, Deus nem liga a insultos, pois estão fora do âmbito do seu entendimento. E na sua bondade e perdão infinito vai dizer-lhe que também gostou de alguns livros, como "As Pequenas Memórias", onde se lê a dureza de uma infância, ou "O Ano da Morte de Ricardo Reis", no qual se vê a reconstrução de um passado negro e sombrio.

E assim irá ele para o céu, para perto de Deus, onde habitam os imortais. Os da literatura, e os das outras artes, sejam quais forem. Porque o tempo da verdadeira arte é infinitamente maior do que o tempo dos homens. E o tempo de Deus é incalculavelmente superior a todos os outros tempos.

Ao fim e ao cabo, as polémicas agitam águas que não tardam em se acalmar. Mas fica a arte. Tal como fica Deus.

Esta Lisboa que eu amo. Os antigos cinemas da Almirante Reis

Esta Lisboa que eu amo (Recordar é Viver)

Os antigos cinemas da Almirante Reis

Faço a viagem numa directa de 9 horas e chego a casa por volta das 19h00. Ainda publíco o vídeo do convívio da TPL e de uma manifestação sindical. Vejo resumos do Portugal/Brasil, dado que não assisti em directo. Uma pequena refeição e deito-me cêdo. Nem o barulho desafinado e tosco do conjunto musical que actuava no bailarico da colectividade aqui perto me consegue acordar. Neste Sabado acordo e levanto-me cêdo e vou de manhã à Agriloja de Mafra comprar uma saca XXXL de carvão (que é excelente). Amanhã há sardinhada para a familia.

Já de tarde resolvo trocar de carro. O C2 precisa de dar umas voltas. Se não vai-se abaixo. E qualquer dia tem a inspecção obrigatória a jeito. E, ainda por cima, o Clio precisa de descansar uns dias até à próxima semana. Desloco-me para Azeitão. Tive de passar pela Elias Garcia e depois optei por descer a Avª Almirante Reis, seguir pelo renovado Terreiro do Paço para atingir Alcântara e depois a Ponte 25 de Abril. Ao passar pela Alameda D. Afonso Henriques vejo o antigo cinema Imperio, ora transformado numa Igreja de proveitosas receitas fiduciárias. Parece que lhe chamam dízimos e dizem que quem investe em Deus tem retorno garantido. Se o Jorge Jesus tem seguido esta ideia, hoje não se lamentava. Mas ele está bem!

Ao descer a Avenida vejo os antigos cinemas e a ideia deste post surge-me.....

Logo na esquina da Alameda D. Afonso Henriques surge-nos o edifício do antigo cinema Império.

INAUGURAÇÃO DO CINEMA IMPÉRIO
Decorria o ano de 1953 e Lisboa passava a dispor de mais uma sala de cinema.

O novo grande fórum apresentava-se com a frente para a Alameda D. Afonso Henriques.

Quem sobe a Avenida Almirante Reis, ainda hoje pode ver, imediatamente à esquerda, antes de atravessar a grande artéria, o majestoso edifício a fazer esquina.

Poderá ainda reparar-se no grande Café do mesmo nome, com a entrada virada para aquela Avenida, criado certamente com intuito de apoio aos cinéfilos, ao mesmo tempo constituía uma das referências da zona como tertúlia, pois tinha também um espaço de bilhar.

Actualmente renovado, continua ainda e sempre a ser um espaço lúdico a servir o bairro habitacional subjacente.

Em 1953/10/07, deu-se a estreia de grande sala, com o filme “MÁSCARAS DE CERA”, tendo como protagonistas principais Vicente Prince, Frank Lavejoy, Pkyillis Kirk, Carolyn Jones e Paul Pircerny.

Seguiu-se “MISS ITÁLIA”, protagonizado pela famosa beldade Gina Lollobrígida.

Quatro anos após a sua inauguração apareceu a televisão. Foi o início do descalabro das salas de cinema por todo o lado. O Império não resistiu O mundo do cinema não terá sido afectado de imediato, porém depois os seus gestores tiveram a necessidade de o adaptar, mormente no que diz respeito às grandes salas de exibição.

Foi o caso do “IMPÉRIO”, actualmente ao serviço de um organismo dito religioso, igual a muitos dos que o homem tem criado, como se não houvesse apenas um único Deus e tivesse passado a haver deuses para todos os gostos e sensibilidades.


O Cinema Império, por seu turno, foi adquirido no começo dos anos 1990 pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que fez do edifício na Avenida Almirante Reis a sua sede em Lisboa.

Dos filmes que vi no Império lembro-me de “Trapézio”, (Burt Lancaster, Gina Lollobrigida e Tony Curtis), “Piquenique” (Willian Holden e Kim Novak), “ O gigante” (James Dean) e muitos outros.

Passo pela Praça do Chile e numa rua paralela, a Rua Francisco Sanches (onde residia o saudoso Fernando Peiroteo, um dos cinco violinos do Sporting) existia o Imperial, ex Pathé. Foi um dos cinemas da minha infância

Na primeira metade dos anos 20 abriu em Arroios um novo cinema de bairro com o nome Pathé. No Verão de 1931 são efectuadas obras de beneficiação que incluem uma modernização dos equipamentos e instalação de um sistema sonoro. Desde essa data a sala passou a chamar-se Imperial, nome que recebeu logo de início uma aceitação muito maior por parte dos seus frequentadores. O Imperial tinha capacidade para 732 espectadores.

Nos anos 50 com o surgimento das grandes salas o Imperial tinha forçosamente que se modernizar. Na década de 70 foi tomada a decisão de demolir o edifício e construir outro novo e mais moderno no seu lugar. A nova sala regressou ao nome de origem mas depressa recuperaria o nome Imperial com que os lisboetas sempre se identificaram.

Localização: Rua Francisco Sanches nº 154

Já na zona dos Anjos, paredes-meias com o Intendente aparece o antigo edifício do cinema Lys.

Situado na Avenida Almirante Reis, nº 20, teve a sua inauguração a 11 de Dezembro de 1930. Propriedade de Abraão de Carvalho, era seu gerente Aníbal Contreiras, fundador da Lisboa Filme. Com uma capacidade de 553 lugares, caracterizou-se por uma afluência nunca antes vista, quer pela sua dimensão, quer por ser um cinema de “reprise”, para onde eram levados os maiores êxitos, imediatamente após a sua estreia.

A sua abertura, ficou marcada pelos filmes, “O Dominó Preto”, uma comédia alemã da UFA, interpretada por Harry Liedke, o drama “Águas de Tormenta”, a farsa “Caixeiro Viajante”, o filme português “Os Camelos” e um documentário nacional.
Em 1931, Joaquim Pedro dos Santos passa a ser o seu gerente, conseguindo fazer do Lys um cinema concorrido e com um público fiel.


Como tantos outros cinemas, também este espaço passou por importantes obras interiores, passando para cinema de estreia e adoptando o nome de Cinema Roxy. Esta nova fase teve a sua inauguração a 26 de Junho de 1973 com o filme “Alfredo, Alfredo”, de Pietro Germi.
Ao longo dos anos, a sua programação foi decaindo, tendo encerrado as suas portas no início de Abril de 1988, com o filme "Noite Infernal".

Lembro-me que vi lá um grande filme que até hoje ainda não me esqueci: trata-se do “O criado” (The servant, com Dirk Bogard, Sarah Miles e James Fox). Enredo impressionante em que um criado pernicioso e viciado consegue dominar o seu amo, faz com que este adopte os seus vicios e leva-o à desgraça. Para cúmulo ainda lhe rouba a mulher e a própria casa.

Depois de terminar a Almirante Reis entra-se na Rua da Palma e, logo, logo, aparece o edificio daquele que foi o Cine Rex.

O edifício do Cinema Rex, na hoje degradada zona lisboeta do Intendente, foi sede da Federação Espírita Portuguesa, fundada em 1925. Ficava ao lado do Real Coliseu onde depois abriu a garagem Auto Lis, junto ao belo chafariz do Desterro. Quando a Ditadura Nacional se transformou, por obra e graça do referendo de 1933, em Estado Novo, a Federação seria perseguida pelo regime e, em 1939, a sede passou a ser um cinema – o Rex.

A propriedade do edifício continuou a ser da Federação Espírita, mas a exploração foi atribuída a um particular, o senhor Eduardo Ferreira, um «industrial», como o classificam os documentos, que procedeu às obras de adaptação e construiu um belo cinema com capacidade para 478 espectadores.

Por cima da sala de cinema, equipada com um palco que podia funcionar para espectáculos teatrais, havia um grande salão onde se celebravam carnavais e réveillons. O cinema encerrou em 1967, reabrindo em Dezembro do ano seguinte com o nome de Teatro Laura Alves. Actualmente, implantado na zona mais degradada do centro de Lisboa, está transformado numa feia superfície comercial.


E depois de terminar a Rua da Palma entra-se no Martim Moniz e ainda se vê o representante máximo dos cinemas muito populares, o Salão Lisboa, mais conhecido pelo "Piolho".
O Salão Lisboa abre as suas portas em 1916.
Em 1928, iniciam-se obras de melhoramentos no seu interior, como forma de corresponder às exigências do público e ao aparecimento de novas salas.

Em 1932 efectuam-se novas alterações, principalmente na fachada. A sua lotação era de 510 espectadores.
Em 1972, o Salão Lisboa suspende a sua exploração cinematográfica, passando aí a funcionar um armazém de revenda que, no entanto, continuou a manter na frontaria o nome de Salão Lisboa.


O edifício do Salão Lisboa ainda lá está mas toda a zona do Martim Moniz foi alterada e hoje em dia o centro da praça possui quiosques e fontes. Em cada lado da praça encontram-se os Centros comerciais da Mouraria e do Martim Moniz enquanto no topo sul da Praça existe actualmente um Hotel. À volta do Salão Lisboa também tudo mudou, com as demolições de tudo à sua volta. Nada escapou, nem mesmo marcos históricos da cidade como a igreja do Socorro e o Arco do Marquês de Alegrete. É uma sorte o Salão Lisboa ter escapado até hoje à fúria demolidora da modernidade e especulação imobiliária.


Localização: Rua da Mouraria

Textos parciais e fotos retirados da net.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

VI Convivio da Tertulia Policiária da Liberdade. 2010. Video

video

Neste aspecto as contestações contra as medidas restritivas da crise são iguais tanto em Portugal como aqui na zona de Roquetas

Médicos, policias e bombeiros exigem cortes nas despesas e não nos seus salários

Sete sindicatos independentes concentraram-se quarta-feira frente à Sub-Delegação de Saúde

Médicos, enfermeros y otros sanitarios se unirán hoy a policías y bomberos, además de a otros funcionarios públicos vinculados a la enseñanza y la justicia para ofrecer al Gobierno hasta diez medidas alternativas para controlar el gasto sin tener que tocar su bolsillo. Lo harán, constituidos como plataforma, ante la sede de la subdelegación del Gobierno en Almería, donde prevén concentrarse a las siete de esta tarde.

Entre las medidas de ajuste que proponen estos funcionarios que por su trabajo, acostumbran a hacer guardias, festivos y fines de semana, y se alejan, por tanto, del “funcionario de ocho a tres”, destacan las dirigidas a reducir altos cargos y sus asesores en todas las Administraciones Públicas, y a recortar Ministerios y Consejerías, además de gastos de protocolos.

Así lo apunta, por ejemplo, el portavoz provincial del sindicato de enfermería, Satse, José González, que apunta otras medidas como la de eliminar el “gratis total” para altos cargos, asesores, consejeros, diputados, senadores o concejales.

Representantes de otros sindicatos como el Sindicato Médico, Unión de Policía Local y Bomberos o el Sindicato de Auxiliares de Enfermería apuntan también sobre la posibilidad de eliminar la “Administración Paralela” con trabajadores que asumen competencias exclusivas de los funcionarios públicos.

Suspender proyectos inviables

La suspensión temporal de “proyectos inviables” económicamente en estos momentos, “como la puesta en marcha de una nueva Oficina Judicial” es otra de las medidas por las que apuestan otros de los sindicatos adscritos a esta plataforma “independiente” como son SAFJA (Sindicato de Funcionarios de la Junta de Andalucía), FATE (Federación de Técnicos Sanitarios Superiores), ANPE (Sindicato Independiente del Profesorado) y STAJ (Sindicato de Trabajadores de la Administración de Justicia). Todos apuestan por eliminar subvenciones improductivas, “incluso las que reciben los propios sindicatos”.

Así lo apuntaba recientemente a este periódico, Francisco Durbán, médico de Urgencias en Torrecárdenas y miembro del Sindicato Médico. Su apuesta incluye también otras medidas como el control del fraude fiscal. Antes, dice, que tener que aceptar esta “expropiación” de un porcentaje de los salarios. Y es que, Durbán entiende que se retira un derecho adquirido por los funcionarios como es su propio sueldo y además, sin pasar por negociación alguna. Sólo a base de decreto.

Precisamente, las movilizaciones que esta plataforma de sindicatos independientes empieza hoy, pero que, dicen, se sucederán en los próximos meses, van dirigidas a evitar que vuelva a repetirse la opción del decreto para recortar derechos y salario a trabajadores públicos sin mediar palabra con ellos.

Temor ante nuevos recortes

“Tememos que una vez pasado el verano, el Gobierno vuelva a ajustar el presupuesto y opte una vez más por el decretazo y por que sean los funcionarios los que se vean afectados”, asegura, en este sentido, José González, que señala la “facilidad” del Estado por recaudar desde el salario de quienes reciben una nómina directamente desde el Gobierno.

En su opinión, y en el del resto de los siete sindicatos adscritos a esta plataforma, la ciudadanía debe saber que, al igual que pensionistas, dependientes o mujeres embarazadas que se quedarán sin cheque-bebé, los funcionarios “no son culpables de la crisis”.

Esta noticia foi retirada hoje (2010/06/24) do "La Voz de Almeria"

Domingo 20 de Junho de 2010. Morre Edth Shain

Morreu Edith Shain. 1918/2010

14 de Agosto de 1945

Com a rendição do Japão, termina a Segunda Guerra Mundial; em Nova Iorque, acompanhando as celebrações na rua, o fotógrafo Alfred Eisenstaedt percorre a Times Square e regista esta imagem de um marinheiro a beijar uma enfermeira: tinha nascido um dos objectos mais universais da iconografia do século XX, devidamente consagrado pela revista Life. No final dos anos 70, Edith Shain veio revelar-se (numa carta a Eisenstaedt) como a mulher da foto e, apesar de a sua identificação não ter sido alheia a polémicas, o certo é que entrou para a história como uma celebridade mediática — nascida em 1918, faleceu no dia 20 de Junho, contava 91 anos.
Esta foto de Alfred Eisenstaedt tornou-se um ícone do século XX. Foi captada no dia 14 de Agosto de 1945, em Nova Iorque, quando largos milhares de pessoas acorreram a Times Square para festejar o fim da II Guerra Mundial. Entre a multidão, estava uma enfermeira chamada Edith Shain, de 27 anos, e um jovem marujo de quem nunca se conheceu o nome. Por um capricho do destino, o militar decidiu dar um beijo arrebatado à enfermeira. Não se conheciam, não sabiam nada um do outro. Após aquele impulso, ele largou-a e perdeu-se na multidão. Ela nunca soube quem ele era, ninguém jamais conseguiu identificá-lo. A própria Edith só no final da década de 70 assumiu ser ela a mulher do retrato.

Mas o fotógrafo estava lá. O instantâneo de Eisenstaedt, publicado na revista Life, deu a volta ao mundo. Tornou-se um símbolo de uma era - e uma mensagem de paz destinada a todas as gerações. Edith regressou à Times Square, para outras fotos, que reproduziam aquela imagem iconográfica de há 65 anos. A última vez foi em 2008. "A felicidade era indescritível", recordou então a antiga enfermeira, regressando àqueles dias felizes que se sucederam à vitória norte-americana sobre os japoneses no Pacífico. E quanto ao beijo? "Foi muito demorado."

Edith Shain acaba de falecer, aos 91 anos. Mas a imagem que inesperadamente a imortalizou viverá para sempre. Por constituir uma prova irrefutável de optimismo, para além de todos os escombros provocados por todas as guerras. Há sempre um amanhã.

Esta questão de introduzirem "chips" para pagamento de portagens nas SCUT

Caros amigos leitores do Bancada Directa


Não se trata, fundamentalmente, de estar a reviver a tecnologia do passado ou a falta da mesma. Mas com esta questão do "chipo" ( perdão eu disse chipo e não chips) em vez de cabines com portageiros, recordo aqui as primeiras cabines em Portugal para pagamento de portagens nas auto-estradas. O que é certo é que hoje em dia nem se paga portagens em Sacavém. Com ou sem "chips"



Portagem na auto-estrada do Norte, Sacavém, 1967.João Brito Geraldes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Um tema importante: O vírus HPV, género masculino

O saber não ocupa lugar.

Temas de Medicina.


Um tema importante: O vírus HPV, género masculino

Nota introdutória de Bancada Directa sobre as imagens que acompanham este texto: as duas primeiras imagens foram obtidas da revista Farmácia e Saúde. A terceira é do nosso ficheiro. Dispensamo-nos de publicar mais fotos devido a que as mesmas são extremamente chocantes.

O destaque

Quando se fala no vírus HPV pensa-se, apenas, na mulheres, porque este mesmo vírus aumenta o risco delas contraírem o cancro do colo do útero. A verdade, porém, é que também pode afectar e causar problemas de saúde ao sexo masculino.

O desenvolvimento

São mais de uma centena de vírus da família HPV, a sigla em língua inglesa para vírus do Papiloma Humano. Alguns deles, os de maior risco, estão associados a um dos cancros mais comuns nas mulheres – o cancro do colo do útero. E porque são de facto agressivos o rastreio faz parte dos exames ginecológicos de rotina, mediante a realização do chamado teste de “papanicolau” ou citologia. Pela mesma razão se investiu no desenvolvimento de vacinas vocacionadas para a prevenção entre as jovens mulheres (adolescentes).

Mas este não é um vírus exclusivo do sexo feminino. É, aliás, um vírus tão comum que se calcula que afecte cerca de metade dos adultos sexualmente activos. Não significa isto que contraiam alguma doença, apenas que, a dado momento da sua vida, estiveram em contacto com o viris HPV.

Nos homens, o que acontece com frequência é que o HPV não causa sintomas, pelo que se desconhece a existência de infecção. Porém, o risco de transmissão sexual – está sempre presente. Pode acontecer, aliás, que o vírus se declare anos depois do contacto de risco, tal como pode acontecer que desapareça espontaneamente.

Cerca de 30 membros desta grande família de vírus estão associados a cancros genitais. O HPV-18 são responsáveis pela grande maioria dos casos de cancro do colo do útero na mulher e os estudos mais recentes indicam que poderão estar na origem de cancro nos genitais masculinos.
Todavia, quer o cancro do pénis, quer o anal são raros, sobretudo em homens com um sistema imunitário saudável. Já em homens com as defesas comprometidas por doenças como a infecção por VIH/Sida a probabilidade é maior. E cresce em homossexuais e bissexuais activos.
Sinais do vírus

Mais provável do que estes tipos de cancros são as verrugas genitais. Causadas pelo vírus HPV, menos agressivos, são erupções na pele que surgem nos genitais, neste caso, no pénis nos testículos, nas virilhas e no ânus. Algumas agrupam-se em formando como que uma couve-flor, mas outras são tão discretas que passam despercebidas, confundindo-se com a pele saudável. Surgem no espaço de semanas ou meses após o contacto sexual de risco, mas não causam dor, o que aumenta a dificuldade em identificá-las.

A dificuldade aumenta pelo facto de não existir um teste que permita detectar a presença do HPV. E mesmo as verrugas são confirmadas através de um simples exame visual, podendo o médico utilizar uma solução com vinagre para conferir o relevo, às que são mais planas – contudo – deste é um método que pode induzir em erro ao identificar pele normal como sendo uma verruga.

As verrugas genitais tratam-se, com medicamentos, cirurgia ou crioterapia (com recurso ao frio). Contudo, é possível que regressem mesmo após o tratamento, pelo que são necessários várias tentativas até solucionarem o problema. Podem, além disso, desaparecer por si só. É, por isso que nem sempre o tratamento é aconselhado, tanto mais que não reduz necessariamente o risco de transmissão do HPV e não há o risco de evoluírem para cancro ou ameaçarem a saúde de qualquer outra forma.

Tal como as verrugas, também o cancro genital masculino causado pelo HPV pode não apresentar sintomas. Mas é preciso que o homem esteja atento: no ânus pode haver sangramento, dor ou formação de pus, enquanto no pénis os primeiros sinais de doença oncológica são alterações na cor e espessamento da pele.
O HPV é transmitido por via sexual. O que significa que habitualmente os parceiros o partilham: primeiro, porque um parceiro infectado pode passá-lo ao outro sem saber (isto porque a presença do vírus nem sempre causa sintomas), depois porque não existe uma forma segura de prevenção a 100%.

Como em qualquer outra doença sexualmente transmissível, o preservativo é uma boa defesa, mas não oferece protecção total uma vez que não cobre a pele em redor do pénis na sua totalidade, mantendo a possibilidade de contacto – e de contágio – nessas áreas. Ainda assim, usá-lo é minimizar o risco, o mesmo se conseguindo limitando o número de parceiros sexuais.


Texto da Revista Farmácia e Saúde Maio 2010

Obrigado Pela Sua Visita !