BANCADA DIRECTA: Junho 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

"Recordar é Viver" O Palacio Sotto Mayor em 1947 e o que é nos dias de hoje

Recordar é Viver

O Palácio Sotto Mayor


Esta é a foto do Palacio Sotto Mayor, situado na Avenida Fontes Pereira de Melo em Lisboa. A foto é de 1947 e foi obtida por Paulo Guedes .É pertenca do Arquivo Fotográfico da Camara Municipal de Lisboa . Curioso é que a foto foi tirada das trazeiras do Palacio, isto é da Rua Sousa Martins, junto ao Largo do Andaluz..

A historia do Palacio Sotto Mayor

O Palácio Sotto Mayor foi erguido por vontade do banqueiro Cândido Sotto Mayor (1852-1935) para servir de sua residência nas Avenidas Novas.

Em 1900, começou a demolição do solar oitocentista da família Mayor, que ali existia, para dar início às obras da muralha de suporte sobre o Largo do Andaluz.

Em 1902 iniciou-se a construção do Palácio Sotto Mayor, que demorou quatro anos e empregou uma média de duzentos operários.

O projecto é assinado pelo Capitão de Engenharia do Exército António Rodrigues Nogueira, pensando-se que este tenha encomendado o risco inicial ao Arquitecto Ezequiel Bandeira, tendo ainda a colaboração, no desenho, do Arquitecto Carlos Alberto Correia Monção.

Além do Palácio, o conjunto incluía anexos (cocheiras, casa de criados, lavadouro) e um sinuoso jardim «biscoito» com lago, estufa de vidro e gaiolas.

O programa arquitectónico do imóvel, em «estilo compósito» de inspiração francesa, desenvolve-se em duas fachadas de entrada — de salientar a janela com cariatides do Escultor Jorge Neto — uma fachada de lazer com torre adossada e a posterior de serviço.

O interior quadrangular é organizado à volta de um grande hall central, onde domina uma imensa clarabóia.

Nos finais dos anos sessenta chegou a haver um projecto do célebre Arquitecto Conceição Silva, para o local, que previa a demolição do velho Palácio e o surgimento de um Hotel de 5 estrelas. (Nota: O Arquitecto Gastão da Cunha Ferreira, autor do actual projecto de recuperação, é um conhecedor profundo de tudo aquilo que para ali esteve previsto e suas vicissitudes. Está a preparar um livro muito bem documentado sobre o Palácio Sotto Mayor com a colaboração dos Dr. Pedro Bebiano Braga e Dra. Eunice Relvas, do Gabinete de Estudos Olissiponenses).

Em 1988, o Palácio Sotto Mayor foi considerado como imóvel de interesse público pelo IPPAR e surgiram, desde então, os primeiros projectos para a sua renovação.

Até 1992, o projecto esteve a aguardar a autorização do Instituto do Património e as autorizações da Câmara Municipal, tendo o processo de licenciamento sido autorizado em 1993.

Passados seis anos de espera, e depois de um incêndio no seu interior, a CML e o IPPAR deram luz verde ao projecto, com as últimas autorizações para o avanço do novo empreendimento. As características fundamentais do Palácio foram obrigatoriamente mantidas, tendo o projecto sofrido apenas um ligeiro restyling.

Agora o Palácio Sotto Mayor é um empreendimento comercial. Damos algumas imagens do que é hoje o edificio.

Bancada Directa dá os parabens aos amigos do Lisboa SOS pela passagem do seu 1º aniversário

Parabens Lisboa SOS

Aqui apresentamos a vossa primeira foto, inserida no vosso 1º post, sobre esta Lisboa, que todos nós gostaríamos de ver em muito bom estado de conservação.. Mais uma vez parabens.


In Bancada Directa "The best of the Antonio Raposo" (3)

In Bancada Directa "The best of the Antonio Raposo". (3)


Revisitar Antonio Raposo e as suas crónicas.
(Antonio Raposo escreve semanalmente a sua crónica no Bancada Directa)


A 14 de Março de 2009 o “mestre” escrevia:

Os adeptos, os clubes e o resto.

O futebol – que tantas simpatias, ódios e amores despoletam, é também e principalmente um grande negócio. As pessoas levam-no a peito!

Transformam as derrotas em dramas pessoais e as vitórias dos seus clubes como suas.

Esta mistura de coisas amadas e coisas compradas, tem, fatalmente, de redundar em exageros. É por isso que vimos os adeptos de um clube a levar em ombros os seus ídolos, no dia em que ganham e a desprezá-los no dia em que perdem.

Tudo isto sabendo nós e eles, que os jogadores são primeiro que tudo profissionais, que estão hoje neste clube e amanhã noutro, dependendo de vários factores, entre os quais a negociação dos “apoderados”. Os que fazem do negócio dos atletas o seu ganha-pão.

É verdade – não parece uma coisa dos dias de hoje – mas o que se passa é o que os jogadores são também mercadoria. Compram-se e vendem-se. Como batatas ou feijões.

O caso mais bizarro que outro dia li foi o de um negociante suíço que tinha comprado um lote de jogadores e esperava – como o tempo – poder fazer umas massas boas, se um deles se valorizasse com estrela. Bastava só um!

Punham-se a jogar pelos clubes da terra e com o decorrer do campeonato os seus “rebentos” lá ir-se-iam valorizando e desta forma valorizar o capital investido pelo negociante

Entre negociante suíço e o romano que vendia homens (escravos) em Roma para o circo romano, há uma diferença de forma, mas não de fundo.


O que proponho aos meus estimados leitores é o seguinte: estamos assim tão longe dos tempos dos Torneios dos Circos Romanos?

Um antigo pensador disse que o homem queria apenas pão e circo.

Digo eu, se ele não queria afirmar que era pão e futebol?

A 14 de Dezembro de 2008 o “mestre escrevia”.

Uma história infantil (para adultos com sérias reservas)


Era uma vez um país, à beira-mar plantado e arrumado numa ponta desta Europa

Não se diz qual a ponta da Europa para ninguém saber qual é o país.
Esse país, na sua já longa experiencia, sempre viveu de rendas.
Uma espécie de país cigarra, que nunca quis ser formiguinha. Tinha um lema: “O trabalho é bom para o preto!”.
A certa altura descobriu o caminho marítimo para a Índia e começou a traficar com especiarias. Ia buscar onde havia e vendia onde lhe compravam. Fazia dinheiro fácil!

Passados uns largos anos, resolveu trazer do Brasil (a terra da arvore das patacas) a riqueza que havia no seu interior. Foram anos de forró, com o ouro e tantas outras matérias-primas rentáveis.

Era só acartar. De caminho levava escravos, para embaratecer as viagens. Era tanto o ouro que o rei da altura resolveu fazer um Convento enorme e caríssimo, que nunca serviu para nada, a não ser o que é: um exemplo vivo de um elefante branco.

Naquele país (o Brasil) deixou-lhe a independência e uma pobreza bem distribuída pela maioria da população. Os poucos ricos eram uns ricaços! Os muitos pobres isso mesmo.

E assim se mantém hoje. Graças a Deus. De nada serviu o “sermão soa peixes” de Lopes Vieira.
Esgotada a saga americana, voltou-se para África e foi quase até ao século XX sempre a trazer riqueza. Ouro, diamantes, café e tantas outras colheitas.

De há uns anos a esta parte, parente pobre desta Europa, viveu da pedincha

Fizeram entrar o país na União Europeia, mas nunca perguntaram, se era essa a vontade dos indígenas. Recebeu rios de dinheiro vivo, que foi repartido por alguns “industriais do bronze”, amigos dos amigos. E ainda para fazer “cursos” de
E ainda para fazer “cursos” de banalidades para “boi dormir”.
A Europa deu o dinheiro e deixou ir…. Ninguém controlou! Foi um ver se te avias.

Era quem mais podia sacar.

Nunca vi tantos jipes comprados como máquinas agrícolas. Os jipes levavam os meninos à escola e as madames às compras, produziam poluição e um largo consumo de combustível. Davam aos papalvos a ideia de que bastava ter amizades para se sentar à mesa do poder.

Recentemente as ajudas sumiram. As colónias já tinham ido à vida. Aproximam-se dias maus. O futuro do país. O seu destino, o que fazer dele. Nada disso se discutiu ou discute.
Ninguém sabe para onde vai.

Sabemos que administram um sistema capitalista e fazem-no coerentemente, mesmo que tenham no seu emblema outras cores e outros eventuais propósitos.


Os dirigentes dirigem sempre em frente e sem rumo ou destino.


Na verdade já não dirigem nada, visto terem hipotecado o país a uma entidade federativa a que se chama União..
A União é que dá o lamiré. O país toca a sanfona. Vamos assim rumo ao infinito. Cantando e rindo.

Porem, há muito tempo nos ensinaram que o “infinito” é inatingível!

Jogo de Juniores Transformado em Batalha Campal


No sábado, num jogo de juniores entre Sporting e Benfica que embora importante, decidia quem seria o campeão no escalão júnior, não passava disso mesmo de um jogo de juniores, surgiu algo vergonhoso para todos os amantes de futebol, uma verdadeira batalha campal.

Pelas imagens que chegaram pela TV, deu para nos apercebermos que até ao minuto 26 da 1ª parte, quando se deu a entrada dos adeptos do Benfica, a Academia do Sporting reunia todas as condições para se realizar uma final de juniores como nos últimos 7 anos anteriores, alguns deles realizados entre as mesmas equipas, depois disso....






Não adianta estar aqui a dizer de quem foi a culpa, mas sim, de reprovar o que se passou e para que todos os envolvidos reflictam o que falhou, para que situações destas não voltem a suceder, para bem do futebol.

É urgente que os clubes identifiquem os verdadeiros "animais" que se encontram nas claques, sejam eles de que clube sejam, pois esses não procuram apoiar o seu clube, mas sim, descarregar frustrações da sua vida, procurando sempre o confronto, insulto e outras situações que não dignificam ninguém, e acima de tudo, afastam ainda mais as famílias do futebol.

Uma nota negativa para os responsáveis pelas declarações finais acerca deste lamentável acontecimento, uma vez que se preocuparam mais em acusar o outro, que reprovaram os actos selvagens dos seus adeptos, mesmo que alguém possa ter razão. Não entendo e reprovo que alguém com tamanhas responsabilidades não faça um mea culpa, e não assuma de vez o afastamento desses "adeptos" da vida dos seus clubes, depois de identificados.

Mas o mais natural, é ainda oferecer uns bilhetes e guarida para estes prepararem mais uma "batalha" num qualquer lugar a beira-mar deste Portugal.

Sugestão: Todos os que se envolvessem neste tipo de situações, seriam identificados, condenados a fazerem trabalhos comunitários e outros trabalhos forçados, afastados dos jogos dos seus clubes, apresentando-se em cada dia e horas de jogos do seu clube, no posto da GNR da sua região, sendo obrigado a permanecer no local até o jogo terminar, pelo menos durante 5 anos.


Mas, não sei, pois quando vi alguns meses um adepto vestido de "diabo" a entrar num relvado e apertar o pescoço ao árbitro auxiliar com o jogo a decorrer, ainda por cima num estádio novo, com muitas mais condições que Academia do Sporting, e nada suceder, é possivel que continue um país encantado e feliz, assobiando para o lado, a espera de algo mais grave. É o nosso país!


«Jogo sujo»

Há um imenso futebol para lá da hora e meia de cada jogo. De longe em longe, a tribo do mais sedutor e empolgante desporto colectivo fica sobressaltada com o aparecimento de relatos de experiências vividas, traduzidas por ensinamentos que ajudam (ou não...) à interpretação desse tempo circundante aos noventa minutos verdadeiros. Fernando Mendes, antigo internacional e único futebolista com passagem pelos cinco clubes campeões de Portugal (Sporting, Benfica, Belenenses, Boavista e F.C. Porto), acaba de editar o livro «Jogo Sujo», uma espécie de acusação sobre as grandezas e misérias - mais estas do que aquelas... - com as quais conviveu ao longo de uma carreira tão longa quanto tumultuosa.


Não me compete avaliar da intenção do autor nesta sua confissão - sentida, dolorosa, perturbadora, sem, no entanto, reivindicar em nenhum momento qualquer vitimização. Parece-me irrelevante o «timing» escolhido por Fernando Mendes para expor a sua verdade, depois de anos a fio a chafurdar - sem resquício de arrependimento, como confessa - naquilo que hoje denuncia. Um depoimento com a configuração odiosa daquele que Fernando Mendes expõe, mais do que polémico, é gerador de reflexão, assentando esta em dois planos:

- como foi possível a aceitação de expedientes tão rascas, atravessando tantos jogadores, intérpretes de um silêncio cúmplice que, agora, seguramente vão querer manter?

- será possível o futebol actual (ainda) albergar este tipo de actuações tendentes a enganar a verdade e a destruir a alma dos intérpretes que a aceitam?

No seu «Jogo Sujo» - como ele o descreve, miseravelmente nauseabundo! -, Fernando Mendes fala de TUDO o que viveu, embora, previsivelmente, por razões de prudência judicial, omita o nome de alguns clubes e de quem o incentivou e conduziu através do «doping», embora a sua identificação não se afigure minimamente embaraçosa. Embora o livro aborde outros temas melindrosos - prostitutas nos estágios, favorecimento das arbitragens, ameaças, etc. - é sobre o «doping» que Fernando Mendes se debruça com maior minúcia, explicitando modelos de actuação, produtos consumidos, efeitos da dopagem. Sem ser exaustivo, retiro deste capitulo alguns salpicos:


- «... assumi o risco e tomei «doping» de todas as vezes que me foi dado. E quem recusasse tomar alguma coisa, provavelmente ficaria sem jogar. Nunca vi um único colega insurgir-se perante essa situação»:

- «... um estende o braço e é picado, o outro abre a boca e é medicado. Passados uns minutos vão lá para dentro cheios de força e raiva»;

- «... cada jogador tomava a sua dose personalizada, mediante o seu peso condição física do momento ou última vez que tinha ingerido a substância. Havia necessidade de gerir os ciclos de cada atleta para atenuar o risco de ataque cardíaco provocado pelo excesso de droga»;

- «...Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: «onde está o milho?» Pouco depois parecia o massagista com uma bandeja recheada de seringas para dar a cada um»:

- «...uma pequena vacina, do tamanho de uma meia unha, chamada Pervitin. Espetavam-nos aquilo no braço, mesmo no músculo, e dava para correr e saltar durante quatro jogos de seguida»;

- «... no final de um jogo em que tínhamos usado «doping», chegávamos ao balneário e pedíamos a «anti-raiva»: uma cápsula que nos era dada para baixar a dose que tínhamos tomado anteriormente»

- «... Se um jogo fosse às quatro da tarde e se nos dopássemos às 15h.45, muitas vezes, mesmo com a anti-raiva, ainda dava para correr até à meia-noite. Ou então dava para o inverso - depressão, falta de paciência, isolamento;

- «... em certos treinos, víamos um ou dois juniores que apareciam para treinar connosco. Esses juniores não estavam ali porque eram muito bons ou porque tinham que ganhar experiência. Estavam ali para servirem de cobaias a novas dosagens»

- «... um elemento do corpo clínico dava cápsulas ou injecções com composições ilegais a miúdos dos juniores. Essas experiências não podem ser feitas com futebolistas seniores que jogam todos os domingos e que são os principais activos do clube»;

- «... neste sistema demente, o jogador é carne para canhão. «está cansado? Então droga-o. Falta pouco tempo para acabar e estamos a perder? Então, droga-o. Precisamos de marcar um golo urgentemente? Então, droga-o. E se morrer? Que se f...» O depois não interessa.»

Ao invés do que uma apressada leitura possa sugerir, enquadrando o «mea culpa» de Fernando Mendes num atoleiro de especulação e sensacionalismo, prefiro pensar na infinitude de tristeza que este «Jogo Sujo» pode proporcionar a quantos amam o futebol. Será a partir desta mentira miserável exposta por Fernando Mendes que se poderá despejar alguma verdade sobre o apaixonante jogo? Mesmo pensando que as vitórias químicas já pertencem a esse passado - porventura e, desejavelmente, longínquo -, nem por isso o «Jogo Sujo» deixa de ser arrepiante, talvez até para quem sobre ele se deva debruçar com outras responsabilidades e alcance investigatório. Se calhar, o dr. Luís Horta (CNAD - Conselho Nacional de Anti-Dopagem) tem tido razão na luta - para alguns odiosa, obsessiva, doentia e obstinada... - que tem travado. É importante tornar o jogo limpo.


por: Joaquim Rita no site RTP

Fragmentos e Opiniões: Mentalidade Política por MST

Esta noite sonhei com Mário Lino


Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Miguel Sousa Tavares in "Expresso"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

In Bancada Directa “The best of the Antonio Raposo” (2) Revisitar o "mestre" e as suas crónicas

In Bancada Directa “The best of the Antonio Raposo” (2)

Revisitar Antonio Raposo e as suas crónicas

(Antonio Raposo escreve semanalmente a sua crónica para o Bancada Directa)



A 22 de Março de 2009 o “mestre” escrevia:

Bento XVI espalhou-se!

Se toda a gente já bate no Papa, porque não eu?

Ele apesar de ser uma eminência parda, não passa de um bispo eleito pelos seus iguais. Nada mais do que isso. É claro que compreendo que bater no Santo Padre pode colidir com os indivíduos que têm Fé.

Mas a Liberdade é isto. Se eu não puder bater no Papa, não há Liberdade para mim. E quem restringir a minha Liberdade, não está a defender a essência da dita Liberdade.

……O Santo Padre chegou há dias a um país africano e disse do alto da sua infinita e celestial graça: “ A SIDA não se combate com preservativos!”

Eu digo que ele tem toda a razão.

A SIDA não se combate com preservativos, combate-se sim com medicamentos! Até aqui tudo isto nós sabemos.

O que o Santo Padre diz de uma forma” assaz bizarra”, é que mais vale o pessoal não usar preservativos e transmitir a doença ao seu parceiro e que morra como um herói., pois não é pensável dar medicação aos milhares de doentes infectado com o vírus HIV. A medicação é muito cara e onerosa para poder ser dada gratuitamente aos pobres “doentes africanos”.

Será que o Papa sabe realmente que a SIDA não tem cura? Se não sabe, é muito triste. E isto em pleno século XXI

A 22 de Março o “mestre” escrevia:

A TV que nós temos!

O que se passa com os nossos canais de Televisão? Dia a dia a qualidade dos programas baixa.

Uma análise dos seus conteúdos alinha-os com o pior nível. É de conteúdos abaixo de cão.

O que vemos em termos de musica? Cantores pimbas!

Pensávamos que a moda tinha acabado, mas estávamos enganados. O pessoal gosta de ouvir os excelentes poemas e as músicas do Quim Barreiros e do Toni Carreira (ambos já fizeram fortunas). E são músicas e letras, umas de uma brejeirice horrível e as outras de um romantismo besuntado. De um gosto boçal e baixo!

Assim se vai deseducando o pessoal. A Televisão devia ser uma coisa, que para além de educar, devia ter também a função de distrair as pessoas. Não transformar um povo letrado em saloios!

A Televisão do Estado o que faz? Deveria ter a obrigação de puxar para cima a qualidade dos programas e dos conteúdos. Em vez disto faz exactamente como se fosse uma estação privada: alinha por baixo, para roubar audiências e arranjar publicidade, assim ganha uns tostanitos e alivia as dividas.

Isto não é eu estar a dizer mal só por dizer! Apenas faço o retrato, mais nada. E é pena que seja assim!


(sobre esta crónica o leitor Zé Espanca de Aveiro comentou: chegue-lhes, para ver se agarram juizo.)

A 14 de Fevereiro de 2009 o “mestre” dizia de sua justiça e perguntava: Para que servem as “EMEL”S?

A Emel

A empresa que se formou com a participação da Câmara Municipal de Lisboa, actua na cidade de uma forma, que acaba por ser a mal amada dos lisboetas.

Esta entidade gere a distribuição dos dísticos de estacionamento para os moradores na cidade e actua como se fosse uma Polícia, que não é, mas que acabou ocupando o lugar, no meu entendimento, que deveria ser da Policia Municipal, a qual foi reduzida a zero (nada).

Multa os estacionamentos em infracção e cobra. Inclusive reboca os veículos. Uma Policia sem ser Policia mas – julgo com um Decreto-Lei que a sustenta e autoriza. Isto porque a Policia, aquela que o lisboeta gostaria de ver na rua, não aparece!

Não sei quem está à frente desta entidade, mas cheira-me que foram os que na Camara Municipal de Lisboa perderam os tachos, que saltaram para esta empresa de “emprego partidário”, na falta de melhor.

Enfim, aconselho que as Câmaras Municipais se reduzam a serem o que sempre foram. Deixarem para as Policias o trabalho destas e para o qual estão vocacionadas.

Acabem com as Emel”s já!

Fragmentos e Opiniões. "A ver os comboios passar"

Fragmentos e Opiniões Fracturantes
A ver passar os comboios

A nau afunda-se e, no castelo de proa, o primeiro-ministro, menos hirto, ordena marcha à ré.

Na sua académica seriedade, Mário Lino está cansado. Não tem idade para estar no Governo. Mário Lino teria o direito. O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações não tem.

Um repórter aceita ir para a guerra e quando chega diz que não tem idade para aquilo. Um neurocirurgião confessa antes de abrir um crânio que lhe treme a vetusta mão. Não é o momento.

A meses curtos das eleições, e quando a discussão nacional assenta (como sempre) nas obras públicas, aeroporto e TGV, o ministro diz que está velho. Vamos ver quantos ministros vão pôr-se ao fresco dando a entender que não são, nunca foram e jamais voltarão a ser, responsáveis por qualquer decisão, exceptuando a compra de uns agrafos. A nau afunda-se e no castelo de proa, o primeiro-ministro, menos hirto do que é costume, ordena marcha à ré. Este era o Governo das decisões firmes e do rumo certo.

Nenhuma decisão de investimento público, incluindo as mais ruinosas e "derrapadas", se tem tomado sem o andar de caranguejo. Expo-98, CCB, Euro-2004, Ponte Vasco da Gama, Casa da Música. Etc. Acabamos por gastar o dobro e atrasar a obra, o que nunca nos ralou enquanto sobrou dinheiro. Não sendo subscrita pelo bloco central (caso da Expo e do Euro) a obra serve de arma de arremesso. Gasta-se o dinheiro nos estudos e projecto, cancela-se o projecto, avança-se com outro projecto. De caminho, muita gente enche patrioticamente os bolsos.
Os dois maiores partidos, PS e PSD, aprovaram o aeroporto e o TGV como opções essenciais. Os dois maiores partidos vêm agora, cheios de heroísmo e nobre espírito, dizer que essas decisões, seladas por ministros e primeiros-ministros e continuamente adiadas por razões políticas, não podem ser tomadas por alguém em particular. Não interessa o dinheiro gasto em estudos, os compromissos contraídos, as dívidas e os fundos europeus; interessa que ninguém se arrisca o suficiente por isso.

Portugal não se tornará ingovernável depois das eleições, Portugal já é, neste momento, um país ingovernável. Esse argumento para votarmos no PS, o PS perdeu. Ao recuar nas decisões e ao autorizar um ministro a contradizer-se e a defender-se dizendo uns disparates em público, José Sócrates acaba de invalidar o voto "útil" na "governabilidade". Porque estamos sem governo.

Há uns bons anos, políticos, economistas, empresários e outros crânios sortidos, decidiram que o modelo de transporte individual devia ser "implementado" (neologismo inventado pelos mesmos crânios) em detrimento do transporte ferroviário.

E que a nossa ligação à Europa assentaria na rodovia e na aviação. No resto da Europa, construía-se o Chunnel e a rede de alta velocidade. Durante o cavaquismo, a decisão rasgou as estradas e auto-estradas que por aí andam. A política foi continuada pelo guterrismo. Esforçadamente, terminou-se o último lance da auto-estrada para o Algarve, estupidamente parada por causa de umas considerações ecológicas superiores às vidas perdidas em acidentes. Como era de costume, a única auto-estrada que faltava acabar nunca mais era acabada.

Os portugueses pagam uma fortuna em portagens. A desertificação acentuou-se e vilas e aldeias deixaram de ficar no roteiro e caíram no esquecimento. Ninguém conhece Portugal, atravessa-se Portugal. A CP, essa relíquia, destruiu estações de caminho-de-ferro e acatou o domínio do automóvel. O país servido por comboios foi abandonado.

O Portugal dos patos bravos e dos novos-ricos floresceu com estes visionários, e juntou-se ao pacote de destruição compulsiva da paisagem e do ambiente, a mania avulsa dos estádios de futebol, dos apartotéis e dos condomínios fechados. Uma volta por Portugal dá-nos a medida deste desastre. Na altura, muita gente alertou para a opção errada. O petróleo não dura sempre, a poluição aumenta, o avião é complementar; no futuro, comboios de tecnologia avançada poderiam ser solução. Lembro-me de ter esta discussão com um ministro que me respondeu que os portugueses podiam e deviam ter direito aos seus carros novos, mais do que um por família, como os outros "europeus".

Os estrangeiros que desembarcam neste país pobre e periférico ficam admirados com a nossa frota automóvel. Em nenhuma estrada de Espanha se vêem tantos carros novos como em Portugal. Trocar de carro de dois em dois anos é uma obrigação. O carro é a casa e o símbolo do sucesso.

Este deslumbramento acabará, pelas razões conhecidas. Um dia teremos as nossas cidades escavadas com parques subterrâneos inúteis. Alemanha, República Checa, Polónia e Irlanda apostam nos tróleis e eléctricos, Londres tirou os carros da cidade e em Madrid os carros de um só condutor pagam maior portagem. Em Lisboa, cidade despovoada, há engarrafamentos no fim-de-semana. O litoral é um imenso subúrbio. E até construímos um Autódromo no Algarve. Achamo-nos, em vez de perdulários, pitorescos.

Clara Ferreira Alves

Eh pá, não me chateiem! Eu deixei espaço para as pessoas passarem!

Passeios para que te quero?
Francamente.....
Passou-se recentemente em Cascais.


fotos "passeio livre"


As tardes de Encantar no Jardim do Cerco em Mafra

Caros amigos leitores do Bancada Directa
Voltaram as "Tardes de Encantar" novamente este ano ao Jardim do Cerco, contíguo ao Palácio Nacional de Mafra. Começaram nos principios deste mês e continuarão até ao final de Agosto.

Devido a ausencia só ontem pude assistir (peço desculpa aos meus amigos "mafarricos") à exibição do Rancho Folclórico da Malveira. Desde a Polca/Tacão, com que iniciaram a actuação, passando pelo Enleio e pelas danças do Mineiro e da Padeirinha, vimos ainda o Verde Gaio de Quatro, o Namorico Saloio e a Valsa a Dois Passos, etc. Foi uma delicia presenciar este espectáculo. No próximo Domingo pelas 16 horas actuará o Rancho Folclórico da Murgeira. Não percam!


Fotos Bancada Directa

Fragmentos e Opiniões Fracturantes: apesar de nos dizerem que tudo vai melhorar, parece que não é verdade!

Fragmentos e Opiniões Fracturantes
A OCDE e o duche de água fria que estávamos a precisar


"A OCDE pôs ante-ontem os ponto nos "is" quanto à evolução da economia portuguesa. Ao avançar com uma previsão de quebra do PIB da ordem dos 4,5% e com o disparo do desemprego acima de 11%, pôs a nu várias fragilidades.

A mais importante é a dificuldade que o Governo e instituições que dele dependem têm em ser realistas. Senão veja-se: a previsão é a pior das que já foram avançadas por instituições internacionais em relação a Portugal. O que lança fundadas dúvidas sobre as informações que dão conta de que a economia já bateu no fundo e que a recuperação já está no horizonte.

Mais: ao dizer que o desemprego vai passar os 11%, a OCDE deita para o caixote do lixo as declarações de optimismo em relação ao mercado do emprego, de que se fizeram eco responsáveis governamentais e o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (para não falar da quase inevitabilidade de o défice orçamental furar o tecto dos 6%).

Os números são exagerados? Ninguém sabe dizê-lo com segurança (quem não se lembra das sucessivas previsões do Governo e Banco de Portugal que foram pulverizadas pouco tempo depois pelas estatísticas?).

Razão bastante para o Governo não embandeirar em arco, insistindo em ver boas notícias onde, para já, não há mais do que boas intenções. Não é apenas uma questão de honestidade intelectual.

É contribuir para não formar, nas famílias e empresas, falsas expectativas quanto à recuperação económica. As eleições não justificam tudo."

Gripe H1N1: Será Conspiração ou Verdade?!

Dr Leonard Horowitz fala sobre Vírus A fabricado em Laboratório



Não devemos acreditar em tudo o que ouvimos, mas devemos acima de tudo reflectir, porque neste mundo já existem provas suficientes de que tudo é possível.

domingo, 28 de junho de 2009

O desporto e os desportistas na minha terra.

O desporto e os desportistas na minha terra.
Campeonato Nacional de Judo para Juvenis (Masculinos e Femininos)

Tiago Silva (EB 2,3 Dr. Rui Grácio) campeão nacional

O Estádio Universitário de Lisboa foi uma vez mais, o palco de competições nacionais de judo, com resultados excelentes para os judocas do concelho de Sintra, apurados para esta prova.

No Campeonato Nacional de Juvenis Masculinos II e Juvenis Femininos estiveram representados, o Centro Shotokai de Queluz, Judo Clube de Sintra e Escola Municipal de Judo Escola EB 2,3 Dr. Rui Grácio de Montelavar.

Quanto a resultados, o mais significativo foi conseguido pelo atleta Tiago Silva em -42 Kgs que venceu os 4 combates por “ippon” e na final frente ao representante do Judo Clube da Marinha Grande (Pedro Fonseca) conseguiu derrotar o seu adversário apenas 10 segundos para terminar o tempo, e onde estava em desvantagem por apenas um ponto. Na categoria de -60 Kgs, também o seu companheiro de equipa Diogo Santos esteve em evidência ao conseguir o apuramento para a final e discussão do titulo, acabando por perder o combate frente ao concorrente do Lisboa Ginásio Clube, André Kellen. Conquistou o título de vice-campeão, somando a segunda medalha para o clube de Montelavar.

Nos restantes combates, Ruben Almeida (Centro Shotyokai de Queluz) garantiu o ultimo degrau do pódio, classificando-se em 3º lugar na categoria de -81 Kgs.

Já Ana Viegas, do Judo Clube de Sintra (Judokai) ficou-se
pelas eliminatórias em -63 Kgs.

In Bancada Directa “The best of the António Raposo”. (1)

In Bancada Directa “The best of the António Raposo”. (1)

Revisitar António Raposo e as suas crónicas.
(Antonio Raposo escreve semanalmente a sua crónica para o Bancada Directa)

A 4 de Março de 2009 o mestre escrevia

As Juntas de Freguesia, os cães e a Policia.

Os lisboetas estão habituados durante todo o santo dia a pisar excrementos de cão nos passeios, cujos donos só excepcional e raramente os apanham.

Há uma Lei que não se cumpre, porque não há vigilância de proximidade e não há quem a aplique a dita cuja. Para que serve uma Lei que o Governo fez e foi muito solícito, mas depois na rua, na prática, não há ninguém que apareça para a fazer cumprir, que segundo o meu entendimento, deveria ser a Policia Municipal.

Vejo o pessoal com os seus cãezinhos, alguns de marca e patente perigosa, a serem passeados no jardim, sem açaimo e alguns até sem trela. Os donos chegam ao jardim e largam os seus animais para eles correrem.

O que vale é que já não há crianças nos jardins. Assim os acidentes não se verificam. Não há crianças porque ninguém as fabrica, não há quem…… Para quê? Se um cãozito também se pode pegar ao colo…..

A 25 de Março de 2009 o mestre escrevia:

Isto é que anda para aqui uma açorda de marisco!

Isto até dava vontade para nos rirmos, se não fosse tão grave a situação do nosso país, relativo à crise económica que se vive e ao desemprego que cresce descontroladamente….

António Raposo detecta a situação e “Diz de sua justiça”.

Li hoje no Correio da Manhã que o Vitorino cobrava 5 mil euros por se sentar no banco do presidente da Mesa da Assembleia Geral da brisa.

Não fiquei nada admirado. Sempre correu o boato que “o baixote Vitorino” não podia ir para o Governo, porque se estava a governar com coisas mais importantes para ele.

Quem viu aquele advogado, pequenino, vivaço, de braço estendido e de punho fechado nas assembleias do partido do velho PS (bons tempos) e bem arrimado à ala esquerda, augurou-lhe um grande futuro.
Afinal os Jorges (Coelhos) multiplicaram-se no socialismo democrático

Fragmentos e Opiniões. Há que pensar naquilo que nos espera.

Fragmentos e Opiniões


Clarificação


No PSD, foi um erro colossal apoiar a moção de censura-espectáculo do dr. Portas ao Governo. O PS devia dizer se aceita acordos futuros à direita, não vão os seus eleitores votar numa viragem à esquerda e sair-lhes um queijo limiano na rifa

Neste pós-eleições, os dois partidos do Bloco Central já cometeram erros crassos e já mostraram assomos de bom senso. Comecemos pelos primeiros. Foi um erro colossal a ensaiada mudança de imagem do primeiro-ministro. Por todas as razões que já foram exaustivamente dissecadas: soa a falso, desorienta o PS e o seu eleitorado, e projecta a ideia de uma insuspeita vulnerabilidade por parte de quem parecia ter, para o bem e para o mal, uma couraça e uma resistência à prova de bala.









Além disso, não serve de nada, pois irrita ainda mais os que já estavam zangados com José Sócrates e dá azo aos oportunistas, até agora amigos, para fazerem exercícios de tiro ao alvo... não vão perder, de repente, o comboio da História. Enfim, é o Portugal que temos, covarde, interesseiro e medíocre.


No PSD, foi um erro de palmatória o apoio à moção-de-censura-espectáculo de Paulo Portas ao Governo. É extraordinário como um partido recém-saído de uma vitória eleitoral dá o seu aval a um exercício gratuito de politiquice, oriundo da mais pequena formação parlamentar. Tão grave como isso foi o facto de a direcção social-democrata nem sequer se ter dado ao trabalho de explicar aos portugueses as razões que a levaram a aprovar a dita cuja moção inútil, bem como a colaborar, por omissão em plenário, na autopromoção do líder de um partido que, obviamente, tudo fará para lhe disputar o eleitorado, nas próximas legislativas.









A não ser... que a recente abertura de Paulo Rangel a uma futura coligação pós-eleitoral com o CDS do dr. Portas seja ponto assente na cabeça dos dirigentes do partido laranja. Mas, se assim for, seria muito útil que a dra. Ferreira Leite, no âmbito da sua profissão de fé numa política de "verdade" o viesse dizer, desde já, aos eleitores. Até porque, se é essa a ideia, terá então toda a lógica os dois partidos irem desde já coligados.










Traz mais vantagens para a distribuição de deputados e mais transparência à vida pública.


Aliás, num cenário de difícil obtenção de uma maioria absoluta por parte dos dois maiores partidos, seria exigível uma clarificação por parte de todos. CDU, BE e CDS deveriam dizer, sem subterfúgios, em que condições se disponibilizam a viabilizar um Governo.

E o PS também não deveria deixar dúvidas sobre se aceitará acordos (ou coligação) à direita, não vão os seus eleitores votar com um propósito de viragem à esquerda e sair-lhes um queijo limiano na rifa. Para já, socialistas e sociais-democratas estão em diferentes fases da sua preparação para as legislativas de Setembro.

Os resultados de 7 de Junho deixaram Manuela Ferreira Leite respirar. No essencial, ela prossegue (e bem) um caminho sem euforias e até já estabeleceu um prazo para a apresentação do seu programa eleitoral. No PS, o clima é mais denso, mas a lição das europeias permitiu que a sua massa crítica retome uma certa consciência de si, atrevendo-se a críticas a quem de direito e reclamando ser parte activa nas propostas para o futuro.

São aspectos positivos. Espera-se que ambos os partidos, pelas responsabilidades que têm, preparem uma campanha digna, sem virulências gratuitas (que só penalizam os seus autores) e com muita clareza de propósitos. O momento é grave e o bom senso pode ser determinante.

Aurea Sampaio

sábado, 27 de junho de 2009

Esta Lisboa que eu amo. E sempre com o Tejo a banhar-lhe as suas margens. Desde Sacavém até Algés


Esta Lisboa que eu amo.


A beleza do Rio Tejo e da beleza que lhe empresta os "cacilheiros"

Confesso que gosto do Rio Tejo desde criança. Morando na zona oriental da cidade de Lisboa era só descer a Avenida D. Afonso III, e Xabregas era mesmo ali pertinho. Também não havia o perigo que se observa hoje com um trafego desmesurado e constante. Nós crianças percorríamos as margens do rio desde o Poço do Bispo até ao Terreiro do Paço, passando por Santa Apolónia. Não havia vedações e era um regalo fazer esse trajecto. Tínhamos o tempo necessário, pois só tinhamos "escola primária" ou de manhã ou de tarde. Na altura ainda não se sabia o que era um "ATL" e tínhamos de ocupar o nosso tempo com os pais ausentes no trabalho. Estudar e fazer os trabalhos da escola era só à noite.
Em Xabregas apanhavam-se caranguejos e quem tivesse um "arrasta" apanhava camarão. Em Santa Apolónia eram os amendoins que caíam das sacas que os vagões de mercadorias levavam para a fábrica do sabão no Beato. E no Terreiro do Paço era a atracagem dos cacilheiros que despertava a nossa atenção. Era lindo os grumetes atirarem para terra a corda com um laço na ponta e qualquer pessoa a colocava num ferro saliente (não me recordo o nome, talvez gancho?)

Eu por isso fico deliciado quando vejo imagens destes cacilheiros agora mais bem modernaços.

O doutor Luis Miguel Correia especialista em termos maritimos, no seu blogue publicou este texto e estas fotos. Aqui estão eles.

Cacilheiro SEIXALENSE largando de Belém rumo ao Porto Brandão e Trafaria na tarde de 24 de Maio de 2009

Habitualmente esta linha é servida pelos cacilheiros ex-alemães Marvila,Mouraria e Trafaria Praia, mas excepcionalmente os ferries da classe "Cacilhense" prestam serviço nesta carreira, como aconteceu ontem.

Com a venda do CACILHENSE o ano passado, restam três dos "cacilheiros originais" construídos em Alverca pela Argibay. Todos com o sufixo "ense" tradicional da antiga Parceria dos Vapores Lisbonenses: Cacilhense, Seixalense, Palmelense e Sintrense.


E. Text and images copyright L.M.Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

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