BANCADA DIRECTA: Fevereiro 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O desporto na minha terra: Sintra tem um campeão do mundo em Kickboxing (menos de 60 Kilos) É o Paulo Calhau, ,mais conhecido pelo "Pilhas".

O desporto na minha terra
Sintra tem um Campeão do Mundo em Kickboxing (menos de 60 Kgs.)
Paulo Calhau, o “Pilhas” representa o Progresso Clube, de Algueirão/Mem-Martins.


Todo o orgulho de um atleta dedicado à modalidade do seu coração.

A verdade e a realidade desportiva é somente esta: “Pilhas” = Campeão do Mundo

Com o título do mundo conquistado na Guarda, Paulo Calhau (Pilhas) ascende ao 1º lugar do ranking do mundo da WKA em menos de 60 quilos. “São dez anos de trabalho concluídos nesta noite espectacular. Ainda estou nas nuvens” Foi um desabafo do novo campeão do mundo, mestre de Muay Thai no Progresso Clube, colectividade muito popular na freguesia de Algueirão/Mem Martins neste Concelho de Sintra.
O destaque: Paulo Calhau ganha em virtude de ter aplicado um KO supersónico no seu adversário.

Em Abril do ano passado Paulo Calhau foi entrevistado e declarou a que adoptou o nome de guerra “Pilhas”, e que iniciou a pratica de kickboxing como forma de preparação para o motocrosse. Acabou por se envolver na modalidade de Kickboxing a cem por cento.

Nasceu na Várzea de Sintra, aqui muito pertinho da minha residência e reside agora em Colares. Vai para dez anos que treina no Progresso Clube, e recentemente criou a sua equipa de competição de Muay Thai: “Progresso Team Pilhas". Digo eu que é interessante este nome.

Individualmente, conta no seu currículo com 35 combates, tendo perdido apenas por 4 vezes, e viveu mais um momento de grande glória na noite do passado dia 14 de Fevereiro no Pavilhão Municipal de São Miguel, na cidade da Guarda, quando derrotou por kO ao primeiro assalto, em apenas 40 segundos, o inglês kevin kovalik, conquistando o titulo mundial da WKA (Associação Mundial de kickboxing) em menos de 60 quilos, para profissionais.
Paulo Calhau ao lado dos dirigentes do Progresso Clube
Satisfeitos com esta conquista ficaram os dirigentes do Progresso Clube. O Presidente da Direcção, João Paulo Teixeira afirmou que “para uma colectividade como a nossa um titulo de campeão do mundo é algo deveras marcante” O Progresso Clube tem uma grande tradição nas artes de combate e, agora, temos ainda mais motivação para apostar nestas modalidades que, infelizmente, são pouco conhecidas”.

Anda a viver o sabor da vitória e a recompor-se das emoções o dirigente adiantou que “a nossa ambição, a curto prazo, é que se realize, nas nossas instalações um grande combate, e se possível, se discuta na nossa casa, um titulo mundial ou europeu.

Num destes próximos dias estarei no Progresso Clube para dar os parabéns ao Paulo (nunca me habituei a tratá-lo pelo “Pilhas”.
(A fonte da noticia e os fotos são do Dr Ventura Saraiva)

Antonio Raposo diz de sua justiça! Os remédios para a crise.

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Antonio Raposo colaborador habitual do Bancada Directa nesta sua crónica põe o dedo numa ferida que actualmente aflige todos nós! Esta tremenda crise.


OS REMEDIOS PARA A CRISE
(Isto não vai lá com paninhos quentes)


Reuniram-se os sete maiores países europeus para decidirem o que fazer em vista à crise económica.

Do que se sabe, foi que nada se mudou do stato quo. Prometeram controles. Só isso.

Mas mudar mesmo o sistema financeiro isso não!

Nós sabemos de experiência feita que é possível fazerem-se as maiores falcatruas mesmo com os chamados controles tradicionais. O conselho fiscal, os órgãos fiscalizadores externos, os bancos centrais, etc. etc. as leis apertadas, tudo isso falhou.

Os off-shores continuarão alegremente a esconder o dinheiro de quem o tem. As empresas sediadas nos off-shores continuarão a fazer as suas aplicações comprando tudo e todos, desde casas de campo a iates, desde campos de golfe a hotéis cinco estrelas. A utilizar o dinheiro vindo das melhores lavandarias, onde chega sem velhos odores nem manchas de sangue.

Com os actuais sistemas de movimento de capitais, qualquer um de nós (desde que seja multi-milionário) pode mexer no seus dinheiro e andar a passeá-lo pelo mundo inteiro, sem que ninguém o veja, nem se aperceba. Veja-se o que fez o pequeno BPN. Num simples computador (seria um Magalhães?) conseguia mexer nas massas sem que ninguém se apercebesse!
A não eliminação dos off-shores implica nos dias de hoje a que o sistema financeiro continue alegremente a dirigir o mundo. Isto independentemente de o pessoal ir regularmente votar e continuar a pensar que vive num sistema democrático.

Com o decorrer do tempo os governos acabam e alguns deles dão já essa ideia, por ser simples joguetes dos homens que tem o dinheiro.
Que conclusão tirar sobre a crítica feita sobre os off-shores pelo nosso primeiro ministro mas que como resultado da crítica o off-shore da Madeira continuar alegremente a sorver o dinheiro da banca pagando de impostos uma micharia.

Anda meio mundo a enganar todo o mundo!

O saber não ocupa lugar: Temas de Medicina: falemos de pulmões e pneumonias.( 2ª parte)

O saber não ocupa lugar:
Temas de Medicina.
Falemos de pulmões e pneumonias

Caros amigos leitores do Bancada Directa

O Temas de Medicina anterior ficou incompleto no que se refere à sua parte final, pelo que hoje estou a completar o mesmo. Peço desculpa aos nossos leitores pela omissão involuntária.

Falemos de pulmões e pneumonias: continuação


Vacinar é prevenir

Uma vez que a pneumonia pode evoluir para um quadro clínico grave, a melhor aposta é a prevenção. Que passa pela vacinação, nomeadamente contra a gripe: afinal, uma das complicações possíveis da gripe é gerar uma pneumonia.

Está igualmente disponível uma vacina contra o pneumococo, uma das bactérias causadoras da pneumonia.

A vacinação não oferece protecção total, não prevenindo todas as causas de infecção. Contudo, numa pessoa vacinada, a pneumonia é mais ligeira, dura menos tempo e apresenta um menor risco de complicações.

Prevenir passa também por um gesto básico mas essencial: lavar as mãos. É que as mãos estão em contacto com os agentes infecciosos, nomeadamente os causadores da pneumonia: basta levá-las á boca ou tocar no nariz para eles entrarem no organismo. Lavar as mãos, com sabonete e rigor, reduz a probabilidade de contágio.

As toalhas desinfectantes (toalhetes) também são úteis, sendo adequadas aos momentos em que não seja possível lavar as mãos: andar com uma é, aliás, aconselhável.

Entre os cuidados preventivos, inclui-se, ainda, não fumar: é que o fumo do tabaco, com todas as substâncias que contem, danifica as defesas naturais das vias respiratórias e dos pulmões, tornando-as mais vulneráveis a infecções.

Manter o sistema imunitário forte passa igualmente por uma alimentação equilibrada e pela prática de exercício físico.

A pneumonia não se manifesta sempre da mesma forma. Independentemente de possuir diferentes causas, pode declara-se com mais ou menos gravidade, levando mais ou menos tempo a recuperar.

Mas, porque o risco de complicações existe, o melhor, mesmo é prevenir; este Inverno aconselhe-se com um profissional de saúde, como o seu médico ou o seu farmacêutico e proteja-se.

O Sporting de Braga na Taça UEFA

Standard de Liége 1 - Sporting de Braga 1


Estava tudo decidido, mas nem por isso o Sporting de Braga não teve a atitude certa e mais correcta na visita a Liège. Os arsenalistas empataram com o Standard (1-1) e continuam firmes na campanha europeia que iniciaram a meio de Julho do ano passado. Luis Aguiar - um jogador que só continuará em Portugal se os clubes europeus de médio plano andarem todos a dormir - marcou um bom golo, podia até ter marcado outro e acabou por valer o empate à turma de Jesus.


Novamente Luis Aguiar foi influente neste desafio. Conseguirá o Sporting de Braga segurá-lo no final para a época que vem?


Nos oitavos da Taça UEFA, espera pelo Braga um Paris-SG que arrumou facilmente o Wolfsburgo e que já deve estar de sobreaviso. Por isso mesmo, a eliminatória com os de Le Guen, que têm Hoarau, Sessegnon, Giuly e Luyindula como figuras de cartaz, será bem mais dura de roer que esta frente aos de Bölöni. Mas este Braga tem boas condições para entrar nos oito melhores.

Para já o Sporting de Braga está a mostrar a essa Europa toda que por Braga se pratica bom futebol, e quando se juntam às exibições os golos, é sempre de admirar e enaltecer.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Insólito: A grua do molhe da Ericeira caiu na agua com o seu operador, o nosso Agostinho.

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Os factos que relatamos a seguir ocorreram no Sabado dia 14 de Fevereiro no molhe do porto de pesca da Ericeira. Por manifesta falta de tempo dou agora a noticia com algum atraso aos nossos leitores amigos. Também por falta de imagens do do acontecimento, dado que nesse dia estávamos longe da nossa residencia.

Os textos seguintes, bem como as imagens, retirei-as dos jornais "O Ericeira" e o "Mafra Hoje". A eles os nossos agradecimentos.

Olhando para o estado em que ficou a grua que coloca os barcos do molhe da Ericeira na água, ninguém diria que quem a manobrava ficara apenas com um arranhão na cara, fora o susto.

Agostinho, assim se chama o operador, caiu à água com a grua quando estava a fazer uma correcção na sua localização, mas conseguiu nadar até à rampa do encalhe são e salvo.
O acidente deu-se no Sábado passado, por volta das 15h00, depois de uma reparação que tinha sido feita na grua do Clube Naval da Ericeira, durante duas semanas, devido ao mau tempo

Ao efectuar a manobra, o operador não conseguiu imobilizar a máquina, o que fez com que esta tenha descaído até ao limite do cais, originando a sua queda para a água, com o motorista Agostinho dentro da cabine da mesma.
As operações para remover a grua do fundo do mar decorreram na segunda-feira 23 de Fevereiro, com a ajuda de uma outra grua e de mergulhadores do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), delegação de Peniche, perante os olhares de muitos curiosos.

“O mar português não come brasileiro, joga fora”, disse depois o Agostinho, natural de Minas Gerais , lembrando que este é o seu trabalho desde há nove anos.
As causas do acidente ainda estão por apurar. Contudo o presidente do Clube Naval da Ericeira Manuel Ferreira, garante que a grua estava em condições, além de que o operador tem formação para operar a máquina.

Tendo em conta que o molhe da Ericeira perdeu o seu principal meio de colocação de embarcações na água torna-se urgente resolver a situação o que parece imprevisível para tão breve quanto se deseja.

Manuel Ferreira já apresentou propostas ao IPTM para uma nova grua. Em causa está o sustento de uma centena de famílias que vivem à custa do mar. (texto do Mafra Hoje)

Eram cerca das 15h00 do dia 14 de Fevereiro Sábado, quando estavam a montar a grua no seu local de trabalho, no pontão da Ericeira, pois tinha sido acabada de reconstruir de algumas anomalias técnicas, que se deu o inesperado e impensável. A grua caiu ao mar e com ela o seu operador que estava no interior da cabine. Agostinho, o manobrador da grua, após o susto, quer do estrondo da queda aparatosa, quer da descida súbita no mar, conseguiu a nado chegar à superfície. Esperava-se o pior e a alegria de o ver tentando agarrar-se a algo que flutuasse já animava todos os que colaboravam na montagem. Estes pormenores, ainda com algum nervosismo, foram relatados pelo presidente do Clube Naval da Ericeira, cor Manuel Ferreira.

O sinistrado foi assistido no local pelos Bombeiros Voluntários s da Ericeira que o transportaram ao Hospital. Embora tenha ainda possibilidades de a nadar regressar a terra, além do susto tinha algumas escoriações. Obteve alta do Hospital, encontrando-se na Ericeira desde as 20h00 de Sábado. Apenas tem mazelas numa perna e na cara. Uma embarcação que estava perto, a Titanic, ficou danificada num dos seus rebordos laterais, ao ser atingida pela grua na sua queda à água (texto do "O Ericeira")

E agora as imagens






Os dias gloriosos e tranquilos de um velho guerreiro: Antonio Silva, aquele que foi um verdadeiro investigador da vida!

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Periodicamente dedico um dia para visitar um velho companheiro, grande no trato humano como trata os seus amigos e todas as pessoas em geral. Tranquilidade é sempre o sentimento que gira à sua volta e a sua quintinha é o lugar ideal para ele nos dias que passam se dedicar ás suas arvores de frutos e à sua criação. Grande que foi na sua activividade profissional, ainda hoje mantém uma lucidez de espirito digna de respeito. Impressionante!

Amigo Antonio Silva! Que Deus lhe dê ainda muitos e bons anos de vida..

Antonio Silva, tendo por detrás dele duas nogueiras de grande porte, agora desfolhadas, e que foram plantadas fez há poucos dias 30 anos.

Os damasqueiros já em floração A ribeira de aguas cristalina que vai desaguar no Rio Trancão.


A paisagem circundante, bem em relevo e convidativa ao sossego.

No espaço da criação os animais estão no paraíso

Nos anexos da casa principal, há uma cozinha rural mas muito bem artilhada com utensilios.

Na adega os amigos têm livre transito e nunca vêm de mãos a abanar.

Nesta oficina os amigos procuram sempre um parafuso ou uma porca para se desenrascarem.

Ói, malta da pesada: depois deste Carnaval, há que continuar a ter bons fins-de-semana!

Caros amigos leitores do Bancada Directa

As premissas e os desejos deste vosso blogue para vocês amigos, é que continuem a passar uns excelentes fins-de-semana, com motivos e situações "para mais tarde recordar"!
E, como tal, para que estes desideratos sejam uma realidade,
Bancada Directa oferece-vos, como habitualmente, a "miuda" para aliviá-los das vossas indecisões.
Então passem lá um bom fim-de-semana, e façam o favor de serem felizes e práticos.



(com dedicatória especial para o amigo Socialismo e Liberdade, que anda lá pelos Brasis.)

Mundo Policiário 10/09

Mundo Policiário 10/09

Dic Roland, KO e Sete de Espadas. Sempre presentes.

Tema deste Mundo Policiário: Conheça os nossos autores policiários. Antonio Raposo. Um principe da literatura policial contemporânea.





A MORTE DANÇA O BOLERO
Autor: A. Raposo

Meus caros amigos. Esta história não lembra ao diabo. Faz parte das minhas memórias e só me propus contá-la muito pressionado pela tertúlia dos policiaristas que frequentam, nas últimas quartas-feiras de cada mês, o Restaurante da Av. da Liberdade, em Lisboa.

Como sabem que estou reformado da Judiciária, andam sempre a espicaçar-me, forçando-me a contar casos complicados. São, aqui para nós, uns sádicos...

Como já não está em segredo de justiça, proponho-me contar esta triste história.

Estava eu em serviço, naquela tarde, já lá vão uns anos, ocupava na Judite o lugar de detective. Durante a minha carreira, cheguei a ter alguns sucessos, poucos e muitos amargos de boca... Para quem não saiba o meu nome é Tempicos. Detective Tempicos.

Nesse dia, fui chamado a Telheiras, junto à Escola alemã, a uma vivenda de vários pisos, e com um pequeno jardim envolvente. Nessa data ainda não existia na zona um enorme edifício tipo Coliseu Romano, também para a prática desportiva e decorado que foi com uma colecção riquíssima de estonteantes azulejos coloridos, que fazem as delícias dos amblíopes do Lumiar.

Fui chamado para investigar um caso de morte, na pessoa do capitão Magalhães, homem dos seus sessenta e tal anos, militar reformado. Quando entrei, deparei com os dois sobrinhos do capitão que viviam com ele, juntamente com uma velha criada. Um jardineiro ia de vez em quando tratar do jardim.

A história do capitão Magalhães é de uma tristeza tal que faria chorar as pedrinhas da calçada. Vejam só. O homem servira o País no exército, tendo cumprido várias missões em África, até que com o 25 de Abril, regressou e encontrou a mulher com uma doença daquelas que não perdoam.

O seu único filho, já adulto, que tratara da mãe, resolveu abreviar-lhe o sofrimento e enfiou-lhe uma dose bem aviada de tranquilizantes, pelo que ela ficou definitivamente tranquilizada! O médico desconfiou e… resumindo, o rapaz acabou apanhando dez anos de prisão. Provou-se e ele confessou que tinha morto a mãe, por piedade. O juiz que não encontrou nenhum decreto piedoso no código ferrou-lhe a dose.

O capitão Magalhães era um homem de formação militarista, conservador e católico ferrenho. Não perdoou ao filho aquele acto. Com o conhecimento de todos, fez testamento a favor do sobrinho mais velho, tendo alegado o artigo 2166 do código civil para retirar a parte “legítima” ao seu filho. Segundo a versão dos sobrinhos o tio resolveu acabar com a vida.

Para pôr em prática tal desiderato, subiu à sua sala, no 1º andar, um misto de biblioteca e auditório de música e deu um tiro na boca, embalado no som rítmico do Bolero de Ravel, utilizando a sua arma de guerra, que trouxera de Angola, uma Walter, que não foi devolvida ao exército e que ficou como recordação.

O sobrinho mais novo contou depois que na altura navegava na “net” no andar por cima da biblioteca. Por volta das 3 da tarde começou a ouvir o ”Bolero de Ravel”. No decorrer da execução musical não ouviu qualquer outro ruído. Só soube do caso quando foi alertado pelo irmão que foi ter com ele à sua sala, já o tio estaria morto e a polícia avisada.

O irmão mais velho contou também a sua versão do caso. Estava a carpinteirar na cave, preparando umas tábuas para produzir um pequeno móvel, usando a sua lixadora eléctrica nas madeiras. Apercebeu-se perfeitamente do início da música que o capitão começou a tocar no gira-discos. Era o “Bolero de Ravel” que o seu tio tanto gostava e que punha muitas vezes no ar. Lá para o final da música, que ainda demora um bom quarto de hora, ouviu um tiro e um ruído como de um corpo a cair no chão. Largou tudo e correu subindo à biblioteca, à sala do tio. Pela enorme ferida que observou na nuca e por o corpo se encontrar imóvel, percebeu que a morte fora instantânea. Saiu, fechou a porta à chave, meteu esta no bolso e correu ao telefone da casa, o único, que se encontrava junto à porta da rua. Depois foi avisar o irmão e a velha criada.

A criada, coitada, estava na cozinha a tratar das panelas. Ouviu a música e só depois o sobrinho do capitão lhe contou o sucedido. A cozinha ficava no rés-do-chão ao fundo da casa.
O jardineiro que esteve toda a tarde a tratar dos canteiros, deu uma boa contribuição ao caso. Contou que também ele era um melómano. Chegou a estudar música na sua terra natal. Viu o capitão chegar à janela, fumando um cigarro e percebeu logo que ia haver concerto.

O capitão deixou a janela meio aberta e iniciou o Bolero de Maurice Ravel. Sabia que a execução demorava um pouco mais de 16 minutos e sabia porque fora ele que oferecera o disco ao patrão quando este fizera anos. Havia gravações que demoravam um pouco menos, mas esta era tocada pela Orquestra Filarmónica Europeia tendo como maestro H. Greenburg.

Na parte final, já com todos os instrumentos em pleno, no intervalo do bater dos pratos, ouviu um barulho que lhe pareceu um tiro. O seu ouvido garantia que aquela nota de ruído não tinha sido escrita pelo compositor… Por isso é que largou as flores e foi bater à porta da frente, saber do caso, e, afinal com toda a razão, porque teria havido o eventual suicídio do capitão.

O cenário da morte era um tanto violento, mesmo para quem tinha como eu tanta prática. No primeiro andar, numa ampla divisão tipo biblioteca/sala de música, um sofá estava estrategicamente colocado frente às colunas e ao conjunto sintonizador – amplificador – toca discos.
Uma única janela, meio fechada. Um grosso tapete persa ocupava toda a sala. Umas estantes com livros rodeavam a zona da aparelhagem musical. A parede por detrás do sofá tinha alguns pequenos quadros de motivos africanos.

O corpo do capitão jazia de bruços na espessa alcatifa. Um buraco enorme e muito feio na nuca, por onde a bala saiu, juntamente com muito sangue. A arma – uma Walter – de guerra, ficara por debaixo do corpo. A bala que saiu foi alojar-se na parede por detrás do sofá a cerca de um metro e oitenta do rodapé. Os braços junto ao corpo. A morte teria sido instantânea. Uma cápsula foi encontrada debaixo do sofá. O “C.D.” de Ravel encontrava-se ao lado da respectiva caixa, sobre o “compact disc-player”. O aparelho estava ligado, bem como o amplificador.
Este caso, na época deu muita celeuma na polícia. O que me valeu foi que na altura as televisões ainda não andavam atrás dos casos de polícia, como de pão para a boca.
Por causa dele tive uma série de aborrecimentos com a chefia e acabei pedindo a reforma antes do tempo (ou seriam eles que ma deram?), mas isso já não interessará aos nossos amigos confrades...
Peço-vos a solução do caso e, já agora, digam-nos quem irá herdar a vivenda do capitão Magalhães sabendo que ele fez testamento e a sua família se resumia aos que entraram na história.

( publicado na secção “Policiário” do jornal “Público” de 7 de Dezembro de 2003 )

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bancada Directa e os seus resquícios do Carnaval de 2009

Caros amigos leitores do Bancada Directa

1º Tema

Refiro-me ao Carnaval do Rio de Janeiro e ao desfile das escolas de samba no sambódromo da cidade carioca.

Segundo as ultimas noticias foi a escola de samba "O Salgueiro" que conquistou o titulo este ano. Pelos vistos foi a escola de samba "O Salgueiro" que fez o melhor desfile, mas convenhamos dizer que foi um triunfo inesperado.

Ainda ontem o Jornal "A Folha de São Paulo", ao qual tive acesso, dizia que as mais bem posicionadas para serem as vencedoras eram as escolas Beija-flor e a Vila Isabel. Ora confiram lá as previsões de "A Folha de São Paulo"

Carnaval de 2009- Rio de Janeiro. Brasil

Beija-flor e Vila Isabel disputam a hegemonia.

A Escola de Nilópolis, com enredo sobre a história do banho, saiu do Sambódromo do Rio de Janeiro na primeira noite do desfile com boas chances de conquistar o seu tricampeonato; a Vila Isabel fez um desfile luxuoso e leve, com baixa presença de estrangeiros.



Esta foto acompanhava a noticia e são a Thatiana Pangung da Bateria Mocidade e a Adriana Galisteu da Unidos da Tijuca




Mas se as fotos de cima eram de má qualidade, era só para abrir o apetite para estas duas seguintes. Realmente e preciso muito fôlego para estas "brasucas d'um raio".

2º Tema

A Doutora Cristina Aguiar, ao qual eu tenho a honra de a incluir no numero dos meus queridos amigos, solicitou-me apoio logistico para um texto de Carnaval de sua autoria. Porque tinha adquirido um PC novinho, o maroto estava a pregar-lhe umas partidinhas, próprias desta quadra. E vai daí tive conhecimento do seu texto e resolvi publica-lo neste blogue Bancada Directa sem sua autorização expressa, mas espero que não se zangue. Òh Cristina, desculpa lá esta atitude, mas o texto é tão bonito......


A MÁSCARA DE CARNAVAL MAIS INOVADORA QUE CONHECI


Carnaval. Festa da alegria, da folia , da transfiguração e também da transgressão…


Vale quase tudo! E, por isso mesmo, sinto sempre, por esta altura do ano, um certo deslumbramento e muita animação!


Nunca me esqueço de um certo episódio, bem carnavalesco, que já remonta há duas décadas e, que por ser tão insólito, me ficou na memória …


Ocorreu durante um passeio, organizado pela escola onde iniciei a minha carreira de professora ( por sinal, uma escola deste nosso concelho e que, segundo contam colegas que por lá passaram, está bem diferente da imagem que conheci ). Por ter sido a primeira escola onde fui colocada e comecei a leccionar, de alguma maneira os meus dois anos de vivências por lá tiveram algo de encantamento. O episódio que passo a contar não fugiu à regra…


Havíamos ido num passeio até Sintra. Era um passeio de escola, sem alunos. Só para professores e funcionários. Os participantes, cerca de umas quinze a vinte pessoas no total.


Subimos os caminhos da serra, onde fizemos um tranquilo e, ao mesmo tempo, revigorante piquenique ao ar livre, no chamado Parque da Liberdade, nome adequado e que vem muito a propósito ao que se segue.

Estava-se, então, no Carnaval. E alguns de nós, jovens professores recém-licenciados, iam mascarados. Guardo ainda uma foto onde ficaram registadas várias dessas máscaras de gente nova, fresca e jovial. Por exemplo, o colega de Educação Visual ia de homem do circo, com camisola às riscas horizontais e largas, vermelhas e brancas; fato igualmente às riscas, mas desta vez de riscas finas e cinzentas, em fundo branco, com o particular de as calças serem curtas; de gravata florida, com sapatorros e cartola pequena e amarrotada .

A colega de Ciências Naturais trajava à menina de infantário, de bibe aos quadradinhos, totós com lacinhos e sardas nas bochechas rosadas. Havia ainda uma colega fantasiada de florista ou de Maria Papoila ou de ceifeira; a colega de Educação Física estava disfarçada de cozinheiro maluco, com narigueta postiça, óculos escuros e o seu tão característico chapéu armado, alto e imaculadamente branco.

Enfim, um longo, criativo e diversificado desfile de máscaras. Até aqui nada de especial a assinalar. Mas, no meio de todas estas, houve uma máscara inesquecível e verdadeiramente bizarra, que surgiu com mais impacto e que chamou a atenção de todos. Foi a fantasia de uma auxiliar de acção educativa ( nessa altura ainda só chamada de contínua ), que era também a esposa do então chefe da secretaria da escola.


Estávamos todos, professores e funcionários, sentados num muro baixo, no tal parque da serra, de nome Parque da Liberdade, já bem almoçados e em amena cavaqueira, quando, de repente, para nosso pasmo, a tal senhora, mascarada de homem, decide abrir a braguilha e pôr a arejar um corpo estranho. Pusera-se, então, a dar festinhas a uma salsicha, daquelas pequenas e enlatadas, de uma marca qualquer ( não é relevante; porém, ela depois havia de esclarecer que nãopassava de uma mera salsichinha Isidoro. Eu fiquei em pleno êxtase e não fui a única. E ela, divertida da vida, a soltar umas risadinhas malandras e sempre a dar festinhas…

Admirei-lhe a audácia e o atrevimento. Revelara-se a única com uma máscara realmente criativa, engraçada e original. E barata. Certamente tudo roupa do marido. Menos o apêndice. Daquelas que ainda hoje não se vendem nos bazares chineses nem nas lojas de trezentos. E eu, na minha santa inocência e pueril candura dos meus vinte e três aninhos, a invejar-lhe a coragem e a acompanhar os ágeis movimentos de dedos a mexer na maneirinha salsicha e ex-enlatada, a espreitar na “ janela “ das calças. Ah, acrescente-se um pormenor que a distinta senhora fez questão de clarificar. Ao improvisar esta sua máscara, ela ficara na dúvida se havia de optar por uma salsicha fresca de talho, por uma de lata ou por um chouriço de carne. A opção fora tomada, depois de ouvida a abalizada opinião do marido, seu juiz e conselheiro, e era agora ostentada, com muito orgulho, a todos ou, pelo menos, para quem quisesse ver.


Na verdade, foi uma tarde única…memorável, com muito boa disposição, alegria, diversão, não faltando as anedotas, mais ou menos picantes, à mistura. Uma tarde muito bem passada, em são convívio e amena camaradagem.


Esta foi uma das cenas do meu Carnaval de 1986 ou 1987 ( o distanciamento no tempo impede-me de precisar o ano, mas esse pormenor também não interessa nada).


Como era Carnaval, ninguém levou a mal.


E, como agora é Carnaval de novo, espero que também ninguém leve a mal. Aliás, não faz sentido. Até porque não foi minha intenção ferir possíveis susceptibilidades.


Como uma professora da minha Faculdade disse uma vez, dissertando acerca dos limites morais da escrita: “ Não podemos esquecer o que a escritora e investigadora Carolina Michaelis de Vasconcelos defendia a esse respeito - “ Em Literatura, ao contrário da vida, não pode haver preconceitos nem proibições… “


E eu acrescento ainda: brincar ao Carnaval é uma boa maneira de nos sentirmos vivos e alegres.


Afinal, que melhor forma existe do que o sentido de humor para minorar as agruras da vida?

Cristina Aguiar.Carnaval de 2009

Bancada Directa informa os seus leitores sobre tudo o referente aos "chips" das matrículas.

Conheça como funciona, quanto custa, onde adquirir, quando entra em vigor e quais as multas.



O 'chip ' da polémica, afinal, não vai ser um ' chip ', mas sim um pequeno aparelho que se coloca no pára-brisas do carro. Surpreso? É natural. É que a polémica acerca do novo instrumento de pagamento de portagens, agora criado pelo Governo, tem deixado muita informação prática por explicar.

Para dar uma primeira ajuda, e ficar a saber tudo sobre o ' chip ' - que não o é - o Diário Económico enviou várias questões práticas ao Ministério das Obras Públicas. Aqui ficam todas as respostas.

1. QUEM VAI TER DE USAR O ' CHIP '?
Todos os proprietários de veículos automóveis, reboques, motociclos e triciclos autorizados a circular em auto-estradas e vias equiparadas têm que instalar o Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM) nos respectivos carros.

2. QUANTO VAI CUSTAR?
O DEM vai ser gratuito nos primeiros seis meses (o prazo conta a partir da entrada em vigor da Portaria, daqui a dois meses, mais ou menos). Depois, o preço irá de dez a 15 euros.

3. QUANDO ENTRA EM FUNCIONAMENTO?
Entra em funcionamento após a publicação da Portaria Regulamentar. Na prática, é dado um ano para a adaptação de todos os carros, sendo que só nos primeiros seis meses o dispositivo será gratuito.

4. QUEM O INSTALARÁ NOS CARROS?
Os proprietários ou respectivos titulares, no caso dos carros em circulação (à semelhança do que acontece com a Via Verde). No caso de carros novos, a responsabilidade é dos representantes oficiais das marcas (quer isto dizer que um carro novo já traz o DEM).

5. QUE PENALIZAÇÕES ESTÃO PREVISTAS NA LEI?
A não existência do DEM na viatura, a partir do momento em que se torne obrigatório (um ano após a entrada em vigor da Portaria Regulamentar), equivale para efeitos do Código da Estrada à ausência da chapa de matrícula - com multas de 600 a 3000 euros.

6. COMO FUNCIONA? É COMO A VIA VERDE?
O DEM é um identificador electrónico que adopta um formato e uma tecnologia em tudo semelhantes ao conhecido identificador Via Verde. Os princípios de funcionamento são em tudo semelhantes aos princípios de cobrança electrónica através da Via Verde, mas adoptando um conjunto de regras suplementares que garantem o anonimato do utente, se este assim o entender.

7. SERVE NAS PORTAGENS NORMAIS?
Sim. Com este dispositivo poderão pagar-se todas as portagens, recorrendo à via reservada à cobrança electrónica.

8. QUEM FISCALIZARÁ A UTILIZAÇÃO?
As autoridades policiais fiscalizarão, nos termos do Código da Estrada, a instalação do aparelho nos carros. Nas inspecções periódicas, os Centros de Inspecção Técnica de Veículos controlarão o funcionamento técnico do aparelho.

9. QUEM VAI FAZER O ' CHIP '?
Os DEM serão produzidos pelas entidades que já fazem os dispositivos da Via Verde e similares. Não está excluída a possibilidade de produção nacional do DEM.

10. E QUEM, E ONDE, SE COMERCIALIZA?
Será distribuído pelas entidades de cobrança de portagem (tipo Via Verde) e pelos CTT no caso dos carros em circulação. No caso de automóveis novos serão os representantes oficiais das marcas a adquiri-los.

11. OS QUE JÁ TÊM VIA VERDE TAMBÉM SÃO OBRIGADOS A INSTALAR UM ' CHIP '?
Se o titular do contrato Via Verde não se opuser, o seu identificador será convertido automaticamente em dispositivo electrónico de matrícula.

12. AS AUTO-ESTRADAS DEIXAM DE TER PORTAGEIROS?
As auto-estradas continuarão a ter portageiros como até aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Outlet Freeport de Alcochete em 3 dimensões

Caros amigos leitores do Bancada Directa

Vamos falar do Outlet Freeport de Alcochete. Quase em tom ameno como num filme em sistema de filmografia de 3 dimensões. Mas para ver sem os óculos especiais.

A 1ª dimensão refere-se à localização do Freeport, especialmente o parque de estacionamento sul, o tal que deu origem a toda esta polémica, pois estava dentro da tal ZPE. Se foi licita ou ilicita a deliberação que permitiu tal, e até o próprio "timing" da autorização um dia se saberá. Acusar sem provas isso é que não!!!!.

Aqui é a ZPE actual, mesmo encostada ao Freeport do lado sul


O Freeeport visto de sul, este lado encostado à ZPE

A 2ª dimensão refere-se à Exposição "Onde acaba o monstro e começa o mito". Sem querer fazer alusões a quaisquer figuras mediáticas, que foram tão perniciosas para o povo português durante a longa noite fascista, mesmo assim dá para pensar. Até porque corre entre nós a possibilidade de recordar alguém, que devia estar muito sossegadinho no lugar onde está, mas que andam sempre a querer faze-lo lembrar.E em temas muito complexos e irreais.

Cartazes em número excessivo indicam que há esta exposição

A 3ª dimensão vai ter um titulo muito sugestivo: O Outlet Freeport virou Turismo Social.

Já me tinham feito notar que os comerciantes de Alcochete lamentavam-se , que com o aparecimento do Freeport, este empreendimento os tinha vindo prejudicar. Não pelo afastamento das suas clientelas habituais, que naturalmente preferindo as grandes superficies, ainda se mantêm fieis ao comercio tradicional. Mas certo extracto social de clientes, com especial predominancia para a classe media alta e da juventude, tambem não se servia do comércio de Alcochete. Mas em todo o caso o comercio de Alcochete antes do aparecimento do Freeport sobrevivia com relativa facilidade.

Mas surgiu nos ultimos tempos um dado novo. O Turismo Social no Freeport. Muitas excursionistas demandavam Alcochete e nesta localidade compraziam-se em visitar o centro histórico e os seus pontos de interesse. Locais e edificios de interesse eram o centro das atenções , tais como:

a) Igreja Matriz, uma construção marcadamente em estilo gótico, com três naves, sendo que a torre sineira e a porta lateral sul são de estilo manuelino.
b) Igreja da Misericórdia, interior de uma só nave, profusamente decorada.
c) Capela de Nossa Senhora da Vida, interior também de uma só nave, albergando no seu interior a imagem de Nossa Senhora da Vida, de grande devoção entre as classes piscatórias.
d) Ermida de Nossa Senhora dos Matos, próximo do Samouco.
e) Capela de Santo António da Ussa, estranha capelinha na Herdade da Barroca d’Alva, que imita um zigurate.
f) Ruínas do Convento de São Francisco, nesta freguesia.
h) A Ponte Cais, é o ex-líbris da vila de Alcochete.
g) O Edifício dos Paços do Concelho, edifício a imitar o estilo neoclássico, de linhas sóbrias, no Largo de São João.
i) Edifício do Lar Barão de Samora Correia, no Rossio ou Largo com o mesmo nome.
j) Palacete do Marquês de Soydos, no Largo com o mesmo nome.

Agora nem vê-los. Mas quem se deslocar ao Freeport lá observa a fila de autocarros estacionados e os excursionistas, na maioria pessoas já de idade um pouco avançada, a admirar as lojas do Freeport.

Como diz a Rita Blanco no spot do "Conta-me como foi": Modernices!

Ora vejam lá imagens:










Já agora um pequeno apendice final: Este pedido de colaboração para mim fazia-me muito jeito. Mas era se fosse
há cerca de 7 anos atrás. Não era nada mau!

Obrigado Pela Sua Visita !